domingo, outubro 10, 2010

Voltando a NOSSO LAR

Locação de uma cena do filme Nosso Lar


VOLTANDO A NOSSO LAR

        Voltamos hoje a Nosso Lar, o livro e o filme, ambos fonte segura de ensinamentos relativos à vida depois da morte, seus princípios,  seus caminhos, a razão de ser da vida do espírito na erraticidade.
       Lendo o que se tem escrito e comentado a respeito desta psicografia de Chico Xavier, pelo espírito de André Luiz, chegamos a um estudo realizado por Dra. Marlene Nobre, com a colaboração de Walther Graciano Junior, publicados na Folha Espírita. De tal relevância é o conteúdo da obra em apreço que a Dra. Marlene sugere um estudo por capítulo, com pontos de destaque relativos a cada um dos 50 capítulos que compõem o livro.
       Antes, conheçamo-la melhor. Ela é Dra. Marlene Rossi Severino Nobre, viúva de José de Freitas Nobre (jornalista, advogado, político, fundador do jornal Folha Espírita), médica ginecologista, professora da USP, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil  e Internacional (AME), diretora responsável da  Folha Espírita e autora de vários livros, a saber:
O Clamor da Vida, O Dom da Mediunidade, Nossa Vida no Além, entre outros.

       No jornal O Clarim, podemos ler uma entrevista  (encabeçada por notas biográficas  da médica) em que Dra. Marlene fala de seu trabalho na seara espírita. É uma bela ocasião de conhecermos o vigor e a integridade produtiva desta incansável mulher.

        Apresentaremos, agora, o plano da Dra Marlene,aos poucos, digamos, de 3 em 3 capítulos para que  possamos refletir sobre os pontos sugeridos, procurar leituras elucidatórias em torno dos assuntos abordados ou pedir ajuda a pessoas mais esclarecidas.
        
      Vamos às suas sugestões:

        Capítulo 1 – Nas Zonas Inferiores

1 – Há zonas inferiores no mundo espiritual, constituídas de matéria ainda desconhecida, mas semelhante àquela que conhecemos no plano material.

2 – Há seres monstruosos nessas regiões, mas há também espíritos em graus variados de imperfeição.

3 – Após a morte física, o espírito apresenta-se com o seu corpo espiritual ou perispírito, que tem órgãos, como o corpo físico, mas é constituído de matéria em outro estado vibratório.

4 – O egoísmo chumba o espírito às regiões inferiores.

5 – O grande apelo deste capítulo é ao desenvolvimento do amor puro.


       Capítulo 2 – Clarêncio

1 – Aprofundar-se na razão pela qual os espíritos perversos acusavam André Luiz de suicida. Entre eles, há os de grande inteligência, mas sem bondade, que penetram a aura dos semelhantes e conseguem ver se houve ou não suicídio indireto, quer dizer, se o perispírito sofreu desgaste exagerado com o conseqüente encurtamento da existência terrena.

 2 – Observar as descrições das necessidades fisiológicas do perispírito ou corpo espiritual. Emmanuel dá mais detalhes no livro Roteiro, psicografia de Chico Xavier: “... o perispírito é, ainda, corpo organizado que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste além do sepulcro, demorando-se na regeis que lhe é própria, de conformidade com seu peso específico...” Sobre o assunto, procure estudar também os livros da Codificação e os especializados.

3 – Prestar atenção nas manadas de seres animalescos. São espíritos que perderam a forma perispiritual humana, conhecidos como casos de licantropia ou zoantropia, comuns nas zonas umbralinas.

4 – Lembrar sempre: Deus é a Sublime Consciência do Universo. O amor puro é o caminho mais fácil para chegar até Ele.


       Capítulo 3 – A Oração Coletiva

1 – Meditar sobre a matéria desconhecida de que é constituído Nosso Lar e que entra na confecção de vestimentas, imóveis e toda arquitetura ambiente.

2 – Observar tipos de plantas e flores

3 – Destacar o sofrimento como instrumento de evolução.

4 – Enfatizar a importância da oração de louvor a Deus.

    
      Ficam aqui os três primeiros capítulos. Quem quiser se habilitar a  começar o estudo e precisar da indicação de livros auxiliares, pode solicitar ajuda usando o sistema de comentários do Onde Estamos, assim como os e-mails:



Observação: Como o link relativo ao URL Nossa Vida no Além não está respondendo, deixo-o aqui para vocês acessarem. Trata-se de um artigo muito rico em informações sobre o referido livro.

quarta-feira, agosto 25, 2010

FALANDO DE LIBERDADE

De Carlos Araujo



FALANDO DE LIBERDADE




Liberdade é palavra mágica.Tem um conteúdo de sedução muito amplo e muito forte. Há que se definir quando se quer falar de liberdade - liberdade de pensamento, liberdade de ação, liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade política, liberdade de ensino, livre arbítrio.

Opto, neste momento, por um tipo de liberdade muito especial – Liberdade segundo Jesus – tema cuidadosamente pesquisado  em cima de obras consagradas e conduzido pelo trato elaborado e eficiente de minha amiga  Leda Flaborea que vem, de vez em quando, deixar aqui sua sempre oportuna colaboração.

LIBERDADE SEGUNDO JESUS


“Estais, pois, firmes na liberdade com que o Cristo nos libertou e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão.” - Paulo *

Importante meditarmos vez por outra – o ideal seria estarmos sempre atentos – na liberdade que Jesus nos trouxe, libertando-nos das algemas da ignorância.
Por conta do falso entendimento que temos do verdadeiro significado dessa liberdade, companheiros incautos de jornada terrena colocam o Cristo como rebelde diante das leis vigentes em sua época. Muito pelo contrário, Ele, efetivamente, deu continuidade na lei, quando trouxe o abrandamento no lugar do endurecimento dos homens ao tempo de Moisés.
Na epístola aos Gálatas, o apóstolo Paulo fala em liberdade e que a liberdade que Jesus trouxe é a do entendimento das diretrizes estabelecidas por Deus, para a evolução do homem.
O Mestre foi claro: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” das algemas que ainda prendem o homem à materialidade, às ilusões fantasiosas, que geram angústias, medos, solidão, doenças ditas do homem moderno, mas que são de todas as épocas. Assim, quanto mais o homem mergulha na insensatez, no desequilíbrio, na insanidade, mais se angustia e sente medo, mais se isola – embora cercado de tantos – e se destrói.
O conhecimento da verdade – convite de Jesus – envolve a aquisição da liberdade que temos de fazer ou não fazer, de dizer ou não dizer, continuar lutando ou permanecendo na inércia, maldizer ou abençoar, compreender ou ser intolerante, responsabilizando-nos por cada escolha feita em pensamento, palavra ou ato. Essa a liberdade com Jesus que livra o homem das garras da ignorância, segundo o pensamento de Paulo.
Apesar de ainda não termos uma noção muito clara dessa conquista – e talvez por isso mesmo -, quase sempre caímos na armadilha de pensar que liberdade significa fazer o que se quer, na hora que se deseja, desrespeitando direitos alheios, referindo-nos, tão-somente, a situações comezinhas, do dia-a-dia, dentro do nosso lar, nos locais de trabalho, nas filas, no trânsito, por exemplo. Liberdade fantasiosa, transitória, que está sempre nos amarrando às nossas escolhas descabidas e insanas.
Esse conceito deturpado – expressão do sentimento egoico – tem o foco centralizado em caprichos incontroláveis, bem diferente da ideia de liberdade de quem, cumprindo seus deveres, encontra paz e alegria, sensações bem distantes das angústias, medos e solidão, que assombram o chamado homem moderno, características desses dias que correm.
Buscar a liberdade em Jesus é vivenciar seus ensinamentos. Não é apenas tê-lo ao nosso lado – dizemos muito que caminhamos com Ele – mas, sim, dentro de nós. É compreender o que significam as palavras de que “estaria conosco até o final dos séculos” até que aprendêssemos. Paciência e amor de um Mestre que deseja que seus aprendizes evoluam, que caminhem sozinhos, dando continuidade à tarefa que O trouxe ao planeta.
Somos milhões de seres que vivem sem perceberem, efetivamente, o que acontece ao redor de si. A natureza que o diga...! Experimento um pouco aqui, outro tanto acolá, buscando prazeres fortuitos, realizações passageiras, ilusórias, presos às algemas da indiferença, da intolerância nos mais diferentes setores da vida, da preguiça, sem nada realizarmos de verdadeiramente útil para nós e para a comunidade na qual estamos inseridos. Precisamos, sempre, que alguém ou algo nos desperte para a necessidade dessa busca real, perene.
Mas, apesar de toda essa dificuldade, se já temos algum conhecimento, podemos auxiliar esses irmãos, seja alertando-os, seja reerguendo-os, porque, antes de mais nada, estaremos vivenciando a liberdade com Jesus, colocando em prática o nosso direito de fazer ou não fazer, de dizer sim ou não, com responsabilidade e conscientes de que a cada um será dado segundo as obras que houver realizado. Como não basta passar receita de virtude e serviço – atitude comum em nós –, é importante que preparemos, com os recursos que possamos dispor, o entendimento do companheiro. Que tal começarmos pelo próprio exemplo?

Fonte de consulta:
* Gálatas, 5:1.
Emmanuel (Espírito). Palavras de Vida Eterna, [psicografia de] F.C. Xavier, 20ª ed., Comunhão Espírita Cristã Editora – UBERABA/MG – 1995 – Lição 24.

LEDA MARIA FLABOREA
ledaflaborea@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)


Voltarei logo para o post de setembro


segunda-feira, agosto 16, 2010

NOSSO LAR - o filme







 
Cena do filme Nosso Lar
 
 
Uma notícia muito especial, meus amigos. O filme Nosso Lar, baseado no livro homônimo, pelo espírito de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, dirigido por Wagner Assis e produzido pela Fox, está para ser lançado no começo de setembro. É um acontecimento auspicioso, a comunidade espírita em todo o país aguarda ansiosa esta produção que contou com uma direção de arte grandiosa e efeitos especiais extraordinários.
Tudo foi cuidado com muito zelo, por profissionais de grande apelo, como o fotógrafo suiço, residente nos Estados Unidos – Ueli Steigi - e, na área musical, o compositor Philip Glads, entre os maiores do cinema atual, responsável pela trilha completa. Trilha que foi executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira para gravação em estúdio e posterior utilização na edição musical do filme.

Mesmo contando com essa avançada tecnologia, o diretor Wagner diz que é a história o grande atrativo de “Nosso Lar” que descreve em detalhes a vida em uma colônia espiritual, através de relatos do espírito do médico André Luiz.

A responsável pela tarefa de criar visualmente a história contada no livro de Chico Xavier foi Lia Renha, diretora de arte do filme.

Para o apelo tornar-se maior, irresistível mesmo, envio o vídeo com o trailer oficial de “Nosso Lar”.

Vamos, gente, vamos logo no dia da estréia, 3 de setembro? Vamos prestigiar de novo o Chico? Nossos atores e atrizes? Os excelentes profissionais estrangeiros que simpatizaram com a nossa história?

Vamos, chamem os amigos, os parentes, os colegas de trabalho que aceitem nossas idéias.
Leiam as notícias no link que deixei aqui. São notícias detalhadas da concepção, da produção, da finalização dos trabalhos realizados em todas as áreas, fotos e slides de várias tomadas.
E vejam o trailer do filme num vídeo do You Tube, aqui, logo abaixo. Boa sorte a todos.


ELIZETH CORONA - Filme NOSSO LAR - LANÇAMENTO 03\09\2010

sexta-feira, junho 25, 2010

Conversa informal

Paisagem de Sergio Millet Óleo sobre tela

Conversemos aleatoriamente hoje, um jeito de mudar um pouco a fisionomia de nosso encontro, agora, mensal, dado o tempo curto para atender a tantos assuntos. Podemos comentar sobre notícias de movimentos ligados ao Espiritismo, eventos que se realizam no momento, livros e vídeos que surgem on-line para leitura /escuta gratuita, algumas outras fontes de informações a pesquisar. Vejamos:

Com muita expectativa, acompanhamos a lenta, mas efetiva, penetração do pensamento espírita nos meios universitários, principalmente, no terreno da medicina. Avaliações, pesquisas, procedimentos já apontam para esse novo horizonte e isto é bastante auspicioso. Dilata-se o campo de pesquisas científicas e disto resultará certamente novo filão de descobertas que propiciarão cura efetiva para muitas doenças.

Eventos espíritas acontecem em hospitais, como é o caso do Hospital do Câncer, em Santo Cristo, que realiza hoje, às 15 horas – a 3ª Exposição da Cultura Espírita: O Cristo Consolador.

Com respeito a livros espíritas, é grande a lista de exemplares publicados on-line, (muitos no formato PDF), da qual indicarei alguns hoje, prometendo completar a relação nos próximos posts. É só clicar e ler, simples assim. A saber:

- Ação e Reação, de André Luiz (PDF)

- Espírito e Vida, de Divaldo Pereira Franco (Joana de Angelis)

- Nossos Filhos são Espíritos, de Hermínio C. Miranda

-\Não pise na Bola, de RIchard Siminetti

- Nosso Lar, de André Luiz

- Passes e Irradiações, de Edgard Armond

- Histórias que Jesus contou, de Clóvis Tavares

- Renovando Atitudes, de Hammed

- Ave Cristo, de Emmanuel

- Além da Morte, de Divaldo Pereira Franco

Um site interessante é www.chicoxavier.com.

Além dos livros, é bom saber que podemos contar com uma produção de vídeos muito competente, trazendo à luz temas instrutivos da Doutrina, assim como temas sociais polêmicos, discutidos com seriedade e muita responsabilidade dentro da ótica espírita. E já há muita gente trabalhando neste veículo de informação. O You Tube, por exemplo, oferece preciosa colaboração: vídeos educativos, vídeos de palestras, de músiica, de entrevistas. Podemos baixá-los à vontade como podemos contar com outros sites. Fiquem com estes:

http://www.luzdoespiritismo.com/Nova_pasta2/espiritismo_copy(9).htm

http://videosespiritas.com/programas.html

E há, infelizmente, as notícias desgastantes como as das chuvas recentes que flagelaram muitas cidades do interior de Alagoas e Pernambuco, deixando em estado de desespero seus habitantes, com o duro golpe do desabrigo repentino e a exposição a sérios perigos de saúde. Que cada espírita se mobilize, dentro de suas possiblidades físicas ou financeiras para tentar minorar o sofrimento desses nossos irmãos. Qualquer viés de ajuda, por mínimo que seja, somado a outros, já constitui algo significativo para aqueles aos quais só restou assombro.

Um serviço de despoluição da água está sendo anunciado e será um auxiliar inestimável nessa conjuntura – a Lifesaver – uma tecnologia já aplicada no Haiti que permite a purificação de qualquer tipo de água.

Por hoje, é só. Sugiro apenas que encerremos nosso encontro com uma prece pelos aflitos e desamparados.

“Senhor, que tenhamos a paciência necessária diante dos reveses que surgem de inesperado.

Toda dificuldade é preciosa lição que nos cabe assimilar.

Não nos deixes perder a serenidade com que devemos receber os golpes da existência.

Faze-nos sempre um pouco mais pacientes diante daqueles que convivem conosco e nos põem as emoções à prova...

Que os toleremos como Tu mesmo nos toleras, em nossa invigilância e insensatez.

Estando, por vezes, tão perto de triunfar, que não nos precipitemos, colocando tudo a perder.

Contém-nos, Senhor, em nossos impulsos infelizes, impedindo que venhamos a agir de maneira inconseqüente.

Que a paciência seja o nosso exercício espiritual de auto-superação cotidiana.

Contigo, a tudo haveremos de suportar!”

Que assim seja.

segunda-feira, maio 03, 2010

O DÌZIMO E A CASA ESPÍRITA



Venho hoje com um tema da autoria de Leda Flaborea, já conhecida dos leitores deste blog pela maturidade e diligência com que trata os assuntos que expõe.

Quero antes me posicionar em relação à importância do tema abordado, afirmando que é necessário e oportuno esse tipo de explicação detalhada acerca de certos aspectos da prática religiosa, de atitudes que devem ser tomadas, no dia a dia, nos núcleos de trabalho.

Assim sendo, vamos seguir o raciocínio de Leda sobre

O DÍZIMO E A CASA ESPÍRITA

O dízimo já era praticado antes da vinda de Jesus. Encontra-se muito claro no Antigo Testamento e significava a décima parte consagrada a Deus. A Lei requeria que a décima parte do grão, do vinho, do azeite produzido a cada ano, assim como os primogênitos dos rebanhos e das manadas, e de tudo mais que se produzisse, fosse entregue aos levitas e sacerdotes, com o objetivo de manterem os templos em funcionamento. Podemos constatar essa prática no Pentateuco : terceiro livro (Levítico, 27:30-32.), no quinto livro (Deuteronômio, 14:22.), e ainda em Neemias, 10:32. , nos livros históricos.

O interessante, ao abordarmos essa questão, é percebermos que Jesus não o condenou, mas foi além ao dizer: “ Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pois que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezais o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas sem omitir aquelas.” (Mateus, 23:23.)

O que podemos aferir dessa advertência de Jesus é que Ele, em momento algum, criticou ou proibiu a ajuda monetária à manutenção dos templos, mas, cobrava, sim, o cumprimento da Lei de Amor, convidando todos ao exercício da beneficência, da indulgência e do perdão. Vivendo em um mundo material, não ignorava as necessidades básicas para a sobrevivência do que quer que fosse material – templo ou corpo físico.

E, se isso era verdadeiro na época de Jesus, muito mais o é hoje. Assim, se transportarmos tudo isso para a Casa Espírita, independentemente de sua dimensão ou complexidade de funcionamento, perceberemos, sem qualquer sombra de dúvida, que os recursos financeiros são fundamentais para que ela mantenha suas portas abertas.

Cada Casa Espírita possui uma dinâmica de trabalho e sabe do que necessita para atender às suas necessidades. Por essa razão, cabe a cada um de nós que frequentamos o grupo, contribuir espontaneamente, no limite de nossas posses (financeiramente ou em tempo disponível) – o óbolo da viúva é o mais claro exemplo – para a manutenção desses pronto-socorros em funcionamento, voltados para o atendimento aos necessitados do corpo e da alma.

Todavia, é de suma importância não confundirmos atividades destinadas à manutenção física da instituição com a cobrança pela assistência espiritual, envolvendo o passe magnético, as reuniões mediúnicas de desobsessão ou a venda de água magnetizada, por exemplo. Qualquer atividade de assistência espiritual que envolva o concurso dos Espíritos deve ser totalmente gratuita, lembrando a assertiva de Jesus aos discípulos: “Curai os enfermos, expeli os demônios; dai de graça o que de graça recebeste”. (Mateus, 10:8.)

Mas, também, é preciso lembrar que a venda de quadros, elaborados nas reuniões de pintura mediúnica, e a de livros psicografados são sempre revertidas – independentemente dos custos materiais que eles envolvem para suas elaborações – para as obras de assistência social que a instituição desenvolve. É difícil imaginar uma casa espírita sem seu braço social, porque contraria um dos pilares da Doutrina Espírita: Fora da caridade não há salvação. Ambas as formas de assistência devem seguir paralelas em atendimento à saúde integral do homem: pão para o corpo, pão para o Espírito.

Com a afirmação que faz e com o preceito que estabelece, o Mestre determina que não se deve cobrar por aquilo por que nada se pagou. O dom de curar, de afastar os Espíritos ainda não evangelizados, de levar alívio aos que sofrem, tudo isso foi dado de graça por Deus. Como colocar preço no sorriso que recebe o assistido na casa de Jesus? A entrevista que orienta e alivia, a palestra que consola, esclarece e reconforta, o passe que acalma, minimiza e cura a dor, como cobrar por isso? Não se pode, porque não se pode colocar preço no que emana do coração. Mas, diferentemente do dízimo obrigatório, o espírita não deve se furtar a colaborar materialmente com a Casa que o acolhe e lhe proporciona as oportunidades de trabalho para a sua elevação espiritual, doando um pouco do muito que recebe todos os dias - em atendimento ao convite de Jesus – e ajudar, pois toda colaboração é muito bem vinda se vier em nome do Mestre de todos nós.

Leda Flaborea

ledaflaborea@uol.com.br

Leda escreve para muitos jornais, revistas e sites, a saber: Revista Internacional de Espiritismo - Matão/SP; Jornal Espírita e O Semeador , ambas publicadas pela FEESP; para o Jornal Espírita de Três Lagoas-Três Lagoas/MS; para o Jornal Espírita de Portugal, publicado pela Federação Espírita Portuguesa; para O Consolador; e para o Letra Espírita.

sábado, abril 03, 2010

Páscoa




Tarsila Amaral

COMEMORAÇÃO DA PÁSCOA


Páscoa, mais uma vez. Mais uma vez, volto a considerar aquele artigo que postei aqui, às vésperas da Páscoa, no ano passado: Páscoa - Comemorar ou Não? ( Fonte: O Observador).

Sinto a necessidade e o dever de repetir alguns daqueles parágrafos que tão bem mostram a posição do espirita em relação ao significado da Páscoa.

“Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa.... como fazem as demais filosofias cristãs.Todavia, o sentimento de religiosidade... é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou coletiva, acerca da Páscoa não é proibida nem desaconselhada. O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo.”

Como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos ou liturgias, tenta ir ao significado da Páscoa, contemplando outros valores.

“Antes,... faz-se necessário buscar no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento. A Páscoa... não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural. Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à ‘festa dos ázimos’, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas”.

“É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno. Mas há outros elementos ‘evangélicos’ que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao ‘martírio’, ao sofrimento de Jesus e os últimos, à ressurreição e ascensão de Jesus. No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no pós-mortem”, o que é negado pela ciência.

“As igrejas cristãs insistem na hipótese de o Cristo ter subido aos céus em ‘corpo e alma’ e fará o mesmo em relação a todos os eleitos no chamado ‘juízo final’. A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a competência ou a qualificação de todos os Espíritos. Com tantas oportunidades quanto sejam necessárias, no nascer de novo, é possível a todos progredirem.”

“A páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos ‘nossos’ pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para ‘nos salvar’, dos nossos próprios erros ou dos erros cometidos pelos nossos ancestrais, em especial, os ‘bíblicos’ Adão e Eva, no Paraíso.”

“Esta tradição judaico-cristã da ‘culpa’ é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós, espíritas, devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande e última lição de Jesus que vence as iniquidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica para asseverar que ‘permaneceria eternamente conosco’, na direção bussolar de nossos passos doravante.

“...que possamos encarar a Páscoa como o momento de transformação, a verdadeira evocação de Liberdade ,...” a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria vida de Jesus, de amor ao próximo e valorização da própria vida.”

Com a exposição desses trechos explicativos, acho que ficou bem clara a nossa posição. Referendar a Páscoa é comemorar a vida, é entender que ela não cessa com a morte do corpo fásico, é ter certeza de que ela continua na espiritualidade, e que, por reencarnações sucessivas, o espírito vai-se depurando até alcançar a angelitude e aproximar-se da esfera divina.

Amemos a Deus sobre todas as coisas, amemos o próximo com a nós mesmos e estaremos em consonância com os ensinamentos de Jesus em sua passagem pela Terra e afinados definitivamente com o espírito da Páscoa.

Que nossa Páscoa seja florida e nos encha de esperanças .