domingo, junho 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo V Itens 19 a 23

Mensagens de Reflexão    Narração de Paulo Goulart

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS    Capitulo  V   Itens  19 a  23
            
            No post anterior, encerramos a matéria apresentando um texto de Lacordaire, intitulado Bem e Mal Sofrer,  como ilustração do  estudo realizado. Para o  post de hoje , teremos alguns textos de espíritos iluminados que nos guiarão na compreensão do que se tem estudado aqui, ao longo do capítulo V. Mas, em vez de apresentá-los em seu formato original, optamos por uma releitura.
            
            Comecemos com O Mal e o Remédio, Santo Agostinho / Paris, 1863.

            Nossa terra é paradisíaca, de tal forma apelativa que o homem que vive aqui, em processo de crescimento,  se esquece da voz do profeta anunciando que o homem encontraria aqui um vale de dores e lágrimas. Pois bem, se ao homem foi anunciada essa previsão, por que não se voltar para Deus e agradecer a oportunidade de ser experimentado, em vez de se atirar aos gozos no paraíso a seus pés? Então, o poder de Deus só pode ser reconhecido através de curas e distribuição de benesses? Por que não imitar aquele que nos veio como exemplo e que, ao chegar à abjeção total, por maus tratos físicos e morais, volta-se para Deus e agradece a experiência de que foi alvo, aceitando-a como prova para sua ascensão espiritual? Já é tempo de o homem mudar a direção de seu olhar, de se soltar além dos limites do túmulo. Contra o argumento de que seria uma vida só de sofrimento, dor e resignação, podemos, em contrapartida, dizer: O que seria isso diante da eternidade de glória a ele reservada? Isto nos mostra que devemos procurar as consolações aos nossos males no futuro que Deus nos prepara, e a causa deles, no passado. E os que sofrem, que se considerem os bem-aventurados da Terra.
              O espírito desencarnado, quando plana no espaço, costuma escolher sua prova para a próxima encarnação, acreditando-se forte o suficiente para suportá-la. No caso de pedir a glória e a fortuna, a intenção seria a de lutar contra o mal moral e físico e vencê-los, preservando sua alma purificada pela expiação e pela dor. Mas há os que não conseguem vencer a tentação e se debatem no desespero. Que remédio indicar a eles? Apenas um remédio é infalível – a fé na misericórdia de Deus, que nos aponta sempre os horizontes do infinito. Aquele que crê é forte pelo remédio da fé. Suas mais dolorosas provas serão as primeiras notas de alegria da eternidade. Mesmo que seu corpo se debata em dores, sua alma se desprenderá plena, ganhando as regiões celestes.
            Felizes, pois os que sofrem! Que suas almas se alegrem, porque serão abençoadas por Deus.  

             Vejamos agora o expressivo texto do cardeal MORLOT, François Nicolas Madeleine / Paris, 1863 

                                               A felicidade não é deste mundo

              Em todas as camadas sociais, o homem geralmente reclama de seu desconforto por razões as mais diversas: doenças incômodas, falta de condições de vida,  falta de liberdade, assédio por cobranças de toda ordem, enfim, um número infinito de motivos que frustram o vivente. Isto é uma prova da veracidade da máxima contida no Eclesiastes:
“A felicidade não é deste mundo”. Efetivamente, nem a riqueza, nem o poder, nem a força da juventude , nem mesmo a  combinação dessas três forças são elementos essenciais da felicidade. Dentro das classes privilegiadas, ouvimos reclamações de pessoas de todas as idades, que lastimam sua condição de existir. Daí estranharmos como as classes militantes,  trabalhadoras podem invejar cobiçosamente a posição daqueles a quem a fortuna parece ter favorecido. Aqui, neste nosso mundo, cada um tem sua parte de trabalho e de miséria, seu bocado de dor e de amargura. De onde se depreende que a Terra é mesmo um lugar de provas e expiações.
              De um modo geral, pode-se dizer que a felicidade é uma utopia, em busca da qual as gerações se lançam, umas após outras, sem alcançá-la jamais. Neste mundo, o sábio e o feliz praticamente inexistem.
            A felicidade na Terra é uma coisa tão efêmera para a pessoa que não age sabiamente, que, por um tempo limitado de completa satisfação, todo o resto é uma série de decepções difíceis de suportar. E estamos falando dos felizes da Terra, dos que são invejados por toda a gente.
            Diante dessa realidade, podemos concluir que, se a morada terrestre está destinada às provas e à expiação, então devem existir outras  moradas, onde o Espírito do homem ainda carregando seu invólucro material, possui de modo pleno os prazeres ligados à vida humana. Assim é, que no universo, espalhados pelas mãos de Deus, giram esses belos planetas superiores para os quais nossos esforços e nossa perseverança nos farão gravitar um dia quando alcançarmos o grau de purificação adequado.
            Entretanto, temos que considerar que a Terra não terá destinação penitenciária  por  todo o sempre. Ela realizará progressos materiais que a habilitarão a empreender melhoramentos sociais . Tal é a tarefa imensa e grandiosa a ser empreendida pelo Espiritismo. Para isso, o concurso dos que creem e confiam na doutrina de Kardec é imprescindível . Que façamos calar o homem velho e trabalhemos pela divulgação da Doutrina, preparando para as novas gerações “um mundo em que a felicidade não será mais uma palavra vã.” 
   
            Passemos agora a um outro texto que possivelmente irá tocar muita gente que já experimentou provas semelhantes e que se podem beneficiar com ele,  de Sanson, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863.    
                                          
                            Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras
            
A morte, de quando em quando, vem-nos visitar e deixa-nos confusos com suas escolhas ou ressabiados com o Pai que a deixa levar jovens em vez de velhos, gente produtiva em vez de doentes sem recuperação ou tira do colo de mães confiantes a sua cria, a razão de sua existência. Não é regra geral, mas por que vemos tantos casos desse tipo? 
            Aqui se faz necessária uma séria advertência aos que adotam essa maneira impensada  de julgar. Nós, humanos, temos que nos elevar um pouco acima desse ‘terra a terra’ da vida para entendermos que o certo nem sempre está onde pensamos encontrá-lo, que o bem às vezes está onde pensamos ver o mal, ou seja, a sábia diretriz divina onde cremos ver a cega fatalidade dos acontecimentos. Não há como medirmos a justiça divina pelo valor da nossa. Como podemos admitir que, por simples capricho, Deus nos vá infligir castigos tão duros? Nada do que acontece é fruto do acaso, mas de um objetivo inteligente e cada situação tem sua explicação. Examinando criteriosamente nossas próprias dores, poderemos encontrar uma razão regeneradora, a mão divina sobre nossas testas.
            Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede ao que se vai, que fica, assim, livre das misérias e seduções da vida. Deus apenas julga não ser mais útil que ele permaneça encarnado.
          E não lamentemos o futuro que não chegará para ele porque bem mais vale ter uma posição entre os Espíritos bem-aventurados do que uma posição de destaque entre os homens na Terra.  Em vez de lamentarmos a separação,  aprendamos a entendê - la como um passo à  frente na caminhada para o Alto . A fé nos ajudará nesse propósito. E nos manterá na certeza de que não estaremos separados, pois o corpo fluídico daquele que se foi cercará o nosso corpo fluídico, dando-nos força e perseverança. Se achamos que entendemos a vida espiritual, podemos sentir a proximidade deles e a consolação advindas desses encontros -  Uma questão de FÉ.
             Um pequeno texto de  Fénelon, Sens ,1861,  vem agora corroborar para a compreensão do assunto sob  estudo:

Se fosse um homem de bem, teria morrido

         Vamos à nossa releitura. O que diríamos de um homem mau que escapa de um perigo? Certamente comentaríamos: se fosse um homem de bem, teria morrido.
              E isto é uma verdade. Não raro, Deus dá a um Espírito jovem, ainda em suas primeiras experiências, uma prova mais longa que a um bom que receberá, em recompensa do seu mérito, o favor de que sua  prova seja tão curta quanto possível. Isso é justiça.
            Se  em casas vizinhas, numa mora um homem bom e na outra um homem mau, apontaríamos o mau como o de nossa preferência para morrer, o que constituiria um erro, pois o que parte, terminou sua tarefa naquela encarnação e aquele que fica não terminou ou talvez nem tenha  começado a sua. Seria injusto tirar a oportunidade de o mau acabar sua tarefa e prender o bom que já havia expiado suas penas.
            Uma lição: a verdadeira liberdade está na libertação dos laços do corpo. A Terra é ainda lugar de cativeiro.
       Não devemos, pois, censurar o que não compreendemos e entendermos que Deus é justo em todas as suas disposições. Devemos nos esforçar para abrir nossos horizontes e chegar à compreensão de que a vida espiritual é a que é verdadeira; a vida material não é mais que um incidente na duração infinita da existência espiritual, a única que conta.
          Chegamos ao fim por hoje. Espero que essas releituras tenham sido proveitosas.          



           Até julho, então, não esquecendo que uma preocupação devemos ter este mês em que se realiza a Copa e a cidade se enche de turistas estrangeiros e brasileiros vindos de outros Estados.Que cada um de nós encontre um momento de calma para pedir a Deus que uma onda de amor e de paz nos resguarde de qualquer possibilidade de alteração de ânimos. Em casa,  na rua, até em ambientes menos movimentados, manter o pensamento positivo e a alma em prece.Finalmente, somos cristãos.

segunda-feira, abril 28, 2014

RECAPITULANDO o EVANGELHO DE JESUS Capítulo V Itens 12 a 18

De um passeio ao Arpoador, na hora H: um clique de celular.

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS
Capítulo V        Itens 12 a 18

     “ Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados”, palavras de Jesus para  sinalizar a compensação que caberá aos que sofrem na Terra e a resignação que abençoa tais sofrimentos. O que equivale a dizer que  esses sofredores precisam entender que as dores do mundo são a dívida de faltas passadas e que, suportadas com paciência, podem  poupar séculos de sofrimentos na vida futura. O homem que sofre é comparável ao devedor de uma grande quantia a quem seu credor avisa: ‘Se me pagares hoje a centésima parte do que me deves, eu te darei a quitação de todo o resto, e serás livre; se não o fizeres, eu te perseguirei até me pagares o último centavo. Ora, este devedor não faria toda a sorte de esforço para pagar a fração proposta pelo credor e ainda não lhe agradeceria? Mas tem que manter-se sem dívidas. Se se quita por um lado, mas torna a endividar-se, não alcançará a condição de livre. Cada nova falha nesse sentido vai aumentar sua dívida e punição inevitável, de imediato, ou mais adiante nesta vida, ou em vida futura. Dessas falhas, a mais intrigante é a falta de  confiança na justiça divina,  o achar-se sofrendo o que não merece,  como se Deus pudesse julgar suas criaturas com parcialidade.
          Ao passar para o mundo dos espíritos, o homem é como o operário que se apresenta no dia do pagamento. Receberá o prêmio por seus dias de trabalho, enquanto outros - os felizes da terra - que colocaram seu bem-estar na satisfação do amor próprio, nada terão, pois seu salário, já recebido na Terra, fora consumido por lá mesmo. A eles caberá voltar e recomeçar a sua tarefa.
          Depende do próprio homem diminuir ou aumentar o peso de suas provas de acordo com o modo como encara a vida na Terra. Quanto mais longa ele considere a duração de seu sofrimento, mais ele sente o peso de suas dores. O que se dispõe a considerar o lado espiritual, vê a vida corporal como um ponto no infinito, percebe sua brevidade e conclui que essa instância penosa passará rapidamente: a certeza de uma nova etapa de menos penas e mais paz o anima e ele agradece a Deus o sofrimento que o fará dar mais um passo no caminho da evolução espiritual.

O Suicídio e a Loucura
          
          Tema que reclama cuidado ao ser abordado e posto em discussão.  A placidez e a resignação adquiridas no modo de considerar a vida e a fé no que o futuro nos reserva dão ao espírito uma paz que é a melhor defesa contra a loucura e o suicídio. De fato, a maioria dos casos de loucura tem como causa a comoção determinada pelas agruras da vida que o ser humano não tem forças para enfrentar. Com o  concurso do Espiritismo  que o pode preparar para enfrentar as dores deste mundo, ele recebe com mansidão, até com satisfação, os reveses e as dificuldades que o intimidariam ou revoltariam  em circunstâncias diferentes. O mesmo ocorre com o suicídio. Tirante aqueles que acontecem em estado embriaguez ou de loucura, e, por isso, chamados inconscientes, o suicídio tem sempre como causa um arraigado descontentamento. Ora, aquele  que acredita na eternidade tem paciência mais naturalmente, pois vê termo para seus sofrimentos. Mas para aquele que pensa que tudo acaba com a vida, que está subjugado pelo peso da dor até finar-se, não tem nada a esperar e passa a achar natural abreviar sua vida pelo suicídio.
          A falta de crença, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias materialistas são os mais ferrenhos elementos que excitam a covardia moral - o apelo ao suicídio. E vemos casos de homens de ciência que se apoiam na autoridade de seu saber para tentarem provar a seus seguidores que eles nada teem melhor a fazer a não ser abater a vida . E é difícil dissuadi-los: para eles, o nada é o único remédio heróico, a solução de todos os males.
          Assim, vemos que a propagação de ideias materialistas é o veneno que provoca em um grande número de pessoas a ideia do suicídio e aqueles que se fazem apóstolos  dessas ideias não imaginam o tamanho da responsabilidade lhe sobrecarregam os ombros. O Espiritismo muda essa visão. Com ele, não sendo mais admitida a dúvida, o aspecto da vida muda. Sabemos que a vida se estende além da morte, mas em outras condições. Daí o surgimento da paciência e da resignação que leva o crente pra longe da idéia do suicídio, fazendo surgir o que se chama de coragem moral. Sob esse aspecto, um outro resultado positivo, tem o Espiritismo, talvez mais útil e importante. Ele nos mostra os próprios suicidas vindo revelar sua incômoda situação, infeliz e desgastante, o que prova que ninguém viola impunemente a lei de Deus que proíbe ao homem abreviar sua vida. Há, entre os suicidas,  aqueles cujo sofrimento  (embora não eterno, apenas temporário) não é menos terrível de modo tal a dar o que pensar a qualquer um que seja tentado a se livrar da própria vida, antes de ser chamado por Deus. O espírita tem, assim, contra a ideia de suicídio, a certeza de uma vida futura; a certeza de que abreviar a vida leva a um resultado exatamente contrário ao que se espera; e que o suicídio é um obstáculo para que ele se reúna, no outro mundo, aos objetos de suas afeições. Daí depreender-se que o suicídio é absolutamente condenável de qualquer ponto de vista.
          Podemos perceber melhor o que foi estudado nos itens acima lendo o texto intitulado BEM E MAL SOFRER, de Lacordaire ( Havre / 1863):
          “Quando o Cristo disse: ‘Bem-aventurados os aflitos, que deles é o reino dos céus’, não se referia àqueles que sofrem em geral, porque todos aqueles que estão neste mundo sofrem, estejam sobre o trono ou sobre a palha; mas ah! Poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desencorajamento é uma falta; Deus vos recusa consolações porque vos falta coragem. A prece é  um sustentáculo para a alma, porém, ela não basta: é preciso que esteja apoiada sobre uma fé viva na bondade de Deus. Frequentemente, ele vos disse que não colocava fardos pesados em ombros fracos; o fardo é proporcional às forças, como a recompensa é proporcional à resignação e à coragem; maior será a recompensa quanto a aflição não seja penosa; mas essa recompensa, é preciso merecê -la, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.
          O militar que não é enviado ao campo de batalha não fica contente porque o repouso da retaguarda no acampamento não lhe proporciona promoção; sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enfraqueceria e vossa alma se entorpeceria. Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. O homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva louros e um lugar glorioso. Quando vos atinge um motivo de inquietação ou de contrariedade, esforçai-vos por superá-los e, quando chegardes a dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei-vos com satisfação: “Eu fui o mais forte.”    
           Bem-aventurados os aflitos pode, pois, ser traduzido assim: bem-aventurados aqueles que teem oportunidades de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus porque terão em cêntuplo a alegria que lhes falta na Terra e, depois do trabalho, virá o repouso.”

          
             Acho que com esta instrução, pelo espírito iluminado de Lacordaire, ganhamos uma boa base para refletir sobre os itens estudados em nosso exercício de hoje.

            Uma canção delicada para relaxar: Tudo Passa   (http://youtu.be/WNUsqeWjZSw)

quarta-feira, abril 02, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS CapítuloV Itens de 6 a 11

                                     Colagem composta com fotos de um jardim


Causas anteriores das aflições
               
            6 - No capítulo anterior, vimos que o homem pode ser o causador do sofrimento de outrem nesta vida. Agora nos deteremos nos casos em que o sofrimento parece atingir-nos como por fatalidade, como a perda de entes caros, a morte de seres que são  arrimos de família, os acidentes que matam, os revezes de fortuna que negam as medidas de prudência, as catástrofes naturais e as doenças de nascença,  principalmente, aquelas que tirarão dos atingidos a capacidade de ganhar a vida através do trabalho.
               Os que veem ao mundo em condições assim adversas nada cometeram que justificasse uma vida inteira de limitações. Como explicar, então, a infelicidade desses seres  se, comumente, dentro da mesma família, outros nascem  com os requisitos necessários a uma vida adulta favorável e útil?
               Como explicar a morte de crianças em tenra idade sem a oportunidade de conhecer  da vida terrena a não ser o sofrimento, a dor? Esta constatação não seria uma mostra de parcialidade divina? E uma contundente prova de que,  se a alma é criada ao mesmo tempo que o corpo, ela tem aí sua  sorte definitivamente destinada a pouco tempo na Terra? Que praticaram essas almas recém-saídas das mãos de Deus, se não  conheceram nem o bem nem o mal?
               Mas há uma verdade evidente por si mesma, ou seja, um axioma, que diz que ‘todo efeito tem uma causa’. Daí concluir-se que essas infelicidades são efeitos que devem ter uma causa e, dado que Deus é o protótipo da Justiça, essa causa deve ser justa. Como a causa vem sempre antes do efeito, se não se encontra na vida atual, deve ser anterior a ela, ou seja, deve estar ligada a uma existência precedente. Com este raciocínio, chegaremos à compreensão de que, se não fizemos o mal nesta vida, só pudemos tê-lo feito numa outra – alternativa da qual ninguém pode escapar. E a lógica dirá de que lado está a justiça de Deus.
               Dessa forma, fica fácil entender que o homem nem sempre é punido ou totalmente  punido  na sua existência corrente, mas não escapa de modo algum às consequências de seus erros. O homem mau que prospera vive uma vida livre de problemas não mais que momentaneamente e, se ele não expia no momento, expiará amanhã. Já aquele que sofre já expia o seu passado. A desventura, que parece mal aplicada, tem sua razão de ser.
               7 - Do exposto, conclui-se que os sofrimentos por causas anteriores são comumente como o das faltas presentes, ou seja, a  consequência natural do erro cometido, o que significa que tudo ocorre por uma inapelável justiça distributiva – o homem sofre o que fez os outros sofrerem. Se  foi insensível ao sofrimento alheio, poderá sofrer tratamento duro ou impiedoso; se agiu com orgulho e pretensão, poderá vir à Terra em condição de humildade; se fez mau uso da riqueza, poderá ser privado das coisas necessárias à vida; se foi filho desatento e mal intencionado, poderá  sofrer com os próprios filhos e assim por diante.
               Assim é que a pluralidade das existências e a destinação da Terra como mundo de expiação e provas explicam as anomalias na distribuição da ventura e desventura entre os seres deste mundo. Considerada sob o ponto de vista presente, essa anomalia não existe em aparência.  Mas ao se considerar uma série de existências anteriores, chega-se à conclusão que cada um recebe a parte que lhe cabe sem prejuízo da que lhe é concedida no plano espiritual e que a justiça divina nunca é interrompida.
               A pessoa humana tem que tomar consciência de que está num mundo inferior, onde é mantido apenas pelas suas imperfeições. A cada fase difícil, deve imbuir-se do sentimento de que, se pertencesse a um mundo mais elevado, esse estado de coisas não estaria ocorrendo e que só depende dele mesmo não mais voltar a este mundo, pelo aperfeiçoamento de si próprio.
               8 – As provas da vida podem ser impostas aos Espíritos endurecidos ou muito ignorantes para que façam uma escolha com conhecimento de causa. Entretanto, são livremente escolhidas e adotadas pelos Espíritos arrependidos que desejam reparar o mal que fizeram e tentar um resultado mais proveitoso. Estão nesse caso, aqueles que, tendo realizado mal sua tarefa, pedem para tornar a fazê-las para não perderem o benefício de seu trabalho. Assim sendo, esses sofrimentos são, ao mesmo tempo, expiações pelo passado que elas  punem, como também provas para o futuro que elas preparam. Precisamos render graças a Deus que, em sua infinita misericórdia e bondade, concede  ao homem a capacidade de reparação e não o condena definitivamente pela  primeira falha. 
               9 – Não se depreenda daí que toda dor suportada neste mundo seja exatamente sinal de um determinado erro.  São, por assim dizer, simples provas escolhidas pelo espírito para concluir sua depuração e apressar seu crescimento. De qualquer maneira, a expiação serve sempre de prova , mas a prova não é sempre uma expiação - provas ou expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois o que é perfeito não precisa mais ser provado . Um Espírito pode, portanto, ter conquistado um certo grau de elevação, mas, desejando avançar mais, pede uma tarefa ou missão a cumprir da qual será tanto mais recompensado pela vitória quanto mais renhida tenha sido a luta. Isto se vê em pessoas de bons instintos, de alma elevada, de nobres e inatos sentimentos que parecem  não ter trazido nada de mau de sua pregressa existência e que suportam com resignação cristã os maiores sofrimentos, pedindo a Deus  um reforço de coragem  para sofrer sem se lamentar. Ao contrário, podem ser consideradas como expiações as aflições que provocam queixas acerbas e levam o homem à revolta contra Deus.
               Por outro lado, o sofrimento que não provoca lamentações pode, sem dúvida, ser uma expiação, entretanto, é o sinal de que ele foi antes escolhido voluntariamente do que imposto e a prova de uma forte resolução que não deixa de ser um sinal de progresso.
               10 -  Os Espíritos só podem aspirar à felicidade perfeita quando puros – qualquer mancha lhes interdita a entrada nos mundos felizes. Como tais são os passageiros de um navio atingido pela peste, aos quais é interditada a entrada de uma cidade até que sejam purificados. É nas suas diversas existências corporais que os espíritos se despojam pouco a pouco de suas imperfeições. As provas da vida adiantam quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam as faltas e purificam – é o remédio que limpa a chaga e cura o doente. Quanto mais grave é o mal, mais enérgico deve ser o remédio. O que nos permite concluir que aquele que sofre muito é o que tem muito a expiar e se regozijar de alcançar logo a cura. Depende dele, pela sua resignação, fazer com que esse sofrimento se transforme em pontos  positivos para sua evolução sem desmerecê-los com lamentos inconsequentes, o que seria uma perda de posição em sua escalada para o Alto.

Esquecimento do passado
               
               11 – Este é um tema que tem sido bastante discutido– o esquecimento como obstáculo no sentido de que se possa aproveitar a experiência das existências anteriores.  Ora, se Deus julgou conveniente ocultar- nos o passado, certamente isso seria uma medida útil e acertada. Efetivamente, a lembrança de outras vidas teria sérios inconvenientes, como nos submeter a humilhações , ou aguçar nosso orgulho, ou atiçar nossa vaidade e, assim, entravar nosso livre-arbítrio. De um modo geral, perturbariam inevitavelmente as relações sociais do grupo. Muito amiúde, o Espírito renasce no mesmo meio em que viveu e reencontra as mesmas pessoas a fim de reparar o mal que lhes fez. Se reconhecesse nelas aquelas que odiara, talvez seu ódio antigo se reacendesse. De qualquer maneira, seria humilhado diante dos que tivesse ofendido. Assim, Deus nos proporcionou, para nosso adiantamento, exatamente o que nos é necessário e suficiente: a voz da consciência e nossas inclinações instintivas, subtraindo-nos as reações que nos poderiam prejudicar.
               Ao renascer, o homem traz consigo o que adquiriu. Cada vida é para ele novo ponto de partida. Não lhe importa saber o que foi – ele é punido porque fez o mal e suas más inclinações atuais são sinais do que resta nele a corrigir, sendo nisso que deve concentrar sua atenção. As boas resoluções são a voz da consciência que o adverte do que é bem ou mal e lhe dá condições de resistir às más tentações. Enfim , esse esquecimento não ocorre a não ser durante a vida corporal. Voltando ao plano espiritual, o espírito retoma as lembranças do passado. É apenas uma interrupção momentânea, como ocorre na vida terrestre durante o sono e que não impede de lembrar, no dia seguinte, o que se fez nos dias anteriores. E não é apenas depois da morte que o Espírito recobra as lembranças do passado. Podemos afirmar  que não as perde jamais. A experiência prova que na encarnação, o Espírito, durante o sono do corpo, quando goza de uma certa liberdade, tem consciência de seus atos anteriores, sabe por que sofre e que isso acontece por justiça. A lembrança não se apaga senão durante a vida exterior de relação. À falta de uma lembrança definida que lhe poderia ser pesada e alterar suas relações sociais, ele ganha novas forças nesses instantes de liberdade, desde que saiba como aproveitá-los.

Obs.
Agora é meditar sobre o que foi dito e tentar absorver o que de prático possamos tirar desses   ensinamentos.  O serviço de comentários aqui ao lado garante uma comunicação perfeita  entre leitores e articulista, o que arejará estes nossos contatos mensais.

sábado, fevereiro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS CAP.V ITENS 1 a 5



                     
        Oil Painting Classic Figures         
       
                  

                BEM AVENTURADOS OS AFLITOS

1.     Bem aventurados os que choram porque serão consolados. Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça porque o reino dos céus é para eles.
2.    Vós sois aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Vós sois bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Vós sois felizes, vós que agora chorais, porque rireis.
3.     Mas, ai de vós, ricos! Porque tendes vossa consolação neste mundo. Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que rides agora, porque sereis reduzidos ao pranto e às lágrimas.
                          
               Vamos agora, a partir destas referências bíblicas, procurar alcançar a verdadeira essência de seu significado.
                          
              JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES
               
               Da leitura acima, entendemos que as compensações que Jesus promete aos aflitos só podem ocorrer em vida futura. Sem a certeza de que voltaremos a viver, essas máximas não teriam sentido, soariam como enganosas.  E, mesmo desse modo, é difícil compreender a necessidade de sofrer para ser feliz, ou seja, para se ter mais mérito. Daí as indagações como as que se seguem: Por que uns sofrem mais do que os outros? Porque uns nascem em meio tão carente e outros em berço opulento, sem que tivessem feito algo que justificasse a diferença? Por que para uns tudo é difícil de conquistar e para outros as chances acontecem? É muito difícil ver os bens e os males tão desigualmente divididos entre vício e virtude; mais ainda, constatar o absurdo de homens virtuosos sofrerem ao lado de homens maus que conseguem prosperar. A percepção de uma vida futura pode alimentar a fé, influir como consolo, conduzir à paciência, mas não explica esses desajustes que parecem desmerecer a justiça divina. No entanto, desde que se admita Deus, é impossível concebê-lo alijado de perfeição infinita - todo amor, todo poder, todo justiça e bondade - ou não seria DEUS. E não agiria por propósito ou por leviandade. Donde se conclui que os sofrimentos da vida têm uma causa e sendo Deus justo, é justa essa causa. Deus posicionou os homens em relação a essa causa através dos ensinamentos de Jesus. Hoje, julgando- os amadurecidos para  compreendê-la, revelou-a por inteiro pela voz dos Espíritos.

                CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES
                        
               De duas fontes derivam as vicissitudes da vida: umas têm sua causa na vida presente; outras, fora dela. Considerando a fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitos deles são o resultado natural do caráter e do comportamento daqueles que os suportam. Muitos homens falham por seus próprios erros, não raro fazendo vítimas de seu orgulho e da sua ambição, arruinando-se por falta de ordem e de limites. Exemplos de situações infelizes são tantos, como o de uniões desastradas baseadas no interesse ou na vaidade sem participação do sentimento e da vontade de manter uma relação firme.  Desavenças de toda ordem podem ser evitadas com o controle e a tolerância das partes envolvidas: pais em confronto com filhos por não terem sabido dar a eles os limites necessários, por fraqueza ou indiferença, deixando-os expostos à ação dos germes do egoísmo e da vaidade inconseqüente que secam o coração; na hora da colheita, sentem-se atingidos pela indiferença e desamor dos seus próprios filhos. Que todos os que são atingidos por sofrimentos e decepções se interroguem a si mesmos, vasculhem sua consciência, voltem progressivamente à fonte dos males que os angustiam e entenderão que eles próprios poderiam ter evitado tais resultados, se tivessem agido com mais discernimento e coragem. O homem tende sempre a procurar o responsável pelas suas dores, desamores e infelicidades esquecendo sua incúria, sua falta de habilidade. E o homem somente minorará e evitará tais males quando trabalhar por seu aprimoramento moral e intelectual. A lei dos homens existe e é executada, alcança certas faltas e as pune, fazendo o condenado suportar as consequências do que praticou. Mas a lei não consegue alcançar todas as falhas; ela atinge mais especificamente as que prejudicam a sociedade e não aquelas que não prejudicam senão aqueles que a cometem. Deus, porém, zela pelo progresso de todas as suas criaturas, não deixando impune nenhum desvio do caminho reto. Não há uma só infração à sua lei que não tenha consequências justas: o homem responde sempre pelo que praticou. O sofrimento que resultar disso para ele será uma advertência de que pecou, o que o fará distinguir a diferença entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para evitar desgostos no futuro. Sem isso, não teria motivação para corrigir-se, o que retardaria seu adiantamento. Pode, porém, suceder que a experiência surja tarde, quando a situação já se tornou incontornável e o mal não encontra mais remédio. Então, com as forças gastas, o homem reconhece o prejuízo e percebe: se, no princípio, eu soubesse o que sei hoje, teria agido de outro modo. Felizmente há sempre uma esperança de reação. Uma vida foi prejudicada, mas há sempre oportunidade de recuperação: uma nova vida despontará na qual ele poderá aproveitar a experiência vivida por um futuro útil e saudável.  

   Bernardo Cid convida-nos a refletir sobre o texto

  REFLEXÕES / Bernardo Cid

sexta-feira, janeiro 31, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo IV Itens 24 a 26

De um jardim

Pergunto:  Que tal encerrarmos o Capítulo IV ouvindo Bach? Não é uma boa?


Agora, ao Evangelho:

               Para encerrar o capítulo da Reencarnação, precisamos esclarecer dois quesitos importantes :  a) os limites da encarnação e b) a necessidade da encarnação. Para essa tarefa, apoiemo-nos nas instruções de São Luís, Paris, 1859.

               Vamos ao primeiro item. Não há limites determinadamente traçados para a encarnação se entendermos o corpo como envoltório do espírito uma vez que sabemos que a materialidade desse envoltório diminui à proporção que o espírito evolui. Em mundos mais desenvolvidos que a Terra, ele é menos grosseiro, menos compacto e, portanto, menos sujeito às intempéries. De grau em grau,  ele se desmaterializa e  termina  por assemelhar-se ao perispírito. De acordo com o mundo a que o espírito é convocado, ele assume o envoltório típico da natureza desse mundo. O perispírito também suporta transformações sucessivas até eterizar-se totalmente, o que vem a constituir o que chamamos de Espíritos puros. Vemos, assim, que mundos especiais são conferidos, tal qual estações, aos espíritos mais desenvolvidos, com uma diferença: eles não ficam ligados ali como nos mundos inferiores, o que lhes faculta a capacidade de se deslocarem livremente e atingirem prontamente os pontos de onde são chamados para executarem as missões a eles confiadas.
               Por outro lado, se encararmos a encarnação do ponto de vista material, como sucede na Terra, podemos dizer que ela é restrita  aos mundos inferiores. Depende, pois, da decisão do espírito de trabalhar por sua depuração e evitá-la quanto possível.
               Outro ponto a considerar é que, nos intervalos das existências corporais, ou seja, na condição de errante no plano espiritual,  a situação do espírito tem relação com a espécie de mundo ao qual se liga pelo seu grau de evolução, o que equivale a dizer que , na erraticidade, ele é “mais ou menos feliz, livre e esclarecido, segundo seja mais ou menos desmaterializado”.

               Passemos agora ao segundo quesito - A Necessidade da Encarnação.
Como no primeiro quesito, vamos seguir a linha de pensamento de São Luís. Comecemos com a indagação que nos foi proposta: “A encarnação é uma punição, e não há senão Espíritos culpados que a ela estejam obrigados?”
               É necessária a passagem dos espíritos pela vida corporal para que eles possam cumprir, com o auxílio de uma ação material, os desígnios a eles confiados por Deus. É importante para eles já que o desempenho dessas atividades e funções irá ajudá-lo no desenvolvimento de seu intelecto. Sendo Deus absolutamente justo, enxerga seus filhos em pé de igualdade e, por isso, confere a eles o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir, a mesma liberdade de agir. Qualquer privilégio seria preferência e qualquer preferência, um deslize. É importante saber, porém, que a encarnação é para todos os espíritos uma condição transitória, um exercício que Deus lhes cobra, na sua entrada em vida, como primeira prova de como usarão seu livre arbítrio. Os que cumprem a prova com determinação e cuidado vencem com mais facilidade esses primeiros passos da iniciação, podendo usufruir mais cedo os méritos de seu comportamento. Os que abusam da liberdade que Deus lhes oferece, retardam seu desenvolvimento e, assim, por reincidência, podem prolongar indefinidamente o número de encarnações, o que tem peso de castigo.
               Vejamos como uma comparação simplória pode vir a explicar melhor a diferença apontada acima. Um  estudante termina sua formação depois de ter percorrido a série de classes que leva  ao diploma. Essas classes, mesmo demandando esforço, são o meio de atingir o fim e não um castigo. O estudante caprichoso encurta a caminhada porque conseguiu com esforço e aplicação remover as dificuldades surgidas no percurso. Já o relapso se viu obrigado a repetir certas classes e se atrasou. Não é o estudo que é punição, mas a obrigação de repetir o mesmo percurso. Isso acontece com o homem na Terra.  Para o Espírito do homem que está no início de sua vida espiritual, a encarnação é um meio de desenvolver sua inteligência, mas para o homem esclarecido, com senso moral já desenvolvido, recomeçar as etapas de uma vida terrena atribulada é uma punição, o que vai prolongar sua vida em mundos inferiores. Enquanto isso, o espírito encarnado que zela pelo seu progresso moral, pode não só abreviar a duração de sua encarnação material como vencer, de uma só vez, os estágios intermediários que o separam dos mundos superiores.


               Dúvidas persistem? Nada que nos possa causar conflitos, como podemos analisar a seguir: Por que os Espíritos não encarnam  sobre um mesmo globo e vão curtir suas existências em esferas diferentes? Isso só seria admissível se todos os homens estivessem sobre a Terra no mesmo nível intelectual e moral. As diferenças que existem entre um espírito que se inicia na vida espiritual e outro já experimentado, mas não pronto para ascender, evidenciam os degraus a serem vencidos. Além disso, a encarnação deve ter um fim útil. Como explicar as encarnações efêmeras de crianças que morrem em tenra idade?  Teriam sofrido sem proveito para ela e para os afins? Deus, em sua sabedoria, não faz nada inútil. Pelo processo da encarnação sobre o mesmo globo, achou que os mesmos Espíritos, ficando de novo em contato, tivessem chance de reparar seus erros recíprocos, através de suas relações anteriores. Assim, pôde assentar os laços de família sobre uma base espiritual como também apoiar os princípios de solidariedade, fraternidade e igualdade sobre uma lei natural.

Por hoje, é só. Até nosso próximo contato, em março.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo IV Itens18 a 23



                                                         Japanese bridge       Claude Monet



REENCARNAÇÃO e LAÇOS DE FAMÍLIA


               Os laços de família não são desfeitos pela reencarnação, como é pensamento corrente entre muitos. Ao contrário, esta os fortalece, deixa-os mais vigorosos.  Vamos tentar explicar devidamente esta asserção. No plano espacial, os espíritos se dispõem em grupos ou famílias, reunidos pela afeição, simpatia e semelhança de tendências. Felizes por conseguirem manter um contato dentro da compreensão e da harmonia, esses espíritos sempre se procuram. O processo da encarnação não os separa a não ser por algum tempo, tanto que, na volta ao plano espiritual, eles se reencontram como amigos que eram anteriormente. É frequente esses  espíritos se seguirem na encarnação, reunindo-se não raro  numa mesma família ou num mesmo grupo para trabalharem em conjunto pela sua mútua evolução. No caso de um estar encarnado e o outro não, mesmo assim, estarão unidos pelo pensamento, os desencarnados velando pelos encarnados, os mais adiantados tentando reerguer os que claudicam na caminhada de  volta. A cada existência cumprida, um passo dado no caminho à perfeição. Dessas tentativas, os espíritos voltam cada vez menos subordinados à matéria, menos cativos do egoísmo ou de paixões, retornam mais leves, mais serenos. E, assim, podem enfrentar um número ilimitado de reencarnações ou existências corporais sem que suas ligações afetivas sofram qualquer prejuízo.
               É claro que falamos de afeição real de alma a alma, a única que sobrevive à morte do corpo, já que os seres que se unem neste mundo apenas pelos sentidos, não têm motivo algum para se procurarem no mundo espiritual. Não existem afeições duráveis fora das espirituais. As carnais se acabam com o motivo que as fez surgir, ou seja, não existem mais no campo espiritual, enquanto a alma existe sempre.
               É interessante notar que, entre parentes, há quase sempre uma união afetiva evidente, o que sinaliza a simpatia anterior que os aproximou no plano espiritual. Da mesma forma, costuma-se dizer de uma pessoa cujos gestos, preferências e gostos, destoam dos de seus parentes que ela não parece ser da família. Essa maneira de considerar essas diferenças  constata uma verdade -  a de que Deus libera a encarnação desses espíritos  avessos aos de um grupo familiar com uma intenção:  servir de prova para alguns e de meio  de evolução para outros. Ao contato com espíritos mais evoluídos, esses espíritos antipáticos, aos poucos, vão ganhando consciência dos cuidados que deles recebem e abrandam seus modos, depuram seus costumes, neutralizam sua antipatia. É desse modo que se dá a fusão entre as diferentes categorias de Espíritos.
               Há quem tema que esse fluxo de reencarnações  promova um aumento sem limite da parentela  - pensamento egoísta que poda o amor amplo a beneficiar um número maior de pessoas. Um espírito de muitas reencarnações irá reencontrar sempre, no mundo espiritual, os mesmos objetos de sua afeição que lhe foram ligados sobre a Terra.
               Esta é a oportunidade de trazermos à tona as consequências da doutrina da não reencarnação que repudia a preexistência da alma. Se as almas são criadas ao mesmo tempo que o corpo, não existe entre elas nenhum elemento de ligação anterior,  são completamente estranhas umas às outras, isto é, a filiação das famílias é apenas corporal, sem nenhum elo espiritual.
               Essa é a situação referente ao passado. Se considerarmos o futuro, de acordo com um dos dogmas fundamentais decorrentes da não reencarnação, o destino das almas é decidido, de modo irrevogável, depois de uma única existência. Com isso, há a cessação do progresso. Se as almas viveram bem ou mal, irão imediatamente para o céu ou para o inferno eternos, separadas para sempre e sem esperança de se aproximarem e, portanto, de se reverem, o que significa a rutura total dos laços de família.
               Com a reencarnação e o progresso que ela promove, todos aqueles que se amaram, se reencontram na Terra e no espaço e gravitam juntos para chegar a Deus. Os que falham no caminho atrasam seu desenvolvimento, mas não perdem a esperança. Auxiliados pelos que os amam, encorajados a reagir com mais tenacidade, conseguirão um dia o posicionamento pretendido. Disso resulta que, com a reencarnação, chega-se à solidariedade entre encarnados e desencarnados, o que salvaguarda os laços afetivos.

             Em súmula, quatro alternativas se apresentam ao homem para seu futuro de além- túmulo: a) o nada, dos materialistas; b) a absorção no todo universal, da teoria panteísta; c) a individualidade com a fixação definitiva de sua sorte, segundo a doutrina católica; d) a individualidade com progresso indefinido, segundo a doutrina espírita. De acordo com as duas primeiras, os laços de família se rompem depois da morte e não há nenhuma esperança de reencontro. Com a terceira, há a chance de reencontro para os espíritos que ocupam o mesmo patamar. Com a quarta, a da pluralidade de vidas baseada na progressão gradual, há a certeza na continuidade das relações - a família verdade.  

               Pra meus amigos  leitores, uma mensagem suave para inaugurar o ano de 2014.

                                                           http://youtu.be/V_lVvjQGpYg