quarta-feira, maio 27, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo X Itens 14 a 21






RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS     Capítulo X      Itens 14 a 21


Eu deveria hoje comentar os itens acima que ilustram a matéria explicada no post anterior, focalizando os temas PERDÃO DAS OFENSAS e INDULGÊNCIA. No entanto, o que encontrei foram textos de leitura fácil, em tom explicativo, perfeitamente compreensíveis, da pena de instrutores espirituais, a saber, Simeão (Bordéus/1862) e Paulo, apóstolo (Lião/1661) sobre o tema Perdão das Ofensas. E José (Bordéus/1863) e João (Bordéus/1862), Dufêtre (Bordéus) e S.Luís (Paris/1860) sobre o tema Indulgência.  Vocês podem procurar esses textos nas três últimas folhas do capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, sob o título Instruções dos Espíritos.
No entanto, dada a facilidade que vocês encontrarão na matéria acima apontada, trago-lhes um artigo muito interessante de nossa companheira de fé, Leda Flaborea, colunista da Revista O CONSOLADOR. Muitas vezes, trouxe-a a este blog antes de começar a série de capítulos de Recapitulação do Evangelho, vocês devem estar lembrados. Vamos, assim, reverenciar nossa cronista que nos traz o sugestivo título No auxílio a todos.

Rosas pra você, Leda, merecidas rosas.






                                             NO AUXÍLIO A TODOS
                                      Leda Flaborea, São paulo

“Pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida justa e sossegada em toda a piedade e honestidade.” – 
Paulo¹
Se observarmos nossas conversas e nossas preces, poderemos notar que, na maioria das vezes, nos lembramos das dificuldades e das aflições dos menos felizes no mundo. Quase sempre nossos pensamentos e palavras se voltam para os enfermos, para os desesperados, afundados na miséria ou vitimados por flagelos naturais ou públicos. Para essas criaturas somos capazes de relacionar suas necessidades e tentar ajudá-las, na medida das nossas possibilidades.
Todavia, Paulo, nessa carta ao seu amigo e companheiro de luta, Timóteo, lembra-nos que não são apenas os menos afortunados que precisam das nossas preces ou dos nossos pensamentos amorosos mas, e sobretudo, aqueles que de posse dos cargos de mando ou de riquezas imensas são muito mais tentados aos erros que os primeiros.
A oração, marco renovador de nossas forças, propicia-nos, sobremaneira, a oportunidade de nos voltarmos para essas criaturas que, sob o peso da autoridade, comandam, dirigem, orientam, esclarecem e instruem. Esquecemo-nos, quase sempre, dos tormentos que vivem esses corações quando precisam decidir o destino de tantos, arcando, perante as leis dos homens e as Leis de Deus, com a carga de responsabilidade sobre suas escolhas.
Longe deveríamos estar da cobiça que esse poder confere, pois não ignoramos que, a cada um sendo dado segundo as suas obras, nos levará a tentações e provas ocultas de toda espécie das quais, dificilmente, como coletividade, tomamos conhecimento. Quantas dúvidas, quanto desespero abrigam, muitas vezes, esses corações encaminhados a essas tarefas. Quantas vicissitudes experimentam que muitas, podemos ver, acabam por se refletirem nas decisões que tomam.
Se examinarmos nossa vida diária e prestarmos atenção às inúmeras vezes que tivemos de fazer escolhas, que não envolviam apenas a nós, nossa vida, mas a vida das pessoas que nos cercam; e se nos lembrarmos das imensas dificuldades que experimentamos pelo medo de errar, pela incerteza de se estar fazendo ou não o melhor, é fácil entendermos a proporção das dificuldades daquele que é encaminhado à eminência do poder, e que deve fazer escolhas que envolvem, muitas vezes, uma nação. A própria história da humanidade nos mostra esses homens, levando seus rebanhos como pastores enlouquecidos, carregando aflições de todos os tipos, que se projetam sobre as ovelhas que deveriam conduzir nos caminhos do equilíbrio e da prosperidade.
De um lado, os condutores desequilibrados; de outro, homens conduzidos que recolhem para si essas atitudes - como se fossem corretas -, sem se darem conta de que estão sendo atirados às calamidades físicas e morais, a moléstias coletivas de longo curso, que atrasam a evolução e atormentam a vida. Homens que não colocam, sob o crivo da razão, a lógica de suas escolhas, sejam elas de comando ou, simplesmente, de aceitação.
O Apóstolo Paulo lembra, em sua carta, que esses homens também são nossos irmãos, conduzidos à excelência do poder e da fortuna, da administração ou da liderança, carregando, em todos os momentos, tentações e provas de todas as espécies e levando consigo, através de estados conscienciais de luz ou sombra, as consequências advindas dessa condução.
Recorda-nos, também, Emmanuel, das vezes em que, examinando a conduta desses companheiros, nessa ou naquela circunstância difícil, condenamos suas dificuldades morais, esquecendo-nos dos dias de cinza e de pranto em que o Senhor nos susteve a queda a poucos milímetros da derrota.  Porém, mais grave do que isso, é acreditarmos que não mais teremos problemas pela frente, julgando com severidade e impiedosamente, como se fôssemos incapazes de cometer os mesmos enganos, se colocados na posição do outro, envolvidos nas mesmas circunstâncias e experimentando as mesmas dúvidas.
Todo serviço que deixarmos incompleto na retaguarda encontrar-nos-á no caminho, para que o terminemos. E “qualquer que seja esse remate a ser feito, em todas as nossas lutas, o fecho do amor, em nome de Jesus, será o selo da paz a nos nortear a jornada”. ² A pedra que atirarmos em telhado alheio voltará com o tempo sobre nosso próprio teto; assim como o veneno que destilarmos sobre a esperança de quem quer que seja retornará sobre nossa esperança, nos testando a resistência. E quantos de nós já não experimentam, hoje, do próprio veneno?
Emmanuel diz: “Não nos esqueçamos, pois, da oração pelos que dirigem, auxiliando-os com a bênção da simpatia e da compaixão, não só para que se desincumbam zelosamente dos compromissos que lhes selam a rota, mas também para que vivamos, com o sadio exemplo deles, na verdadeira caridade uns para com os outros, sob a inspiração da honestidade, que é a base de segurança em nosso caminho”. ³ E se a nação é conjunto de cidades, se a cidade é um agrupamento de lares e se o lar é um ninho de corações, não nos iludamos, pois, ao pretender imaginar que apenas aqueles que estão na posse do poder temporário têm obrigações com a sociedade. Cada um de nós, no nosso lar, é o responsável pela harmonia e pelo progresso de todos os outros que compõem esse grupo.
A harmonia começará, sempre, no íntimo do nosso ser: “Não faço nada para não ter trabalho depois” – e isto é inércia e não harmonia –, quando deveria ser: “Porque procuro modificar minha forma de ver o outro para, procurando ser uma pessoa melhor, compreender suas dificuldades, seus limites e, através do meu exemplo, ajudá-lo a evoluir junto comigo”.
Lembra-nos, ainda, mais uma vez, o Instrutor Emmanuel que mesmo havendo razões de queixa, que sejamos a cooperação para que o equilíbrio seja restaurado e a consolação que refaz esperanças, ainda que espinhos nasçam e se espalhem. É imprescindível reafirmarmos, a cada dia, o compromisso do serviço junto a Jesus, silenciando sempre onde não possamos agir em socorro do próximo.
Só podemos cobrar dos outros aquilo que já faz parte da nossa forma de viver e de entender o mundo e as pessoas.  Vamos assim, antes de criticar, examinar como procedemos em nosso círculo de existência.
Por sermos todos Espíritos endividados com as leis Divinas, não nos esqueçamos de que ninguém fugirá ao julgamento da Lei Eterna. Desta maneira, quando nos recolhermos em preces ou quando em reuniões esclarecedoras, lembremo-nos de pedir, de suplicar a Deus, inspirados na prece do Espírito Cerinto, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, em novembro de 1955: 
-         “... não pelos que choram, mas pelos que fazem as lágrimas.
-         não pelos que padecem, mas supliquemos bênçãos para todos aqueles que provocam o sofrimento.
-         não lembremos a Deus os fracos da Terra, mas recordemos quantos se julgam poderosos e vencedores.
-         Não intercedamos pelos que soluçam de fome, mas roguemos amor para os que furtam o pão.
Elevemos nossos pensamentos ao Senhor Todo Bondoso...
-         e não entreguemos a Ele os que sangram de angústia, mas sim os que golpeiam e ferem.
-         não peçamos pelos que sofrem injustiças, mas roguemos por aqueles que são empreiteiros do crime.
-         não apresentemos a Ele os desprotegidos da sorte, mas roguemos Seu amparo aos que estendem a aflição e a miséria.
-         não imploremos o favor de Deus para as almas traídas, mas supliquemos o socorro para os que tecem os fios envenenados da ingratidão.
Ergamos nossas súplicas ao Pai compassivo para que Ele estenda suas mãos sobre os que vagueiam nas trevas...
E roguemos a Ele que anule o pensamento insensato; que cerre os lábios que induzem à tentação; que paralise os braços que apedrejam e que detenha os passos de quem distribui a morte.
Rogamos, em verdade, Senhor, por todos nós, os filhos do erro, porque somente assim, Pai de Misericórdia, poderemos construir o paraíso do Bem com todos aqueles que já O compreendem e obedecem a Suas leis eternas, porque justas e verdadeiras, a fim de que se extinga o inferno daqueles que, como nós, se atiram desprevenidos aos loucos redemoinhos do mal”. 
Que o Mestre Jesus nos guarde nas decisões acertadas e nos inspire para que continuemos lutando na melhoria de nós próprios.

Bibliografia:
1 – PAULO, I Timóteo, 2:2.
2 – EMMANUEL (Espírito) – Palavras de Vida Eterna. [psicografado por] F. C. Xavier, 20ª ed., Edições CEC, UBERABA/MG - Lição 39.
3 –Idem – Lição 40
Para reflexão:
KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo – capítulo XVI.

quarta-feira, abril 01, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo X Itens 1 a 13


BEM-AVENTURADOS AQUELES QUE SÃO MISERICORDIOSOS


Perdoai para que Deus vos perdoe


Vamos ler com atenção estas três máximas que introduzem o tema:

Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia.

Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não perdoardes aos homens quando eles o ofendem, vosso Pai, também, não vos perdoará os pecados.

Se vosso irmão pecou contra vós, ide lhe exibir sua falta em particular, entre vós e ele; se ele vos escuta, tereis ganho o vosso irmão. Então Pedro se aproximando, lhe disse: Senhor, quantas vezes perdoarei ao meu irmão, quando ele houver pecado contra mim? Será até sete vezes? Jesus lhe respondeu: Eu não vos digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.


A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. É como uma extensão da doçura – aquele que não exercita a misericórdia não consegue ser brando, ser pacífico. O ódio e o rancor são próprios dessas almas sem grandeza. Já o esquecimento das ofensas denota uma alma elevada, sempre acima de qualquer provocação ou insulto. As primeiras são sempre ansiosas, irritadiças, desconfiadas. As outras são calmas, amigas da caridade.
Engana-se aquele que diz que nunca perdoará ofensas porque, se não for condenado pelos homens, certamente o será por Deus. Na realidade, como pode pretender o perdão de seus erros se ele mesmo não é capaz de perdoar os dos outros? Os ensinamentos de Jesus deixam claro que a misericórdia deve ser ampla, o que está contido em sua sentença: perdoa ao seu irmão não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.
 Duas são, no entanto, as maneiras de perdoar: uma elegante, nobre, bem-intencionada que protege o amor próprio do oponente com generosidade. A outra é mal intencionada, aquela na qual o ofendido impõe ao ofensor condições tão humilhantes que tornam o perdão irritante, sem validade moral. A ostentação com que age anula o valor do perdão, não levando a reconciliação nenhuma. Em qualquer tipo de contenda, a parte que se mostre mais desinteressada, mais conciliadora, com grandeza de alma conquistará sempre a simpatia das pessoas justas e imparciais.


RECONCILIAR-SE COM OS ADVERSÁRIOS

Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao Ministro da Justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade que não saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último ceitil.

É a exata hora de falarmos na prática do perdão e na do bem em geral. Em seu exercício, além do efeito moral, há também um efeito material. Como sabemos, a morte não nos livra de nossos inimigos: os Espíritos vingativos podem seguir, além do túmulo, aqueles por quem guardam rancor e os atormentam de várias formas. Encarnados e menos livres, eles são vítimas fáceis, o que, às vezes, leva a casos de obsessão, quando não direciona a casos de subjugação ou de possessão, bem mais graves. O obsidiado e o possesso são, assim, vítimas de uma vingança anterior à qual deram lugar por sua conduta. A justiça divina permite isso para puni-los do mal que fizeram ou para castigá-los por não terem tentado praticar o perdão durante todo o seu curso de encarnações. Daí, para sua tranquilidade futura, o que importa é reparar mais depressa os erros cometidos contra o próximo, perdoar seus inimigos para acabar, antes de morrer, com todo mal-estar existente, com toda motivação para o mal baseada em animosidade ulterior. Dessa forma, de um inimigo cheio de animosidade neste mundo pode-se fazer um aliado no outro. Sendo ele bem intencionado e sincero, sua atitude será válida. Ao recomendar que nos reconciliemos o mais depressa possível com nossos adversários, Jesus não tem como intuito o apaziguamento das discórdias na existência atual, mas tem como escopo impedir que elas se tornem crônicas nas vidas que hão de vir. E sentencia: Não saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último ceitil, o que significa  até que tenha satisfeito inteiramente a justiça divina.


O SACRIFÍCIO MAIS AGRADÁVEL A DEUS

Se, pois, quando apresentardes vossa oferenda ao altar, vós vos lembrardes de que o vosso irmão tem alguma coisa contra vós, deixai vossa dádiva ao pé do altar e ide antes reconciliar-vos com o vosso irmão, e depois voltai para oferecer vossa dádiva.

Ao dizer “Ide vos reconciliar com o vosso irmão antes de apresentar vossa oferenda ao altar”, Jesus pretende ensinar que o sacrifício mais caro ao Senhor é o do próprio ressentimento ou seja, antes de se apresentar a ele para ser perdoado, é preciso ter perdoado e que se cometeu injustiça contra um de seus irmãos, é preciso tê-la reparado. Só então a oferenda será agradável porque virá de um coração puro de todo mal. A alma que ele oferece a Deus deve estar purificada. Entrando no templo do Senhor, deve deixar do lado de fora todo sentimento de ódio e de animosidade, todo mal contra seu irmão. Só então sua prece será encaminhada ao Senhor.


 O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO

Por que vedes um argueiro no olho de vosso irmão, vós que não vedes uma trave no vosso olho? Ou como dizeis ao vosso irmão: Deixai-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no vosso? Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.

Ver o mal de outrem antes de ver o que está em nós próprios é um dos defeitos mais imprudentes no homem e é, sem dúvida nenhuma, o orgulho que leva o homem a esconder de si mesmo e dos outros tal defeito tão contrário à caridade, que é simples e indulgente.  Sendo o orgulho o pai de muitos vícios, é, consequentemente, a negação de muitas virtudes e está presente na maioria das ações humanas. Daí Jesus dedicar-se a lutar contra esse mal como o principal obstáculo ao progresso.


NÃO JULGEIS A FIM DE QUE NÃO SEJAIS JULGADOS. AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO LHE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Não julgueis a fim de que não sejais julgados; porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros; e se servirá para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles.

Então os Escribas e os Fariseus levaram à presença de Jesus uma mulher apanhada em adultério, colocaram-na de pé, no meio do povo. Voltaram-se, então, para Jesus interrogando: Mestre, esta mulher acaba de ser flagrada em adultério. Pela lei de Moisés, ela deve ser lapidada por ser adúltera. Como o Mestre se sente em relação a este procedimento? Claro que se tratava de um complô para tentá-lo e haver razão de comprometê-lo. Mansamente Jesus abaixou-se e começou a escrever com o dedo sobre a terra. Como continuassem a interrogá-lo, Jesus, erguendo-se, lhes disse: Dentre vós, aquele que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra. E abaixando-se de novo, continuou a escrever sobre a terra. Ouvindo-o falar dessa maneira, foram-se retirando um após o outro.  Desse modo, permaneceram no local apenas Jesus e a mulher. Então, Jesus dirigiu-se a ela perguntando-lhe onde estavam seus acusadores e se ninguém a havia condenado. Diante de sua resposta negativa, ele respondeu: Também não vos condenarei. Ide e, daqui por diante, não pequeis mais.
Jesus disse então: “Aquele que estiver sem pecado, lhe atire a primeira pedra”. Esta máxima faz com que olhemos a indulgência como um dever, não havendo ninguém que dela não tenha necessidade para si mesmo. Ela nos ensina que não devemos julgar os outros mais severamente do que julgaríamos a nós mesmos, nem condenar em outrem o que relevamos em nós. 
A censura lançada sobre a conduta de outrem pode ter dois motivos: reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos atos estão sendo criticados. Claro que a segunda razão é da maledicência e da maldade e, portanto, refugada. O primeiro pode ser louvável e torna-se mesmo um dever em certos casos, uma vez que disso pode resultar um bem.
Jesus não podia proibir de recriminar o mal se ele mesmo disso nos deu exemplo, agindo energicamente, tentando dizer que a autoridade da censura está em razão da autoridade moral daquele que a emite.  De resto, a consciência íntima recusa todo respeito e toda submissão voluntária àquele que, estando investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios que está encarregado de aplicar. Aos olhos de Deus, não há autoridade legítima, a não ser aquela que se baseia no exemplo que dá em relação ao bem.


Explicado o tema, vamos a um pouco de música que sempre é bem-vinda e estimulante.


                                                       Alegria dos Homens    Bach 

terça-feira, março 03, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS  

Capítulo IX   Itens de 1 a 10


 Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos

Vamos falar hoje de Injúrias e Violências, ao lado dos instrutores espirituais que nos falarão de doçura, paciência, obediência, resignação e cólera.

Três máximas serão consideradas:

1) Bem aventurados aqueles que são brandos porque eles possuirão a Terra.
2) Bem-aventurados os pacíficos porque eles serão chamados filhos de Deus.
3) Não matarás: todo aquele que matar, encolerizar-se contra alguém, agredir um semelhante merecerá ser condenado.
Por meio dessas máximas, Jesus faz da doçura, da afabilidade e da paciência uma lei, ou seja, condena a violência, a cólera, toda manifestação agressiva dirigida ao outro. É certo que a intenção aumenta ou diminui a falta, mas é que toda palavra ofensiva remete a um sentimento contrário à lei do amor e da caridade, que deve regular as relações entre os homens, garantindo-lhes a concórdia e a união. A lei do amor, depois da humildade para com Deus e a caridade para com o próximo, é a primeira lei da cristandade.
 Mas há essa máxima de Jesus: “Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra”. E o seu ensinamento de que devemos renunciar aos bens do mundo pelos do céu. A dedução  é simples.  Enquanto espera os bens do céu, o homem precisa dos bens da Terra para viver, apenas não deve dar a eles maior importância de que aos primeiros.
Com esse discurso, ele está querendo chamar nossa atenção para o fato de os bens da Terra estarem nas mãos dos violentos em detrimento daqueles que são mansos e pacíficos, que frequentemente lutam contra a falta do necessário enquanto os intransigentes gozam com o supérfluo. E promete justiça na Terra como no céu aos chamados filhos de Deus. Quando a Humanidade tiver como lei a lei de amor e caridade, o egoísmo desaparecerá, e o fraco e o pacífico não serão mais dominados e explorados pelos fortes ou violentos.  Esta será a condição da Terra quando, segundo a lei do progresso e a promessa de Jesus, ela transformar-se, pela ausência dos maus, em um mundo feliz.
Agora, vamos ao encontro do que dizem as instruções dos espíritos sobre as qualidades já citadas e sobre a cólera. 
O espírito de Lázaro (Paris, 1861) nos fala da benevolência para com os semelhantes, gerada pelo amor ao próximo, responsável pela afabilidade e pela doçura. Mas nos chama a atenção para certo tipo de criatura, de sorriso franco e coração envenenado, mestre em ferir à menor contrariedade. É preciso habilidade para enfrentá-lo e tentar, com o tempo, enviá-lo ao bom caminho, exercitando o amor fraternal e a perseverança.
Da paciência, fala-nos um Espirito Amigo (Havre, 1862): Deus envia a seus eleitos a oportunidade de lidar com a dor, mais como uma bênção. Nesses transes, quando o sofrimento apertar, que tenhamos sabedoria e paciência para reconhecer que fomos marcados pela dor na Terra para nossa glória no céu. O exercício da paciência é uma forma de caridade. Uma das mais penosas e, portanto, mais meritórias é perdoar àqueles que Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos dos nossos sofrimentos. Nosso amigo reconhece que a vida não é coisa fácil. Ela se compõe de nadas que terminam magoando, mas que pensemos nas consolações e compensações que teremos, o que nos faz concluir que as bênçãos são mais numerosas que as dores.
Da obediência e da resignação, vamos voltar à palavra de Lázaro.  Ele nos diz que elas são irmãs da doçura, são ágeis embora os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, duas forças ativas por carregarem o peso das provas que o sentimento insensato de revolta vai liberando. Jesus foi a encarnação destas virtudes desprezadas pela antiguidade material. Ele chegou no momento em que Roma desaparecia mergulhada na corrupção, veio fazer luzir, no seio da Humanidade desolada, a glória do sacrifício e da renúncia carnal. (Lázaro, Paris, 1863);
Finalmente, temos instruções de dois Espíritos Protetores falando de Cólera.   Vejamos o que nos diz o Irmão de Bordéus, 1863. Não raro, surgem pessoas que se consideram tão acima dos outros mortais que não suportam a mais leve comparação, o mais inocente comentário, a ponto de se mostrarem coléricas e absurdas. E, praticamente, se se proceder a uma investigação, o resultado é sempre o mesmo – orgulho ferido. Seria bom que essas pessoas percebessem que, continuando assim pela vida afora, magoarão seus familiares, abalarão a integridade física e o bem-estar de todos e manterão sua família em angústia permanente, nada bom para um espírita, que tem que estar voltado para a caridade e para a humildade.
Vejamos agora, o que nos tem a dizer o Espírito de HAHNEMANN, Paris, 1863, sobre o colérico. Há um certo tipo de pessoa que, com tendência a encolerizar-se por qualquer motivo, acha-se dispensada de esforçar-se por um comportamento menos intolerante, alimentando situações incômodas para todos com quem priva. E segue em frente, gerando mal-estar, antipatias ou mesmo medo aos mais atingidos. Por cúmulo, acha que não pode ser responsabilizado por ter nascido assim, atribuindo a culpa de seus distúrbios a nosso Pai. Ora, o corpo não dá cólera àquele que não a tem, como não dá os demais vícios. As virtudes e os vícios são inerentes ao Espírito. Se assim não fosse, que seria do mérito e da responsabilidade? O aleijado não pode corrigir seu corpo deformado já que o Espírito não tem nada com isso, mas pode endireitar o que é do Espírito quando se dispõe a lutar por seus objetivos. O homem não permanece vicioso senão porque quer permanecer vicioso. De outro modo, estaríamos negando a lei do progresso, uma das bases do Espiritismo.


Chegamos à hora de relaxarmos um pouco com a mansa voz de Enya que sempre nos encanta . A música intitula se Only Time.  Tenham um bom e suave recreio. Até  mais.



domingo, fevereiro 01, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VIII Itens de 8 a 21

Aldemir Martins

RECAPITULANDO DO EVANGELHO DE JESUS
Capítulo VIII   Itens 8 a 21


VERDADEIRA PUREZA. MÃOS NÃO LAVADAS

Houve ocasião em que os escribas e fariseus que tinham vindo de Jerusalém indagaram de Jesus por que seus discípulos violavam a tradição dos Antigos, já que não lavavam as mãos ao tomarem suas refeições. Como resposta, Jesus argumentou como, por sua vez, eles violavam os mandamentos de Deus em honra a ordenações humanas. Mandamentos como “Honrai   vosso pai e vossa mãe” e “Aquele que disser palavras injuriosas a seu pai ou à sua mãe que seja punido com severidade” não eram contemplados. Enquanto eles contrapunham com uma leviana ordenação -  Todo aquele que disser ao seu pai ou à sua mãe: “toda oferenda que faço a Deus vos é útil”, pois agiam de má fé, não cumprindo suas obrigações com seus ascendentes.
 Nessas ocasiões, Jesus procurava explicar que era necessário prudência no falar, que o que sai da boca parte do coração e os pensamentos impuros, a maledicência são responsáveis pelos crimes, pelas desgraças do mundo. Não as mãos não lavadas antes da refeição, como acreditavam os fariseus.
Ao ouvir de seus discípulos que os fariseus haviam se escandalizado com sua prédica, Jesus respondeu: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada”.  Eles se comportam como cegos, podem vir a cair no fosso.
Enquanto isso, um fariseu pediu-lhe que jantasse em sua casa. Jesus encaminhou-se para lá e, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa, o que causou um estranhamento por parte do anfitrião, motivando o comentário imediato de Jesus. O cuidado com que os fariseus limpam o exterior do copo e do prato não deveria ser aplicado ao interior do coração de cada um, onde cresce a semente da iniquidade? Então, “Aquele que fez o exterior não fez também o interior?”.
A esta altura, os judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus, apegando-se à prática dos regulamentos estabelecidos pelos homens. Como era mais fácil observar os atos exteriores do que se reformar moralmente, ‘lavar as mãos do que limpar o coração’, os homens se iludiram e se convenceram de que estavam quites com Deus que não pedia mais que isso. E permaneciam como eram, intimamente estacionados.
Foi o que veio a acontecer com a doutrina moral do Cristo, passada a segundo plano, o que determinou a crença por parte dos cristãos, tal como aconteceu aos judeus, de que sua salvação estava assegurada pelas práticas exteriores em detrimento da Moral.
Sabemos que a finalidade da religião é encaminhar o homem a Deus. Se este só chega a Deus quando está perfeito, então, a religião que não torna o homem melhor não atinge seu escopo. E seguramente é falsa ou falseada em seu princípio a religião que aceita qualquer prática voltada para o mal. Podemos afirmar também que apenas a crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede o crime generalizado, o roubo, a calúnia, o adultério, qualquer tipo de crime. Ela só gera pessoas supersticiosas, maldosas, fanáticas, nunca homens do bem.

ESCÂNDALOS. SE VOSSA MÃO É UM MOTIVO DE ESCÂNDALO, CORTAI-A.

Palavra de uso comum, escândalo, hoje, significa aquilo que é causa de erro, ou que resulta em erro; indignação provocada por um mau exemplo; desordem, tumulto, cena, escarcéu; ou grave acontecimento que abala a opinião pública; ou ainda, fato imoral revoltante. O escândalo está menos na ação em si mesma e mais no reflexo que ela provoca, na explosão de comentários que ela determina. Há até certa tendência em se abafar um escândalo, para se preservar a figura de seu autor – os “sepulcros caiados” a que Jesus se referia: ‘vasos limpos por fora, sujos por dentro.’
Em textos evangélicos, a acepção da palavra escândalo é sempre mais geral e, por isso, nem sempre é bem entendida. Não é somente aquilo que ofende a consciência, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, todo efeito mau, de pessoa para pessoa, com ou sem repercussão – o escândalo como resultado efetivo do mal moral.
 Em suas prédicas, Jesus dizia que era necessário que houvesse escândalos no mundo, uma vez que, sendo imperfeitos, os homens eram inclinados a fazerem o mal e as más árvores dão maus frutos. Por estas palavras, devemos entender que o mal é uma consequência da imperfeição dos homens, e não que para eles haja obrigação para praticá-lo.
Isto é necessário porque, como os homens estão em expiação sobre a Terra, punem a si mesmos pelo contato com seus vícios, sendo assim suas primeiras vítimas. Com a continuidade, terminam por entender seus inconvenientes. Quando estiverem cansados de padecer no mal, descobrirão a cura no bem. Portanto, a reação desses vícios serve, ao mesmo tempo, de castigo para uns e de provas para outros. É deste modo que Deus faz emergir do mal o bem.
Se isto é a realidade, o mal sendo necessário, irá durar para sempre, como arma de luta do Pai? Isto seria se as situações se repetissem sempre no mesmo patamar. Desde que diminuam os culpados e venham a deixar de existir, desaparecerá a necessidade de provas, de castigos. Imaginemos a Humanidade toda nos patamares superiores, todos envolvidos com o bem. Este é o estado dos mundos avançados, onde o mal não existe e será o da Terra, quando tiver avançado na medida suficiente. Mas há um aspecto ainda não tocado nessas considerações: enquanto muitos mundos evoluem, outros se formam, abrigando espíritos primitivos, com a finalidade de servir de habitação, de exílio, ou de lugar expiatório para os obstinados no mal.
Consideremos agora, o espírito através do qual o escândalo surgiu. O mal sendo sempre o mal, aquele que inconscientemente serviu de instrumento para a justiça divina, cujos maus instintos foram utilizados, não fez por isso menos mal e deve sofrer punição[i].  Como exemplo, podemos apontar o filho ingrato como uma punição ou uma prova para o pai que o sustenta, porque esse pai talvez tenha sido um mau filho que fez sofrer seu pai, e que sofre a pena de talião. O filho, por sua vez, não deixa de ser culpado e deverá ser castigado em seus próprios filhos ou de outro modo.
Resta comentar a figura enérgica, usada nesses tipos de comentário e que não pode ser tomada ao pé da letra: “Se vossa mão é uma causa de escândalo, cortai-a”. Simplesmente significa que é necessário destruir em si toda causa de escândalo; arrancar do coração todo sentimento impuro e toda tendência para o vício; e aponta para a máxima: valeria mais para uma pessoa ter tido a mão cortada, do que essa mão lhe ter servido de instrumento para uma má ação. Jesus, embora expressando-se por alegorias, não falou coisas absurdas. Muitos foram os que apreenderam o sentido profundo de suas palavras. O Espiritismo está aí para nos ajudar nessa tarefa.

Há no capítulo que finalizamos hoje dois textos muito bons de Espíritos instrutores  que complementam lindamente o texto estudado.  
Intitulamse: Deixai vir a mim as criancinhas/Bordéus/1861 e “Bem-aventurados aqueles que teem os olhos fechados” (Vianney, cura d´Ars/Paris/1863).

NOTA – Quando um sofrimento não é consequência dos atos da vida presente, necessário se torna pesquisar sua causa numa vida anterior. Aquilo que chamamos de ‘caprichos da sorte’ são os efeitos da justiça de Deus. Ele não age com arbitrariedade. Ele quer que entre a falta e a pena, haja sempre uma correlação. Se, bondosamente, deitou um véu de esquecimento sobre nossos atos passados, põe-nos sobre o caminho, dizendo-nos: Quem matou pela espada, morrerá pela espada”, o que significa: “Sempre se é punido naquilo em que pecou”. Se alguém está aflito pela perda da vista, é porque a vista foi para ele causa de queda, ou foi causa da perda da vista num outro, por excesso de trabalho imposto, por maus tratos, por falta de cuidado. E suporta a lei de talião. Ele mesmo, em seu arrependimento, pôde escolher essa expiação, aplicando a si próprio estas palavras de Jesus: “Se vosso olho vos é um motivo de escândalo, arrancai-o”.
Lindas rosas, inspiradoras, cativantes.
Adoro rosas.




quinta-feira, janeiro 01, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS

                                               
                                       Vaso de Flores                 Anita Malfati

                                RECAPITULANDO  O EVANGELHO DE JESUS
                                Capítulo VIII      Itens 1 a 7

  
BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO                

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS


“Bem-aventurados aqueles que teem puro o coração porque verão a Deus”.
“Apresentaram-lhe então as criancinhas a fim de que ele as tocasse; e como seus discípulos afastassem com palavras rudes aqueles que as apresentavam, Jesus vendo isso zangou-se e lhes disse: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham. Eu vos digo em verdade, todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará. E as tendo abraçado, as abençoou impondo-lhes as mãos.”
Efetivamente, a pureza de coração tem ligação estreita com a simplicidade e a humildade e rejeita totalmente todo pensamento de egoísmo e de orgulho. Esta é a razão pela qual Jesus considera a infância como símbolo dessa pureza, como o fez para o da humildade. Pode parecer injusta essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito velho e, por conta disso, voltando à vida corporal, possa trazer as imperfeições de que não se livrou em existências anteriores. Só um espírito que atingiu a perfeição poderia ser modelo da verdadeira pureza. Em verdade, porém, do ponto de vista da vida presente, a criança nos oferece o retrato da inocência, sim, por não ter tido tempo ainda de manifestar nenhuma tendência perversa. E Jesus, na realidade, não afirma que o reino de Deus é para elas, mas para aqueles que a elas se assemelham. Se, porém, o espírito que reencarna já existiu, por que não se apresenta ele, a partir do de seu novo encarne, com suas características anteriores? Todas as ações de Deus são sábias. Uma criancinha é um ser dependente, precisando de cuidados delicados que só a ternura materna é capaz de oferecer, sentimento que se dilata em presença da fraqueza e ingenuidade infantil. A criança precisa dessa solicitude e desse desprendimento maternos para se desenvolver bem, física e espiritualmente. Aliás, seria preciso que a atividade do princípio inteligente fosse proporcional à fraqueza do corpo que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, assim como presenciamos entre crianças muito precoces. Por esse motivo, com a proximidade da encarnação, o Espírito perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, permanecendo num estado de sono, durante o qual suas faculdades se conservam em estado latente. Trata-se de um estado transitório, necessário para dar ao Espírito um novo ponto de partida e fazê-lo esquecer coisas que poderiam perturbá-lo na nova existência terrestre. No entanto, seu passado reage sobre ele, que brota para a nova vida mais forte moral e intelectualmente, amparado pela intuição que lhe resta das experiências anteriores.
Nascido, suas ideias experimentam um gradual impulso, à proporção que seus órgãos se desenvolvem. Daí, dizer-se que, durante os primeiros anos, o Espírito conserva-se criança já que as ideias que lhe formam o caráter ainda estão adormecidas. Com os instintos dormitando, ele é mais flexível e, dessa forma, mais moldável às impressões que podem modificar sua natureza e fazê-lo progredir, o que facilitará aos pais a tarefa de educar. E o Espírito continua por mais um tempo na faixa da inocência.
Logo, Jesus está com a razão quando, apesar da anterioridade da alma, considera a criança como símbolo da pureza e da simplicidade.


Pecado por pensamento: Adultério

Aos Antigos foi dito: ‘Não cometereis adultério. Mas eu vos digo que todo aquele que tiver olhado uma mulher com um mau desejo por ela, já cometeu adultério com ela, em seu coração”.
A palavra adultério aqui deve ser tomada num sentido mais largo. Jesus a empregou em sentido amplo, para designar o mal, o pecado, enfim, todo pensamento malsão. A pureza verdadeira não está só nos atos, mas no pensamento também. Daí Jesus considerar o mau pensamento um sinal de impureza.

Esse é um princípio que nos leva à seguinte indagação: um pensamento mau, não seguido de efeito, pode modificar a natureza de um Espírito e fazê-lo progredir?

Uma alma infratora, que avança na vida espiritual e, aos poucos, se despoja de suas impurezas, tende a reagir aos pensamentos impuros e, se consegue repeli-los, sente-se mais firme e mais segura com sua vitória - não cometeu pecado. Já a que não teve boa intenção e só não praticou a má ação por falta de oportunidade, essa é tão culpada quanto seria se a tivesse cometido. Já a que não teve boa intenção e só não praticou a má ação por falta de oportunidade, essa é tão culpada como se a tivesse cometido.
Em resumo, o progresso é um fato na pessoa que não concebe o mal. Na pessoa que chega a concebê-lo, mas consegue reagir e se supera, o progresso está em pleno curso. Naquela que se compraz no mau caminho, o mal ainda está em pleno vigor.  Deus, que é justo por excelência, pesa todas essas diferenças na responsabilidade dos atos e dos pensamentos de suas criaturas.

segunda-feira, dezembro 01, 2014

 

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS   Capítulo VI   Itens de 7 a 13

Retomemos o assunto que nos ocupou no post anterior e o complementemos com considerações sobre os mistérios ocultos aos ‘sábios e prudentes’.
São de Jesus estas palavras: “Eu vos rendo glória, meu Pai, Senhor do céu e da Terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios e aos prudentes e por as ter revelado aos simples e aos pequenos”.
Talvez pareça estranho que Jesus renda graças a Deus por ter revelado essas coisas aos ‘pobres de espírito’, ou seja, aos simples e aos pequenos e de tê-las ocultado aos ‘sábios e aos prudentes’ com maiores condições para entendê-las.
É importante perceber que os humildes não se creem mais importantes do que ninguém, enquanto os sábios, considerados de sua ciência, julgam-se ‘prudentes’, tratando Deus em pé de igualdade, quando não o negam. Daí, Deus deixar para eles a tarefa de descobrir os segredos da Terra , passando a revelar aos mais simples os mistérios do céu.
O mesmo sucede hoje com o Espiritismo, aberto aos que procuram a boa fé,  com humildade, e  reticente aos que imaginam Deus feliz  em seu entorno, provando que existe.
A força de Deus reluz nas pequenas e nas grandes coisas abundantemente. Cegos são os que não a enxergam. Deus, que não age pela força, tem, porém, suas condições. Percebe que são espíritos ainda não maduros para compreendê-lo nem para senti-lo. O orgulho os cega, eles não podem distinguir a luz. Como médico incontestável, corrige primeiro o orgulho, sem abandoná-los, por saber que haverá um momento em que eles descobrirão a verdade. Mas ele quer que isso se dê por vontade própria e espera o instante em que vencerão a incredulidade e se lançarão a ele como filhos pródigos.
A partir daqui, temos um texto instrutivo que fala de orgulho e de humildade pelo Espírito do bispo Adolfo, de Argel,  e outro  sobre a missão do homem inteligente na Terra, pelo Espírito de Ferdinando, de Bordéus.
Bom que fossem lidos na íntegra. Vocês terão acesso fácil a eles em qualquer edição de O EVANGELHO DE JESUS SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, finalizando o sexto capítulo. De qualquer maneira, deixo aqui uma passagem de cada texto, à guisa de ilustração.
“Abre os olhos à luz: eis as almas daqueles que não estão mais na Terra que veem te chamar aos teus verdadeiros deveres; elas te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da tua passageira existência são pouca coisa perto da eternidade; elas te dirão que lá é o maior quem foi o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou seus irmãos é também aquele que será mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram de sua autoridade, serão reduzidos a obedecer aos seus servidores; que a caridade e a humildade, enfim, estas duas irmãs que se dão as mãos, são os títulos mais eficazes para se obter graça diante do Eterno” (Adolfo, bispo de Argel, Marmande,1862).
“A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada; se todos os homens dotados se servissem dela, segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil para fazer a humanidade avançar; infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as outras faculdades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode lhe retirar aquilo que ela mesma lhe deu,” (Ferdinando, Espírito protetor, Bordéus, 1862).


sábado, novembro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VII Itens 1 a 6



RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS    Cap. VII   Itens  1 / 6

      

    

     “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.  A expressão ‘pobres de espírito’ pode nos deixar momentaneamente confusos, mas é fácil explicá-la. Jesus chamava de ‘pobres de espírito’ as pessoas sem humildade e não as desprovidas de conhecimentos. Daí, ele afirmar que o reino dos céus é dos humildes e não dos pretensiosos. Homens que deteem um nível de cultura alto tendem a se encastelar em sua sabedoria e se sentirem em posição privilegiada. Negando a importância das coisas fora das ciências , chegam  ao exagero de negarem a divindade , subtraindo-lhe a ação providencial sobre as coisas deste mundo,  considerando-se , enfim, capazes de governá-lo  com a força de seus conhecimentos científicos. Julgando-se aptos a tudo compreenderem, não creem na possibilidade daquilo que não entendem. Recusam-se a admitir o mundo invisível e um poder extra-humano, cedendo ao orgulho que os anima e que não admite a idéia de uma coisa acima da qual não se podem se colocar. Daí, o desdenho pelas coisas que não são visíveis ou tangíveis. Acreditam que esse tipo de assunto é próprio para pessoas simplórias, que eles denominam ‘pobres de espírito.’ Será preciso  entrarem , como os outros, nesse mundo invisível para entenderem e reconhecerem seu erro. Jesus, ao dizer que o reino dos céus é para os simples, quer dizer que ninguém nele é admitido sem a simplicidade de coração e humildade de espírito, o que equivale a dizer que o ignorante que se apresente com essas qualidades será preferido ao sábio que crê mais em si que em Deus. Isso significa que Jesus coloca a humildade entre as virtudes que mais nos aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que mais nos distanciam dele. Realmente, a humildade é um ato de submissão a Deus e o orgulho é uma espécie de revolta contra ele.


TODO AQUELE QUE SE ELEVA SERA REBAIXADO


      A essa altura, os seguidores de Jesus, curiosos, perguntaram-lhe: Quem é maior no reino dos céus? Como resposta, Jesus apresentou-lhes uma criança e lhes disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes, e se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus. Todo aquele que se tornar pequeno como uma criança terá melhor lugar no reino celeste, e todo aquele que receber em meu nome uma criança é a mim que recebe. Nessa ocasião, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus dois filhos e o adorou, mostrando seu empenho em pedir-lhe algo. Ao receber consentimento, ela externou seu apelo: a ordem de Jesus para que seus dois filhos tivessem assento em seu reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Ao que Jesus respondeu: Isso será para aqueles que meu Pai tenha preparado. Diante da reação dos apóstolos aos dois irmãos, Jesus chamou-os a si e os exortou: O filho do homem não veio para ser servido, mas, mas para servir e dar sua vida pela redenção de muitos.
      
      Num dia de sábado, Jesus entrou na casa de um dos principais Fariseus para  tomar sua refeição, sob a observação dos que estavam no recinto. Considerando como os convivas escolhiam os primeiros lugares, ele lhes propôs a seguinte parábola:  Convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma  pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado não vos venha dizer: Dai o vosso lugar a este, e que então estejais diminuído em vos dirigir com vergonha ao último lugar. Quando fordes convidados, ide vos colocar no último lugar a fim de que, quando aquele que vos tiver convidado vier, vos diga: Meu amigo, subi mais alto. E então isso será um motivo de glória diante daqueles que estarão à mesa convosco, porque todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se rebaixa será elevado.
Do princípio da humildade advém essa máxima que Jesus insiste em colocar como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor: Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus. Jesus escolhe a figura de uma criança para modelo da simplicidade de coração e afirma que será o maior no reino dos céus aquele que não se mostra em plano superior e se fizer pequeno como uma criança, ou seja, quem não tiver nenhuma veleidade de superioridade ou de infalibilidade.
Essa verdade fundamental está expressa nas seguintes máximas: Que aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servidor e Todo aquele que se rebaixa será elevado e todo aquele que se eleva será rebaixado.

     O Espiritismo vem sancionar a teoria pelo exemplo, mostrando grandes no mundo espiritual aqueles que eram pequenos na Terra e quase sempre pequenos os que nela eram poderosos , dependendo do que levam  consigo ao se desprenderem do corpo que habitavam: virtudes que lhe são inerentes ou bens materiais que permanecem onde foram adquiridos.


     Enfim, nas reencarnações sucessivas: aqueles que foram grandes numa encarnação podem voltar rebaixados na seguinte se foram dominados pelo orgulho e pela ambição. Cresçamos na vida conservando a modéstia, o olhar complacente e a determinação em ajudar o ‘outro’ e teremos nosso pedacinho de céu de acordo com o nosso merecimento.


        Finalizemos nosso encontro de hoje com o espírito em regozijo e cheio de esperanças, ouvindo as lindas músicas que colhi no youtube para vocês. Boa jornada este mês. Até dezembro.  (Rolem um pouco abaixo  e encontrem a playlist,ok?)