domingo, fevereiro 01, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VIII Itens de 8 a 21

Aldemir Martins

RECAPITULANDO DO EVANGELHO DE JESUS
Capítulo VIII   Itens 8 a 21


VERDADEIRA PUREZA. MÃOS NÃO LAVADAS

Houve ocasião em que os escribas e fariseus que tinham vindo de Jerusalém indagaram de Jesus por que seus discípulos violavam a tradição dos Antigos, já que não lavavam as mãos ao tomarem suas refeições. Como resposta, Jesus argumentou como, por sua vez, eles violavam os mandamentos de Deus em honra a ordenações humanas. Mandamentos como “Honrai   vosso pai e vossa mãe” e “Aquele que disser palavras injuriosas a seu pai ou à sua mãe que seja punido com severidade” não eram contemplados. Enquanto eles contrapunham com uma leviana ordenação -  Todo aquele que disser ao seu pai ou à sua mãe: “toda oferenda que faço a Deus vos é útil”, pois agiam de má fé, não cumprindo suas obrigações com seus ascendentes.
 Nessas ocasiões, Jesus procurava explicar que era necessário prudência no falar, que o que sai da boca parte do coração e os pensamentos impuros, a maledicência são responsáveis pelos crimes, pelas desgraças do mundo. Não as mãos não lavadas antes da refeição, como acreditavam os fariseus.
Ao ouvir de seus discípulos que os fariseus haviam se escandalizado com sua prédica, Jesus respondeu: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada”.  Eles se comportam como cegos, podem vir a cair no fosso.
Enquanto isso, um fariseu pediu-lhe que jantasse em sua casa. Jesus encaminhou-se para lá e, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa, o que causou um estranhamento por parte do anfitrião, motivando o comentário imediato de Jesus. O cuidado com que os fariseus limpam o exterior do copo e do prato não deveria ser aplicado ao interior do coração de cada um, onde cresce a semente da iniquidade? Então, “Aquele que fez o exterior não fez também o interior?”.
A esta altura, os judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus, apegando-se à prática dos regulamentos estabelecidos pelos homens. Como era mais fácil observar os atos exteriores do que se reformar moralmente, ‘lavar as mãos do que limpar o coração’, os homens se iludiram e se convenceram de que estavam quites com Deus que não pedia mais que isso. E permaneciam como eram, intimamente estacionados.
Foi o que veio a acontecer com a doutrina moral do Cristo, passada a segundo plano, o que determinou a crença por parte dos cristãos, tal como aconteceu aos judeus, de que sua salvação estava assegurada pelas práticas exteriores em detrimento da Moral.
Sabemos que a finalidade da religião é encaminhar o homem a Deus. Se este só chega a Deus quando está perfeito, então, a religião que não torna o homem melhor não atinge seu escopo. E seguramente é falsa ou falseada em seu princípio a religião que aceita qualquer prática voltada para o mal. Podemos afirmar também que apenas a crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede o crime generalizado, o roubo, a calúnia, o adultério, qualquer tipo de crime. Ela só gera pessoas supersticiosas, maldosas, fanáticas, nunca homens do bem.

ESCÂNDALOS. SE VOSSA MÃO É UM MOTIVO DE ESCÂNDALO, CORTAI-A.

Palavra de uso comum, escândalo, hoje, significa aquilo que é causa de erro, ou que resulta em erro; indignação provocada por um mau exemplo; desordem, tumulto, cena, escarcéu; ou grave acontecimento que abala a opinião pública; ou ainda, fato imoral revoltante. O escândalo está menos na ação em si mesma e mais no reflexo que ela provoca, na explosão de comentários que ela determina. Há até certa tendência em se abafar um escândalo, para se preservar a figura de seu autor – os “sepulcros caiados” a que Jesus se referia: ‘vasos limpos por fora, sujos por dentro.’
Em textos evangélicos, a acepção da palavra escândalo é sempre mais geral e, por isso, nem sempre é bem entendida. Não é somente aquilo que ofende a consciência, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, todo efeito mau, de pessoa para pessoa, com ou sem repercussão – o escândalo como resultado efetivo do mal moral.
 Em suas prédicas, Jesus dizia que era necessário que houvesse escândalos no mundo, uma vez que, sendo imperfeitos, os homens eram inclinados a fazerem o mal e as más árvores dão maus frutos. Por estas palavras, devemos entender que o mal é uma consequência da imperfeição dos homens, e não que para eles haja obrigação para praticá-lo.
Isto é necessário porque, como os homens estão em expiação sobre a Terra, punem a si mesmos pelo contato com seus vícios, sendo assim suas primeiras vítimas. Com a continuidade, terminam por entender seus inconvenientes. Quando estiverem cansados de padecer no mal, descobrirão a cura no bem. Portanto, a reação desses vícios serve, ao mesmo tempo, de castigo para uns e de provas para outros. É deste modo que Deus faz emergir do mal o bem.
Se isto é a realidade, o mal sendo necessário, irá durar para sempre, como arma de luta do Pai? Isto seria se as situações se repetissem sempre no mesmo patamar. Desde que diminuam os culpados e venham a deixar de existir, desaparecerá a necessidade de provas, de castigos. Imaginemos a Humanidade toda nos patamares superiores, todos envolvidos com o bem. Este é o estado dos mundos avançados, onde o mal não existe e será o da Terra, quando tiver avançado na medida suficiente. Mas há um aspecto ainda não tocado nessas considerações: enquanto muitos mundos evoluem, outros se formam, abrigando espíritos primitivos, com a finalidade de servir de habitação, de exílio, ou de lugar expiatório para os obstinados no mal.
Consideremos agora, o espírito através do qual o escândalo surgiu. O mal sendo sempre o mal, aquele que inconscientemente serviu de instrumento para a justiça divina, cujos maus instintos foram utilizados, não fez por isso menos mal e deve sofrer punição[i].  Como exemplo, podemos apontar o filho ingrato como uma punição ou uma prova para o pai que o sustenta, porque esse pai talvez tenha sido um mau filho que fez sofrer seu pai, e que sofre a pena de talião. O filho, por sua vez, não deixa de ser culpado e deverá ser castigado em seus próprios filhos ou de outro modo.
Resta comentar a figura enérgica, usada nesses tipos de comentário e que não pode ser tomada ao pé da letra: “Se vossa mão é uma causa de escândalo, cortai-a”. Simplesmente significa que é necessário destruir em si toda causa de escândalo; arrancar do coração todo sentimento impuro e toda tendência para o vício; e aponta para a máxima: valeria mais para uma pessoa ter tido a mão cortada, do que essa mão lhe ter servido de instrumento para uma má ação. Jesus, embora expressando-se por alegorias, não falou coisas absurdas. Muitos foram os que apreenderam o sentido profundo de suas palavras. O Espiritismo está aí para nos ajudar nessa tarefa.

Há no capítulo que finalizamos hoje dois textos muito bons de Espíritos instrutores  que complementam lindamente o texto estudado.  
Intitulamse: Deixai vir a mim as criancinhas/Bordéus/1861 e “Bem-aventurados aqueles que teem os olhos fechados” (Vianney, cura d´Ars/Paris/1863).

NOTA – Quando um sofrimento não é consequência dos atos da vida presente, necessário se torna pesquisar sua causa numa vida anterior. Aquilo que chamamos de ‘caprichos da sorte’ são os efeitos da justiça de Deus. Ele não age com arbitrariedade. Ele quer que entre a falta e a pena, haja sempre uma correlação. Se, bondosamente, deitou um véu de esquecimento sobre nossos atos passados, põe-nos sobre o caminho, dizendo-nos: Quem matou pela espada, morrerá pela espada”, o que significa: “Sempre se é punido naquilo em que pecou”. Se alguém está aflito pela perda da vista, é porque a vista foi para ele causa de queda, ou foi causa da perda da vista num outro, por excesso de trabalho imposto, por maus tratos, por falta de cuidado. E suporta a lei de talião. Ele mesmo, em seu arrependimento, pôde escolher essa expiação, aplicando a si próprio estas palavras de Jesus: “Se vosso olho vos é um motivo de escândalo, arrancai-o”.
Lindas rosas, inspiradoras, cativantes.
Adoro rosas.




quinta-feira, janeiro 01, 2015

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS

                                               
                                       Vaso de Flores                 Anita Malfati

                                RECAPITULANDO  O EVANGELHO DE JESUS
                                Capítulo VIII      Itens 1 a 7

  
BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO                

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS


“Bem-aventurados aqueles que teem puro o coração porque verão a Deus”.
“Apresentaram-lhe então as criancinhas a fim de que ele as tocasse; e como seus discípulos afastassem com palavras rudes aqueles que as apresentavam, Jesus vendo isso zangou-se e lhes disse: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham. Eu vos digo em verdade, todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará. E as tendo abraçado, as abençoou impondo-lhes as mãos.”
Efetivamente, a pureza de coração tem ligação estreita com a simplicidade e a humildade e rejeita totalmente todo pensamento de egoísmo e de orgulho. Esta é a razão pela qual Jesus considera a infância como símbolo dessa pureza, como o fez para o da humildade. Pode parecer injusta essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito velho e, por conta disso, voltando à vida corporal, possa trazer as imperfeições de que não se livrou em existências anteriores. Só um espírito que atingiu a perfeição poderia ser modelo da verdadeira pureza. Em verdade, porém, do ponto de vista da vida presente, a criança nos oferece o retrato da inocência, sim, por não ter tido tempo ainda de manifestar nenhuma tendência perversa. E Jesus, na realidade, não afirma que o reino de Deus é para elas, mas para aqueles que a elas se assemelham. Se, porém, o espírito que reencarna já existiu, por que não se apresenta ele, a partir do de seu novo encarne, com suas características anteriores? Todas as ações de Deus são sábias. Uma criancinha é um ser dependente, precisando de cuidados delicados que só a ternura materna é capaz de oferecer, sentimento que se dilata em presença da fraqueza e ingenuidade infantil. A criança precisa dessa solicitude e desse desprendimento maternos para se desenvolver bem, física e espiritualmente. Aliás, seria preciso que a atividade do princípio inteligente fosse proporcional à fraqueza do corpo que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, assim como presenciamos entre crianças muito precoces. Por esse motivo, com a proximidade da encarnação, o Espírito perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, permanecendo num estado de sono, durante o qual suas faculdades se conservam em estado latente. Trata-se de um estado transitório, necessário para dar ao Espírito um novo ponto de partida e fazê-lo esquecer coisas que poderiam perturbá-lo na nova existência terrestre. No entanto, seu passado reage sobre ele, que brota para a nova vida mais forte moral e intelectualmente, amparado pela intuição que lhe resta das experiências anteriores.
Nascido, suas ideias experimentam um gradual impulso, à proporção que seus órgãos se desenvolvem. Daí, dizer-se que, durante os primeiros anos, o Espírito conserva-se criança já que as ideias que lhe formam o caráter ainda estão adormecidas. Com os instintos dormitando, ele é mais flexível e, dessa forma, mais moldável às impressões que podem modificar sua natureza e fazê-lo progredir, o que facilitará aos pais a tarefa de educar. E o Espírito continua por mais um tempo na faixa da inocência.
Logo, Jesus está com a razão quando, apesar da anterioridade da alma, considera a criança como símbolo da pureza e da simplicidade.


Pecado por pensamento: Adultério

Aos Antigos foi dito: ‘Não cometereis adultério. Mas eu vos digo que todo aquele que tiver olhado uma mulher com um mau desejo por ela, já cometeu adultério com ela, em seu coração”.
A palavra adultério aqui deve ser tomada num sentido mais largo. Jesus a empregou em sentido amplo, para designar o mal, o pecado, enfim, todo pensamento malsão. A pureza verdadeira não está só nos atos, mas no pensamento também. Daí Jesus considerar o mau pensamento um sinal de impureza.

Esse é um princípio que nos leva à seguinte indagação: um pensamento mau, não seguido de efeito, pode modificar a natureza de um Espírito e fazê-lo progredir?

Uma alma infratora, que avança na vida espiritual e, aos poucos, se despoja de suas impurezas, tende a reagir aos pensamentos impuros e, se consegue repeli-los, sente-se mais firme e mais segura com sua vitória - não cometeu pecado. Já a que não teve boa intenção e só não praticou a má ação por falta de oportunidade, essa é tão culpada quanto seria se a tivesse cometido. Já a que não teve boa intenção e só não praticou a má ação por falta de oportunidade, essa é tão culpada como se a tivesse cometido.
Em resumo, o progresso é um fato na pessoa que não concebe o mal. Na pessoa que chega a concebê-lo, mas consegue reagir e se supera, o progresso está em pleno curso. Naquela que se compraz no mau caminho, o mal ainda está em pleno vigor.  Deus, que é justo por excelência, pesa todas essas diferenças na responsabilidade dos atos e dos pensamentos de suas criaturas.

segunda-feira, dezembro 01, 2014

 

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS   Capítulo VI   Itens de 7 a 13

Retomemos o assunto que nos ocupou no post anterior e o complementemos com considerações sobre os mistérios ocultos aos ‘sábios e prudentes’.
São de Jesus estas palavras: “Eu vos rendo glória, meu Pai, Senhor do céu e da Terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios e aos prudentes e por as ter revelado aos simples e aos pequenos”.
Talvez pareça estranho que Jesus renda graças a Deus por ter revelado essas coisas aos ‘pobres de espírito’, ou seja, aos simples e aos pequenos e de tê-las ocultado aos ‘sábios e aos prudentes’ com maiores condições para entendê-las.
É importante perceber que os humildes não se creem mais importantes do que ninguém, enquanto os sábios, considerados de sua ciência, julgam-se ‘prudentes’, tratando Deus em pé de igualdade, quando não o negam. Daí, Deus deixar para eles a tarefa de descobrir os segredos da Terra , passando a revelar aos mais simples os mistérios do céu.
O mesmo sucede hoje com o Espiritismo, aberto aos que procuram a boa fé,  com humildade, e  reticente aos que imaginam Deus feliz  em seu entorno, provando que existe.
A força de Deus reluz nas pequenas e nas grandes coisas abundantemente. Cegos são os que não a enxergam. Deus, que não age pela força, tem, porém, suas condições. Percebe que são espíritos ainda não maduros para compreendê-lo nem para senti-lo. O orgulho os cega, eles não podem distinguir a luz. Como médico incontestável, corrige primeiro o orgulho, sem abandoná-los, por saber que haverá um momento em que eles descobrirão a verdade. Mas ele quer que isso se dê por vontade própria e espera o instante em que vencerão a incredulidade e se lançarão a ele como filhos pródigos.
A partir daqui, temos um texto instrutivo que fala de orgulho e de humildade pelo Espírito do bispo Adolfo, de Argel,  e outro  sobre a missão do homem inteligente na Terra, pelo Espírito de Ferdinando, de Bordéus.
Bom que fossem lidos na íntegra. Vocês terão acesso fácil a eles em qualquer edição de O EVANGELHO DE JESUS SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, finalizando o sexto capítulo. De qualquer maneira, deixo aqui uma passagem de cada texto, à guisa de ilustração.
“Abre os olhos à luz: eis as almas daqueles que não estão mais na Terra que veem te chamar aos teus verdadeiros deveres; elas te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da tua passageira existência são pouca coisa perto da eternidade; elas te dirão que lá é o maior quem foi o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou seus irmãos é também aquele que será mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram de sua autoridade, serão reduzidos a obedecer aos seus servidores; que a caridade e a humildade, enfim, estas duas irmãs que se dão as mãos, são os títulos mais eficazes para se obter graça diante do Eterno” (Adolfo, bispo de Argel, Marmande,1862).
“A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada; se todos os homens dotados se servissem dela, segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil para fazer a humanidade avançar; infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as outras faculdades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode lhe retirar aquilo que ela mesma lhe deu,” (Ferdinando, Espírito protetor, Bordéus, 1862).


sábado, novembro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VII Itens 1 a 6



RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS    Cap. VII   Itens  1 / 6

      

    

     “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.  A expressão ‘pobres de espírito’ pode nos deixar momentaneamente confusos, mas é fácil explicá-la. Jesus chamava de ‘pobres de espírito’ as pessoas sem humildade e não as desprovidas de conhecimentos. Daí, ele afirmar que o reino dos céus é dos humildes e não dos pretensiosos. Homens que deteem um nível de cultura alto tendem a se encastelar em sua sabedoria e se sentirem em posição privilegiada. Negando a importância das coisas fora das ciências , chegam  ao exagero de negarem a divindade , subtraindo-lhe a ação providencial sobre as coisas deste mundo,  considerando-se , enfim, capazes de governá-lo  com a força de seus conhecimentos científicos. Julgando-se aptos a tudo compreenderem, não creem na possibilidade daquilo que não entendem. Recusam-se a admitir o mundo invisível e um poder extra-humano, cedendo ao orgulho que os anima e que não admite a idéia de uma coisa acima da qual não se podem se colocar. Daí, o desdenho pelas coisas que não são visíveis ou tangíveis. Acreditam que esse tipo de assunto é próprio para pessoas simplórias, que eles denominam ‘pobres de espírito.’ Será preciso  entrarem , como os outros, nesse mundo invisível para entenderem e reconhecerem seu erro. Jesus, ao dizer que o reino dos céus é para os simples, quer dizer que ninguém nele é admitido sem a simplicidade de coração e humildade de espírito, o que equivale a dizer que o ignorante que se apresente com essas qualidades será preferido ao sábio que crê mais em si que em Deus. Isso significa que Jesus coloca a humildade entre as virtudes que mais nos aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que mais nos distanciam dele. Realmente, a humildade é um ato de submissão a Deus e o orgulho é uma espécie de revolta contra ele.


TODO AQUELE QUE SE ELEVA SERA REBAIXADO


      A essa altura, os seguidores de Jesus, curiosos, perguntaram-lhe: Quem é maior no reino dos céus? Como resposta, Jesus apresentou-lhes uma criança e lhes disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes, e se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus. Todo aquele que se tornar pequeno como uma criança terá melhor lugar no reino celeste, e todo aquele que receber em meu nome uma criança é a mim que recebe. Nessa ocasião, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus dois filhos e o adorou, mostrando seu empenho em pedir-lhe algo. Ao receber consentimento, ela externou seu apelo: a ordem de Jesus para que seus dois filhos tivessem assento em seu reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Ao que Jesus respondeu: Isso será para aqueles que meu Pai tenha preparado. Diante da reação dos apóstolos aos dois irmãos, Jesus chamou-os a si e os exortou: O filho do homem não veio para ser servido, mas, mas para servir e dar sua vida pela redenção de muitos.
      
      Num dia de sábado, Jesus entrou na casa de um dos principais Fariseus para  tomar sua refeição, sob a observação dos que estavam no recinto. Considerando como os convivas escolhiam os primeiros lugares, ele lhes propôs a seguinte parábola:  Convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma  pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado não vos venha dizer: Dai o vosso lugar a este, e que então estejais diminuído em vos dirigir com vergonha ao último lugar. Quando fordes convidados, ide vos colocar no último lugar a fim de que, quando aquele que vos tiver convidado vier, vos diga: Meu amigo, subi mais alto. E então isso será um motivo de glória diante daqueles que estarão à mesa convosco, porque todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se rebaixa será elevado.
Do princípio da humildade advém essa máxima que Jesus insiste em colocar como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor: Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus. Jesus escolhe a figura de uma criança para modelo da simplicidade de coração e afirma que será o maior no reino dos céus aquele que não se mostra em plano superior e se fizer pequeno como uma criança, ou seja, quem não tiver nenhuma veleidade de superioridade ou de infalibilidade.
Essa verdade fundamental está expressa nas seguintes máximas: Que aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servidor e Todo aquele que se rebaixa será elevado e todo aquele que se eleva será rebaixado.

     O Espiritismo vem sancionar a teoria pelo exemplo, mostrando grandes no mundo espiritual aqueles que eram pequenos na Terra e quase sempre pequenos os que nela eram poderosos , dependendo do que levam  consigo ao se desprenderem do corpo que habitavam: virtudes que lhe são inerentes ou bens materiais que permanecem onde foram adquiridos.


     Enfim, nas reencarnações sucessivas: aqueles que foram grandes numa encarnação podem voltar rebaixados na seguinte se foram dominados pelo orgulho e pela ambição. Cresçamos na vida conservando a modéstia, o olhar complacente e a determinação em ajudar o ‘outro’ e teremos nosso pedacinho de céu de acordo com o nosso merecimento.


        Finalizemos nosso encontro de hoje com o espírito em regozijo e cheio de esperanças, ouvindo as lindas músicas que colhi no youtube para vocês. Boa jornada este mês. Até dezembro.  (Rolem um pouco abaixo  e encontrem a playlist,ok?)

domingo, outubro 12, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VI Itens 5 a 8

Deita-se languidamente o Sol num fim de tarde primaveril.
É o pôr do sol do Arpoador 













         










Recapitulando o Evangelho de Jesus
Capítulo VI     Itens 5 a 8





          No post anterior, vimos o advento do Consolador Prometido, como havia sido anunciado por Jesus. Nossa tarefa de hoje é, com base nas instruções de Espíritos superiores,  explicar a mensagem do Espírito de verdade que nos vem falar de amor, aceitação e conciliação e, assim, afastar-nos dos caminhos obscuros. Como sabemos, os homens, em sua volubilidade e insensatez, tendem a desviar-se do caminho amplo e saudável que leva ao reino do Pai e se sentem depois aturdidos nos caminhos da impiedade e do desamor. Nosso Pai não tem a intenção de punir a humanidade pelos seus erros, ele quer que, ajudando-nos uns aos outros, encarnados e desencarnados, contornando juntos as dificuldades, cheguemos a um denominador comum em matéria de troca de atendimentos, adotando sempre a linguagem da cooperação, e que não mais esperemos pela voz dos profetas ou dos apóstolos, mas pela voz dos que não estão mais na Terra  a dizer-nos: Orem e creiam!  “A morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida durante a qual as virtudes cultivadas devem crescer e se desenvolver...”  Eis o apelo dessas vozes experimentadas que resumem em dois pontos cruciais suas preocupações em relação ao nosso desempenho. E, do guia espiritual que nos fala, fica-nos a seguinte advertência:”Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo. Os erros que nele se enraizaram são de origem humana, e eis que, além do túmulo, que acreditáveis o nada, vozes vos clamam:  Irmãos, nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do Mal, sede os vencedores da impiedade”.   (O ESPÍRITO DE VERDADE, Paris, 1860).
       
          De mais um espírito esclarecido aprendemos que devemos elevar nossa resignação ao nível de nossas provas, e que podemos chorar, pois a dor foi sagrada no jardim das Oliveiras, mas que podemos esperar que anjos consoladores compareçam para amenizar nosso sofrimento. Nossa doutrina dissipa o erro das revoltas e nos mostra o objetivo sublime da prova humana. Ele nos deixa a seguinte exortação: “Bebei da fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançar um dia livres e alegres no seio d’Aquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis, e que quer que vós mesmos trabalheis vossa argila, a fim de serdes os artífices de vossa imortalidade” . (O ESPÍRITO DE VERDADE, Paris, 1861).
        
          Mais outro espírito iluminado surge em nosso caminho e nos exorta e instrui: que não procuremos por aqui a “força e a consolação porque o mundo não as pode dar. Deus fez aos vossos corações um apelo supremo pelo Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade sejam extirpados de vossas almas doloridas... são esses monstros que vos ferem mortalmente. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador pratiqueis sua divina lei. Amai e orai... invocai-o do fundo do coração e, então, ele vos enviará seu filho bem amado para vos instruir ... e vos dizer: Eis-me aqui: venho a vós porque me chamaste”. (O ESPÍRITO DE VERDADE, Bordéus, 1861).
       
         Enfim, mais uma voz vem corroborar com o que já foi dito e repetido: Deus consola os humildes e dá força a quem pede ajuda. Seu poder estende-se por toda parte : a uma lágrima derramada ele oferece um bálsamo - o devotamento e a abnegação contínua, pois elas resumem todos os deveres impostos pela caridade e pela humildade. Um conselho recebido do qual não podemos abrir mão: “O sentimento do dever cumprido vos dará o repouso do espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se asserena e o corpo não tem mais desfalecimento, porque o corpo sofre tanto mais quanto o espírito está mais profundamente atingido.” ( O ESPÍRITO de VERDADE, Havre, 1863).



          Fim da proposta de hoje . Espero que a leitura leve e alentadora deste fim de capítulo nos abra  a mente e o coração para entrarmos no sétimo capítulo do Evangelho no próximo post.

sexta-feira, agosto 29, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo VI Itens 1a 5




     


 Do artista Sérgio Prata , ANJO (a frio, pigmentos fosforescentes, filtro fluorescente)


 RECAPITULANDO  
 O  EVANGELHO  DE  JESUS      

Capítulo VI    Itens  1 a 5



     
 Entramos hoje no sexto capítulo, com CRISTO CONSOLADOR , comentando seu jugo leve e sereno: “Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós, e aprendei de mim que  sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve.”
          Durante a existência terrena, tudo o que sofremos , como dores corporais, dores íntimas, decepções, angústias, perda de entes amados, absolutamente tudo encontra lenitivo  na fé no futuro, na confiança na justiça de Deus, que o Cristo, seu Filho, veio ensinar aos homens.  Aqueles que não esperam nada depois desta vida, os que duvidam do que lhes é transmitido, os sem fé não conseguem receber com destemor os sofrimentos que os atingem e não divisam nenhuma esperança no horizonte. Isso levou Jesus a dizer: ”Vinde a mim todos vós que estais fatigados e eu vos aliviarei”.
          Jesus apenas coloca um limite à sua assistência aos aflitos: a observância da lei instituída, salientando que “seu jugo é leve e sua lei é suave porque exigem por dever o sentimento do AMOR e da CARIDADE”.

                                              
                                           O CONSOLADOR PROMETIDO


          Jesus  costumava falar a seus ouvintes que, já que o amavam, seguissem seus mandamentos e ele pediria ao Pai que providenciasse um outro Consolador permanente – o Espírito de Verdade  - que o mundo do momento não o pode acolher porque não o vê , não o reconhece , mas que os que teem fé o reconhecerão e  o seguirão.
          Em verdade, o mundo ainda não estava maduro para compreendê-lo, mas, aos poucos, essa condição seria atingida e o Espírito de Verdade viria mais tarde para recordar o que o Cristo dissera, para complementar o que Cristo precisou adiar, para recordar o que fora esquecido ou mal compreendido.
E vem o Espiritismo, no tempo ideal, cumprir a promessa do Cristo.  O Espírito de Verdade, presente à sua instituição, conclama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas que o Cristo só pudera dizer através de parábolas. O Espiritismo vem, assim.  explicar as palavras de Cristo: “Ouçam os que teem  ouvidos  para ouvir”. Ele vem abrir os olhos e os ouvidos porque vem falar uma linguagem simples, sem alegorias, deixando à mostra a verdade sobre os mistérios até então não desvelados. Ele vem, enfim, trazer uma grande consolação aos deserdados da Terra , a todos os que sofrem, mostrando uma causa justa e um fim útil a todo sofrimento humano.
          Sabemos que o Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. Mas como sentir-se feliz em sofrimento e sem saber por que sofre? O Espiritismo vem em socorro, mostrando-lhe que a causa da dor pode estar nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra-lhe também seu objetivo ao considerar que sofrimentos são como crises salutares que levam à cura e representam a depuração que assegura a felicidade nas vidas futuras. O homem passa a compreender que mereceu  o sofrimento por que passou, e acha-o justo , percebendo que esse estado de coisas leva ao progresso, aceitando-o sem lamúrias. Assim, o Espiritismo cumpre o seu papel, aparando-lhe as dúvidas, incutindo-lhes a fé no futuro, fazendo-o enxergar a importância do sofrimento na Terra, em favor de horizontes mais promissores. A expectativa da felicidade que o espera lhe dá a coragem, a resignação e a paciência para concluir seu caminho.
          Desse modo, o Espiritismo transforma em realidade aquilo que Jesus assegurou com relação ao Consolador prometido: o necessário conhecimento das coisas, conhecimento este que faz o homem saber de onde vem. para onde vai e por que se acha neste planeta; a consolação pela fé e pela esperança; e, acima de tudo, o chamamento aos verdadeiros princípios  da lei  de Deus.


          Passemos agora ao momento de lazer . Trouxe novamente aquela menininha da Holanda, AMIRA, que canta como gente grande e que é um amorzinho. E surpresa ! - ela canta  AVE MARIA de Schubert e parece que é Maria Callas (que tinha esta música em seu repertório) cantando. Vocês vão gostar.. É só clicar neste link:

http://youtu.be/FUnrLM vpQLk   (ou no próprio vídeo que vem abaixo)