sábado, fevereiro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS CAP.V ITENS 1 a 5



                     
        Oil Painting Classic Figures         
       
                  

                BEM AVENTURADOS OS AFLITOS

1.     Bem aventurados os que choram porque serão consolados. Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça porque o reino dos céus é para eles.
2.    Vós sois aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Vós sois bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Vós sois felizes, vós que agora chorais, porque rireis.
3.     Mas, ai de vós, ricos! Porque tendes vossa consolação neste mundo. Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que rides agora, porque sereis reduzidos ao pranto e às lágrimas.
                          
               Vamos agora, a partir destas referências bíblicas, procurar alcançar a verdadeira essência de seu significado.
                          
              JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES
               
               Da leitura acima, entendemos que as compensações que Jesus promete aos aflitos só podem ocorrer em vida futura. Sem a certeza de que voltaremos a viver, essas máximas não teriam sentido, soariam como enganosas.  E, mesmo desse modo, é difícil compreender a necessidade de sofrer para ser feliz, ou seja, para se ter mais mérito. Daí as indagações como as que se seguem: Por que uns sofrem mais do que os outros? Porque uns nascem em meio tão carente e outros em berço opulento, sem que tivessem feito algo que justificasse a diferença? Por que para uns tudo é difícil de conquistar e para outros as chances acontecem? É muito difícil ver os bens e os males tão desigualmente divididos entre vício e virtude; mais ainda, constatar o absurdo de homens virtuosos sofrerem ao lado de homens maus que conseguem prosperar. A percepção de uma vida futura pode alimentar a fé, influir como consolo, conduzir à paciência, mas não explica esses desajustes que parecem desmerecer a justiça divina. No entanto, desde que se admita Deus, é impossível concebê-lo alijado de perfeição infinita - todo amor, todo poder, todo justiça e bondade - ou não seria DEUS. E não agiria por propósito ou por leviandade. Donde se conclui que os sofrimentos da vida têm uma causa e sendo Deus justo, é justa essa causa. Deus posicionou os homens em relação a essa causa através dos ensinamentos de Jesus. Hoje, julgando- os amadurecidos para  compreendê-la, revelou-a por inteiro pela voz dos Espíritos.

                CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES
                        
               De duas fontes derivam as vicissitudes da vida: umas têm sua causa na vida presente; outras, fora dela. Considerando a fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitos deles são o resultado natural do caráter e do comportamento daqueles que os suportam. Muitos homens falham por seus próprios erros, não raro fazendo vítimas de seu orgulho e da sua ambição, arruinando-se por falta de ordem e de limites. Exemplos de situações infelizes são tantos, como o de uniões desastradas baseadas no interesse ou na vaidade sem participação do sentimento e da vontade de manter uma relação firme.  Desavenças de toda ordem podem ser evitadas com o controle e a tolerância das partes envolvidas: pais em confronto com filhos por não terem sabido dar a eles os limites necessários, por fraqueza ou indiferença, deixando-os expostos à ação dos germes do egoísmo e da vaidade inconseqüente que secam o coração; na hora da colheita, sentem-se atingidos pela indiferença e desamor dos seus próprios filhos. Que todos os que são atingidos por sofrimentos e decepções se interroguem a si mesmos, vasculhem sua consciência, voltem progressivamente à fonte dos males que os angustiam e entenderão que eles próprios poderiam ter evitado tais resultados, se tivessem agido com mais discernimento e coragem. O homem tende sempre a procurar o responsável pelas suas dores, desamores e infelicidades esquecendo sua incúria, sua falta de habilidade. E o homem somente minorará e evitará tais males quando trabalhar por seu aprimoramento moral e intelectual. A lei dos homens existe e é executada, alcança certas faltas e as pune, fazendo o condenado suportar as consequências do que praticou. Mas a lei não consegue alcançar todas as falhas; ela atinge mais especificamente as que prejudicam a sociedade e não aquelas que não prejudicam senão aqueles que a cometem. Deus, porém, zela pelo progresso de todas as suas criaturas, não deixando impune nenhum desvio do caminho reto. Não há uma só infração à sua lei que não tenha consequências justas: o homem responde sempre pelo que praticou. O sofrimento que resultar disso para ele será uma advertência de que pecou, o que o fará distinguir a diferença entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para evitar desgostos no futuro. Sem isso, não teria motivação para corrigir-se, o que retardaria seu adiantamento. Pode, porém, suceder que a experiência surja tarde, quando a situação já se tornou incontornável e o mal não encontra mais remédio. Então, com as forças gastas, o homem reconhece o prejuízo e percebe: se, no princípio, eu soubesse o que sei hoje, teria agido de outro modo. Felizmente há sempre uma esperança de reação. Uma vida foi prejudicada, mas há sempre oportunidade de recuperação: uma nova vida despontará na qual ele poderá aproveitar a experiência vivida por um futuro útil e saudável.  

   Bernardo Cid convida-nos a refletir sobre o texto

  REFLEXÕES / Bernardo Cid

sexta-feira, janeiro 31, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo IV Itens 24 a 26

De um jardim

Pergunto:  Que tal encerrarmos o Capítulo IV ouvindo Bach? Não é uma boa?


Agora, ao Evangelho:

               Para encerrar o capítulo da Reencarnação, precisamos esclarecer dois quesitos importantes :  a) os limites da encarnação e b) a necessidade da encarnação. Para essa tarefa, apoiemo-nos nas instruções de São Luís, Paris, 1859.

               Vamos ao primeiro item. Não há limites determinadamente traçados para a encarnação se entendermos o corpo como envoltório do espírito uma vez que sabemos que a materialidade desse envoltório diminui à proporção que o espírito evolui. Em mundos mais desenvolvidos que a Terra, ele é menos grosseiro, menos compacto e, portanto, menos sujeito às intempéries. De grau em grau,  ele se desmaterializa e  termina  por assemelhar-se ao perispírito. De acordo com o mundo a que o espírito é convocado, ele assume o envoltório típico da natureza desse mundo. O perispírito também suporta transformações sucessivas até eterizar-se totalmente, o que vem a constituir o que chamamos de Espíritos puros. Vemos, assim, que mundos especiais são conferidos, tal qual estações, aos espíritos mais desenvolvidos, com uma diferença: eles não ficam ligados ali como nos mundos inferiores, o que lhes faculta a capacidade de se deslocarem livremente e atingirem prontamente os pontos de onde são chamados para executarem as missões a eles confiadas.
               Por outro lado, se encararmos a encarnação do ponto de vista material, como sucede na Terra, podemos dizer que ela é restrita  aos mundos inferiores. Depende, pois, da decisão do espírito de trabalhar por sua depuração e evitá-la quanto possível.
               Outro ponto a considerar é que, nos intervalos das existências corporais, ou seja, na condição de errante no plano espiritual,  a situação do espírito tem relação com a espécie de mundo ao qual se liga pelo seu grau de evolução, o que equivale a dizer que , na erraticidade, ele é “mais ou menos feliz, livre e esclarecido, segundo seja mais ou menos desmaterializado”.

               Passemos agora ao segundo quesito - A Necessidade da Encarnação.
Como no primeiro quesito, vamos seguir a linha de pensamento de São Luís. Comecemos com a indagação que nos foi proposta: “A encarnação é uma punição, e não há senão Espíritos culpados que a ela estejam obrigados?”
               É necessária a passagem dos espíritos pela vida corporal para que eles possam cumprir, com o auxílio de uma ação material, os desígnios a eles confiados por Deus. É importante para eles já que o desempenho dessas atividades e funções irá ajudá-lo no desenvolvimento de seu intelecto. Sendo Deus absolutamente justo, enxerga seus filhos em pé de igualdade e, por isso, confere a eles o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir, a mesma liberdade de agir. Qualquer privilégio seria preferência e qualquer preferência, um deslize. É importante saber, porém, que a encarnação é para todos os espíritos uma condição transitória, um exercício que Deus lhes cobra, na sua entrada em vida, como primeira prova de como usarão seu livre arbítrio. Os que cumprem a prova com determinação e cuidado vencem com mais facilidade esses primeiros passos da iniciação, podendo usufruir mais cedo os méritos de seu comportamento. Os que abusam da liberdade que Deus lhes oferece, retardam seu desenvolvimento e, assim, por reincidência, podem prolongar indefinidamente o número de encarnações, o que tem peso de castigo.
               Vejamos como uma comparação simplória pode vir a explicar melhor a diferença apontada acima. Um  estudante termina sua formação depois de ter percorrido a série de classes que leva  ao diploma. Essas classes, mesmo demandando esforço, são o meio de atingir o fim e não um castigo. O estudante caprichoso encurta a caminhada porque conseguiu com esforço e aplicação remover as dificuldades surgidas no percurso. Já o relapso se viu obrigado a repetir certas classes e se atrasou. Não é o estudo que é punição, mas a obrigação de repetir o mesmo percurso. Isso acontece com o homem na Terra.  Para o Espírito do homem que está no início de sua vida espiritual, a encarnação é um meio de desenvolver sua inteligência, mas para o homem esclarecido, com senso moral já desenvolvido, recomeçar as etapas de uma vida terrena atribulada é uma punição, o que vai prolongar sua vida em mundos inferiores. Enquanto isso, o espírito encarnado que zela pelo seu progresso moral, pode não só abreviar a duração de sua encarnação material como vencer, de uma só vez, os estágios intermediários que o separam dos mundos superiores.


               Dúvidas persistem? Nada que nos possa causar conflitos, como podemos analisar a seguir: Por que os Espíritos não encarnam  sobre um mesmo globo e vão curtir suas existências em esferas diferentes? Isso só seria admissível se todos os homens estivessem sobre a Terra no mesmo nível intelectual e moral. As diferenças que existem entre um espírito que se inicia na vida espiritual e outro já experimentado, mas não pronto para ascender, evidenciam os degraus a serem vencidos. Além disso, a encarnação deve ter um fim útil. Como explicar as encarnações efêmeras de crianças que morrem em tenra idade?  Teriam sofrido sem proveito para ela e para os afins? Deus, em sua sabedoria, não faz nada inútil. Pelo processo da encarnação sobre o mesmo globo, achou que os mesmos Espíritos, ficando de novo em contato, tivessem chance de reparar seus erros recíprocos, através de suas relações anteriores. Assim, pôde assentar os laços de família sobre uma base espiritual como também apoiar os princípios de solidariedade, fraternidade e igualdade sobre uma lei natural.

Por hoje, é só. Até nosso próximo contato, em março.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo IV Itens18 a 23



                                                         Japanese bridge       Claude Monet



REENCARNAÇÃO e LAÇOS DE FAMÍLIA


               Os laços de família não são desfeitos pela reencarnação, como é pensamento corrente entre muitos. Ao contrário, esta os fortalece, deixa-os mais vigorosos.  Vamos tentar explicar devidamente esta asserção. No plano espacial, os espíritos se dispõem em grupos ou famílias, reunidos pela afeição, simpatia e semelhança de tendências. Felizes por conseguirem manter um contato dentro da compreensão e da harmonia, esses espíritos sempre se procuram. O processo da encarnação não os separa a não ser por algum tempo, tanto que, na volta ao plano espiritual, eles se reencontram como amigos que eram anteriormente. É frequente esses  espíritos se seguirem na encarnação, reunindo-se não raro  numa mesma família ou num mesmo grupo para trabalharem em conjunto pela sua mútua evolução. No caso de um estar encarnado e o outro não, mesmo assim, estarão unidos pelo pensamento, os desencarnados velando pelos encarnados, os mais adiantados tentando reerguer os que claudicam na caminhada de  volta. A cada existência cumprida, um passo dado no caminho à perfeição. Dessas tentativas, os espíritos voltam cada vez menos subordinados à matéria, menos cativos do egoísmo ou de paixões, retornam mais leves, mais serenos. E, assim, podem enfrentar um número ilimitado de reencarnações ou existências corporais sem que suas ligações afetivas sofram qualquer prejuízo.
               É claro que falamos de afeição real de alma a alma, a única que sobrevive à morte do corpo, já que os seres que se unem neste mundo apenas pelos sentidos, não têm motivo algum para se procurarem no mundo espiritual. Não existem afeições duráveis fora das espirituais. As carnais se acabam com o motivo que as fez surgir, ou seja, não existem mais no campo espiritual, enquanto a alma existe sempre.
               É interessante notar que, entre parentes, há quase sempre uma união afetiva evidente, o que sinaliza a simpatia anterior que os aproximou no plano espiritual. Da mesma forma, costuma-se dizer de uma pessoa cujos gestos, preferências e gostos, destoam dos de seus parentes que ela não parece ser da família. Essa maneira de considerar essas diferenças  constata uma verdade -  a de que Deus libera a encarnação desses espíritos  avessos aos de um grupo familiar com uma intenção:  servir de prova para alguns e de meio  de evolução para outros. Ao contato com espíritos mais evoluídos, esses espíritos antipáticos, aos poucos, vão ganhando consciência dos cuidados que deles recebem e abrandam seus modos, depuram seus costumes, neutralizam sua antipatia. É desse modo que se dá a fusão entre as diferentes categorias de Espíritos.
               Há quem tema que esse fluxo de reencarnações  promova um aumento sem limite da parentela  - pensamento egoísta que poda o amor amplo a beneficiar um número maior de pessoas. Um espírito de muitas reencarnações irá reencontrar sempre, no mundo espiritual, os mesmos objetos de sua afeição que lhe foram ligados sobre a Terra.
               Esta é a oportunidade de trazermos à tona as consequências da doutrina da não reencarnação que repudia a preexistência da alma. Se as almas são criadas ao mesmo tempo que o corpo, não existe entre elas nenhum elemento de ligação anterior,  são completamente estranhas umas às outras, isto é, a filiação das famílias é apenas corporal, sem nenhum elo espiritual.
               Essa é a situação referente ao passado. Se considerarmos o futuro, de acordo com um dos dogmas fundamentais decorrentes da não reencarnação, o destino das almas é decidido, de modo irrevogável, depois de uma única existência. Com isso, há a cessação do progresso. Se as almas viveram bem ou mal, irão imediatamente para o céu ou para o inferno eternos, separadas para sempre e sem esperança de se aproximarem e, portanto, de se reverem, o que significa a rutura total dos laços de família.
               Com a reencarnação e o progresso que ela promove, todos aqueles que se amaram, se reencontram na Terra e no espaço e gravitam juntos para chegar a Deus. Os que falham no caminho atrasam seu desenvolvimento, mas não perdem a esperança. Auxiliados pelos que os amam, encorajados a reagir com mais tenacidade, conseguirão um dia o posicionamento pretendido. Disso resulta que, com a reencarnação, chega-se à solidariedade entre encarnados e desencarnados, o que salvaguarda os laços afetivos.

             Em súmula, quatro alternativas se apresentam ao homem para seu futuro de além- túmulo: a) o nada, dos materialistas; b) a absorção no todo universal, da teoria panteísta; c) a individualidade com a fixação definitiva de sua sorte, segundo a doutrina católica; d) a individualidade com progresso indefinido, segundo a doutrina espírita. De acordo com as duas primeiras, os laços de família se rompem depois da morte e não há nenhuma esperança de reencontro. Com a terceira, há a chance de reencontro para os espíritos que ocupam o mesmo patamar. Com a quarta, a da pluralidade de vidas baseada na progressão gradual, há a certeza na continuidade das relações - a família verdade.  

               Pra meus amigos  leitores, uma mensagem suave para inaugurar o ano de 2014.

                                                           http://youtu.be/V_lVvjQGpYg


domingo, dezembro 01, 2013

Recapitulando o Evangelho de Jesus Cap. IV Itens 9 a 17

                                                              Imagem colhida na Internet


                                 RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS
                                                       Cap. IV         Itens 9 a 17
          

          Vamos continuar no tema Reencarnação a partir de citações conhecidas, para atribuir a elas seu verdadeiro sentido. Como em “O Espírito sopra onde quer, ouvis sua voz, mas não sabeis nem de onde ele vem, nem para onde ele vai” a palavra Espírito pode ser tomada como o Espírito de Deus que confere vida a quem Ele quer, ou seja, dá a alma do homem. Da mesma forma,”vós não sabeis de  onde ele vem nem para onde vai” significa que não se conhece o que a alma ou espírito foi nem o que será. Ora, se o Espírito (ou alma) fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saberíamos de onde veio, já que estaríamos a par  de seu começo. De onde podemos deduzir que essa passagem é a consagração do princípio da pré-existência da alma e, portanto, da pluralidade das existências.”
          Conhecemos a passagem,”desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos Céus é tomado pela violência, e são os violentos que o obtêm, porque até João, todos os profetas, assim como a lei, profetizaram; e se quereis compreender o que vos disse, é ele mesmo o Elias que deve vir. Ouça aquele que tem ouvidos para ouvir.”
          Ora, se o princípio da reencarnação expresso em São João podia ser entendido como puramente místico, essa passagem de São Mateus não deixa nenhuma dúvida de que estamos diante de uma verdade. Voltemos à citação “Desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos Céus é tomado por violência...”  e perguntemos: que significado pode ter uma afirmação desta se João Batista vivia ainda naquele momento? Jesus a explica  dizendo:“Se quereis compreender o que vos disse, é ele mesmo, o Elias que deve vir.”
           Uma outra referência à violência da lei mosaica  que ordenava o extermínio dos infiéis para ganhar a Terra Prometida - Paraíso dos Hebreus - podemos encontrar na afirmação: ”Até o presente o reino dos céus é tomado pela violência”.  Segundo a nova lei, porém, o céu se conquista pela prática da caridade e do amor ao próximo.
Depois, Ele acrescenta: “Ouça quem tem ouvidos para ouvir”.
          Tão repetidamente usadas por Jesus, essas palavras tinham um significado – o mundo não estava pronto para assimilar certas verdades.
           Esta passagem de Isaias é bastante explícita: “Aqueles do vosso povo que se tenham feito morrer, viverão de novo” Se o profeta quisesse falar de vida espiritual, se tencionasse dizer que aqueles que se fizeram morrer não estavam mortos em Espírito, ele teria falado ‘vivem ainda’ e não ‘viverão de novo’ .
             Palavras absurdas, no sentido espiritual, já que implicariam numa interrupção na vida da alma  e negação das penas eternas, assim como no sentido de ‘regeneração moral’, uma vez que estabelecem, em princípio, que todos aqueles que estão ‘mortos reviverão’.  
          Uma indagação persiste: Depois da morte, pode o homem reviver? Há três versões: 1) “Nessa guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, espero que minha transformação chegue”. 2) ”Esperarei todos os dias de meu combate, até aquele em que me chegue alguma transformação”.( Tradução protestante de Osterwald); 3) “Quando o homem está morto, ele vive sempre; terminando os dias de minha existência terrestre, esperarei porque a ela voltarei de novo”. (Versão da Igreja  grega).
          Como vemos, o princípio da pluralidade das existências está claramente expresso nessas três versões. Isso nos leva à constatação de que sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era uma das crenças fundamentais  dos judeus, o que foi confirmado  por Jesus e pelos profetas de maneira formal. Isso significa que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo.  Isso, do ponto de vista religioso. Do ponto de vista filosófico, aí estão as provas que resultam da observação dos fatos. Na hora em que se examina um fato, remontando dos efeitos à causa, a reencarnação surge como necessidade absoluta, como uma condição inerente à humanidade, ou seja, como uma lei natural. Só ela pode responder ao homem de onde ele vem, para onde ele vai, por  que está na Terra, além de justificar todas as anomalias como todas as injustiças aparentes que a vida nos oferece.
          O princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências consegue explicar as máximas do Evangelho. Só ele fará com que  interpretações contraditórias sejam banidas e que seja restituído seu verdadeiro sentido.

                                                   ***********

            Espero ter conseguido meu intento: tornar mais assimilável esta leitura.

           Ponho-me à disposição para qualquer entendimento.
           
           Deixo-lhes um Youtube gostoso para encher de som nosso cantinho de encontro enquanto vocês meditam. Até mais.

sexta-feira, novembro 01, 2013

RECAPITULANDO O EVANGELHO Capítulo IV Iten 5, 6, 7 e 8

Canção de Ninar   Brahms

Vamos continuar a falar de reencarnação ouvindo Brahms? É inspirador, não acham?

Imagem colhida na internet

            Mestre, sabemos que foi Deus que te enviou para nos instruir e guiar porque ninguém poderia fazer os milagres que tens operado se Deus não estivesse a teu lado. Essas palavras foram ditas por um senador dos Judeus, Nicodemos, em visita a Jesus. Como resposta, Jesus afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”. Ao que Nicodemus reage: Como pode um homem já velho tornar a nascer? Como pode ele voltar ao ventre materno para nascer outra vez? Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo que se um homem não renascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. É preciso que nasçais de novo”.
            A crença de que os profetas poderiam reviver sobre a Terra se encontra em várias passagens do Evangelho. Assim, havia o pensamento de que João Batista era Elias. Se essa maneira de pensar não tivesse respaldo, Jesus a teria combatido como combateu tantas outras. Muito ao contrário, ele a julgou como princípio e condição, o que está em suas palavras: “É preciso que nasçais de novo”.
            Voltando  às palavras de Jesus: ’Se um homem não renasce da água e do Espírito’, devemos explicar que a palavra ‘água’ não era empregada com o significado que lhe é próprio. Para os antigos, de conhecimentos científicos ainda pouco desenvolvidos, a Terra tinha surgido das águas. Daí considerarem a água como elemento gerador único, tanto que na Gênese está escrito:”o Espírito de Deus era levado sobre as águas; flutuava na superfície das águas; que o firmamento seja feito no meio das águas; que as águas que estão abaixo do céu se reúnam em um só lugar; e que o elemento árido apareça; que as águas produzam animais vivos que nadem na água e os pássaros que voem sobre a terra e sob o firmamento.”
            De acordo com essa maneira de crer, a água era o símbolo da natureza material, como o espírito era o da natureza inteligente. Cabe, então, aqui,  a explicação: ‘Se o homem não renasce da água e do Espírito’ ou ’em água e em espírito’, na realidade, significa ‘Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma’...
            Tal interpretação é justificada pelas expressões usadas por Jesus: ‘o que  é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito’ , mostrando claramente que só o corpo procede do corpo e que o Espírito é independente do corpo.

            Entenda-se o nascer de novo como reencarnação e aprendamos com Emmanuel:

“A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro
corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.

Decididamente, em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o senhor da evolução na Terra.

(...) Claramente, nós, os espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento terrestre,
conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a que
transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os
impróprios da luz infinita, estuantes no Universo.
À face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides educativas que nos
são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta.
0 professor ensina, mas o aluno deve realizar-se.
Os espíritos superiores nos amparam e esclarecem, no entanto, é disposição da Lei que
cada consciência responda pelo próprio destino.
Meditemos nisso, valorizando as oportunidades em nossas mãos.
Por muito alta que seja a quota de trabalho corretivo que tragas dos compromissos
assumidos em outras reencarnações, possuis determinadas sobras de tempo, do tempo que é
patrimônio igual para todos, e, com o tempo de que dispões, basta usares sabiamente a
vontade, que tanta vez manejamos para agravar nossas dores, a fim de te consagrares ao
serviço do bem e ao estudo iluminativo, quando quiseres, como quiseres, onde quiseres e
quanto quiseres, melhorando-te sempre.” (Emmanuel  por Chico Xavier em Livro da Esperança).

quarta-feira, outubro 02, 2013

RECAPITULANDO O EVANGELHO CAP. IV

             Imagem colhida em Paisagens Lindas da Internet

            RECAPITULANDO  EVANGELHO    CAP. IV   Itens 1, 2, 3 e 4



           RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO

     NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO

            Em suas andanças, Jesus, tendo vindo para os lados de Cesareia de Felipe, procurou saber de seus discípulos o que diziam os homens do Filho do Homem. O que eles acham que sou? E ouviu a seguinte resposta: Alguns dizem que é o João Batista; outros, o Elias;  outros, o Jeremias ou algum dos profetas. Ao que Jesus acrescentou: E vocês, aqui, que acham que sou? Simão Pedro, tomando a dianteira, respondeu: É o Cristo, o Filho de Deus vivo. Ao que Jesus respondeu: Abençoado seja, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne nem o sangue que lhes revelaram esta verdade , mas meu pai que está nos céus.
            A essa altura, intervém Herodes, o Tetrarca, que, surpreso com as notícias que lhe chegavam a respeito dos feitos de Jesus, queria saber quem era esse homem. Uns diziam que João ressuscitara entre os mortos; outros que Elias aparecera; e outros que um dos profetas voltara.  Ao que Herodes respondera: Eu mandei cortar a cabeça de João. O que quero ter agora são dados sobre esse homem capaz de tão extraordinários feitos! Preciso vê-lo. 
            Quando os discípulos de Jesus lhe perguntaram: Por que os escribas dizem que é preciso que Elias venha antes? Jesus lhes respondeu: Elias virá e restabelecerá todas as coisas, mas eu lhes asseguro que Elias já veio e não o conheceram, dando-lhe tratamento inadequado, do mesmo modo que tratarão o Filho do Homem. Seus discípulos, então, compreenderam que era de João Batista que ele lhes tinha falado. 
           Pelo exposto, entendemos que a questão em discussão prende-se à volta de Espíritos à vida. Na realidade, os judeus antigos acreditavam na Ressurreição, ou seja, a volta do Espírito ao corpo. Só os saduceus não acreditavam nela. Aliás, as ideias dos judeus sobre esse e outros muitos pontos não eram amadurecidas. Eles tinham noções muito vagas sobre alma e sua ligação com o corpo. Pressentiam que um homem que viveu podia reviver, mas não sabiam como isso podia se processar. Deram o nome de Ressurreição àquilo que o Espiritismo veio a reconhecer como Reencarnação. Ora, a Ressurreição supõe o retorno à vida do corpo morto, o que a Ciência já provou ser materialmente impossível, principalmente quando o tempo já agiu sobre ele, decompondo-o fisicamente e levando seus detritos à absorção pelo solo. Já a reencarnação é o retorno do Espírito à vida corporal, mas em um novo corpo constituído para ele, sem nenhuma relação com o antigo. Consideramos um caso de Ressurreição, sim, o que aconteceu a Lázaro, mas não aos profetas. Assim sendo, como, de acordo com sua crença, João era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias que podia ser reconhecido, dado o fato de seus pais serem ainda vivos e poderem dar seu testemunho. De onde se conclui que João podia ser Elias reencarnado, de maneira alguma, ressuscitado.
            A crença de que João Batista era Elias e de que os profetas poderiam reviver sobre a Terra é encontrada em muitas passagens dos Evangelhos. Se isso tivesse sido um erro de interpretação, Jesus jamais teria deixado de combatê-lo, como combateu tantas outras crenças. Pelo contrário, ele a admitiu com toda a grandeza de sua autoridade. E a posicionou como princípio e como condição precípua: 
                 
“Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.”