segunda-feira, maio 18, 2009

RICOS E POBRES

Cristo / Emeric Marcier / Óleo sobre tela


Interessante o texto de Leda Flaborea, publicado pelo jornal espírita O Consolador na primeira semana deste mês de maio. Em sua fala, ela disseca e elucida uma passagem do Evangelho usando uma linguagem espontânea e esclarecedora. Trago-o para vocês certa de que será de grande ajuda na compreensão das palavras de Cristo .
RICOS E POBRES
Leda Flaborea

É errôneo imaginar ou afirmar que o Reino dos Céus não receberá os ricos. É pretender colocar riqueza e felicidade em situação de antagonismo.
Quem assim pensa e diz cita o próprio Mestre para justificar essa atitude, fazendo crer que só os pobres em bens materiais terão direito a felicidade plena. Baseiam-se no ensinamento evangélico de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.
Maior engano é impossível se observarmos que:

1. existem ricos de dinheiro e tão ricos de usura que se fazem mais pobres que os mendigos famintos da rua.

2. existem ricos de tempo e tão ricos de preguiça que se fazem mais pobres que os escravizados às tarefas de sacrifício.

3. existem ricos de afeto e tão ricos em ciúme, que se fazem mais pobres que os companheiros abandonados à solidão.

Jesus nunca condenou a riqueza, a posse de bens materiais, sobretudo porque é ela que promove o progresso sobre o planeta.
Fica claro que é dada, somente, uma interpretação do que está escrito como tal e não da essência das palavras benditas. Referia-se o Mestre aos sentimentos do orgulho, do egoísmo, da sensualidade e de tantos outros que nos tornam ricos em imperfeições e vícios dos mais diferentes quilates.
Os pobres, aos quais se refere, são os pobres em orgulho, em egoísmo, ou seja, em tudo aquilo que excita os sentimentos desenfreados do ser humano.
Expressões como “eu tenho”, “isto é meu” povoam nossas palavras e de tal maneira que não conseguimos pensar diferente. Acreditamos, realmente, que tudo o que está ao nosso redor, pessoas ou bens, são de nossa propriedade.
Vamos refletir um pouco sobre isso: se isto ou aquilo me pertence, significa que posso levar pa onde for. No meu pensamento, tudo que amealhamos nos pertence.
Será que temos razão em pensar assim? Vejamos: Ao nascer, nada trazemos de material e encontramos algumas coisas. Ao partir deste mundo, deixamos outras.
Durante o tempo em que aqui permanecemos, usufruímos desses bens. Então, se nada trazemos e nada levamos, podemos dizer que, verdadeiramente, nada temos, pois não podemos carregar conosco ao deixarmos o corpo físico.
Vamos nos imaginar precisando viajar para outro país com um clima diferente do nosso. Na bagagem levaremos, sem dúvida, aquilo que for útil nesse lugar. Assim, também, quando ingressamos no mundo espiritual só podemos levar o que nos for útil lá.
Então, pensando na vida futura, na vida do Espírito, podemos nos perguntar: O que devo levar? A resposta virá imediatamente: “nada que seja material, nada que se destine ao uso do corpo, mas, sim, o que se refere à alma”.
E o que se refere à alma? Podemos dizer que é a inteligência, a aquisição de conhecimento – que ajudam o homem a promover mais riqueza e mais progresso para si e para os que o cercam o desenvolvimento das qualidades morais. Tudo isso representa a nossa verdadeira propriedade, pois mesmo durante a experiência planetária, podemos perder os bens materiais que amealhamos.
Quantos de nós conhecem casos em que famílias tiveram seus bens escorregando-lhes pelos dedos, julgando que os possuíam e vangloriando-se disso.
Esses desastres financeiros só vêm reforçar uma verdade: nada possuímos de nosso, pois os bens que julgamos ter são-nos dados para serem gerenciados por nós.
Sempre que essa verdade é colocada, alguém pergunta: E o homem que trabalhou dura e honestamente para conquistar seus bens, eles não lhes pertence? Certamente que sim.
Deus quis recompensá-lo, ainda durante a existência, pelo esforço, coragem e perseverança. Mas, se ele não a empregou bem, pensando apenas em si, satisfazendo seu orgulho e seu egoísmo, o que ganhou de um lado, perdeu de outro, anulando, assim, seu mérito.
Quando chegarmos ao Mundo dos Espíritos, ninguém quererá saber qual posição ocupávamos, que nome ilustre usávamos, quais eram nossas posses. Perguntar-nos-ão o que trazemos em virtudes, em trabalho no bem e em qualidades do coração.
Porque essas são as verdadeiras riquezas. Aquelas às quais Jesus nos conclama a possuir; aquelas que a ferrugem não corrói e ninguém nos rouba. A verdadeira propriedade.
Lembremo-nos que todos somos ricos em alguma coisa, e que usando esses talentos que a vida nos confiou na tarefa de fazermos mais felizes aqueles que nos rodeiam, chegará o momento – nas palavras de Emmanuel – em que nos surpreenderemos mais ricos que todos os ricos da Terra, porque teremos entesourado no próprio coração, a eterna felicidade que verte do amor de Deus.


Referências:

(1) Emmanuel (Espírito) – O Espírito da Verdade – [psicografado por] F.C.Xavier e Waldo Vieira – FEB Editora – Rio de Janeiro-RJ, 10. ed., Lição 39, 1997.
(2) Kardec, Allan – O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. XVI, itens 9 e 10.
*********
É mais uma contribuição de nossa amiga Leda que, com sua habilidade e dedicação nos ensina a entender a linguagem usada por Jesus no tempo de sua peregrinação aqui,na Terra.
Aqui trocamos despedidas por hoje até um novo encontro. O mais breve possível.

domingo, abril 26, 2009

COMO UMA PRECE

PARIS Óleo sobre tela Antônio Ribeiro


COMO UMA PRECE

Com muito fervor no coração, peçamos a Deus que nos faça capazes de atingir uma transformação íntima, uma renovação interna, sem o que jamais chegaremos a evoluir espiritualmente.
Dos desafios que recebemos na vida, há um de grande significado – o da auto - aceitação. Como afirma o iluminado espírito de Hammed, “...não somos o que os outros pensam e, muitas vezes, nem mesmo o que pensamos ser; mas somos, verdadeiramente, o que sentimos. Aliás, os sentimentos revelam nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e nossa potencialidade no futuro.”
Quando nos aceitamos como somos, desaparece qualquer sentimento de dependência e conseguimos nos relacionar com os outros, respeitando o modo de ser de cada um e salvaguardando o nosso.
Livres desses vínculos, conscientes de nossas responsabilidades, constatamos que há inúmeras formas de ajudarmos os que se encontram em sofrimento e agonia, inúmeros meios de irmos ao encontro das necessidades materiais e emocionais dos desvalidos, apostando em suas reservas internas, tentando passar aos que têm condições de produzir algo de útil, os meios para se reerguerem e passarem a se suprir do básico que a vida exige.
Não é uma tarefa fácil, é um trabalho que exige paciência, dedicação e muita capacidade de luta, mas é uma maneira eficaz de valorizar o potencial de muitas dessas criaturas que se veem tomadas pelo desespero e pela desesperança.
Há muitas organizações espíritas que pautam sua atuação de ajuda aos necessitados por essa linha de conduta e conseguem resultados positivos. Com persistente dedicação, acodem, dão assistência material e espiritual e livram do desatino muitas famílias à beira do desespero.
Os que se aprimoram nesse exercício assistencial merecem a atenção de todos nós em forma de orações constantes.
Voltemos, então, ao tom de prece do início dessas ponderações, rogando ao Pai que lhes dê força e estímulo para perseverarem na luta contra a desvalia e a desesperança, em prol da vida valorizada pela fé, pelo trabalho honrado e pelo amor ao próximo


Para complementar, reflexões pertinentes. Emmanuel nos alerta:

“Não estamos no mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado”.

“O Senhor nunca nos solicitou o impossível e nunca exigiu da criatura falível espetáculos de grandeza compulsória.”

“Não nos é facultado corrigir todos os erros e extinguir todas as aflições que campeiam nas trilhas da existência, mas todos podemos atravessar o cotidiano, melhorando a vida e dignificando-a, em nós e em torno de nós”.

sexta-feira, abril 03, 2009

PÁSCOA

João Batista da Costa Orquídeas

Gente, cheguei. Fiz um passeio excelente, refresquei a memória , matei as saudades da família, de minha terra, de meu povo. Lavei a alma e voltei pra vocês.
E fui procurar para meus companheiros um tema que tivesse a ver com a semana que se aproxima - a Semana Santa - como é conhecida de todos.

E encontrei, de Lilian Saturnino da Silva, um texto muito oportuno que minha amiga Bia Garuti , do Lar de Tereza, me enviou na páscoa de 2006.





PÁSCOA – COMEMORAR OU NÃO?

Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita. Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada. O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento. A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos. Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno. Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus. No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios. A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem. Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos. A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante. Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Verdadeira evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida. Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena. Fonte: Diretor de Política e Metodologias de Comunicação, da Abrade (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo) e Delegado da CEPA (Confederação Espírita Pan-Americana) para a Grande Florianópolis-SC.
Autor: O OBSERVADOR Fonte: O OBSERVADOR

Dado o texto longo, eu me eximo de comentá-lo agora. Elucidativo, encerra uma pesquisa bem administrada pela autora, que bem representa o órgão de que é porta-voz.

Bênçãos pra todos e
Feliz Páscoa

sexta-feira, janeiro 23, 2009

EM TORNO DA PALAVRA FALADA

Vaso de flores / Anita Malfatti

As coisas boas a gente gosta de reservar para o amigos. Está aí o oportuno artigo da nossa iluminada Leda Flaborea de quem tantas vezes me tenho valido para conferir a este blog um status confiável. A surpresa de hoje é o tema Em torno da palavra falada, que ela trata de modo inteligente e esclarecedor,
tendo a seu serviço uma bibliografia respeitável.
Vamos lá.

EM TORNO DA PALAVRA FALADA

Leda Maria Flaborea

“Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. Vede, pois, como ouvis”. – Jesus ¹(Lc,8:17-18.)

Em todos os lugares surgem pessoas que abusam da palavra, porque, ainda, temos dificuldade em controlar nossa língua. A palavra tem força e uma vez tendo sido dita, não será possível apagá-la.
Entretanto, o falar não pode ser dissociado do ouvir. São duas faculdades que se completam, porque são interdependentes entre si. Se é importante o cuidado com o quê e como dizemos as coisas, também o é com o quê e como ouvimos aquilo que nos é dito. A palavra é forte fio condutor, tem força, e uma vez dita não poderemos mais conter-lhe o caminho, porque na outra ponta desse fio está o receptor, o ouvinte e, por isso mesmo, ela pode se captada e espalhada como bálsamo ou veneno, paz ou discórdia, luz ou treva. Se de um lado temos quem fala, do outro, surge quem escuta, ambos responsáveis por suas atitudes. Por isso disse Jesus que o homem fala do que está repleto o seu coração. E quem ouve também.
Quando atentos, observando as pessoas ao nosso redor, poderemos perceber que dentro do nosso lar, ou mesmo fora dele, escutamos os mais variados comentários acerca de tudo e de todos. São comuns as discussões sobre o que acontece com a Natureza, sobretudo em uma época em que estamos acordando para a necessidade de preservá-la; comentários sobre os atos, fatos e boatos em torno das autoridades constituídas; observações sobre a vida alheia – pública ou privada -, esquecendo-se de que a vida do outro, como a própria palavra diz, é do outro, e não nossa; escutamos opiniões diferentes, coerentes ou descabidas, sobre os mais diversos assuntos, sejam eles na esfera da ciência, da política, da filosofia, da arte ou da religião.
Todavia, podemos, ainda, observar que não é somente no campo intelectual que surgem descalabros, desequilíbrios, ao lado de colocações ponderadas e lúcidas. A própria sociedade é um verdadeiro campo de batalha nesse aspecto. De um lado, temos Espíritos nobres semeando bem e luz e, de outro, os semeadores da discórdia, da maledicência, da calúnia, perturbando a harmonia e o progresso de todos e de tudo.
O Apóstolo Paulo nos recorda, em sua carta a Tito, Capítulo 2, versículo 1, que devemos falar para o bem em atendimento à recomendação de Jesus, e para termos os ouvidos atentos àqueles que nos falam. Porque, muitas vezes, seremos chamados a falar nas mais diferentes situações: entre os bons, para falarmos do bem, do belo, do amor; entre os maus, tentados a caluniar, a julgar levianamente, destacando a maledicência como foco nas conversações. Assim, de desastre em desastre, vamos criando, em torno dos próprios passos, todas as desventuras que formos construindo no nosso caminhar, pois falamos hoje e pagamos a conta amanhã. Isso é da lei. Semeadura e colheita. Dependência perene... Resultado das nossas escolhas...
Mas, se já possuímos algum conhecimento evangélico e se não desconhecemos os valores do Espírito, precisamos ficar atentos para não usarmos o verbo, contrariamente, às orientações de Jesus. Falar o que o outro quer ouvir é fácil. Replicar-lhe o argumento, atendendo aos nossos interesses, também, não é difícil. Mas, ouvir-lhe com paciência e entendimento e falar-lhe com “a prudência amorosa e com a tolerância educativa, como convém à sã doutrina do Mestre, é tarefa complexa e enobrecedora, que requisita a ciência do bem no coração e o entendimento evangélico dos raciocínios”. ²

De tudo isso, podemos concluir que o problema não está no comentário em si – quem fala responderá pelas conseqüências que provocar –, mas na forma como o recebemos, tendo em vista que reagiremos a ele de acordo com nosso entendimento e sentimento. Por isso se faz tão importante compreender a nossa postura diante desse fato: Como estamos respondendo ao que ouvimos? Estaremos convertendo-o no bem ou no mal? Estamos espalhando, em conseqüência daquilo que escutamos, alegria ou sofrimento para aqueles que estão junto de nós? Ouvimos com malícia ou caridade?

A resposta honesta e transparente a essas questões é que nos dará a correta medida de como e o quanto estamos evoluindo, espiritual e moralmente, nesta nossa jornada planetária, no campo das relações interpessoais.

Emmanuel lembra que precisamos aprender “a lubrificar as engrenagens da audição com o óleo do amor puro, a fim de que nossa língua traduza o idioma da compreensão e da paciência, do otimismo e da caridade, porque nem sempre o nosso julgamento é o julgamento da Lei Divina e, conforme asseverou o Cristo de Deus, não há propósito oculto ou atividade transitoriamente escondida que não hajam de vir à luz”.

Porém, como não dá para fazer tudo de uma só vez, a proposta é a que, num primeiro momento, aprendamos a controlar a língua para, depois, modificarmos a recepção do que ouvirmos, em atendimento ao convite de Jesus: caridade no ouvir, caridade no falar.

Consoante a essa recomendação do Amado Mestre, Irmão X, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, narra uma pequena história com o título Os Três Crivos, que transcrevemos. Diz-nos ele:

Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...
- Espera!... – juntou o sábio prudente. Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos?
- Três crivos? – perguntou o visitante, espantado.
-Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro, é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto aquilo que pretendes comunicar?
- Bem, ponderou o interlocutor, - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...
- Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
- Hesitando, o homem replicou:
- Isso não... Muito pelo contrário...
- Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo, o a utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado – Útil não é...
- Bem – rematou o filósofo num sorriso -, se o que tens a confirmar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós...
Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questão de maledicência...


BIBLIOGRAFIA

1 – LUCAS, 8:17-18.
2 – EMMANUEL (Espírito). Vinha de Luz, [psicografado por] F. C. Xavier – 14ª ed. FEB – RIO DE JANEIRO/RJ - lição 16.
3 –Id. Palavras de Vida Eterna, [psicografado por] F.C. Xavier – 20ª ed., CEC Edições – UBERABA/MG - pg 122.


Como podemos ver, uma bela contribuição para nós que nos interessamos em acolher as
idéias instrutivas que nos orientam o comportamento.
Obrigada, Leda.

Daí, enfatizarmos o conselho de Emmanuel:

Sejamos dedicados ouvintes, buscando a posição de bons executores das lições recolhidas.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

ENTRADA DE 2009

Foto de Adalberto Queiroz

Demorei, mas estou aqui, para abrirmos o ano 2009.
Sob o impacto da crise econômica mundial, diante das catástrofes acontecidas ultimamente aqui e lá fora, ante o desolador estado de beligerância entre israelitas e palestinos em plena mudança de ano, para citar somente fatos mais recentes, podemos até perder a esperança de que problemas tão sérios e de consequências tão drásticas venham a ser resolvidos.
Daí a necessidade de pedirmos a Deus que nos ajude, que nos dê um ano de mobilizações para a solução do atual estado de coisas. É imprescindível o esforço de cada um em prol de uma sociedade mais consciente de seu destino, em busca dos direitos que levem a uma distribuição igualitária dos bens da terra e à preservação da dignidade humana.
Como no Natal, procuro agora uma palavra esclarecida, coerente, determinada que nos auxilie a receber conscientemente o ano 2009.
Com vocês, o vigoroso texto de Frei Beto com que uma amiga me presenteou:

FELIZ ANO NOVO

No próximo ano, soterrarei de perdões o meu mal-querer e de afagos essa sórdida tendência de apostar na desgraça alheia. Serei dom e não dor.

No próximo ano, porei em prática sábias lições de vida: pão que se guarda endurece o coração; a cabeça pensa onde os pés pisam; o contrário do medo não é a coragem, é a fé.

No próximo ano, segredarei aos peregrinos os três aforismos de meu bem-viver: Deus tem sabor de justiça; a vida trafega a bordo do paradoxo; a morte é verbo e não se conjuga no presente, é sempre pretérito ou futuro.

No próximo ano, cultivarei cada um de meus cabelos brancos, modelarei de gorduras a flacidez de minhas carnes e preservarei cioso as rugas que maquiam de sabedoria o meu rosto.

No próximo ano, tratarei o semelhante com a reverência dos anjos e lavarei as portas de minha cidade para acolher em festa os que trazem boas novas.

No próximo ano, violarei todas as regras da civilidade torpe que me engravata de cabrestos e rasgarei as etiquetas que me fazem perder horas em cuidados supérfluos. Arrancarei do pulso as algemas do relógio que me escravizam ao ritmo implacável de minutos e segundos.

No próximo ano, serei irresponsavelmente feliz, liberto dessa onipotência que recobre de fúria a minha excessiva fragilidade. Confessarei a mim mesmo os meus pecados e, crucificado numa roda-gigante, ressuscitarei com a inocência das crianças que sorriem prenhes de vertigens.

No próximo ano, nomearei para o governo da cidade um cavaleiro que chegue montado num burrico e tenha as mãos calosas como quem cavou as entranhas da terra. Não darei lugar aos príncipes revestidos de palavras vãs, nem porei a minha confiança nos arautos surdos ao clamor dos desvalidos.

FELIZ 2009!

E, para terminar, o singelo poema de nossa companheira de fé , a aplaudida poeta Lêda Mello, requisitada por tantos sítios poéticos da internet.

ANO VELHO, NOVO ANO

Ano Velho declinando,

longe não vejo os momentos

em que estive arrumando

as coisas e os sentimentos,

jôio e trigo separando,

limpando compartimentos,

minha casa aprontando

p'ra luz do seu nascimento...

Ano findando, eu pensei:

- O que, vivendo, aprendi?

Como foi que empreguei

o tempo que recebi?

Quanto jôio arranquei

e quanto trigo eu colhi?

Quantos sonhos realizei,

e de quantos me desfiz?

Despeço-me, agradecida,

do período que está findo,

por ajustar minha vida

p'ro ano que vem surgindo.

Esperança revivida

e novo alento sentindo,

alma canta em acolhida:

Ano Novo, és Bem-Vindo!

Arapiraca (AL) – Brasil

quarta-feira, dezembro 24, 2008

É NATAL!

Carlos Araújo MATERNIDADE

Nasce Jesus Menino para o nosso bem!

Em cima da hora para uma doce confraternização. Comemoramos o nascimento de Cristo. Tanto se tem dito sobre a magnitude desta data, tanto se tem falado sobre Jesus, sua grandeza, seu sacrifício pela humanidade e pouco, tão pouco, se tem feito para uma melhora real da atuação do homem no lugar que habita.
Conjecturando a respeito, decidi por fazer o que um amigo, dono de sabedoria incontestável, fez para marcar a data de Cristo, na comemoração deste ano. Ele usou uma prece que tem circulado pela internet, uma oração que concentra tudo o que deve ser lembrado, seguido, sentido em mais essa oportunidade de reflexão.


PRECE ÁRABE

Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes. Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu Deus! Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não enxergar a traição dos adversários, nem acusá-los com maior severidade do que a mim mesmo. Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória quando bem sucedido e nem desesperado quando sentir o insucesso. Lembra-me de que a experiência de um fracasso poderá proporcionar um progresso maior.
Ó Deus! Faze-me sentir que o perdão é o maior índice da força e que a vingança é prova de fraqueza. Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança. Se me faltar a beleza da saúde, conforta-me com a graça da fé. E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.
E finalmente Senhor, se eu Te esquecer te rogo, mesmo assim, nunca Te esqueças de mim!

Repetindo o meu amigo Franklin, pela seriedade, profundidade e misticismo desta mensagem, escolhi-a também como a mensagem ideal para esta confraternização de agora.

Um belo e sereno Natal para todos.

sexta-feira, novembro 28, 2008

ANJOS Tarsila do Amaral
ATOS DE FÉ E AMOR
Antes de entrarmos em qualquer assunto , vamos concentrar nosso pensamento no cenário de desolação em que se debatem os habitantes de Santa Catarina e elevar a Deus uma prece por essa população aterrorizada e sofrida. Unidos pelo mesmo pensamento, nossa vibração, pontuando o sofrimento de cada família catarinense em estado calamitoso, terá certamente como resposta a cessação das chuvas, de efeitos danosos, quando em excesso.
Oremos, então:

Senhor, imploramos a sua misericórdia para conter essa onda de malefícios em que se debatem nossos irmãos do Sul. Dê-lhes a coragem necessária para reagir; aguce-lhes a criatividade para que encontrem soluções engenhosas e práticas e possam sair do pesadelo em que se encontram. Que conservem a fé e não desesperem.
Que assim seja.
Para hoje, reservei uma passagem do livro Mandato de Amor, um tocante relato de um ato de respeito , fé e amor ao próximo sem precedentes. Vamos lá.
"Nosso querido amigo Chico há muito claudicava. Doía-lhe um pé. Dr. Rocha, médico vizinho e amigo, já lhe ministrara medicamentos, sem, contudo, minorar seu sofrimento. Tudo de pouca valia! As dores persistiam fazendo Chico manquitolar horrivelmente.
Os funcionários retornavam às suas casas servindo-se de uma charrete. (...) O veículo adentrava a cidade por uma rua onde se localizava, então, o meretrício.
Uma tarde, Chico e seus companheiros, ao passarem pelo "Biriba" - designação vulgar dada ao logradouro - foram abordados por uma das moças que habitavam o lugar. E, dirigindo-se ao Chico, ela disse:
- Venha até a minha casa. Preciso lhe falar.
Gracejos, motejos, risadas e comentários infelizes fizeram-se ouvir. Chico desceu do carro com dificuldade, acompanhando a moça até a sua residência.
Todas as meretrizes que lá viviam receberam-no com profundo respeito, oferecendo-lhe uma cadeira, na qual Chico assentou-se.
A moça que o abordara trouxe uma pequena bacia com água limpa. Humildemente, pediu-lhe permissão para descalçá-lo dos sapatos, colocando seu pé doente dentro da bacia. Segurando raminhos de flores do campo, a moça rezou e todas as outras a acompanharam, contritas. Ela molhava os raminhos e os batia, delicadamente, no pé de Chico, repetidamente, por várias vezes. Em seguida, enxugou-o, beijou-o e o calçou novamente.
Dois dias depois, chorando de emoção, Chico contou-nos o que presenciara na casa de encontros. Através de sua vidência, registrou que o líquido da bacia foi ficando escuro e lodoso, à medida que a mulher banhava-lhe o pé, fazendo com que a dor se esvaísse lentamente.
Para todos os presentes, a água manteve-se inalterada, límpida, nada mudara.
Chico nunca mais sentiu dor. A pobre meretriz, no ato humilde, no gesto simples, na bacia insignificante e nos raminhos de mato, mais que nós outros, colocara em sua oração algo sublime e operador de maravilhas: o Amor."

Excelente lição de amor, demonstração da força da fé, poder do amor ao próximo no limite da capacidade humana.
Palavras de Emmanuel:
“ANTES DE PROCURARMOS O REINO DE DEUS NO IMENSURÁVEL DOS CÉUS, UTILIZEMOS NOSSA CAPACIDADE PARA CONSTRUÍ-LO DENTRO DE NÓS MESMOS, ATRAVÉS DO CÉU QUE PUDERMOS OFERECER À ALMA DO PRÓXIMO”


ATENÇÃO:

Nossos irmãos de Santa Catarina confiam em nossas vibrações e preces. Unamo-nos em oração constante por eles , sobreviventes e desencarnados.