Sábado, Novembro 07, 2009

Amargura

O que tenho para oferecer hoje? Ah! Uma bela contribuição de minha amiga Leda Flaborea, colunista de O Consolador. Ela nos fala de amargura, estado de opressão que é , a um tempo aflição, tristeza, angústia, insatisfação.
Vamos, então, à palavra elucidativa de nossa companheira que tem o dom de explicitar situações recorrentes em que se debate o ser humano em suas experiências reencarnatórias.
Gostaria de ter transcrito aqui o artigo, como sempre faço, mas algum transtorno me impede agora de realizar uma cópia do texto em questão. É clicar no link e fazer a leitura em O Consolador.
Uma verdade bem a tempo: "Nossa maior fonte de desprazer ou insatisfação é acreditar que os recursos de que necessitamos para bem viver estão fora de nós. Os bens de que precisamos estão dentro de nós, visto que cada ser humano é um 'livro sagrado' ou uma 'biblioteca viva' de conhecimentos imortais." Hammed

Terça-feira, Setembro 29, 2009

AS VISITAS DE CHICO



Lembrando CHICO e suas andanças pela prática da caridade


Uma amiga contou-me que, no livro Mediunidade, de Divaldo Franco, encontrou uma passagem sobre as visitas noturnas que Chico fazia para levar conforto a pessoas entregues ao abandono.


Não sei se serei capaz de reproduzir exatamente o relato que ouvi com espanto e admiração, mas farei uma tentativa.

O impressionante não eram as visitas que o Chico fazia com os grupos, mas as anônimas que ele fazia madrugada a dentro quando saía sozinho para levar conforto moral a famílias carentes, a pessoas moribundas.

Ali estava uma imensa antena paranormal da humanidade, nestes últimos séculos, a encobrir tamanho potencial e amparar uma família com fome , em sofrimento.

Éverdade que, em Pedro Leopoldo, ele visitava pessoas que moravamm debaixo de uma velha ponte que já ruíra, numa estrada abandonada. Sua irmã Luísa e mais duas ou três pessoas da mesma comunidade insistiam em acompanhá-lo.

À medida que o número de visitas aumentava, o número de necessitados se avolumava. O grupo visitador mal conseguia reunir víveres para o grupo carente. Pessoas de escassos recursos, contavam com a boa vontade dos que reconheciam a luta que enfrentavam.

Havia a ajuda preciosa, embora esporádica, do esposo da Luísa que. como fiscal da prefeitura, podia, algumas vezes, recolher, nas feiras livres, o material excedente (legumes, frutas e outros alimentos) destinado a doação, para Chico distribuir aos seus necessitados da ponte.

Houve, porém, um dia em que ele, sua irmã e auxiliares não conseguiram recolher nada, Decidiram, então, que não iriam à ponte naquela noite vazia. Eles próprios viviam com muito pouco, com extrema dificuldade.

No Centro, naquele sábado, Chico recebeu o espírito do Dr. Bezerra de Menezes que sugeriu aos visitadores que providenciassem umas vasilhas com água. Eles assim procederam e o benfeitor, utilizando-se do seu ectoplasma como do de todas as pessoas presentes, fluidificou o líquido das vasilhas, deixando-o levemente perfumado. Após a sessão, Chico e seus auxiliares transportaram as moringas para o local do encontro.

Havia cerca de duzentas pessoas, entre adultos, crianças, enfermos em geral, alguns com graves problemas espirituais, todos extremamente necessitados.

- Lá vêm o Chico e a Dona Luísa, gritaram eles!

Constrangido por ter apenas água (aquelas pessoas não entendiam de água magnetizada), Chico tentou explicar a situação:

- Meus irmãos, hoje não temos nada de substancioso a oferecer, mas lhes pomos nas mãos essas moringas de água fluidificada.

A decepção gerou mal-estar e as pessoas se retraiam ou se mostravam hostis, algumas tomando atitudes de desrespeito, levando-o ao sofrimento.

Em dado momento, uma das assistidas levantou-se e disse com voz decidida:

- Alto lá! Estes homens e estas mulheres vêm sempre aqui trazer-nos ajuda com todo respeito e consideração. Se hoje eles não têm o que distribuir, cabe-nos aceitar e enntender suas razões. Vamos juntar nossas energias, vamos cantar, vamos entoar um hino a Deus e agradecer.

Enquanto ela se pronunciava, apareceu um caminhão carregado e alguém, lá de dentro, indagou: - Quem é Chico Xavier?

Quando Chico se apresentou, o motorista perguntou-lhe se ele conheca um Dr. Fulano de Tal. Chico recordava-se de um senhor de grandes posses, de São Paulo, que, um ano antes, estivera em Pedro Leopoldo e lhe contara seu drama pessoal. O filho havia desencarnado e ele e a esposa estavam desolados. Chico compadeceu-se do casal e tentou ajudá-los com palavras de fé e temperança.

Com o tempo, durante uma sessão, o espírito da criança, trazido pelo espírito de Dr. Bezerra de Menezes, deixou aos pais uma consoladora mensagem de esperança e amor.

Ao receber a mensagem do filho, o cavalheiro asseverou:

- Um dia, Chico, hei de retribbuir-lhe , de alguma forma, seu gesto de amparo.

Emocionado e curioso, pediu a Chico que lhe explicasse o fenômeno daquela comunicação, recebendo do médium uma ampla aula sobre comunicações mediúnicas.

O motorista concluiu a entrega dos alimentos, explicando que viera com o endereço do Centro, a mando do Sr. Fulano de Tal, para entregar a carga, mas devido a um problema na estrada, demorara um pouco mais no percurso, encontrando o local fechado. Um senhor de idade, de barbas brancas, aproximou-se e perguntou o que eu desejava. - Procuro o Sr. Chico Xavier, disse-lhe.

Então, dobre na primeira curva, vá até uma ponte caída e diga que fui eu quem o orientou.

- E como se chama o senhor?

- Meu nome é Bezerra de Menezes.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

DIVULGAÇÃO DE IMPORTANTE EVENTO

Universo Vermelho, de André Esquiavan



Volto aqui com intervalo tão curto para divulgar um importante evento sobre Educação. Trata-se do III Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade a realizar-se no período de 22 a 24 de setembro, na Univrsidade Federal de Sergipe, Campus de Itabaiana.


CONFERÊNCIAS

Conferência de abertura: "Como os professores aprendem sua profissão"

Conferencista: Prof. Dr. Guy Berger (Universidade Paris 8 - França)

Tradução: Prof. Dr. Bernard Charlot (Universidade Paris 8 /UFS/NPGED/NPGECIMA/EDUCON)

Coordenação: Prof a. Dra. Veleida Anahi da Silva (UFS/DED/NPGED/NPGECIMA/EDUCON)

Local: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS



Conferência de Encerramento:
"As teoriaspedagógicas modernas revisitadas pelo debate conteporâneo na educação".
Conferencista: Prof. Dr José Crlos Libaneo (Universidade ctólica de Goiás)
Coordenação: Prof. Dr. Bernard Charlot 8 (UFS/NPGED/NPGECIMA?EDUCON)
LOCAL: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS
Inscrições:
Período de incrição: de 08/06/a 22/09 de 2009
Com apresentação de trabalho: 30 de agosto de 2009
Sem apresentação de trabalho: 22 de agosto de 2009
EIXOS TEMÁTICOS
1 - Educação, Intervenções Sociais ePolíticas Afirmativas
2 - Educação, Sociedade e Práticas Educativas
3 -Educação, Trabalho e Juventude
4 - Formação de Professores: Memórias narrativas
5 - Ensino de Ciências e Matemática
6 - Educação, Cultura e Religião
7 - Educação Infantil e Inclusão Social
8 - Tecnologia, Mídia e Educação

CONTATO

E-mail: coloquioeducon@yahoo.com.br
Tel: (79)2105-6761/6797

INSCRIÇÃO ON-LINE: http://br.geocities.com/educon/IIIcoloquio

PROGRAMAÇÂO COMPLETA:

Clique AQUI

Estamos fazendo esforço para que este evento receba o maior número de interessados (profissionais ou leigos), nos temas em dicussão. São esses debates que promoverão a melhoria do nosso sistema educacional e colocará o Brasil na lista dos países mais desnvolvidos e, portanto, dos formadores de opinião, para o bem de todos.

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Aproveito esta oportunidade para complementar o post anterior a este, com recomendações perfeitas pertinentes ao tema abordado, ditadas pelo espírito de André Luiz e psicografadas por Chico Xavier:

Aprenda a sorrir para estender a fraternidade.

Eleve seu vocabulário para o intercâmbio com os outros.

Carregue suas frases com baterias de compreensão e otimismo.

Eduque a voz para que ela seja a moldura digna de sua imagem.

Converse motivando as pessoas para o bem a fazer.

Não corte o assunto com anotações diferentes daquilo que interessa a seu interlocutor.

Quem aprende a ouvir com respeito fala sempre melhor.

Diante de problemas a solucionar, esclareça com serenidade, sem destacar a perturbação.

Quanto possível, procure calar suas mágoas, reservando-as para seus colóquios com Deus.

RECORDEMOS:
Todos precisamos uns dos outros e a palavra simples e espontânea é a chave da simpatia.


Vamos pensar nessas máximas

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

O QUE ENSINA O ESPIRITISMO?

Imagem colhida no Google
A pedido de amigos da internet, andei procurando um livro que os orientasse na compreensão do que é o Espiritismo, seus fundamentos, as diretrizes da Doutrina.
Fiquei satisfeita com o que encontrei. O QUE ENSINA O ESPIRITISMO, de Gerson Simões Monteiro é um curso rápido, inteligentemente conduzido.
Lê-se na capa traseira:
"Fácil de ler, explica os princípios básicos da Doutrina Espírita, assim como temas complementares. Sua leitura o fará entender os principais pontos do pensamento espírita.
Com muitos exemplos e histórias, Gerson Simões Monteiro fala sobre sobre a existênca de Deus e a imortalidade da alma, sobre a reencarnação e a comunicação com os 'mortos', sobre o significado da morte e a evolução do espírito, sobre o casamento e a vida sexual e, entre outros, aborda temas como suicídio, eutanásia, aborto, doação de órgãos, dia de finados, pena de morte.
Conheça O que ensina o Espiritismo". (Mauad Editora Ltda)
O autor realiza uma espécie de interação do leitor com o conteúdo dos capítulos e complementa sua tática apontando leituras pertinentes para o aprofundamento dos temas abordados.Tópicos como a morte, o esquecimento do passado, a vida em outros planetas, o inferno, o paraíso, o purgatório, a necessidade do perdão, o valor da oração e muitos outros são sugeridos e explicados à luz da compreensão espírita.
Créditos do autor: economista e professor universitário (atualmente aposentado), tendo trabalhado no Ministério da Educação, no Banco Nacional de Habitação e na Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro, além de ter atuado como consultor do Banco Mundial.
O nosso 'Onde Estamos' continua firme no propósito de colocar ao alcance dos leitores e amigos, informações sobre este tipo de leitura oportuna, tão necessária aos que se querem iniciar no estudo do Espiritismo.
Vamos encerrar com uma prece? Tenho em mãos uma muito bonita, bastante significativa, por isso sempre repetida. Vocês devem conhecê-la. Quem vai me dizer o nome do autor?
Senhor,
Não me deixes rezar por proteção
contra perigos,
mas pelo destemor de enfrentá-los.
Não me deixe implorar
pelo alívio da dor,
mas pela coragem de vencê-la.
Não me deixe procurar aliados
na batalha da vida,
mas minha própria força.
Não me deixe suplicar com temor aflito
para ser salvo,
mas esperar com paciência para
merecer a liberdade.
Não me permita ser covarde,
sentindo sua clemência
apenas no meu êxito,
mas me deixe sentir a força da
Sua mão quando eu cair.

Terça-feira, Julho 28, 2009

Enconto informal

Não quero terminar o mês sem voltar aqui para um dedinho de prosa, para contar alguma novidade, ou mostrar alguma coisa bonita que leio no momento, ou oferecer um poema singelo, ou mesmo, fazer uma prece em boa companhia .

Se tenho novidades? Nem sei, acho que não, mas estou no meio de uma leitura que me tem empolgado. Trata-se do livro “Que é Deus?”de Eliseu F. da Mota Junior. Na capa traseira, está escrito:

Que é Deus?

“Consta que certa vez, defrontado com esta indagação, Santo Agostinho teria respondido: Quando me perguntam que é Deus, eu não sei; porém, se não me perguntam, então eu sei.
Não obstante isso, caudalosos rios de tinta e vicejantes florestas de papel já foram consumidos para procurar outra resposta, porque o homem continua confuso diante do seu Criador.
A proposta deste livro é sobretudo, ajudar o leitor a entender a razão pela qual Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

Fiquei curiosa e iniciei a leitura que só me tem surpreendido. Garanto que vocês vão me dar razão se fizerem a mesma coisa .

Um poema, agora, não vai mal e é o que vou deixar aqui:
um poema mediúnico, de Raul de Leone:

SONETO

Se todos nós soubéssemos na vida
A Verdade grandiosa e soberana,
Não faltaria o gozo que promana
Dos sentimentos da missão cumprida.

Mas na Terra nossa alma empobrecida,
Presa dessa vaidade toda humana,
De desgraça e erros se engalana
Numa incerteza amarga, irreprimida.

Vamos passando assim a vida inteira,
Sem esposar a crença imorredoura,
A fé demolidora de montanhas.

Quase imersos na treva da cegueira,
Sem vislumbrar a luz orientadora,
Nessa noite de dúvidas estranhas.


Para finalizar, elevemos nossa alma ao Criador pedindo paz sobre a Terra

Segunda-feira, Julho 06, 2009

O PULO DO GATO

O pulo do gato
Meu irmão tem umas historinhas interessantes que se aplicam a esclarecer pontos do Evangelho de modo sugestivo, para leitores mirins, mas que também podem interessar ao leitor adulto. Estou tentada a escolher uma delas e postá-la aqui, hoje. Vejamos esta:

INIMIGOS DE OUTRAS VIDAS

Alegre, comunicativo, a todos Arlindo cativava com seu jeitão de fazer amigos e a todos servir com dedicação e simplicidade. Decididamente não era má pessoa, entretanto, a presença do Otávio causava-lhe um indisfarçável mal-estar não poupando oportunidade para realçar sua repulsa ao jovem colega de trabalho que, não obstante, tudo fazia para conquistar-lhe a amizade.
Certa feita, o pacato Otávio, ao ensejo de uma reunião informal, aproximando-se do seu desafeto, falou de maneira quase imperceptível aos demais colegas:
- Não me recordo de tê-lo ofendido, a não ser inconscientemente; peço-lhe, então, que me perdoe. Se não pudermos ser amigos, vamos conviver civilizadamente como colegas?
-Nunca. Sua presença constrange-me, irrita-me, tenho ímpetos de esganá-lo. Suma daqui.
Ao tomar conhecimento do incidente, o Sr. Nilton, gerente geral da empresa, chamou o Arlindo para uma conversa reservada.
Ainda transtornado, Arlindo comentou que não suportava a proximidade do Otávio, embora desconhecesse o motivo real da aversão. A simples aproximação do tal colega causava-lhe sobressaltos e repugnância. Ele, Arlindo, era funcionário muito mais antigo, portanto tinha o direito de pleitear a demissão do seu desafeto.
O Sr Nilton, homem justo, ponderado, de uma larga visão dos problemas de relacionamento humano além daqueles que ocorrem no trabalho, considerou pacientemente:
-Arlindo, não se precipite, uma atitude intempestiva pode trazer consequências desastrosas e acarretar futuros sofrimentos e remorso para quem a toma. Consideremos, outrossim, que o Otávio é um bom rapaz, ordeiro e respeitador. Inteligente, é um dos melhores funcionários, além do que é você quem o discrimina e está criando caso.
- Sr. Nilton, vou ser demitido, então?
- Não. Pelo menos, agora, não. Você terá uma nova chance. Procure aceitá-lo como seu colega e companheiro. Se não conseguir de imediato, apenas ignore-o. Não agrida, não tome partido. Fique neutro. Simplesmente ignore-o. Com o tempo, a repulsa arrefece, você superará o problema. Leve este livro, todas as noites leia uma página, medite, faça uma oração antes de dormir.
Meio sem graça, Arlindo pôs no bolso o livro 'Gotas de Esperança', de Lourival Lopes, pediu licença e retirou-se. Posteriormente, o Sr. Nilton procurou ouvir a outra parte.
- Otávio, qual a razão da desavença? Você o provocou?
- Não, Senhor. Não há razões que justifiquem a atitude do Arlindo. Pelo contrário, tentei esclarecer, convidei-o ao entendimento, o que o levou ao quase total descontrole.
- É, com o meu modo de ver a vida e o mundo, determinados fatos têm raízes profundas no passado. Uma decisão precipitada, sem uma análise apurada da origem da questão, poderia levar-me a aplicar uma punição severa com o risco de causar uma revolta maior e o desejo de uma retaliação. Arlindo é um funcionário capaz, ativo, eficiente, responsável, precisa ser orientado e não demitido.
- Como devo agir, então?
- Tenha paciência. Releve as ofensas recebidas. Vigiando-se e orando, você anulará o mal. Vou providenciar um livro para você ler e estudar.
- Um livro para resolver um problema tão sério! Qual?
O Evangelho Segundo o Espiritismo. Não é um simples livro. É um Manual de Conduta Humana, um Código de Ética, um Poema de Amor. Manual para ser lido, relido, meditado e adotado; código para ser observado e respeitado; poema para ser declamado e vivido em toda a sua beleza e realidade, em toda sua significação e abrangência.
- Quero o livro. Desejo conhecer tal preciosidade.
- Convido-o também para freqüentar o Centro Espírita que dirijo e participar do grupo de estudos da doutrina todos os sábados, às dezesseis horas.
Passaram-se dois meses. Arlindo procurou o Sr. Nilton para agradecer e devolver-lhe o livro. Dizia-se impressionado com o que leu, jamais imaginou que a vida esperasse tanto de nós, mas não se achava em condições de viver pacificamente com aquele a quem detestava.
- Entendo, Arlindo. Vejo que houve algum progresso. Você não mais o insultou. Trouxe para você um novo livro. Quero que leia com muita atenção, medite.
Estranhando o título 'O Livro dos Espíritos', replicou:
- Sr. Nilton, está brincando comigo? Espíritos são coisas do outro mundo! Quer assustar-me?
- Absolutamente, não. Os espíritos são deste mundo mesmo, apenas estão em outro plano,não material. Convivem conosco, nos influenciam e são influenciados por nossos pensamentos. Leia e, depois, volte para comentar.
Foram quatro meses de expectativa. Profundo observador, Sr. Nilton notava que a leitura do Evangelho e o estudo aos sábados, no Centro Espírita, proporcionava a Otávio notável crescimento no aspecto moral, enquanto Arlindo dava mostras de assimilar a parte filosófica da Doutrina. Considerou, então, ser a hora azada para fazê-lo participar das sessões experimentais e de estudo de 'O Livro dos Médiuns', nas noites de quarta-feira.
Arlindo surpreendia a todos por sua capacidade de compreender e apreender o que era estudado e discutido nas reuniões. Não demorou para nele desabrocharem as mediunidades de vidência, psicografia e psicofonia. Passou a ter sonhos que considerava estranhos, vez que se via em lugares diferentes, com pessoas para ele desconhecidas, em trajes de outras épocas, empunhando espadas manchadas de sangue e rindo de cadáveres estendidos ao longo do caminho. Aflito, comentou tal fato com o Sr. Nilton.
Você apreendeu facilmente a Doutrina em seu aspecto filosófico, revelou-se médium de apreciável potencial que precisa ser educado à luz do Evangelho; então, chegou o momento de conhecer o lado moral. Vou encaminhá-lo ao estudo do Evangelho, nas tardes de sábado. espero-o no próximo fim de semana – disse-lhe o gerente.
Envolver-se com coisas de religião devia ser para velhas beatas que cheiram a incenso, emocionam-se com cânticos e gastam tempo em adorações inócuas , ou para homens submissos, de índole fraca. Mas o Sr. Nilton jamais demonstrou pieguices, sempre foi circunspecto e de decisões firmes - pensava Arlindo, indeciso.
Entre a dúvida e a curiosidade, atrasou-se, chegou vinte minutos depois da hora marcada. Entrou de mansinho para não ser percebido. Queria examinar o rumo dado a tais reuniões.
De repente, o susto. Quem discorria sobre o ponto do Evangelho em estudo era seu desafeto, Otávio. Quis recuar. Sentiu-se chumbado ao solo. Agora, Otávio tinha um outro visual, trajava-se à moda Idade Média, portando na cinta um florete, tal qual via em seus recentes sonhos.
Falando claro e em bom tom, Otávio dizia:
Hoje, somos o resultado do que plasmamos no passado e no presente estamos tecendo nosso futuro. Usando nosso livre-arbítrio, semeamos aquilo que queremos, entretanto, a colheita é obrigatória, não se escolhe, recolhemos os frutos daquilo que foi plantado. A cada um será dado segundo as suas obras, ou seja, temos o que merecemos, não como castigo de Deus, mas como oportunidade renovável até encontramos o caminho do bem, do amor, do perdão, da solidariedade, da fraternidade cristã que nos levarão a reencarnações em mundos melhores, mais felizes.
Arlindo estava surpreso com a fluência e a propriedade das palavras de Otávio. Mais surpreso ficou ao olhar para si mesmo e ver-se também em trajes antigos, apunhalando Otávio pelas costas numa fúria incontida para vingar a perda da mulher amada para seu inimigo de tantos séculos. Quis correr, gritar, faltaram-lhe as forças, porém, ainda pôde ouvir Otávio concluir: As vítimas de hoje certamente foram os algozes de ontem e, para que os dramas passionais não se renovem, é imprescindível que os ofendidos perdoem incondicionalmente seus agressores considerando-os como almas doentes, carentes de compaixão e de tratamento, numa demonstração eloquente de que o ensinamento de Jesus que nos concita a perdoar para sermos perdoados foi assimilado e posto em prática.
Sufocado pela emoção, Arlindo desmaiou. Despertou amparado pelo Sr. Nilton. Desejou contar tudo o que havia acontecido, não foi possível, estava envergonhado pela tragédia revivida e pelo desfalecimento sofrido. Seu Nilton confortou-o lembrando que ninguém lhe atiraria pedras, pois que, neste mundo, não há pelo menos um que não tenha pecados.
Aquele dia memorável marcou o início de uma nova era para Arlindo e Otávio. Finalmente reconciliaram-se, houve o perdão recíproco.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

UM LUGAR PARA A VERDADE

Uma foto feliz de um lindo pôr de sol
Hoje, meu lado lírico pede poesia. Vou atender valendo-me da inspiração delicada de uma poeta muito amiga que, de vez em quando, trago aqui.
Com vocês, Lêda Yara Mello Mota em:

REMANSO
Lêda Mello

Por trás do pôr-do-sol,
onde a noite agasalha o dia
com cuidados de amante,
onde o luzir de todas as cores esmaece
repousando em lençol de estrelas,
há um lugar de encontros.
Lá, por trás do pôr-do-sol,
há um lugar onde os sonhos,
enfim, soltos das amarras
do tempo e do espaço
e libertos das limitações humanas,
descansam de todas as buscas.
Lá, por trás do pôr-do-sol,
há um lugar de harmonia
onde os anseios da vida,
sem véus e sem máscaras,
atemporais e legítimos,
repousam de todas as lidas.
Lá, por trás do pôr-do-sol,
há um lugar de redenção.
VOU SEGUINDO...
Lêda Mello


Sou caminheira nos prados da vida
Seguindo em frente, aonde Deus mandar
Meu dia é o hoje, minha sorte a lida
De só colher o que eu souber plantar.

Quem mal me fez, apenas me ensinou.
Não guardo mágoas no meu coração.
Quem bem me quis, a vida partilhou.
Juntos vivemos bela comunhão.

Nos meus alforjes, trago a esperança
De um dia ver um povo mais feliz,
Sorriso bom no rosto da criança,
Passos seguindo, pequeno aprendiz.

Carrego a fé do homem ser capaz
De fazer sua parte no bem comum
Pois sei que o mundo só terá a Paz
Quando a Paz for um bem de cada um

Do meu passado, recolhi lições.
Do meu futuro, no hoje vou cuidar.
Deus me ilumine por esses rincões,
Que eu leve amor por onde for passar.

(Do livro Meus Sonhos)
Trabalhados pela magia que Leda sabe pôr em seus poemas, vamos a um texto que se harmoniza com os temas exibidos, valendo como uma complementação necessária.

LUGAR PARA ELA
Todos nós precisamos da verdade, porque a verdade é a luz do espírito, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a fantasia é capaz de suscitar a loucura, sob o patrocínio da ilusão. Entretanto, é necessário que a caridade lhe comande as manifestações para que o esclarecimento não se torne fogo devorador nas plantações da esperança.
Todos nós precisamos da justiça, porque a justiça é a lei, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a iniqüidade é capaz de premiar o banditismo, em nome do poder. Entretanto, é necessário que a caridade lhe presida as manifestações para que o direito não se faça intolerância, impedindo a recuperação das vítimas do mal.
Todos nós precisamos da lógica, porque a lógica é a razão em si mesma, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a paixão é capaz de gerar o crime, à conta de sentimento. Entretanto, é necessário que a caridade lhe inspire as manifestações, para que o discernimento não se converta em vaidade, obstruindo os serviços da educação.
Todos nós precisamos da ordem, porque a ordem é a disciplina, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, o capricho é capaz de estabelecer a revolta destruidora, sob a capa dos bons intentos. Entretanto, é necessário que a caridade lhe oriente as manifestações para que o método não se transforme em orgulho, aniquilando as obras do bem.
Cultivemos a verdade, a justiça, a lógica e a ordem, buscando a caridade e reservando, em todos os nossos atos, um lugar para ela, porquanto a caridade é a força do amor e o amor é a única força com bastante autoridade para sustentar-nos a união fraternal, sob a raiz sublime da vida, que é Deus.
É por isso que Allan Kardec, cônscio de que restaurava o Evangelho do Cristo para todos os climas e culturas da Humanidade, inscreveu nos pórticos do Espiritismo a divisa inolvidável, destinada a quantos lhe abraçam as realizações e os princípios:
- Fora da caridade não há salvação.
(Estude e viva. – FEB - Francisco C. Xavier, Waldo Vieira. Pelos Espíritos: Emmanuel, André Luiz. Pág. 123/124)


Não há ponto final para o amor.
Amor é vida e a vida é eternidade.
(Idem. Pág. 125)