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REVENDO O EVANGELHO
CAPÍTULO POR CAPÍTULO
Demorei um pouco mais do que devia, mas
cheguei para nossas conversas e trocas. E venho hoje com uma intenção: dar um
ritmo de estudo às nossas trocas de ideias, uma espécie de revisão das lições
contidas no Evangelho - “O Evangelho
segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec - em linguagem bem simples, accessível
a qualquer nível de aprendizagem.
Nessa primeira tentativa, vamos ver se já
absorvemos a lição de Jesus contida na frase “Meu reino não é deste mundo”, se
sabemos distinguir o mundo físico do espiritual , assim como a destinação do
homem na Terra.
MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO
Ao interrogar Jesus, Pilatos fez-lhe a
seguinte pergunta: “Sois o rei dos
judeus?”Ao que Jesus lhe respondeu: “Meu
reino não é deste mundo. Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para
testemunhar a verdade; qualquer que pertença à verdade escuta a minha voz”.
Assim falando, Jesus refere-se à vida
futura, a que teremos ao desencarnarmos - objeto das principais preocupações do
homem sobre a Terra. Sem esta noção,
os preceitos de moral pregados por Jesus não teriam sentido.
Daí, os que não creem na vida futura e só entendem a vida presente, não compreenderem
o que Jesus pregava.
De vida futura, realmente àquela
época, os judeus entendiam muito pouco. Acreditavam em anjos, que consideravam como seres privilegiados da
criação, mas ignoravam que os homens pudessem vir a ser, um dia, anjos e seres
felizes. Para eles, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens
da Terra, pela supremacia de sua nação, pelas vitórias sobre o inimigo ,
enquanto as derrotas eram o castigo de sua desobediência.
Moisés não conseguira passar nada
mais a um povo pastor, sem conhecimentos, que só percebia as coisas deste
mundo.
Mais tarde, Jesus veio revelar
que há outro mundo, onde impera a justiça de Deus e onde os bons terão sua
recompensa. Aí é o seu reino e pra onde voltaria quando deixasse a Terra.
Mas Jesus, percebendo que seus
ensinamentos estavam além da capacidade de apreensão dos homens da época,
julgou conveniente deixar parte da revelação para adiante. E limitou-se a
apresentar a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, a cuja ação
ninguém pode fugir. A partir daí, o
cristão crê na vida futura, mas muitos
deles têm dela uma ideia um tanto vaga, o que os leva a dúvidas, ou mesmo, a
estado de incredulidade.
O Espiritismo veio completar,
nesse ponto e em vários outros, os ensinamentos do Cristo, quando os homens, já
amadurecidos, podem compreender a Verdade. Sob a égide do Espiritismo, a vida
futura deixa de ser um simples artigo de fé para ser uma realidade palpável
demonstrada pelos fatos descritos por testemunhas oculares em todas as suas
fases e peripécias. Na vida futura, são
tão racionais as condições, felizes ou infelizes, da existência dos que se
encontram lá, como eles mesmos a retratam, que cada um reconhece e declara a si mesmo que não pode ser de outra forma e
que lá reside a verdadeira justiça de Deus.
Enfim, fica evidente que o reino
de Jesus não é deste mundo. Mas não terá Ele também uma realeza sobre a Terra?
Como sabemos, o título de rei nem sempre corresponde ao exercício de um poder
temporal. Ele é dado por um consentimento
unânime àquele que domina, por assim dizer, o seu século e influi sobre o
progresso da Humanidade. É dentro desse
ponto de vista que é comum dizer-se o ‘Príncipe dos poetas’, o ‘Rei dos
filósofos’, o ‘Mestre dos mestres’. Oriunda do mérito, essa realeza é bem mais
marcante do que a realeza da terra, que
dura enquanto há vida, ao passo que a meritória conserva o seu poder, mesmo
depois da morte. E não é Jesus o mais poderoso rei dos soberanos da terra? Esta
a razão de ser da sua resposta a Pilatos: “ Sou rei, mas meu reino não é deste
mundo.”
E o Espiritismo, à imagem de Jesus, nos
veio mostrar que há um outro mundo, (vida futura) onde impera a justiça de Deus
e para o qual irão todos os que observarem Seus mandamentos.
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