terça-feira, julho 26, 2016

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIV Item

De um jardim alhures




O PARENTESCO CORPORAL E O PARENTESCO ESPIRITUAL




Os laços de sangue não estabelecem necessariamente as ligações entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, uma vez que o Espírito existia antes da formação do corpo. Explicando mais claramente, não foi o progenitor que fez o Espírito do filho. Ele apenas lhe forneceu um envoltório corporal. E, por isso, deve ajudar em seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir.
Os Espíritos que encarnam numa mesma família, principalmente entre parentes próximos, são conhecidos como   Espíritos simpáticos, ligados por relacionamentos anteriores que se explicitam por sua afeição durante a vida terrena, mas pode acontecer também que esses Espíritos sejam inteiramente estranhos uns aos outros, separados por antipatias também anteriores, que se traduzem da mesma forma por seu antagonismo na Terra para servir-lhes de prova. Disto se apreende que que os verdadeiros laços de família não são exatamente os da consanguinidade, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos que unem os Espíritos antes, durante e após sua encarnação - problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das vidas (assunto já tocado no capítulo IV).
 Assim, podemos afirmar que existem duas espécies de família: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. As primeiras, de longa duração, fortalecem-se pela depuração e se perpetuam no mundo dos Espíritos através de migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se acabam com o tempo, dissolvendo-se moralmente desde a vida atual. Com essas considerações, Jesus quis fazer compreender ao dizer a seus seguidores: “eis minha mãe e meus irmãos”, ou seja, minha família pelos laços espirituais, pois quem quer que faça a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe,.


Com isso encerramos o cap, XIV.,O que nos falta é meditar sobre essas verdades. E para isso temos o excelente testemunho dado por Santo Agostinho//1862//Paris. que se encontra logo abaixo em INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS



Em RECREAÇÃO, começo perguntando:quem  tentou escrever um poeminha? Alguém se habilitou? Continuo esperando com muita paciência e muita esperança.

Conversemos mais um pouco.,então. e digamos com Santo Agostinho, partindo da realidade proposta pela Doutrina Espírita:"A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da f-e  e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição."

Vou deixá-los agora, enfeitando o local de suas reflexões e busca de paz.: um jardim complementar tão bonito e inspirador quanto o do começo de nossa conversa.



domingo, julho 24, 2016

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIV ítens 5 a 7

A Paz de uma paisagem florida




Continuação do texto Piedade Filial



Para com os pais sem recursos é que se prova a real piedade filial. Há filhos que creem fazer um ‘tour de force’ oferecendo-lhes tão somente o necessário para satisfazer-lhes a fome quando vivem desfrutando do melhor, do especial. Há filhos que recebem em casa os pais carentes, mas lhes reservam os menos confortáveis aposentos, agravando essa má disposição de apoio ao proporem participação nos trabalhos de casa. Não têm sensibilidade para reconhecer o que receberam ao nascerem até se tornarem adultos. Não, o que os filhos devem aos pais não é só o exatamente necessário, mas também uma parcela de seu supérfluo, de gentilezas e cuidados especiais - a piedade filial, como Deus a concebeu. Esses filhos ingratos serão punidos pela ingratidão ainda na existência em curso ou numa futura encarnação.
Os pais que não reconhecem seus deveres com os filhos receberão de Deus a devida punição, não cabendo aos filhos nem ato da censura, pois talvez eles próprios merecessem que fosse assim. De modo que os filhos devem tomar como regra de conduta para com os pais todos os -preceitos de Jesus ligados ao próximo e entender que todo e qualquer procedimento negativo relativo a estranho o é ainda mais em relação a parentes. Enquanto no caso de parentes possa ser considerado apenas uma falta, no caso de pais, passa a ser crime caracterizado por falta de caridade unida à ingratidão.
Um ponto a considerar aqui é: Deus, ao dizer “ Honrai a vosso pai e a vossa mãe afim de viverdes longo tempo sobre a terra, que o Senhor vosso Deus vos dará”, por que promete como recompensa a vida terrestre e não a vida celeste?  Na expressão ‘Que Deus vos dará ‘, suprimida na forma moderna do Decálogo, pode estar a explicação. Na época em que foram ditas, os hebreus ainda não entendiam a vida futura, sua vida não prosseguia além da vida corporal. Deste modo, eles deviam ser mais estimulados pelo que viam do que pelo que não viam. Daí, Deus falar numa linguagem que eles pudessem entender, dando-lhes em perspectiva o que pode satisfazê-los. A esta altura, estavam no deserto. A Terra Prometida -  sua aspiração efetiva: eles não desejavam nada além disso e Deus lhes disse que viveriam nela por longo tempo desde que observassem seus mandamentos.
Ao tempo de Jesus na terra, o povo hebraico já apresentava ideias mais evoluídas – era a ocasião azada para iniciá-los na vida espiritual. E Jesus fervorosamente lhes disse: ”Meu reino não é deste mundo. É nele, e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”. Deste modo, a Terra Prometida material se torna numa pátria celeste. Da mesma maneira, quando os chama a cumprir o mandamento: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe” não é mais a terra que lhes promete, mas o céu, como vimos nos capítulos II e III.



QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS



Analisemos esta passagem: “Tendo chegado a casa, nela se reuniu uma tão grande multidão de povo, que não podiam mesmo tomar seu alimento. Seus parentes, tendo sabido disso, vieram para se apoderarem dele porque diziam que ele havia perdido o espírito.
Entretanto, sua mãe e seus irmãos tendo vindo e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo Ora, o povo estava sentado ao seu redor e lhe disse: Vossa mãe e vossos irmãos estão lá fora vos chamando. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E olhando aqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis, disse, minha mãe e meus irmãos porque todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
 Tais palavras parecem estranhas nos lábios de Jesus, pois fazem contraste com sua bondade e sua grande benevolência para com todos.  Os descrentes não perderam a ocasião de fazer disso uma arma, apontando-o como contraditório. Um fato que não se pode refutar é que sua doutrina tem por base essencial a lei do amor e da caridade, não podendo, pois, destruir de um lado o que estabelecia de outro.  Do exposto se conclui que, se certas máximas estão em contradição com o princípio, ou as palavras que lhe são atribuídas foram mal expressadas ou não são dele.
Causa estranheza ver, nesse particular, Jesus mostrar tanta indiferença para com os parentes e, de alguma forma, renegar sua mãe. Quanto aos irmãos, sabe-se que nunca tiveram simpatia por ele. Espíritos pouco adiantados, não haviam percebido a missão a cargo de Jesus, achavam-no esquisito e seus ensinamentos não os tinha alcançado tanto que não houve nenhum discípulo entre eles, parecendo até queque partilhavam das prevenções de seus inimigos. Quando se apresentava na família, era acolhido mais como estranho, tendo São João chegado a dizer “que não acreditavam mais nele”. (cap. VII, v.5).
Quanto à sua mãe, não se pode negar que era boa e terna com seus filhos, mas parece não ter feito uma ideia muito justa de missão de Jesus, já que não seguia seus ensinamentos, nem lhe prestou testemunho como o fez João Batista. A solicitude maternal era em Maria o sentimento dominante. Quanto a Jesus, não podemos admitir que tenha renegado sua mãe. Um pensamento desse tipo não se coaduna com aquele que disse: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”.  Há de se descobrir um outro sentido para essas palavras levando-se em consideração que sua linguagem permaneceu alegórica, por contingência, por um bom tempo.




Paremos por aqui. Releiam o texto. Avaliem se está tudo entendido Aquele/a que tiver dúvida, não se acanhe de me perguntar uma, duas ou mais vezes. Repetirei  a explicação o número de vezes que for necessário. Com isso, vocês verão que, com a continuidade, vocês não precisarão mais de mim. Já poderão interpretar o que lerem sozinhos!




Hora da recreação


Que querem fazer ver ou ouvir? Que tal tentarem compor uns poemas? É só dar passagem ao sentimento. Vamos lá, eu vou na frente e o título do meu poema é 



ALVITRE


Não sonhe, viva.
Não deseje, vá buscar.
O caminho é longo? Encurte-o.
O tempo é pouco? Expanda-o.
Os recursos são poucos? Crie-os.
Não esmoreça, não duvide, não desista.
A vontade é seu único motor.
A persistência, sua única arma.
A determinação, sua única força.
A fé em Deus, toda a sua razão de ser e de superar-se.



Até nosso próximo encontro.

sábado, julho 23, 2016

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIV Itens 1 a 4

Jesus em suas pregações


Conhecemos os mandamentos: “Não matareis / Não cometereis adultério / Não furtareis / Não prestareis falsos testemunhos / Não fareis mal a ninguém / Honrai a vosso pai e a vossa mãe”.
Conhecemos também a seguinte premissa: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor vosso Deus vos dará”. (Decálogo; Êxodo, cap. XX, v.12).

PIEDADE FILIAL

  O mandamento título de hoje não é senão uma resultante da lei geral de caridade e de amor ao próximo, o que é fácil de entender desde que não se pode amar o próximo sem amar pai e mãe. Apenas a palavra honrai, aqui, contém um dever a mais a seu respeito: o da piedade filial, ou seja, ao amor acrescentar o respeito, as atenções, a submissão e a condescendência, ou seja, a obrigação de cumprir para com eles, de um modo mais exigente, tudo o que a caridade manda para com o próximo. Toda violação a esse mandamento é duramente punida. Honrar pai e mãe não se resume a respeitá-los, mas assisti-los na necessidade, proporcionar-lhes repouso na velhice, devolvendo-lhes o que nos deram na nossa infância.
Para com os pais sem recursos é que se prova a real piedade filial. Há filhos que creem fazer um ‘tour de force’ oferecendo-lhes tão somente o necessário para satisfazer-lhes a fome quando vivem desfrutando do melhor, do especial. Há filhos que recebem em casa os pais carentes, mas lhes reservam os menos confortáveis aposentos, agravando essa má disposição de apoio ao proporem participação nos trabalhos de casa. Não têm sensibilidade para reconhecer o que receberam ao nascerem até se tornarem adultos. Não, o que os filhos devem aos pais não é só o exatamente necessário, mas também uma parcela de seu supérfluo, de gentilezas e cuidados especiais - a piedade filial, como Deus a concebeu. Esses filhos ingratos serão punidos pela ingratidão ainda na existência em curso ou numa futura encarnação.
Os pais que não reconhecem seus deveres com os filhos receberão de Deus a devida punição, não cabendo aos filhos nem ato da censura, pois talvez eles próprios merecessem que fosse assim. De modo que os filhos devem tomar como regra de conduta para com os pais todos os -preceitos de Jesus ligados ao próximo e entender que todo e qualquer procedimento negativo relativo a estranho o é ainda mais em relação a parentes. Enquanto no caso de parentes possa ser considerado apenas uma falta, no caso de pais, passa a ser crime caracterizado por falta de caridade unida à ingratidão.
Um ponto a considerar aqui é: Deus, ao dizer “ Honrai a vosso pai e a vossa mãe afim de viverdes longo tempo sobre a terra, que o Senhor vosso Deus vos dará”, por que promete como recompensa a vida terrestre e não a vida celeste?  Na expressão ‘Que Deus vos dará ‘, suprimida na forma moderna do Decálogo, pode estar a explicação. Na época em que foram ditas, os hebreus ainda não entendiam a vida futura, sua vida não prosseguia além da vida corporal. Deste modo, eles deviam ser mais estimulados pelo que viam do que pelo que não viam. Daí, Deus falar numa linguagem que eles pudessem entender, dando-lhes em perspectiva o que pode satisfazê-los. A esta altura, estavam no deserto. A Terra Prometida -  sua aspiração efetiva: eles não desejavam nada além disso e Deus lhes disse que viveriam nela por longo tempo desde que observassem seus mandamentos.
Ao tempo de Jesus na terra, o povo hebraico já apresentava ideias mais evoluídas – era a ocasião azada para iniciá-los na vida espiritual. E Jesus fervorosamente lhes disse: ”Meu reino não é deste mundo. É nele, e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”. Deste modo, a Terra Prometida material se torna numa pátria celeste. Da mesma maneira, quando os chama a cumprir o mandamento: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe” não é mais a terra que lhes promete, mas o céu, como vimos nos capítulos II e III.

QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS

Analisemos esta passagem: “Tendo chegado a casa, nela se reuniu uma tão grande multidão de povo, que não podiam mesmo tomar seu alimento. Seus parentes, tendo sabido disso, vieram para se apoderarem dele porque diziam que ele havia perdido o espírito.
Entretanto, sua mãe e seus irmãos tendo vindo e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo Ora, o povo estava sentado ao seu redor e lhe disse: Vossa mãe e vossos irmãos estão lá fora vos chamando. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E olhando aqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis, disse, minha mãe e meus irmãos porque todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
 Tais palavras parecem estranhas nos lábios de Jesus, pois fazem contraste com sua bondade e sua grande benevolência para com todos.  Os descrentes não perderam a ocasião de fazer disso uma arma, apontando-o como contraditório. Um fato que não se pode refutar é que sua doutrina tem por base essencial a lei do amor e da caridade, não podendo, pois, destruir de um lado o que estabelecia de outro.  Do exposto se conclui que, se certas máximas estão em contradição com o princípio, ou as palavras que lhe são atribuídas foram mal expressadas ou não são dele.
Causa estranheza ver, nesse particular, Jesus mostrar tanta indiferença para com os parentes e, de alguma forma, renegar sua mãe. Quanto aos irmãos, sabe-se que nunca tiveram simpatia por ele. Espíritos pouco adiantados, não haviam percebido a missão a cargo de Jesus, achavam-no esquisito e seus ensinamentos não os tinha alcançado tanto que não houve nenhum discípulo entre eles, parecendo até queque partilhavam das prevenções de seus inimigos. Quando se apresentava na família, era acolhido mais como estranho, tendo São João chegado a dizer “que não acreditavam mais nele”. (cap. VII, v.5).
Quanto à sua mãe, não se pode negar que era boa e terna com seus filhos, mas parece não ter feito uma ideia muito justa de missão de Jesus, já que não seguia seus ensinamentos, nem lhe prestou testemunho como o fez João Batista. A solicitude maternal era em Maria o sentimento dominante. Quanto a Jesus, não podemos admitir que tenha renegado sua mãe. Um pensamento desse tipo não se coaduna com aquele que disse: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”.  Há de se descobrir um outro sentido para essas suas palavras, Não esqueçamos que sua linguagem era alegórica por contingência. 




Ficamos por aqui sem a costumeira recreação  Acrescento apenas um pensamento bonito de alguém que se importa conosco e nos oferece  a luz de seus conhecmentos

Caminhe alegre pela vida. Plante sementes boas de paz e otimismo, vivendo bem com a consciência./ Carlos Pastorino

quarta-feira, dezembro 30, 2015

É NATAL! FELIZ ANO NOVO!

FELIZ NATAL!

Hoje sinto certa saudade de natais passados e, por isso, vou buscar lá atrás algum que me tenha emocionado de maneira avassaladora. Eu era criança ainda. Vejam só!

“Toca o sino, pequenino,/sino de Belém/ já nasceu Deus menino/ para o nosso Bem!"
            A magia da data, o brilho da noite deixavam-me confusa . Não cheguei a balbuciar o meu desejo, mas ele tinha forma dentro de mim. Meu único irmão varão, cinco anos menos que eu, cochilava ao pé da árvore. Menininhas não ganhavam brinquedos de montar. Chegada a hora da distribuição dos presentes, não me segurei. Acertei carreira, pulei na Caloi vermelha, embalei para a rua - atropelei um guarda.
            Apagado o  ‘incêndio’, pedido público de desculpas, irmão devidamente empossado, um convidado a mais para a ceia - o guarda - e a antes tentadora Caloi , com as rodas torcidas.
            A este tempo, a Caloi, distinguia-se no comércio de 2 rodas,  orgulho de brasileiros e de italianos radicados aqui. Agora é outra a realidade. Para andar de ‘bike’, o interessado pode não ter a mesma facilidade de encontrar um modelo Caloi. Estão indo para outras paragens 70% disso que foram sonhos de infância de brasileiros, por quase 150 anos.
            Como reagir a este estado de coisas? É preciso um misto de coragem, determinação, equilíbrio e fé para restaurar nosso tecido social e nossa dignidade já tão afetada.

Hoje em dia, vou completar meus 89 anos em março. Uma vida se passou.  Que poderemos dizer de nossa tecitura moral? Ela nos pede força , coragem, espírito de luta para nos levantarmos. Vamos realizar essa proeza!

Um poema antigo  sobre o espírito de Natal fica aqui com vocês. Pequena contribuição minha.


MENSAGEM DE NATAL



Ao longe um ponto luminoso...
Os caminhos são ásperos 
a atmosfera é tensa
 os riscos são reais.

A distância, o mesmo ponto de luz...
Moral e Ética esvaziam-se.
Na era da comunicação
o entendimento é falho, falso, fátuo.

O sinal de luz permanece lá...
A sociedade poderá implodir?
Renascerá das cinzas
segundo a mitologia?


A luz distante cintila 
dentro dessa busca inquieta...


É o Espírito do Natal 
que se faz presente
com sua luz
 e seu canto de esperança!
      
                       2000/Rio



Alguns dias para absorver os fluidos do Natal e já teremos uma nova data, sempre esperada, como uma nova aposta de surpresas e oportunidades. Mas será esse o espírito que nos anima agora? Diante de situações tão conflitantes? De tanta demonstração de despreparo moral por parte dos representantes do povo a fazer-nos purgar manchas tão  desconcertantes e amargas? Sempre há uma reserva de decoro, um hálito de força - o espírito do nosso povo, amante de sua pátria, sempre pronto para a luta . Façamos a nossa parte de fiéis escudeiros e ajudemos o Brasil a levantar-se com dignidade e sabedoria!

FELIZ 2016! de luta, de esforço pela nossa recuperação!


REFLEXÕES ,  de Bernardo Cid


sexta-feira, novembro 13, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XV Ítens 1 a 9


Carlos Scliar



FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


O QUE É PRECISO PARA SER SALVO

                                         PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO




Repassemos esta parábola: Quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, se assentará no trono de sua glória e, com todas as nações reunidas diante dele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
O rei dirá, então, àqueles que estão à sua direita: Vinde, vós que fostes benditos por meu pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo, porque eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, tive necessidade de alojamento e me alojastes, estive nu e me vestistes, estive doente e me visitastes, estive na prisão e viestes ver-me.
Então, os justos lhe responderão: Senhor, quando vos vimos com fome e vos demos de comer, ou com sede e vos demos de beber? Quando vos vimos sem teto e vos alojamos, ou sem roupa e vos vestimos? Quando vos vimos doentes ou na prisão e viemos vos visitar? E o rei lhes responderá: Eu vos digo em verdade, quantas vezes o fizestes com relação a um destes desvalidos, foi a mim mesmo que o fizestes. E dirá, em seguida, àqueles que estarão à sua esquerda: Retirai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para seus anjos, porque eu tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, tive necessidade de teto e não me alojastes, estive nu e não me vestistes, estive doente e na prisão e não me visitastes.
Então eles lhe responderão também: Senhor, quando foi que vos vimos com fome, com sede, ou sem roupa ou doente, ou na prisão, e deixamos de vos assistir? E ele lhes responderá:  Em verdade vos digo: todas as vezes que deixastes de dar proteção a um desses desvalidos deixaste de dá-las a mim mesmo.
 E, então, estes irão para o castigo eterno e os justos para a vida eterna.
A esta altura, um doutor da lei, para tentá-lo, levantou-se e perguntou-lhe: Mestre, o que é preciso que eu faça para possuir a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Que é que está escrito na lei? E ele lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse: Respondestes muito bem, fazei isso e vivereis!
 Mas esse homem, querendo passar por justo, disse a Jesus: Quem é meu próximo? E Jesus, tomando-lhe a palavra, disse:
Um homem que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de ladrões que o despojaram, cobriram-no de feridas e foram embora, deixando-o semimorto. Em seguida, um sacerdote descia pelo mesmo caminho e, tendo-o percebido, passou do outo lado. Um levita, que veio também para o mesmo lugar, avistando-o, passou ainda do outro lado. Mas um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde estava esse homem, tendo-o visto, foi tocado de compaixão por ele. Aproximou-se do ferido, derramou óleo e vinho em suas feridas e as enfaixou. E tendo-o colocado em seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, apanhou duas moedas e as entregou ao hospedeiro, dizendo: tende bastante cuidado com este homem, e tudo que gastardes a mais, eu vos restituirei no meu regresso.
Qual desses três vos parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor lhe respondeu: Aquele que exerceu a misericórdia para com ele. Ide, pois, disse-lhe Jesus, e fazei o mesmo.

            Do exposto, conclui-se que toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em suas pregações, Jesus apresenta essas virtudes como o caminho da felicidade eterna, repetindo continuamente: bem-aventurados os humildes porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a                                  vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros.  Resumindo: Humildade e Caridade - qualidades que ele não cansa de recomendar - ele próprio dando o exemplo. Orgulho e Egoísmo - qualidades que não cessa de combater. Mas ele faz mais do que recomendar a caridade, simplesmente coloca-a, em termos claros e explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura.
Naquele tempo, Jesus não tinha como se comunicar facilmente, pois os homens ainda não eram capazes de compreender as coisas puramente espirituais. A saída era não se afastar das ideias vigentes, produzir imagens materiais que impressionassem e deixar para mais adiante os esclarecimentos. Mas ao lado dessa parte acessória, há a ideia dominante – a da felicidade que espera o justo e a da infelicidade que atinge o mau.
Neste julgamento supremo, o juiz não inquire sobre esta ou aquela formalidade, apenas quer saber se a caridade foi praticada e sentencia: os que prestaram assistência aos seus irmãos coloquem-se à minha direita; os que foram severos com eles, ponham-se à minha esquerda. Jesus também considerou o herético Samaritano que cuidou do próximo acima do ortodoxo que faltou com a caridade. Isso quer dizer que Jesus não fez só da caridade uma condição de salvação, mas a única condição de salvação, julgando-a capaz de encerrar implicitamente todas as outras: a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência, a justiça, todas elas, por assim dizer, uma vez que é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.
A caridade é uma virtude mansa, sem invejas, benfazeja; não se toma de orgulho, não desdenha, não vai atrás de seus propósitos. Não se ofende com a inveja, nem com a injustiça, nem com o isolamento, mas sabe cantar vitória com a verdade, tudo suportando, esperando, sofrendo e, sobretudo, crendo que “Fora da caridade não há salvação”.
São Paulo dizia que a fé, a esperança e a caridade distinguem-se entre as virtudes, mas nenhuma sozinha tem a excelência da caridade, o que o levou a afirmar um dia: “Ainda quando eu tivesse a linguagem dos anjos, quando eu tivesse o dom da profecia e penetrasse todos os mistérios, quando eu tivesse toda a fé possível, até transportar montanhas, se não tivesse caridade, eu nada seria”, afirmando de modo peremptório que a caridade é  absoluta em matéria  de excelência. E não parou aí: mostrou-a na beneficência, na reunião de todas as qualidades do coração, na bondade e benevolência para com o próximo.

FORA DA IGREJA NAO HÁ SALVAÇÃO

Vimos que a máxima “Fora da caridade não há salvação” se debruça sobre um princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à felicidade suprema. O dogma tem tessitura e acabamento particular. Necessário se faz que entendamos os limites de cada princípio.
“Fora da caridade não há salvação” é a máxima perfeita que aproximará todos os filhos de Deus, ”a consagração do princípio de igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência”.  Com esta máxima por base, todos os homens tendem a ser irmãos e qualquer que seja a maneira de adorar a Deus, eles se estenderão as mãos e orarão uns pelos outros.
‘Fora da verdade não há salvação’ também não se mostra seguro a ser tomado como paradigma, nessa fase da humanidade em que o círculo dos conhecimentos aumenta sem cessar e as ideias evoluem francamente. Nem mesmo a humanidade pode aspirá-la, totalmente, pois que ela é proporcional ao seu adiantamento espiritual. A verdade absoluta não pertence senão aos espíritos de ordem mais elevada. E nisso vemos a generosa mão de Deus. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que a salvação não depende da crença, contanto que se estude e cumpra a lei de Deus, não dirá “Fora do Espiritismo, não há salvação”. E, como ainda não pode liberar toda a verdade, também não dirá “Fora da verdade não há salvação”, o que poderá vir a acirrar e perpetuar o antagonismo na humanidade.
Diante do exposto, que tenhamos equilíbrio para lidar com a diversidade de opiniões e crenças e, guardando com rigor a máxima “Fora da caridade não há salvação”, aguardar o momento certo de podermos ter olhos de ver mais e ouvidos de ouvir mais.


            Encerrada a releitura pensemos na parte recreativa  de hoje.



Algumas vezes, quando uma flor isolada é oferecida a alguém, e vem a murchar. para que a lembrança se perpetue, a pessoa guarda a flor, ou algumas pétalas, ou o raminho, se for o caso, entre as folhas  de um livro. E nem sempre volta lá para prestar a homenagem devida à flor sacrificada. Quis produzir meu testemunho a respeito. Saiu este poemeto:


É ASSIM?

Desidrataram-te por inteiro.
Jazes ressequida entre as páginas
de um livro qualquer,
sem cor, sem brilho, sem odor, 
tua textura em sépia 
confinando algum segredo de amor.



                                                                    É mesmo assim?
                                                                    É tudo efêmero na vida?
                                                                    A graça, a cor, a flor?
                                                                    O sofrimento, a mágoa. o amor?

                                                                     
                                                                    Rio/2010
                              
  CIAO, BELLI!

Para finalizar o estudo de hoje, deixo-os com este comovedor testemunho de Adelio Alves, o poeta que encontrou Deus em suas fervorosas buscas:


REENCONTRO COM DEUS


Deus, passei tanto tempo te procurando, não sabia onde estavas.
Olhava para o infinito, não te via, e pensava comigo mesmo:
"Sera que tu existes"?
Não me contentava na busca e prosseguia.
tentava te encontrar nas religiões e nos templos,
Tu também não estavas.
Te busquei através dos sacerdotes e pastores,
Também não te encontrei
Senti-me só, vazio, desesperado e descri.
E na descrença, tropecei
E no tropeço, cai.
E na queda, senti-me fraco.
Fraco, procurei socorro.
No socorro, encontrei amigos,
Nos amigos, encontrei carinho.
No carinho, vi nascer o amor.
Com amor, vi um mundo novo.
E no mundo novo, resolvi viver.
O que recebi, resolvi doar
Doando alguma coisa, muito recebi.
E recebendo, senti-me feliz.
E ao ser feliz, encontrei a paz.
E tendo paz foi que enxerguei
Que dentro de mim e que tu estavas,
Foi em mim que, sem procurar,
Eu te encontrei...

   

quinta-feira, setembro 17, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo Itens 1 a 8

Pintura óleo sobre tela / Antônio Ribeiro / Paris


RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS     Capítulo XIV     Itens 1 a 8


HONRAI A VOSSO PAI E A VOSSA MÃE

Em posts anteriores, temos falado sobre mandamentos como ‘não cometer adultério’, ‘não matar’, ‘não furtar’, ‘não prestar falso testemunho’, ‘não fazer mal a ninguém’. Hoje falaremos sobre o mandamento ‘honrar a vosso pai e a vossa mãe’.

PIEDADE FILIAL

Este mandamento funciona como consequência da lei geral de caridade e amor, uma vez que não se pode amar o próximo sem amar pai e mãe. No entanto, o termo honrai contém um conceito a mais – o da piedade filial.  Para Deus, é necessário juntar ao trato normal o respeito, as atenções, condescendência, solicitude e carinho, enfim, tudo o que a caridade recomenda que se tenha para com o próximo. Esse tipo de obrigação deve ser encarado também em relação às pessoas que fazem as vezes de pai e mãe e que têm tanto mais mérito quanto seu devotamento é menos obrigatório.  A violação a esse mandamento é sempre punida rigorosamente.


A piedade filial assume importância vital quando se trata de pais sem recursos. Dar o mínimo, apenas para matar a fome dos genitores, e isso como se estivessem fazendo um esforço acima do suportável, ou acomodá-los em locais impróprios é uma ignomínia, uma atitude imperdoável. Deus repele este tipo de assistência. Não é só o mínimo que os filhos devem aos pais, mas a atenção afetuosa, a delícia de um supérfluo inesperado, as delicadezas no trato – piedade filial abençoada por Deus.

É certo que há pais que não cumprem suas obrigações em relação aos filhos, mas só Deus poderá interferir nesse estado de coisas. Nem mesmo aos filhos cabe o direito de censurá-los, porque talvez eles próprios merecessem passar por uma situação penosa desse tipo. Assim, os filhos que tomem como regra de comportamento para com os pais, todos os preceitos de Jesus relativos ao próximo e convençam-se de que todo comportamento repreensível em face de estranhos ainda o é mais em relação a parentes.


 À época do advento de Jesus, porém, eles já estavam mais desenvolvidos e já teriam condições de serem iniciados na vida espiritual. Foi o momento para Jesus revelar-lhes: “Meu reino não é deste mundo; é nele e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”.  Nestes termos, a Terra Prometida (física) passa a ser vislumbrada como a pátria celeste. Ao serem instados a obedecer ao mandamento “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, não é mais a terra que lhes é prometida, mas o céu.

É certo que há pais que não cumprem suas obrigações em relação aos filhos, mas só Deus poderá interferir nesse estado de coisas. Nem mesmo aos filhos cabe o direito de censurá-los, porque talvez eles próprios merecessem passar por uma situação penosa desse tipo. Assim, os filhos que tomem como regra de comportamento para com os pais, todos os preceitos de Jesus relativos ao próximo e convençam-se de que todo comportamento repreensível em face de estranhos ainda o é mais em relação a parentes.

Quanto à afirmação de Deus: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor vosso Deus vos dará”, perguntamos hoje por que promete ele como recompensa a vida sobre a terra e não a vida celeste? Para a perfeita compreensão, é preciso considerar a situação dos hebreus e suas ideias na época em que foram ditas: eles não entendiam uma vida futura, além da corporal. Daí a linguagem de Deus à altura do que eles podiam captar. A Terra Prometida, física, surge como uma pátria celestial. E Deus lhes disse que viveriam nela longo tempo ou que a possuiriam por muito tempo se observassem seus mandamentos.

À época do advento de Jesus, porém, eles já estavam mais desenvolvidos e já teriam condições de serem iniciados na vida espiritual. Foi o momento para Jesus revelar-lhes: “Meu reino não é deste mundo; é nele e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”.  Nestes termos, a Terra Prometida (física) passa a ser vislumbrada como a pátria celeste. Ao serem instados a obedecer ao mandamento “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, não é mais a terra que lhes é prometida, mas o céu.

É certo que há pais que não cumprem suas obrigações em relação aos filhos, mas só Deus poderá interferir nesse estado de coisas. Nem mesmo aos filhos cabe o direito de censurá-los, porque talvez eles próprios merecessem passar por uma situação penosa desse tipo. Assim, os filhos que tomem como regra de comportamento para com os pais, todos os preceitos de Jesus relativos ao próximo e convençam-se de que todo comportamento repreensível em face de estranhos ainda o é mais em relação a parentes.

Quanto à afirmação de Deus: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor vosso Deus vos dará”, perguntamos hoje por que promete ele como recompensa a vida sobre a terra e não a vida celeste? Para a perfeita compreensão, é preciso considerar a situação dos hebreus e suas ideias na época em que foram ditas: eles não entendiam uma vida futura, além da corporal. Daí a linguagem de Deus à altura do que eles podiam captar. A Terra Prometida, física, surge como uma pátria celestial. E Deus lhes disse que viveriam nela longo tempo ou que a possuiriam por muito tempo se observassem seus mandamento

À época do advento de Jesus, porém, eles já estavam mais desenvolvidos e já teriam condições de serem iniciados na vida espiritual. Foi o momento para Jesus revelar-lhes: “Meu reino não é deste mundo; é nele e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”.  Nestes termos, a Terra Prometida (física) passa a ser vislumbrada como a pátria celeste. Ao serem instados a obedecer ao mandamento “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, não é mais a terra que lhes é prometida, mas o céu.

É certo que há pais que não cumprem suas obrigações em relação aos filhos, mas só Deus poderá interferir nesse estado de coisas. Nem mesmo aos filhos cabe o direito de censurá-los, porque talvez eles próprios merecessem passar por uma situação penosa desse tipo. Assim, os filhos que tomem como regra de comportamento para com os pais, todos os preceitos de Jesus relativos ao próximo e convençam-se de que todo comportamento repreensível em face de estranhos ainda o é mais em relação a parentes.

Quanto à afirmação de Deus: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor vosso Deus vos dará”, perguntamos hoje por que promete ele como recompensa a vida sobre a terra e não a vida celeste? Para a perfeita compreensão, é preciso considerar a situação dos hebreus e suas ideias na época em que foram ditas: eles não entendiam uma vida futura, além da corporal. Daí a linguagem de Deus à altura do que eles podiam captar. A Terra Prometida, física, surge como uma pátria celestial. E Deus lhes disse que viveriam nela longo tempo ou que a possuiriam por muito tempo se observassem seus mandamentos.

À época do advento de Jesus, porém, eles já estavam mais desenvolvidos e já teriam condições de serem iniciados na vida espiritual. Foi o momento para Jesus revelar-lhes: “Meu reino não é deste mundo; é nele e não na Terra, que recebereis a recompensa de vossas boas obras”.  Nestes termos, a Terra Prometida (física) passa a ser vislumbrada como a pátria celeste. Ao serem instados a obedecer ao mandamento “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, não é mais a terra que lhes é prometida, mas o céu.


QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS

“Tendo chegado à casa, nela se reuniu uma tão grande multidão que não podiam mesmo tomar seu alimento. Seus parentes, tendo sabido disso, vieram para se apoderarem dele, porque diziam que ele havia perdido o espírito. Entretanto, sua mãe e seus irmãos tendo vindo, e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Ora, o povo estava sentado ao seu redor. E lhe disse: Vossa mãe e vossos irmãos estão lá fora vos chamando. Mas ele lhes respondeu: Quem é   minha mãe e quem são meus irmãos? E olhando aqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis, disse, minha mãe e meus irmãos, porque todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Esta é uma passagem do Evangelho transcrita aqui para estudarmos a atitude de Jesus em relação à sua família, no caso descrito.  Diante do não reconhecimento de sua mãe e irmãos naquele ambiente, é estranho assumir como de Jesus aquela reação e sua consequente afirmação: “...todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. É claro que os incrédulos aproveitaram para ressaltar a contradição: onde a lei do amor e caridade pregada aos sete ventos?  Era estranha, sim, essa indiferença aos parentes e ao que pareceu um ato de renegar sua mãe.

O que se sabe é que seus irmãos nunca o levaram em consideração, nem compreendiam sua missão, achando-o esquisito. Talvez até partilhassem das prevenções de seus inimigos. Em relação à sua mãe, era atenta e suave com os filhos, mas parecia não entender também a missão de Jesus, pois nunca lhe prestou testemunho, como o fazia João Batista. Quanto a Jesus, imaginá-lo renegando sua própria mãe seria ignorar seu caráter e retidão. É possível que tivesse querido aproveitar a chegada de sua família para mostrar a diferença que existe entre um parentesco corporal e um parentesco artificial.


O PARENTESCO CORPORAL E O PARENTESCO ESPIRITUAL


Os laços de sangue não determinam os laços entre os Espíritos. O corpo vem do corpo, mas o Espírito não vem do Espírito, uma vez que o Espírito já existia antes de o corpo ser formado. O pai não cria o Espírito do filho, apenas cria seu envoltório corporal, mas fica, junto com a mulher que gera o novo ser, responsável por seu desenvolvimento intelectual e moral indispensável para seu progresso espiritual através da vida.

Ao encarnarem, há Espíritos que se colocam numa mesma família, como parentes próximos. São Espíritos ditos simpáticos, afeiçoados, unidos por felizes relacionamentos anteriores. Mas há casos contrários, de espíritos encarnados numa mesma família, completamente estranhos uns aos outros, divididos por antipatias também anteriores, que geram um incômodo antagonismo na nova família para lhes servir como prova. Isto posto, entendemos que os verdadeiros laços de família não os da consanguinidade, mas os da simpatia e comunhão de pensamentos que unem os Espíritos antes de sua encarnação ou durante e após a mesma. Daí   percebermos que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo espírito do que se o fossem pelo sangue.

Isso nos leva a constatar que há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. As primeiras, com longa duração por se fortalecerem pela depuração, perpetuando-se no mundo dos Espíritos, através de migrações da alma. As últimas, de natureza frágil como é a matéria, desaparecem com o passar do tempo ou se dissolvem moralmente na própria vida em curso. Isto era exatamente o que Jesus queria que seus seguidores entendessem ao dizer: ”Eis minha mãe e meus irmãos”, ou seja, minha família espiritual, porque quem quer que faça a vontade  de meu pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

O fato de os irmãos de sangue se aproximarem de Jesus para se apoderarem dele com o pretexto de que ele havia perdido o espírito deixava à mostra a hostilidade que os animava.  Jesus usou o discurso exato, falando aos seus discípulos do ponto de vista espiritual: “Eis meus verdadeiros irmãos”. Quanto à sua mãe que acompanhava os filhos incrédulos, ficou evidente sua não inclusão na declaração de Jesus, pelo excelente modo como sempre a tratou, traduzido em cuidados, em compreensão, em amor puro e cristalino.


 Concluímos aqui o capítulo de hoje. Aviso que os trechos de Instruções dos Espíritos estão muito interessantes, esperando por vocês, queridos leitores.


E como repouso é bom com música, deixo aqui este link para vocês:

https://youtu.be/5stYikjmSkA

Se quiserem opinar sobre a música da vez, enviem sugestões. Assim, tenho chance de agradar a maior número entre vocês.



sexta-feira, agosto 21, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIII Ítens 1 a 8

Poema da primavera

                                                                                                                                                                               RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS   Capítulo XIII    Itens 1 a 8

                 Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita.


FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO

Ao fazer o bem a outrem, uma atitude deve ser observada: evitar plateia. Que seja um ato discreto, um simples atendimento ao necessitado, ou o Pai não o recompensará. Isso significa que o ato de dar esmola não deve ser público, que de nada adiantará esse ato de ostentação, a não ser a aquisição da fama de piedoso por parte dos homens.
Jesus nos deu esse exemplo ao curar um leproso com um leve toque quando, ao descer a montanha, foi seguido por uma multidão. Jesus teve o cuidado de recomendar ao beneficiado que evitasse falar o fato a alguém, mas que fosse mostrar-se aos sacerdotes e oferecesse o dom prescrito por Moisés para que isso lhes servisse de testemunho.
Fazer a caridade sem alardes é uma grande coisa, esconder a mão que oferta é ato mais meritório ainda – é sinal de superioridade moral, porque para ver as coisas de mais alto que o vulgo é preciso abstrair-se da vida presente e identificar-se com a vida futura, ou seja, colocar-se acima da humanidade para renunciar à satisfação de receber o testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Os que estimam a aprovação dos homens mais que a de Deus provam que têm mais fé nos homens do que em Deus e que a vida presente é mais para ele do que a vida futura, ou mesmo, que ela não existe.
Jesus costumava repetir em suas pregações que aqueles que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa, já pagaram a si mesmos com a glorificação recebida. Deus não lhes deve mais nada, a não ser a punição de seu orgulho.
A beneficência modesta é muito bem caracterizada pela figura aqui usada: Que a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita. Não esqueçamos, porém, que há a modéstia real e a modéstia simulada. Pessoas há que escondem a mão que dá, tendo o cuidado de deixar à mostra um pedacinho dela. Paródia grosseira das palavras de Cristo!  Que será desses benfeitores mal-intencionados perto de Deus? Eles receberam também sua recompensa na Terra: foram vistos e estão satisfeitos.
E que recompensa cabe àquele que faz pesar seus benefícios sobre o beneficiado, exigindo-lhe testemunhos de reconhecimento? Para este, não há nem a recompensa terrestre porque não ouvirá nem abençoarem seu nome. Esse tipo de dádiva em proveito próprio é benefício censurado, portanto, é moeda furada, sem nenhum valor.
Assim sendo, a beneficência sem ostentação tem mérito dobrado: além da caridade material, ela é a caridade moral que poupa a susceptibilidade do beneficiado, levado que é a aceitar o benefício sem arranhar seu amor próprio.

OS INFORTÚNIOS OCULTOS

Num ambiente de calamidade pública, há sempre uma manifestação maciça do sentido da caridade, uma ânsia de reparar os desastres ocorridos.  É uma mobilização que impressiona. Mas, ao lado desses desastres gerais, há inúmeros desastres particulares de pessoas que sofrem horrores sem a menor chance de esperar socorro. A esses sofrimentos ocultos, a generosidade genuína sabe chegar mesmo sem pedidos de assistência.
Felizmente, há muita gente consciente que pratica esse tipo de caridade. O ideal é que, paralelamente, houvesse sempre um trabalho de conscientização de grupos que se dispusessem a encarar essas experiências de socorro e viessem a diminuir o extraordinário número desses infortúnios ocultos.

O ÓBOLO DA VIÚVA

Imaginemos Jesus sentado diante do cofre das ofertas onde eram depositados valores que iriam socorrer os que não tinham condições de vida digna. Apreciava o modo como o povo atirava o dinheiro na arca do tesouro. E notou que muitas famílias ricas haviam feito altas doações. De repente, uma mulher viúva, visivelmente de fracos recursos, se aproxima e coloca na arca do tesouro duas pequenas moedas. A esta altura, Jesus convoca seus discípulos e lhes diz que aquela viúva de poucas posses teria dado mais do que todos porque, enquanto os ricos haviam doado de sua abundância, ela tirara de sua indigência tudo o que lhe restava para sustentar-se - uma lição de pura dignidade e desprendimento.
Muitas pessoas lamentam não poderem fazer tanto bem quanto desejariam por falta de recursos suficientes e, se desejam obter fortuna é para dela fazerem bom uso - intenção criteriosa e louvável. Mas não é exatamente o que acontece nos corredores da vida. Há aqueles que, mesmo desejando fazer o bem aos mais necessitados, como gostariam de começar por si mesmos, de se concederem um pouco do supérfluo que nunca tiveram, com a condição de dar aos pobres o que lhes sobrasse! Mas um valor se levanta: a verdadeira caridade pensa nos outros antes de pensar em si. No caso, a posição ideal seria procurar, pelo emprego de suas próprias forças, de sua capacidade, de seus talentos, os recursos que faltam para realizar suas pretensões generosas. Isto agradaria ao Senhor. Infelizmente, a maioria sonha com meios fáceis de enriquecer rápido e sem trabalho, correndo atrás de expedientes quiméricos. Para não falar naqueles que esperam encontrar entre os Espíritos os auxiliares para essas torpes pesquisas. Com certeza, eles não têm ideia da finalidade sagrada do Espiritismo e, ainda menos, da missão dos Espíritos os quais Deus permite se comunicarem com os homens.
Os que têm a intenção pura devem se consolar de sua impossibilidade em fazer tanto bem quanto intencionariam, pelo pensamento de que o óbolo do pobre que dá se privando é mais valioso do que o do rico que dá sem se privar de nada. A satisfação em socorrer a indigência pode ser imensa, mas se ela é negada, é preciso se submeter e se limitar a fazer o que se pode. Tire de suas horas de folga algumas para abrandar um sofrimento físico ou moral. O efeito é o do óbolo do pobre, a moeda da viúva.

CONVIDAR OS POBRES E OS ESTROPIADOS

Jesus disse: Quando fizerdes um festim, não convideis os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados. Tomando ao pé da letra, estas palavras parecem absurdas, mas são elevadas se nelas se procura o espírito. Jesus falava figurativamente, dirigindo-se a pessoas sem capacidade de compreender os finos matizes do pensamento. Ele usava imagens fortes que correspondiam a cores berrantes. O pensamento real se traduz nesses termos: ‘ Sereis felizes porque não haverá possibilidade de retribuição, ou seja, não se deve fazer o bem pensando no que lhe pode ser devolvido, mas por prazer de fazê-lo. Entender por festim não o repasto em si, mas a participação na abundância do benfeitor.

Podem essas palavras ter ainda um sentido mais literal.  Há pessoas que só convidam para sua mesa os amigos que podem retribuir-lhes o convite. Outras encontram satisfação em chamar parentes ou amigos de vida mais contida, prestando-lhes serviço discretamente. Estes, sem arrebanhar cegos e estropiados, põem em prática a máxima de Jesus desde que o façam por benevolência, sem alarde, dissimulando habilmente o benefício com uma cordialidade sincera, verdadeira.



Chegamos ao fim do capítulo de hoje. Espero que tenham apreciado a matéria. De minha parte, acho que ela nos esclarece quanto à finalidade da ajuda ao próximo e nos leva a uma reflexão sobre a intenção válida de executar tal exercício. Vamos refletir?

Agora, o recreio, deixem-me providenciar. Seria ótimo que apresentassem sugestões para abranger maior variedade de gostos. Acham uma boa ideia? Vamos tentar. Por hoje, fico numa música bonita  que, de música boa ninguém se farta, pois não?


Até o próximo encontro em setembro.