Uma série de inquiriçoes sobre nossa condiçao de humanos na Terra. A finitude do corpo material X A imortalidade do espirito sob a otica espírita.Razoes e conseqüências de nossa passagem por este planeta.
quinta-feira, setembro 17, 2015
sexta-feira, agosto 21, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIII Ítens 1 a 8
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| Poema da primavera |
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XIII Itens 1 a 8
Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita.
FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO
Ao fazer o bem a outrem, uma atitude
deve ser observada: evitar plateia. Que seja um ato discreto, um simples atendimento
ao necessitado, ou o Pai não o recompensará. Isso significa que o ato de dar
esmola não deve ser público, que de nada adiantará esse ato de ostentação, a
não ser a aquisição da fama de piedoso por parte dos homens.
Jesus nos deu esse exemplo ao
curar um leproso com um leve toque quando, ao descer a montanha, foi seguido
por uma multidão. Jesus teve o cuidado de recomendar ao beneficiado que
evitasse falar o fato a alguém, mas que fosse mostrar-se aos sacerdotes e
oferecesse o dom prescrito por Moisés para que isso lhes servisse de
testemunho.
Fazer a caridade sem alardes é
uma grande coisa, esconder a mão que oferta é ato mais meritório ainda – é
sinal de superioridade moral, porque para ver as coisas de mais alto que o
vulgo é preciso abstrair-se da vida presente e identificar-se com a vida futura,
ou seja, colocar-se acima da humanidade para renunciar à satisfação de receber
o testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Os que estimam a
aprovação dos homens mais que a de Deus provam que têm mais fé nos homens do
que em Deus e que a vida presente é mais para ele do que a vida futura, ou
mesmo, que ela não existe.
Jesus costumava repetir em suas
pregações que aqueles que fazem o bem com ostentação já receberam a sua
recompensa, já pagaram a si mesmos com a glorificação recebida. Deus não lhes
deve mais nada, a não ser a punição de seu orgulho.
A beneficência modesta é muito
bem caracterizada pela figura aqui usada: Que
a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita. Não esqueçamos, porém, que
há a modéstia real e a modéstia simulada. Pessoas há que escondem a mão que dá,
tendo o cuidado de deixar à mostra um pedacinho dela. Paródia grosseira das
palavras de Cristo! Que será desses
benfeitores mal-intencionados perto de Deus? Eles receberam também sua
recompensa na Terra: foram vistos e estão satisfeitos.
E que recompensa cabe àquele que
faz pesar seus benefícios sobre o beneficiado, exigindo-lhe testemunhos de
reconhecimento? Para este, não há nem a recompensa terrestre porque não ouvirá
nem abençoarem seu nome. Esse tipo de dádiva em proveito próprio é benefício
censurado, portanto, é moeda furada, sem nenhum valor.
Assim sendo, a beneficência sem
ostentação tem mérito dobrado: além da caridade material, ela é a caridade
moral que poupa a susceptibilidade do beneficiado, levado que é a aceitar o
benefício sem arranhar seu amor próprio.
OS INFORTÚNIOS OCULTOS
Num ambiente de calamidade pública, há sempre uma
manifestação maciça do sentido da caridade, uma ânsia de reparar os desastres
ocorridos. É uma mobilização que
impressiona. Mas, ao lado desses desastres gerais, há inúmeros desastres
particulares de pessoas que sofrem horrores sem a menor chance de esperar
socorro. A esses sofrimentos ocultos, a generosidade genuína sabe chegar mesmo
sem pedidos de assistência.
Felizmente, há muita gente consciente que pratica esse tipo
de caridade. O ideal é que, paralelamente, houvesse sempre um trabalho de
conscientização de grupos que se dispusessem a encarar essas experiências de
socorro e viessem a diminuir o extraordinário número desses infortúnios ocultos.
O ÓBOLO DA VIÚVA
Imaginemos Jesus sentado diante do cofre das ofertas onde
eram depositados valores que iriam socorrer os que não tinham condições de vida
digna. Apreciava o modo como o povo atirava o dinheiro na arca do tesouro. E
notou que muitas famílias ricas haviam feito altas doações. De repente, uma
mulher viúva, visivelmente de fracos recursos, se aproxima e coloca na arca do
tesouro duas pequenas moedas. A esta altura, Jesus convoca seus discípulos e
lhes diz que aquela viúva de poucas posses teria dado mais do que todos porque,
enquanto os ricos haviam doado de sua abundância, ela tirara de sua indigência
tudo o que lhe restava para sustentar-se - uma lição de pura dignidade e
desprendimento.
Muitas pessoas lamentam não poderem fazer tanto bem quanto
desejariam por falta de recursos suficientes e, se desejam obter fortuna é para
dela fazerem bom uso - intenção criteriosa e louvável. Mas não é exatamente o
que acontece nos corredores da vida. Há aqueles que, mesmo desejando fazer o
bem aos mais necessitados, como gostariam de começar por si mesmos, de se
concederem um pouco do supérfluo que nunca tiveram, com a condição de dar aos
pobres o que lhes sobrasse! Mas um valor se levanta: a verdadeira caridade
pensa nos outros antes de pensar em si. No caso, a posição ideal seria
procurar, pelo emprego de suas próprias forças, de sua capacidade, de seus
talentos, os recursos que faltam para realizar suas pretensões generosas. Isto
agradaria ao Senhor. Infelizmente, a maioria sonha com meios fáceis de
enriquecer rápido e sem trabalho, correndo atrás de expedientes quiméricos.
Para não falar naqueles que esperam encontrar entre os Espíritos os auxiliares
para essas torpes pesquisas. Com certeza, eles não têm ideia da finalidade
sagrada do Espiritismo e, ainda menos, da missão dos Espíritos os quais Deus
permite se comunicarem com os homens.
Os que têm a intenção pura devem se consolar de sua
impossibilidade em fazer tanto bem quanto intencionariam, pelo pensamento de
que o óbolo do pobre que dá se privando é mais valioso do que o do rico que dá
sem se privar de nada. A satisfação em socorrer a indigência pode ser imensa,
mas se ela é negada, é preciso se submeter e se limitar a fazer o que se pode.
Tire de suas horas de folga algumas para abrandar um sofrimento físico ou moral.
O efeito é o do óbolo do pobre, a moeda da viúva.
CONVIDAR OS POBRES E
OS ESTROPIADOS
Jesus disse: Quando
fizerdes um festim, não convideis os vossos amigos, mas os pobres e os
estropiados. Tomando ao pé da letra, estas palavras parecem absurdas, mas
são elevadas se nelas se procura o espírito. Jesus falava figurativamente, dirigindo-se a pessoas sem capacidade de compreender os finos matizes do
pensamento. Ele usava imagens fortes que correspondiam a cores berrantes. O
pensamento real se traduz nesses termos: ‘ Sereis felizes porque não haverá
possibilidade de retribuição, ou seja, não se deve fazer o bem pensando no que
lhe pode ser devolvido, mas por prazer de fazê-lo. Entender por festim não o
repasto em si, mas a participação na abundância do benfeitor.
Podem essas palavras ter ainda um sentido mais
literal. Há pessoas que só convidam para
sua mesa os amigos que podem retribuir-lhes o convite. Outras encontram
satisfação em chamar parentes ou amigos de vida mais contida, prestando-lhes
serviço discretamente. Estes, sem arrebanhar cegos e estropiados, põem em
prática a máxima de Jesus desde que o façam por benevolência, sem alarde,
dissimulando habilmente o benefício com uma cordialidade sincera, verdadeira.
Chegamos ao fim do capítulo de hoje. Espero que tenham apreciado a matéria. De minha parte, acho que ela nos esclarece quanto à finalidade da ajuda ao próximo e nos leva a uma reflexão sobre a intenção válida de executar tal exercício. Vamos refletir?
Agora, o recreio, deixem-me providenciar. Seria ótimo que apresentassem sugestões para abranger maior variedade de gostos. Acham uma boa ideia? Vamos tentar. Por hoje, fico numa música bonita que, de música boa ninguém se farta, pois não?
Até o próximo encontro em setembro.
sábado, julho 18, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XII Itens 1 a 8
segunda-feira, junho 22, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XI Ítens 1 a 9
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| Wesley Duke Lee ABSTRATO Óleo sobre tela RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo XI Itens 1 a 9 |
O capítulo de hoje trata de um
mandamento de extrema relevância - Amar
o próximo como a si mesmo, que significa fazer aos outros o que quereríamos
que os outros nos fizessem. É um mandamento que vem complementar o primeiro e o
maior dos mandamentos - Amar a Deus
sobre todas as coisas.
Tendo tido conhecimento de que
Jesus houvera calado a boca dos Saduceus, os Fariseus reuniram-se com o propósito
de encontrar um meio de embaraçar Jesus em sua prédica pública e deixá-lo
desacreditado diante de seus seguidores.
Um deles, doutor da lei, emitiu simuladamente a seguinte pergunta: Mestre,
qual o maior mandamento da lei? E Jesus respondeu: “Amareis o Senhor vosso Deus de todo vosso coração, de toda vossa alma,
de todo o vosso espírito”. É o maior e o primeiro mandamento.
O segundo mandamento é semelhante
ao primeiro: “Amareis vosso próximo como a vós mesmos”. E isto significa: tratar todos os homens da
mesma forma que quereríamos que eles nos tratassem. Toda a lei e os profetas
estão contidos nesses dois mandamentos.
O reino dos céus é comparado a um
rei que resolveu conhecer a conta dos seus servidores para consigo e, tendo
começado a agir, recebeu um deles que lhe devia dez mil talentos. Como, porém,
o súdito não possuía os meios de pagar sua dívida, recebeu a pena de vender ao
seu senhor a sua mulher, seus filhos e tudo mais que possuísse para resolver a
questão. Desesperado, o homem, ajoelhando-se, suplicou: -Senhor, tende
paciência e logo restituirei tudo que vos devo hoje. Tocado de compaixão, o
senhor deixou-o ir embora, perdoando-lhe a dívida. O tal servidor afastou-se
apressado logo alcançando a rua, onde encontrou um de seus companheiros que lhe
devia cem dinheiros. Não titubeou em exigir a quantia em suas mãos
imediatamente. Não ouviu as súplicas do outro e providenciou sua prisão. Diante
de tal intolerância, os demais companheiros correram a contar ao rei o que
acabavam de presenciar. Fazendo-o voltar, o soberano interpelou-o duramente, condenando-o
por sua atitude com o companheiro que
lhe implorava apenas um pouco mais de tempo. E, sem vacilar, entregou-o às mãos
dos carrascos.
É desse modo que o Pai, que tudo
vê, nos irá tratar, se cada um de nós não aprender a perdoar verdadeiramente a
seu irmão as faltas cometidas.
Esse mandamento “Amar ao próximo
como a si mesmo” que significa “fazer aos outros o que quereríamos que os
outros fizessem por nós” é a mais alta expressão da caridade por condensar
todos os nossos deveres para com o próximo. Hoje e sempre, nosso melhor guia
será tomar esta medida: fazer ao outro aquilo que se deseja para si mesmo. A
prática desse princípio destruirá o egoísmo e nos conduzirá à verdadeira
fraternidade, à paz e à justiça.
Dar a César o que é de César
Diante da resposta de Jesus, os
fariseus se retiraram, mas decidiram tornar a armar uma situação em que surpreendessem
o Mestre em suas palavras. Para lá seguiram seus discípulos com os Herodianos e
lançaram a pergunta insidiosa: - Senhor, sabendo que sois verdadeiro e que
ensinais o caminho de Deus pela verdade, sem distinções, orientai-nos num
ponto: É-nos permitido pagar o tributo a César ou não? Percebendo a armadilha
em que queriam envolvê-lo, Jesus solicita que lhe mostrem a peça de dinheiro
com que se paga um tributo. Apresentada a moeda, Jesus indaga de quem é a
imagem e a inscrição gravadas na peça. Ao que eles respondem: De César. Então,
a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Surpreendidos com tal
resposta, retiraram-se do local. E como os Judeus repeliam esse tributo imposto
pelos romanos, logo a situação transformou-se em questão religiosa. Na verdade,
o recurso dessa armadilha visava a um resultado drástico que seria excitar
contra Jesus a autoridade romana ou os judeus dissidentes. Tendo percebido a
tentativa de provocação, o Mestre deu-lhes uma lição de justiça, mandando-os
restituírem a cada um o que lhe era devido.
Enfim, a máxima ‘Dar a César o
que é de César’ não deve ser entendida de modo absoluto - é um princípio geral,
simplificado numa forma usual e deduzido de uma circunstância particular, ou
seja, essa máxima é uma consequência daquela que manda agir com os outros como
quereríamos que os outros agissem conosco, condenando todo prejuízo material e
moral causado a outrem. E prega o respeito dos direitos de cada um como cada um
deseja que se respeite os seus, estendendo-se ao cumprimento dos deveres
contraídos com a família, a sociedade, a autoridade, com os indivíduos.
Nota I – Este capítulo vem
enriquecido de instruções de Espíritos esclarecidos e é aconselhável que vocês
tomem conhecimento desses testemunhos A instrução é a mesma dada no capítulo
anterior. Depois da exposição do
capítulo XI, procurar em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO o tópico INSTRUÇÕES
DOS ESPÍRITOS. Encontrarão textos excelentes falando da Lei do Amor, de Egoísmo,
de Fé e Caridade. Muito especial é o depoimento sobre CARIDADE PARA COM OS
CRIMINOSOS.
Uma contribuição caseira vem abrir esta parte recreativa, enquanto escolho um vídeo para vocês:
Este mundo insano
Soltas voláteis tantas as ideias
Difícil aprisioná-las contê-las
Fugidias não se deixam prender
Não se deixam enredar
As palavras gastas vazias
Jazem sem fôlego sem autenticidade
À espera de uma centelha nova
Que lhes instile força e energia.
Concede-nos então, Senhor,
Ainda que fortuitamente
O dom da 'poiesis' o espírito, a verve
A força a inspiração do poeta.
E faze-nos tornar tais ideias
Em palavras-verdade que liberadas
Se espalhem se expandam, abençoem
curem este mundo atordoado, doente.
Rio/2007
Ouçamos agora Laura Ullrich interpretando Ave Maria de Gounod
E até o próximo post.
quarta-feira, maio 27, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo X Itens 14 a 21
Eu deveria hoje comentar os itens acima que ilustram a matéria explicada no post anterior, focalizando os temas PERDÃO DAS OFENSAS e INDULGÊNCIA. No entanto, o que encontrei foram textos de leitura fácil, em tom explicativo, perfeitamente compreensíveis, da pena de instrutores espirituais, a saber, Simeão (Bordéus/1862) e Paulo, apóstolo (Lião/1661) sobre o tema Perdão das Ofensas. E José (Bordéus/1863) e João (Bordéus/1862), Dufêtre (Bordéus) e S.Luís (Paris/1860) sobre o tema Indulgência. Vocês podem procurar esses textos nas três últimas folhas do capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, sob o título Instruções dos Espíritos.
No entanto,
dada a facilidade que vocês encontrarão na matéria acima apontada, trago-lhes um
artigo muito interessante de nossa companheira de fé, Leda Flaborea, colunista
da Revista O CONSOLADOR. Muitas vezes, trouxe-a a este blog antes de começar a
série de capítulos de Recapitulação do Evangelho, vocês devem estar lembrados.
Vamos, assim, reverenciar nossa cronista que nos traz o sugestivo título No auxílio a todos.
Rosas pra você, Leda, merecidas rosas.
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quarta-feira, abril 01, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS Capítulo X Itens 1 a 13
BEM-AVENTURADOS AQUELES QUE SÃO MISERICORDIOSOS
Perdoai para que Deus vos perdoe
Vamos ler com atenção estas três máximas que introduzem o tema:
Bem-aventurados aqueles que são
misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia.
Se perdoardes aos homens as faltas que eles
fazem contra vós, vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas
se não perdoardes aos homens quando eles o ofendem, vosso Pai, também, não vos
perdoará os pecados.
Se vosso irmão pecou contra vós, ide lhe
exibir sua falta em particular, entre vós e ele; se ele vos escuta, tereis
ganho o vosso irmão. Então Pedro se aproximando, lhe disse: Senhor, quantas vezes
perdoarei ao meu irmão, quando ele houver pecado contra mim? Será até sete
vezes? Jesus lhe respondeu: Eu não vos digo até sete vezes, mas até setenta
vezes sete vezes.
A misericórdia
consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. É como uma extensão da doçura
– aquele que não exercita a misericórdia não consegue ser brando, ser pacífico.
O ódio e o rancor são próprios dessas almas sem grandeza. Já o esquecimento das
ofensas denota uma alma elevada, sempre acima de qualquer provocação ou
insulto. As primeiras são sempre ansiosas, irritadiças, desconfiadas. As outras
são calmas, amigas da caridade.
Engana-se
aquele que diz que nunca perdoará ofensas porque, se não for condenado pelos
homens, certamente o será por Deus. Na realidade, como pode pretender o perdão
de seus erros se ele mesmo não é capaz de perdoar os dos outros? Os
ensinamentos de Jesus deixam claro que a misericórdia deve ser ampla, o que
está contido em sua sentença: perdoa ao seu irmão não sete vezes, mas setenta
vezes sete vezes.
Duas são, no entanto, as maneiras de perdoar:
uma elegante, nobre, bem-intencionada que protege o amor próprio do oponente
com generosidade. A outra é mal intencionada, aquela na qual o ofendido impõe
ao ofensor condições tão humilhantes que tornam o perdão irritante, sem
validade moral. A ostentação com que age anula o valor do perdão, não levando a
reconciliação nenhuma. Em qualquer tipo de contenda, a parte que se mostre mais
desinteressada, mais conciliadora, com grandeza de alma conquistará sempre a
simpatia das pessoas justas e imparciais.
RECONCILIAR-SE
COM OS ADVERSÁRIOS
Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso
adversário enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário
não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao Ministro da Justiça,
e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade que não saireis de lá,
enquanto não houverdes pago até o último ceitil.
É a exata hora
de falarmos na prática do perdão e na do bem em geral. Em seu exercício, além
do efeito moral, há também um efeito material. Como sabemos, a morte não nos
livra de nossos inimigos: os Espíritos vingativos podem seguir, além do túmulo,
aqueles por quem guardam rancor e os atormentam de várias formas. Encarnados e
menos livres, eles são vítimas fáceis, o que, às vezes, leva a casos de obsessão,
quando não direciona a casos de subjugação ou de possessão, bem mais graves. O
obsidiado e o possesso são, assim, vítimas de uma vingança anterior à qual
deram lugar por sua conduta. A justiça divina permite isso para puni-los do mal
que fizeram ou para castigá-los por não terem tentado praticar o perdão durante
todo o seu curso de encarnações. Daí, para sua tranquilidade futura, o que
importa é reparar mais depressa os erros cometidos contra o próximo, perdoar
seus inimigos para acabar, antes de morrer, com todo mal-estar existente, com
toda motivação para o mal baseada em animosidade ulterior. Dessa forma, de um
inimigo cheio de animosidade neste mundo pode-se fazer um aliado no outro.
Sendo ele bem intencionado e sincero, sua atitude será válida. Ao recomendar
que nos reconciliemos o mais depressa possível com nossos adversários, Jesus
não tem como intuito o apaziguamento das discórdias na existência atual, mas tem
como escopo impedir que elas se tornem crônicas nas vidas que hão de vir. E
sentencia: Não saireis de lá, enquanto
não houverdes pago até o último ceitil, o que significa até que tenha satisfeito inteiramente a
justiça divina.
O SACRIFÍCIO
MAIS AGRADÁVEL A DEUS
Se, pois, quando apresentardes vossa
oferenda ao altar, vós vos lembrardes de que o vosso irmão tem alguma coisa
contra vós, deixai vossa dádiva ao pé do altar e ide antes reconciliar-vos com
o vosso irmão, e depois voltai para oferecer vossa dádiva.
Ao dizer “Ide
vos reconciliar com o vosso irmão antes de apresentar vossa oferenda ao altar”,
Jesus pretende ensinar que o sacrifício mais caro ao Senhor é o do próprio
ressentimento ou seja, antes de se apresentar a ele para ser perdoado, é
preciso ter perdoado e que se cometeu injustiça contra um de seus irmãos, é
preciso tê-la reparado. Só então a oferenda será agradável porque virá de um
coração puro de todo mal. A alma que ele oferece a Deus deve estar purificada. Entrando no templo do Senhor, deve deixar
do lado de fora todo sentimento de ódio e de animosidade, todo mal contra seu
irmão. Só então sua prece será encaminhada ao Senhor.
O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO
Por que vedes um argueiro no olho de vosso
irmão, vós que não vedes uma trave no vosso olho? Ou como dizeis ao vosso
irmão: Deixai-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no
vosso? Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis
como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.
Ver o mal de outrem
antes de ver o que está em nós próprios é um dos defeitos mais imprudentes no
homem e é, sem dúvida nenhuma, o orgulho que leva o homem a esconder de si
mesmo e dos outros tal defeito tão contrário à caridade, que é simples e
indulgente. Sendo o orgulho o pai de
muitos vícios, é, consequentemente, a negação de muitas virtudes e está
presente na maioria das ações humanas. Daí Jesus dedicar-se a lutar contra esse
mal como o principal obstáculo ao progresso.
NÃO JULGEIS A
FIM DE QUE NÃO SEJAIS JULGADOS. AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO LHE ATIRE A
PRIMEIRA PEDRA
Não julgueis a fim de que não sejais
julgados; porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros; e se
servirá para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles.
Então os Escribas
e os Fariseus levaram à presença de Jesus uma mulher apanhada em adultério, colocaram-na de pé, no meio do povo. Voltaram-se, então, para Jesus interrogando: Mestre,
esta mulher acaba de ser flagrada em adultério. Pela lei de Moisés, ela deve
ser lapidada por ser adúltera. Como o Mestre se sente em relação a este
procedimento? Claro que se tratava de um complô para tentá-lo e haver razão de
comprometê-lo. Mansamente Jesus abaixou-se e começou a escrever com o dedo
sobre a terra. Como continuassem a interrogá-lo, Jesus, erguendo-se, lhes
disse: Dentre vós, aquele que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra. E
abaixando-se de novo, continuou a escrever sobre a terra. Ouvindo-o falar dessa
maneira, foram-se retirando um após o outro.
Desse modo, permaneceram no local apenas Jesus e a mulher. Então, Jesus
dirigiu-se a ela perguntando-lhe onde estavam seus acusadores e se ninguém a
havia condenado. Diante de sua resposta negativa, ele respondeu: Também não vos
condenarei. Ide e, daqui por diante, não pequeis mais.
A censura lançada sobre a conduta de outrem
pode ter dois motivos: reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos atos estão
sendo criticados. Claro que a segunda razão é da maledicência e da maldade e,
portanto, refugada. O primeiro pode ser louvável e torna-se mesmo um dever em
certos casos, uma vez que disso pode resultar um bem.
Jesus não podia proibir de
recriminar o mal se ele mesmo disso nos deu exemplo, agindo energicamente,
tentando dizer que a autoridade da censura está em razão da autoridade moral
daquele que a emite. De resto, a
consciência íntima recusa todo respeito e toda submissão voluntária àquele que,
estando investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios que está
encarregado de aplicar. Aos olhos de Deus, não há autoridade legítima, a não
ser aquela que se baseia no exemplo que dá em relação ao bem.
Explicado o tema, vamos a um pouco de música que sempre é bem-vinda e estimulante.
Explicado o tema, vamos a um pouco de música que sempre é bem-vinda e estimulante.
terça-feira, março 03, 2015
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS
RECAPITULANDO O EVANGELHO DE JESUS
Capítulo IX Itens de
1 a 10
Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos
Vamos falar hoje de Injúrias e Violências, ao lado dos
instrutores espirituais que nos falarão de doçura, paciência, obediência,
resignação e cólera.
Três máximas serão consideradas:
1) Bem aventurados aqueles que
são brandos porque eles possuirão a Terra.
2) Bem-aventurados os pacíficos
porque eles serão chamados filhos de Deus.
3) Não matarás: todo aquele que
matar, encolerizar-se contra alguém, agredir um semelhante merecerá ser condenado.
Por meio dessas máximas, Jesus
faz da doçura, da afabilidade e da paciência uma lei, ou seja, condena a
violência, a cólera, toda manifestação agressiva dirigida ao outro. É
certo que a intenção aumenta ou diminui a falta, mas é que toda palavra
ofensiva remete a um sentimento contrário à lei do amor e da caridade, que deve
regular as relações entre os homens, garantindo-lhes a concórdia e a união. A
lei do amor, depois da humildade para com Deus e a caridade para com o próximo,
é a primeira lei da cristandade.
Mas há essa máxima de Jesus: “Bem-aventurados
aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra”. E o seu ensinamento de
que devemos renunciar aos bens do mundo pelos do céu. A dedução é
simples. Enquanto espera os bens do céu,
o homem precisa dos bens da Terra para viver, apenas não deve dar a eles maior
importância de que aos primeiros.
Com esse discurso, ele está
querendo chamar nossa atenção para o fato de os bens da Terra estarem nas mãos
dos violentos em detrimento daqueles que são mansos e pacíficos, que
frequentemente lutam contra a falta do necessário enquanto os intransigentes gozam com o supérfluo. E promete justiça na Terra como no céu aos chamados filhos de
Deus. Quando a Humanidade tiver como lei a lei de amor e caridade, o egoísmo
desaparecerá, e o fraco e o pacífico não serão mais dominados e explorados
pelos fortes ou violentos. Esta será a
condição da Terra quando, segundo a lei do progresso e a promessa de Jesus, ela
transformar-se, pela ausência dos maus, em um mundo feliz.
Agora, vamos ao encontro do que
dizem as instruções dos espíritos sobre as qualidades já citadas e sobre a
cólera.
O espírito de Lázaro (Paris, 1861) nos fala da benevolência para com os
semelhantes, gerada pelo amor ao próximo, responsável pela afabilidade e pela
doçura. Mas nos chama a atenção para certo tipo de criatura, de sorriso franco
e coração envenenado, mestre em ferir à menor contrariedade. É preciso
habilidade para enfrentá-lo e tentar, com o tempo, enviá-lo ao bom caminho,
exercitando o amor fraternal e a perseverança.
Da paciência, fala-nos um Espirito
Amigo (Havre, 1862): Deus envia a seus eleitos a oportunidade de lidar com a
dor, mais como uma bênção. Nesses transes, quando o sofrimento apertar, que
tenhamos sabedoria e paciência para reconhecer que fomos marcados pela dor na
Terra para nossa glória no céu. O exercício da paciência é uma forma de
caridade. Uma das mais penosas e, portanto, mais meritórias é perdoar àqueles
que Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos dos nossos
sofrimentos. Nosso amigo reconhece que a vida não é coisa fácil. Ela se compõe
de nadas que terminam magoando, mas que pensemos nas consolações e compensações
que teremos, o que nos faz concluir que as bênçãos são mais numerosas que as
dores.
Da obediência e
da resignação, vamos voltar à palavra de Lázaro. Ele nos diz que elas são irmãs da doçura, são
ágeis embora os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e
da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o
consentimento do coração, duas forças ativas por carregarem o peso das provas que
o sentimento insensato de revolta vai liberando. Jesus foi a encarnação destas
virtudes desprezadas pela antiguidade material. Ele chegou no momento em que
Roma desaparecia mergulhada na corrupção, veio fazer luzir, no seio da
Humanidade desolada, a glória do sacrifício e da renúncia carnal. (Lázaro,
Paris, 1863);
Finalmente,
temos instruções de dois Espíritos Protetores falando de Cólera. Vejamos o que nos diz o Irmão de Bordéus,
1863. Não raro, surgem pessoas que se consideram tão acima dos outros mortais que
não suportam a mais leve comparação, o mais inocente comentário, a ponto de se
mostrarem coléricas e absurdas. E, praticamente, se se proceder a uma
investigação, o resultado é sempre o mesmo – orgulho ferido. Seria bom que
essas pessoas percebessem que, continuando assim pela vida afora, magoarão seus
familiares, abalarão a integridade física e o bem-estar de todos e manterão sua
família em angústia permanente, nada bom para um espírita, que tem que estar
voltado para a caridade e para a humildade.
Vejamos agora,
o que nos tem a dizer o Espírito de HAHNEMANN, Paris, 1863, sobre o colérico. Há
um certo tipo de pessoa que, com tendência a encolerizar-se por qualquer
motivo, acha-se dispensada de esforçar-se por um comportamento menos
intolerante, alimentando situações incômodas para todos com quem priva. E segue
em frente, gerando mal-estar, antipatias ou mesmo medo aos mais atingidos. Por
cúmulo, acha que não pode ser responsabilizado por ter nascido assim,
atribuindo a culpa de seus distúrbios a nosso Pai. Ora, o corpo não dá cólera
àquele que não a tem, como não dá os demais vícios. As virtudes e os vícios são
inerentes ao Espírito. Se assim não fosse, que seria do mérito e da
responsabilidade? O aleijado não pode corrigir seu corpo deformado já que o
Espírito não tem nada com isso, mas pode endireitar o que é do Espírito quando
se dispõe a lutar por seus objetivos. O homem não permanece vicioso senão porque
quer permanecer vicioso. De outro modo, estaríamos negando a lei do progresso,
uma das bases do Espiritismo.
Chegamos à hora de relaxarmos um pouco com a mansa voz de Enya que sempre nos encanta . A música intitula se Only Time. Tenham um bom e suave recreio. Até mais.
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