domingo, junho 30, 2013

RECAPITULANDO O EVANGELHO II O PONTO DE VISTA



Fim de tarde no Arpoador



O PONTO DE VISTA


          A noção exata que se faz da vida futura gera uma fé incontestável no porvir, o que influencia beneficamente na moralização do homem. Aquele que dá valor à vida espiritual percebe que a vida corporal não é mais que uma passagem, uma curta temporada num lugar que não lhe é grato. As dificuldades, os sofrimentos são incidentais, às vezes até seguidos de uma fase mais branda. Sabe que a morte não é o fim de tudo,  que é  a porta pela qual conseguirá sua libertação na morada da paz. Consciente de que está em lugar temporário, absorve as desventuras com menos ansiedade, com relativa serenidade, o que lhe confere certa paz de espírito. Ao passo que em estado  de dúvida sobre a vida futura, o homem volta-se inteiramente para o presente, não conseguindo entrever nada além de seus interesses, além das coisas materiais já adquiridas. Seus prejuízos fazem de sua vida uma pungente decepção. O mal que o toca, como o bem que atinge os outros, tudo representa tortura e angústia. Isso , repito, para aqueles que encaram a vida terrena sob o ponto de vista de vida finita. Já os que olham a vida sob o prisma da vida futura , da vida depois da morte do corpo, entendem que não há os bafejados pela sorte e as pessoas comuns, que ricos e pobres têm o mesmo peso e o que vale afinal é o que se observa em matéria de respeito e amor pelo outro, durante a estada na Terra.  Aprende que a humanidade inteira se perde na imensidão como as estrelas do firmamento, confundindo grandes e pequenos, ricos e pobres, virtuosos e detratores da Moral e do Bem. Enfim, aprende que a importância atribuída aos bens terrestres está na razão  inversa da fé na vida futura.

          Dentro desse raciocínio, podemos imaginar que, ficando as coisas da terra relegadas a segundo plano, a vida terrena terminaria por desaparecer. Mas não é isso que acontece, pelo fato de o homem voltar-se sempre, por instinto, para seu conforto, mesmo sabendo que permanecerá naquele plano por tempo limitado. A busca do bem-estar conduz o homem a melhorar as coisas à sua volta, imbuído do instinto do progresso e da conservação, presentes nas leis da Natureza. O homem trabalha por necessidade, de acordo com os desígnios de Deus que o colocou na Terra com essa finalidade. Só aquele que considera o futuro sabe que a importância do presente é relativa e  reconhece que seus fracassos podem ser absorvidos diante da destinação que o  aguarda. Por outro lado, Deus não condena os prazeres terrestres; condena, sim, o excesso em detrimento das coisas da alma. O homem que se identifica com a vida futura é como o rico que perde uma boa soma e não se angustia enquanto o que se volta para a vida terrena age como o pobre que perde tudo e entra em desespero.

          “O Espiritismo expande o pensamento e lhe abre novos  horizontes; em  lugar dessa visão estreita e mesquinha que o concentra sobre a vida presente, que faz do instante que passa sobre a Terra  a única e frágil base do futuro eterno, ele mostra que essa vida não é senão um elo no conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador; mostra a solidariedade que liga todas as existências do mesmo ser, todos os seres do mesmo mundo e os seres de todos os mundos; dá assim uma base e uma razão de ser à fraternidade universal; enquanto a doutrina da criação da alma no momento do nascimento de cada corpo, torna todos ao seres estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, se se considerar apenas uma parte.”


          Esse conjunto, ao tempo de Jesus na Terra, não teria sido entendido pelos homens e foi por isso reservado para outros tempos. 

quinta-feira, junho 06, 2013

RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS I







REVENDO O EVANGELHO
CAPÍTULO POR CAPÍTULO

          Demorei um pouco mais do que devia, mas cheguei para nossas conversas e trocas. E venho hoje com uma intenção: dar um ritmo de estudo às nossas trocas de ideias, uma espécie de revisão das lições contidas no Evangelho  - “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec - em linguagem bem simples, accessível a qualquer nível de aprendizagem.   
          Nessa primeira tentativa, vamos ver se já absorvemos a lição de Jesus contida na frase “Meu reino não é deste mundo”, se sabemos distinguir o mundo físico do espiritual , assim como a destinação do homem na Terra.

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

           Ao interrogar Jesus, Pilatos fez-lhe a seguinte pergunta:  “Sois o rei dos judeus?”Ao que Jesus lhe respondeu:  “Meu reino não é deste mundo. Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade; qualquer que pertença à verdade escuta a minha voz”.
          Assim falando, Jesus refere-se à vida futura, a que teremos ao desencarnarmos - objeto das principais preocupações do homem sobre a Terra. Sem esta noção, os preceitos de moral pregados por Jesus não teriam sentido. Daí, os que não creem na vida futura e só entendem a vida presente, não compreenderem o que Jesus pregava.
          De vida futura, realmente àquela época, os judeus entendiam muito pouco. Acreditavam em anjos, que  consideravam como seres privilegiados da criação, mas ignoravam que os homens  pudessem vir a ser, um dia, anjos e seres felizes. Para eles, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens da Terra, pela supremacia de sua nação, pelas vitórias sobre o inimigo , enquanto as derrotas eram o castigo de sua desobediência.                                           
Moisés não conseguira passar nada mais a um povo pastor, sem conhecimentos, que só percebia as coisas deste mundo.
Mais tarde, Jesus veio revelar que há outro mundo, onde impera a justiça de Deus e onde os bons terão sua recompensa. Aí é o seu reino e pra onde voltaria quando deixasse a Terra.
Mas Jesus, percebendo que seus ensinamentos estavam além da capacidade de apreensão dos homens da época, julgou conveniente deixar parte da revelação para adiante. E limitou-se a apresentar a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, a cuja ação ninguém pode fugir.  A partir daí, o cristão crê na vida futura, mas  muitos deles têm dela uma ideia um tanto vaga, o que os leva a dúvidas, ou mesmo, a estado de incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto e em vários outros, os ensinamentos do Cristo, quando os homens, já amadurecidos, podem compreender a Verdade. Sob a égide do Espiritismo, a vida futura deixa de ser um simples artigo de fé para ser uma realidade palpável demonstrada pelos fatos descritos por testemunhas oculares em todas as suas fases e peripécias.  Na vida futura, são tão racionais as condições, felizes ou infelizes, da existência dos que se encontram lá, como eles mesmos a retratam, que cada um reconhece e declara  a si mesmo que não pode ser de outra forma e que lá reside a verdadeira justiça de Deus.
Enfim, fica evidente que o reino de Jesus não é deste mundo. Mas não terá Ele também uma realeza sobre a Terra? Como sabemos, o título de rei nem sempre corresponde ao exercício de um poder temporal.  Ele é dado por um consentimento unânime àquele que domina, por assim dizer, o seu século e influi sobre o progresso da Humanidade. É dentro desse  ponto de vista que é comum dizer-se o ‘Príncipe dos poetas’, o ‘Rei dos filósofos’, o ‘Mestre dos mestres’. Oriunda do mérito, essa realeza é bem mais marcante do que a realeza  da terra, que dura enquanto há vida, ao passo que a meritória conserva o seu poder, mesmo depois da morte. E não é Jesus o mais poderoso rei dos soberanos da terra? Esta a razão de ser da sua resposta a Pilatos: “ Sou rei, mas meu reino não é deste mundo.”  
          E o Espiritismo, à imagem de Jesus, nos veio mostrar que há um outro mundo, (vida futura) onde impera a justiça de Deus e para o qual irão todos os que observarem Seus mandamentos.

sábado, maio 04, 2013

REENCONTRO COM DEUS

Vamos tentar falar de coisas boas?


      Nestes dias conturbados  que vivemos, assistindo a perdas de irmãos em acidentes que podem ser evitados,  a crimes de toda espécie por pura irresponsabilidade de quem os comete e  da insegurança que já nos acomete quanto â atuação de nosso país no cenário mundial,  paramos para pensar em nossa responsabilidade como elemento desse conjunto e como devemos agir para melhorar este estado de coisas tão avassalador.

    Uma das atitudes que nos cabe preservar é a de irrestrito respeito pelo outro sem o que jamais teremos equilíbrio dentro do tecido social e quanto mais demorarmos a perceber esta urgência, mais difícil se torna transformar o meio em que as gerações que chegam agora possam se desenvolver e encarar os problemas que surgirem, com espírito desarmado, com extremo respeito ao trabalho, com aguda dignidade pessoal. Existe uma força que atrai  as pessoas movidas pelas mesmas intenções, confiemos nela e vamos em frente por uma sociedade sã, por um ambiente despoluído, onde possamos viver uma vida saudável  sintonizada com as disposições divinas.
                                                             

                                                           ***********

                Para complementar, deixo-lhes uma crônica de meu irmão Felinto Elízio sobre um tema que é um segundo convite.
                                 

 REENCONTRO COM DEUS



FELINTO ELÍZIO DUARTE CAMPELO
felintoelizio@gmail.com

Maceió, Alagoas (Brasil)

“Chegamos às portas da Doutrina Espírita e procuramos, aflitos, a paz, harmonia, felicidade.” 
                    
Bezerra de Menezes

Alhures foi dito que o Espiritismo será aceito na Terra por amor ou pela dor. Por isso é que diariamente uma multidão acerca-se dos Centros Espíritas. Uns poucos chegam impulsionados pela vontade de servir, de doar-se em benefício do próximo, vêm conduzidos pelo amor. A grande maioria, porém, chega tangida pela dor, em aflição, pedindo alívio para os seus sofrimentos, bálsamo para suas chagas, antídoto para os seus males, conforto espiritual, paz e harmonia para as suas almas atribuladas.
A Casa Espírita, fundamentada no Evangelho de Jesus, recebe todos, abre suas portas para fazer o bem sem perguntar a quem. Regozija-se com os primeiros que já sabem amar e querem servir; intercede junto à Espiritualidade Superior em favor dos outros, oferecendo mão acolhedora, instruindo, orientando, plantando em cada coração a semente dos princípios cristãos.
Alguns, entendendo e aceitando a mensagem de amor cristão, passam a integrar as hostes espíritas, tornam-se novos trabalhadores da Seara de Jesus.
Muitos, reverentes e agradecidos pelos benefícios recebidos, voltam às suas origens por não quererem contrapor-se aos conceitos e preconceitos da sociedade em que vivem ou por sentirem-se impotentes para romper os laços que os prendem às tradições religiosas da família.
Outros, decepcionados e tristes, afastam-se por não encontrarem a desejada solução para os seus interesses materiais, dificuldades financeiras ou problemas amorosos e sentimentais. Estes não sabiam que a Doutrina Espírita nada tem a ver com a quiromancia, cartomancia etc., mas que seu fim especial, como tão sabiamente disse Allan Kardec, é a melhoria dos homens, não devendo ninguém buscar nele senão o que possa fornecer progresso moral e intelectual.
Há também os que se desiludem porque se interessam apenas pelo fenômeno mediúnico. Buscavam o maravilhoso, o fantástico, o extraordinário, não entendendo que “O Espiritismo é Doutrina de amor baseada no Evangelho e na Ciência”, sem a menor ligação com a magia.
Precisamos ver nas tertúlias espíritas a oportunidade do reencontro do homem com Deus.

sábado, março 30, 2013

Páscoa

     
Flores para enfeitar a Páscoa



          Escolhi para o post de hoje um artigo da revista  Consolador de 31 de março de 1913 pela
maneira como o autor responde à pergunta constante feita em nosso meio: a Páscoa na visão espírita.
          Numa linguagem singela, ele se sai muito bem ao explicar o que realmente importa nessa comemoração e a maneira como devemos ver Jesus Cristo  que nos deu a lição mais eloquente de Amor sobre a face da Terra.
           

ANDRÉ LUIZ ALVES JR.
locutorandreluiz@hotmail.com
São José dos Pinhais, PR (Brasil)



Celebrando a Páscoa



Todos os anos, ao chegarmos a esta época, a sociedade cristã relembra o episódio de maior importância na história religiosa da humanidade: a paixão de Cristo, comumente representada por sua imagem martirizada em uma cruz.

Influenciados pelo capitalismo, aproveitamos a data do aniversário da ressurreição de Jesus para trocarmos chocolates das mais variadas formas e sabores, pagamos caro pelo típico bacalhau presente na ceia das famílias mais abastadas e cometemos, então, o pecado capital da gula.
Associamos a imagem do Cristo morto às conveniências do egoísmo de uma sociedade que se preocupa em lucrar em todas as oportunidades e esquecemos que Jesus nasceu e tem nascido todos os dias, em diferentes épocas e lugares, nos corações dos homens que descobrem o seu amor.
Comovemo-nos com as inúmeras peças teatrais que reproduzem a via sacra de Jesus, malhamos indignados a figura de Judas, o traidor, e não lembramos que o próprio Cristo, traído, nos ensinou o perdão.
A cada ano nos distanciamos um pouco mais dos ensinamentos do Mestre, talvez descrentes pelas consequências de nossas próprias atitudes e ignorando que o homem interior é capaz de se renovar sempre.
A luta nos enriquece de experiência, a dor aprimora nossas emoções e o sacrifício tempera-nos o caráter. Mas não basta apenas ter as aparências da pureza, é preciso antes de tudo ter a pureza de coração.
É necessário promovermos a mudança sincera de nossas atitudes, amadurecer nossos sentimentos vis, através dos princípios que ele nos deixou.
E parafraseando Chico Xavier, Jesus não nos exigiu nada, não nos impôs grandes sacrifícios, só pediu para que nos amássemos uns aos outros.
Deixemos, então, a imagem daquele Cristo morto e crucificado para darmos lugar ao Cristo vivo em nossas vidas. O nosso Jesus está sim, de braços abertos, olhando por cada um de nós.
Feliz Páscoa!






           Espero que os amigos tenham apreciado o texto e que possamos todos nos congratular conscientemente na Páscoa que ora transcorre.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

À Juventude Universitária de Santa Maria


Aos jovens que partiram rumo ao plano espiritual, estas rosas 
que hão de perfumar seu itinerário e nossas veementes preces
para que se sintam aceitos e protegidos pelos benfeitores 
espirituais que os recebem de braços abertos
 por celebrarem provavelmente o fechamento
de um ciclo de experiências expiatórias.


Aos pais, irmãos, avós, tios, demais parentes e amigos,
que se debatem no sofrimento inominável da perda, 
nossas preces para que consigam assimilar a angustiante  
ausência dos seus e honrar a vida que lhes foi  
confiada pela divina sabedoria.   




Lucubrações sobre o Incêndio de Santa Maria

Mais uma desencarnação coletiva! Como encarar essa realidade que se repete de quando em quando? Qual o seu verdadeiro significado? Como compreender a perfeita justiça divina diante dessas situações de horror e sofrimento para os atingidos e para a coletividade?
O recente 27 de janeiro em que o fogo consumiu  centenas de vidas  na boate Kiss, em Santa Maria / RS, forma ao lado de tantas outras datas em que também houve desencarne coletivo debaixo de grande sofrimento por parte dos que se foram e dos que perderam seus entes queridos.
A comoção é de todos, vivos e desencarnados,  afetados diretamente ou não por tão brutal tragédia, haja vista o registro que nos chega ao conhecimento , vindos dos dois planos de existência – do  nosso mundo material e do plano espiritual.
Neste episódio de agora, o poeta gaúcho expõe sua dor, seu sofrimento , seu sentimento de impotência diante da tragédia, sentimento que é o que nos afeta a todos, na emocionante confissão que faz em seu poema: 


TRAGÉDIA EM SANTA MARIA
                                                                                                   
                                                  Fabrício Carpinejar
                                                             

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu?
  Morri na Rua dos Andradas, 1925.
  Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia.
Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de dezembro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora ao voltar para casa.
Morri porque já entrei numa boate pensando como sairia dali em caso de incêndio,
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta do banheiro com a da emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada.
Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e trinta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. 
As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
                                                                                                          
                                                Janeiro de 2013, Santa   Maria / RS

Há exatos 39 anos, Cornélio Pires nos enviara, do plano espiritual , sua inspirada e consoladora mensagem,  na tentativa de minorar a dor e garantir a fé na justiça divina aos atingidos pelo incêndio do Edifício Joelma.
                                                               

INCÊNDIO EM SÃO PAULO

                    Cornelio Pires


Céu de São Paulo...
O dia recomeça...
O povo bom na rua lida e passa...
Nisso, aparece um rolo de fumaça
E o fogo para cima se arremessa.
A morte inesperada age possessa,
E enquanto ruge,
espanca ou despedaça,
A Terra unida ao
Céu a que se enlaça
É salvação e amor,
servindo à pressa...
A cidade magoada e enternecida
É socorro chorando a despedida,
Trazendo o coração
triste e deserto...
Mas vejo, em prece,
além do povo aflito,
Braços de amor que
chegam do Infinito
E caminhos de luz
no céu aberto...

São Paulo /1974

Das muitas publicações dos dias seguintes ao recente incêndio, tenho em mãos trechos do artigo Reflexões Espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria, da autoria da escritora Dora Incontri que fez oportunas considerações sobre os fatos registrados na mencionada cidade.
Como afirma Dora em seu artigo, “...não temos condições de dizer por que aquelas pessoas desencarnaram em condições assim tão aflitivas. Faltam-nos para isso informações de que não dispomos. Os episódios  do Edifício Joelma, ocorridos em fevereiro de 1974, podem dar-nos uma pista, mas sabemos muito bem que, na vida, cada caso é um caso, que pode ou não ter semelhança com outros.
É claro que, com os ensinamentos que temos recebido na doutrina espírita, a questão da morte não nos causa o temor ou as angústias que acometem as pessoas despreparadas para enfrentá-la, mas trata-se de informações genéricas que, evidentemente, podem ou não aplicar-se a determinada situação individualmente considerada.”
Diante disso,  que  dizer aos irmãos e irmãs de Santa Maria?
Podemos, por enquanto, dizer que
“...a morte não existe e, portanto, os jovens que partiram continuam a viver em outro plano, podendo  em determinado momento dar notícias de suas condições...
...a morte traumática deixa marcas naqueles que partem como naqueles que ficam e, por isso, todos precisam de amparo e oração...
...o sofrimento tem sempre significado existencial, o que cada pessoa deve descobrir e transformar em motivo de ascensão...
...a fé, a comunhão com a Espiritualidade, seja ela de que forma for, dá forças ao indivíduo para superar quaisquer traumas, inclusive os decorrentes de fatos como esse...
...as provas que nos acometem na vida não vêm para nos esmagar, mas para serem superadas e vencidas...
...Deus é um pai amoroso, justo e sábio que deseja só o bem para os seus filhos.
Além disso, nada mais nos cabe dizer.
 Não é hora de especular sobre motivos de ordem transcendental que se ocultam em ocorrências dessa natureza.
No tocante a pessoas que supostamente concorreram, por ação ou omissão, para que a tragédia se verificasse, deixemos à justiça que disso se incumba, porque essa é a sua função no plano em que vivemos.
Orações, vibrações, apoio fraternal e pensamentos otimistas eis o que, independentemente de qualquer convicção religiosa, podemos e devemos ofertar a todos aqueles que enfrentaram e ainda enfrentam momentos tão difíceis.”

Que Deus nos inspire e ajude em Sua infinita capacidade de agregar, de conduzir, de amar.

(Informações encontradas  no jornal espírita O Imortal (edição de fevereiro de 2013)

domingo, dezembro 30, 2012


O ANO DE 2013 PEDE LICENÇA PARA NASCER



                                      MENSAGEM DE ANO NOVO


 Não estive ausente no Natal por gosto. Passei uns dias sem acesso à internet não tendo sido um problema só meu, várias pessoas próximas a mim também foram atingidas.
Espero que o Natal de vocês tenha sido o que imaginei para todos - um Natal feliz, no seio familiar, uma ampla confraternização .
Agora caminhamos para a virada de ano, debaixo de uma canícula que nos atormenta, mas que não nos tolhe. Caminhamos para novas tentativas de vida em moldes ideais, seriamente arquitetados  em nosso íntimo, mas poucos são os que conseguem  dar corpo e forma a semelhantes presunções. Não nos custa tentar.
Para nossa inspiração, trago aqui uma Carta de Ano Novo na psicografia de nosso saudoso Chico Xavier, ditada pelo espírito de Emmanuel, colhida no livro Novo Caminho.
     Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir.
    O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.
  Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir.
   Se tens inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.
  Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.
  Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.
   Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.
   Novo Ano! Novo Dia!
  Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.
   Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino.
   Não maldigas, nem condenes.
   Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.
    Não te desanimes, nem te desconsoles.
    Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.
   Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora: - Ama e auxilia sempre. Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.


Para finalizar, um presentinho para quem estiver na área: aquele poema de Carlos Drummond de Andrade Receita de Ano Novo que já é vídeo de Ano Novo desde 2008 e é muito inspirado.

É só clicar aqui:
                                   http://youtu.be/J7B0ZV7cFCA
                               
ou    

                           
FELIZ ANO NOVO!    FELIZ ANO NOVO!   FELIZ ANO NOVO!

quarta-feira, outubro 24, 2012

AMPARO E SUSTENTAÇÃO

   BEETHOVEN  /  MOONLIGHT SONATA   (NOSSO LAR)      

Olá, companheiros, estou dentro do prazo e isto me tranquiliza. Mesmo assim, quase não vou falar por mim mesma. É que tenho um texto que todos vão amar, caprichado como nossa amiga sabe fazer, baseado em leituras categorizadas.  Como é extenso, faço questão de  preservar o tempo pra vocês.


Amparo  &  sustentação

LEDA MARIA FLABOREA
ledaflaborea@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)


Fidelidade a Jesus é espírito de serviço até o último
 momento das nossas forças físicas
 
 ... “mas, livra-nos do mal.” ¹

Quantos de nós já não pronunciamos essas palavras, seja em estado de preocupação verdadeira, seja pedindo ao Pai para nos colocar a salvo de perigos e tentações na vida diária?
O Evangelho mostra que, em dois momentos, Jesus faz essa solicitação a Deus: no primeiro, foi no Pão Nosso, que nos ensinou, ao encerrar o Sermão da Montanha, dizendo “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”; e, depois, no Sermão do Cenáculo ou última ceia, como é conhecida essa passagem, quando, despedindo-se dos discípulos, fez a oração que ficou gravada na mente dos queridos amigos, conhecida como Oração dos Discípulos, na qual roga a Deus para que não os tirasse do mundo, mas que os guardasse do mal.
Nessas duas oportunidades Jesus roga o amparo e a sustentação para todos nós e não o nosso afastamento do mundo. E por que Ele age assim? Para entender isso é necessário compreender o homem no meio em que ele vive. O homem é um ser biológico, enquanto matéria; um ser psíquico, enquanto Espírito; e um ser social, enquanto relacionado com outros.  Assim, quanto mais evoluímos, mais aumenta a nossa interdependência com as outras pessoas. Por isso, o progresso só acontece quando há trabalho em grupo, ajuda mútua.  Sozinhos, nos embrutecemos e nos debilitamos, porque somos seres gregários, criados para viver em sociedade, equipados com todos os instrumentos que possibilitam tal convivência.  Dessa forma, vamos ajudando os que estão ao nosso redor – desde que o queiram – e sendo ajudados, aprendendo com os outros o que ainda não sabemos e ensinando aquilo que já sabemos, amando e sendo amados.  Com isto em mente, é fácil perceber que só seremos úteis vivendo em grupo.
Então, quando Jesus nos ensina na Oração Dominical, para que Deus nos livre do mal, e pede a Ele que não afaste os seus discípulos do mundo, mas que também os proteja do mal, deixa claro que os homens não precisam isolar-se a pretexto de melhor servir a Deus.
Se no passado o isolamento de homens que até hoje são reverenciados era para despertar esse mesmo homem para os problemas da alma, hoje esse comportamento “sem finalidade prática, sem proveito para os semelhantes, expressaria egoísmo e acomodação à boa vida. Significaria fuga ao trabalho”. ²
O mundo é – sem sombra de dúvida – a nossa grande escola, e pelas dificuldades que passamos, pelos obstáculos que superamos para realizar a vida material, as lutas íntimas que travamos nos fazem criaturas cada vez melhores... Diante disso, podemos entender que é “impossível o ensinamento, fugindo à lição. Ninguém sabe, sem aprender”. ³
Assim, muitas vezes, fugimos das dificuldades, criamos ilusões fantasiosas, necessidades vãs, fazendo de conta que a vida é sempre um mar de rosas, um céu sem nuvens; ou revoltamo-nos, não aceitando as condições nas quais vivemos, esperando, em ambos os casos, que em algum momento um milagre aconteça e que a solução dos nossos problemas surja, sem que precisemos nos esforçar para isso.  É preciso atenção às nossas escolhas para não complicarmos, ainda mais, a presente encarnação.
Citando judiciosa afirmação de Emmanuel, é importante observarmos ao nosso redor para reconhecer “onde, como e quando Deus nos chama, em silêncio, para colaborar com ele no desenvolvimento das boas obras, na sustentação da paciência, na intervenção caridosa em assuntos inquietantes para que o mal não interrompa a construção do bem, na palavra iluminativa ou na seara do conhecimento superior, habitualmente ameaçada pelo assalto das trevas”.
Todavia, o que encontramos ainda, é um grande número de discípulos do Evangelho que ao entenderem, ainda que de forma incipiente, a luz espiritual, recusam-se a continuar aprendendo, tendo em vista a ideia enganosa de que já sabem o suficiente. Quantos continuam fugindo do estudo, do aprimoramento de seus conhecimentos, do trabalho redentor, até mesmo como uma forma de protegê-los da intervenção de outras mentes não evangelizadas, em seu dia-a-dia?! Mas, se não aprenderam, não vivenciaram; e, se não vivenciaram, não podem dar testemunhos da sua evolução.
Quantas tarefas para as quais fomos encaminhados e as recusamos?!  Quantas adiamos, mesmo sabendo que não poderíamos realizá-las?!  E recuamos, assim, diante do esforço que nos levaria para frente. Declaramo-nos desejosos da união com o Cristo, mas abandonamos os irmãos necessitados de amparo, muitas vezes dentro do próprio ambiente doméstico, esquecidos que o Mestre amado, em momento algum, afastou-Se da humanidade terrena. Estimamos a oração que Ele nos ensinou, mas nos esquecemos de que rogou ao Pai que nos libertasse do mal, mas não nos afastasse da luta.
Lembra-nos Emmanuel que a sabedoria do Cristianismo não consiste em isolar o aprendiz na santidade artificialista, e, sim, em fazê-lo no campo de luta ativa de transformação do mal em bem, da treva em luz e da dor em bênção. A fidelidade que muitos dizemos ter ao Cristo não significa adoração eterna em sentido literal; significa, sim, espírito de serviço até o último momento das nossas forças físicas.
Em relação aos discípulos, no Sermão do Cenáculo, Jesus dirige-Se a Deus dizendo que Ele não pede que sejam tirados do mundo, mas, sim, que sejam guardados do mal, pois sabia das dificuldades pelas quais eles passariam, das lutas que enfrentariam, após sua morte, e que poderiam impedir os discípulos de dar prosseguimento à Sua tarefa. Tudo isso poderia criar um precedente perigoso para as futuras realizações do Evangelho. E o que seria de nós, hoje, se os Seus ensinamentos benditos não tivessem chegado à nossa vida...
Tanto eles, ontem, quanto nós próprios, hoje, não prescindimos das lutas terrenas, porque elas corrigem, aperfeiçoam e iluminam os Espíritos necessitados, que retornam ao corpo físico para prosseguir sua jornada iluminativa.
O certo é que “(...) ninguém pode dar testemunho de valor espiritual se não vive provas difíceis, dramas intensos, complicados problemas... Ninguém pode dar testemunho de resistência moral se não sentiu o impacto de fortes tentações, sobrepondo-se, no entanto, a todas elas, pela inabalável determinação de vencer, pelo desejo de realizar-se”4, ao menos aqueles que ainda estão atrelados à vida material grosseira, como é o caso da humanidade que vive sobre este planeta.
É prova difícil viver no mundo, sabemos; mas não impossível. Por essa razão o pedido de Jesus, tanto em uma quanto em outra oração, é exortação à vigilância, para que não venhamos sucumbir ante o mal, nas suas mais diferentes manifestações, pois o mal, em qualquer circunstância, é desarmonia à frente da Lei e todo desequilíbrio tem como consequência a dificuldade e o sofrimento. Mas, independentemente de tudo isso, fortalecidos pelas eternas lições do Excelso amigo, nos converteremos, como muitos já o fizeram, em exemplos vivos e atuantes de amor e trabalho no bem!
Com o tempo e a misericórdia divina que nos dão novas chances de recomeço através das vidas sucessivas, teremos aprendido a valorizar as oportunidades de luta redentora, vencendo nossas imperfeições morais, e nos transformando em verdadeiros discípulos de Jesus, levando paz, consolo e reconforto aos necessitados que encontrarmos pelo caminho.
O Apóstolo Paulo, na carta aos romanos, cap. 12, versículo 21, traz consoladoras palavras: pede que não nos deixemos vencer pelo mal, mas que vençamos o mal com o bem, pois, passada a tempestade, tudo se encaminha para o reajustamento e a harmonia...
Roguemos, pois, ao Pai de infinita bondade, que continue nos assistindo em nossas lutas. Que ampare nossos pequenos passos, para que mais adiante, amparados pelos ensinamentos de Jesus, consigamos avançar com firmeza em direção ao Seu amor.


Bibliografia consultada:
1 - Mateus, 6:13.
2 - Peralva, Martins . Estudando o Evangelho, 6ª ed., Edições FEB – RIO DE JANEIRO/RJ - 1992 - cap. 5 – “O Cristão e o Mundo”, p. 40.
3 – Emmanuel (Espírito). Vinha de Luz, [psicografado por] F. C. Xavier, 14ª ed., Edições FEB – RIO DE JANEIRO/RJ -  1996 - lição 57.
4 – Peralva, Martins. Estudando o Evangelho, 6ª ed., Edições FEB – RIO DE JANEIRO/RJ - 1992 - cap. 5 – “O Cristão e o Mundo”, p. 41.   



Espero que aproveitem as lições contidas no texto - fonte de reflexões renovadas. Nosso agradecimento, Leda. Até a próxima postagem.