terça-feira, junho 26, 2007

Te Ofereço Paz

É uma boa coisa a se oferecer. Vamos fazer isso juntos?

Considerações em torno de dois temas



Oil Paintings Classic Figures



Ah! tenho tantos artigos e poemas aqui, diante de mim que sinto dificuldade de escolher o que é mais interessante para compor este post de hoje. Como faz algum tempo que não falo de poesia, começo com um inspirado soneto de Leda Yara, nossa irmã de fé, que possui um generoso e belo repertório de poemas.

COM SEQÜÊNCIA
Lêda Mello
O dia nasce e assim chega a vida
voltando à Terra com jeito criança.
Sonhos infantis na cor da esperança,
feito balões na manhã colorida.
Sol do meio dia, minha juventude
alçando vôo rumo à liberdade.
Declina a tarde e a maturidade
ganha da vida ares de plenitude.

Que eu possa, quando a noite definida,
olhando além, na janela da vida,
sem mágoas, contemplando o meu passado,
partir serena, na grande viagem
levando, apenas, na minha bagagem
a luz do amor que eu haja semeado.
Arapiraca (AL) - Brasil, 20.06.2007
E mais:
Quero voltar a confiar

(içami tiba)


Fui criado com princípios morais comuns:
quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.

Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto:
inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades.

Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade. Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror.
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão; pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiotapagar dívidas em dia é ser tonto; anistia para corruptos e sonegadores.

O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.

Que valores são esses?
Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano; celulares nas mochilas de crianças.
O que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma; mais vale uma maquiagem que um sorvete; mais vale parecer do que ser.

Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?

Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores.
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho.
Quero a vergonha na cara e a solidariedade.
Quero a esperança, a alegria, a confiança.
Abaixo o Ter, viva o SER.
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã e definitivamente bela como cada amanhecer!

segunda-feira, junho 11, 2007

Um Conto Espírita

Meio Escondido de Vanda Rodrigues
Olá! Tenho um conto hoje. Não me alongo para não reduzir a expectativa. A autoria é de Leda Flaborea, que contribui belamente com artigos, contos, poemas de sua lavra e poemas por ela psicografados.
Então, à leitura de:
RESSONÂNCIAS AFETIVAS - Um Conto Espírita
Eram dezenove horas e trinta minutos de uma segunda-feira. Nada, até aquele momento, fazia com que ela suspeitasse da mudança programada para sua vida. Entrava tranqüila em uma sala de aula de uma casa espírita que freqüentava há anos, no bairro onde morava. O curso que ia fazer já havia começado e por motivos pessoais não conseguira iniciar junto com a turma. A expectativa em qualquer início de atividade de estudo é sempre normal. Quem seria o expositor? Entrou calma. Ele estava de costas. Cumprimentou-o com um alegre "olá" e ele virou-se. Dois profundos olhos azuis a fitaram e, como se um furacão lhe varresse a mente, se perguntou: "De onde o conheço?" Tinha certeza absoluta de nunca tê-lo visto, pois certamente não esqueceria aqueles olhos. E ele sorriu. A fisionomia se completava e ao invés de serenar seu coração parecia, naquele momento, que o mundo parava.
O tempo se encarrega de apagar lembranças que desejamos, mas também se encarrega de nos colocar novamente na mesma ciranda para que aprendamos a rodar juntos, em uníssono com o Universo. E ali estava ele, colocado diante dela sem que um soubesse qual lembrança estava acontecendo na mente do outro. A imagem de hoje esvaneceu-se e à sua frente surgiu, como em imensa tela de cinema, o púlpito majestoso e nele a inconfundível figura de Monsenhor Renard. Parecia que todo poder e toda glória da Igreja se resumiam naquele homem. Quando falava, suas palavras percorriam a imensa nave, envolvendo cada um que ali estava.
A jovem Stella se sentia pequena, frágil e absolutamente impotente diante daquela fortaleza. Ele a dominava somente com o som da sua voz. Que poder era aquele que lhe tirava suas forças e não a deixava raciocinar, ponderar, e buscar em Deus o fortalecimento necessário para fugir daquele jugo? E que Deus era aquele que não afastava de sua vida aquele homem? Como era difícil para ela cumprir seus deveres cristãos, pois não conseguia paz para isso! Sedução era a palavra que ela não conseguia pronunciar, mas era a que traduzia, sem sombra de dúvida, o que acontecia com ela. O pregador silencia e ela se deixa ficar onde está. Estática.
A nave central se esvazia e ela sequer dá-se conta disso. Quando quis se levantar u'a mão estendida lhe ofereceu apoio. Era Monsenhor Renard. Olhar profundo, envolvente, cravando em seu coração (...) Ele vinha buscá-la a fim de, mais uma vez, tê-la sucumbida em seus braços. Dois amantes ensandecidos, vítimas de seus próprios desejos. Ela, sem poder dizer não, sem conseguir resistir; ele, não querendo abrir mão de seu poder de sedução. Conhecia seu poder sobre ela. Sabia do seu poder sobre todos.
Corações enfermos, em mentes desarvoradas, trazem sofrimento para si próprios e o espalham ao seu redor, envolvendo a todos que lhes cruzam o caminho ou que partilham com eles a jornada evolutiva. Paixões incontidas, levando a desatinos e permitindo sintonias de baixo padrão vibratório atraem, sem pudores, entidades que gravitam na mesma atmosfera fluídica. Viciações, desequilíbrios, abandono, a busca da morte como saída daquele inferno. No horror da vilania sofrida, envolta no ódio da humilhação sentida, e no abandono de quem não tem na vida a não ser o objeto amado, de quem não se vê, de quem não se ama, de quem não se sente como individualidade, precisando gravitar ao redor de outrem para ter um objetivo, Stella pôs fim a uma existência que poderia ter sido proveitosa e benéfica para si e para os outros.
Sentimento de ódio e desejo de vingança nortearam a vida desse Espírito durante dezenas de anos. Mas, a bondade de Deus nos concede inúmeros recursos de reabilitação e de fortalecimento para isso. O tempo, correndo célere, é nosso aliado e a benção do esquecimento nos alcança quando somos solicitados a retornar à experiência terrena. Encontros e reencontros se sucedem e assim vamos aprendendo a valorizar a vida e as oportunidades de trabalho para nosso crescimento.
A imagem antiga se apaga e a figura do expositor volta a ocupar a sua visão. Num átimo de segundo ela compreendeu. Mas e os sentimentos antigos, onde ficaram? O que aconteceu para que hoje, ela não os sentisse mais? Coração acelerado, a tentativa de disfarçar o que estava acontecendo, o receio de ser pega nessa inquietação, mas principalmente o temor de que ele também se lembrasse, fizeram com que lentamente retornasse à serenidade. A Natureza não dá saltos e, assim, só nos é dado conhecer o que podemos compreender.
Apresentações, votos de boas vindas, companheiros de curso chegando, tudo isso propiciou um retorno ao equilíbrio dessa criatura verdadeiramente perplexa diante do que acabara de vivenciar. Novos conhecimentos, estudos mais profundos, vão nos dando as condições de melhor entendermos o que nos acontece e o que acontece ao nosso redor. O que parecia anormal, milagroso ou sobrenatural, nos surge agora como normal, pois que faz parte das leis naturais. E, apesar de toda lembrança experimentada, ele era, naquele momento, o único homem a quem ela confiaria seu coração.
Semanas se sucedem e a camaradagem toma conta de todos naquela sala. Tempo produtivo de aprendizagem e esclarecimentos. Oportunidades benditas de colocar em prática o que se aprende vão surgindo a cada dia na vida de todos. Uma aparente confiança entre ela e o expositor parecia prenunciar que tudo estava muito bem.
Um dia, companheiros de classe descobriram a data do aniversário dele. Natural alegria tomou conta de todos e, tal qual alunos querendo agradar o mestre, preparam para ele festa surpresa. Alegria, risos, abraços amorosos de quem é grato a alguém que se afasta do aconchego do lar, e que vem abnegadamente ajudar os que buscam aprender. Ela também se aproximou para abraçá-lo e, ao fazê-lo, viu o medo que aquela aproximação física causava a ele. O coração dele acelerou e gentilmente a afastou. Ignorava ele o porquê da sua atitude, o que lhe causara temor. Não era dado a aventuras amorosas, mas o quê o levou a afastá-la de si? O gesto o agradou! O contato físico acalentou seu coração naquele momento. O que estava acontecendo com ele?
A noite, amiga silenciosa, nos surpreende muitas vezes com lembranças as quais nem nos apercebemos estarem em nossa mente. Veladas, silenciosas, vão chegando lentamente a esse coração inquieto. Armand. É esse seu nome. Antes, Renard. Um professor pacato e tímido. Uma praça , e no meio dela aquela mulher brilha. Dança, canta e representa com o grupo de artistas mambembe que recolhe da caridade alheia, em cada cidade que se apresenta, o seu sustento. Naquele momento, para ele, o tempo parou. Pela primeira vez aquele pacato homem sentiu que estava vivo e a única coisa que desejava era estar para sempre ao lado de Teresa. Antes Stella.
Os companheiros partiram maldizendo a perda daquela que na verdade era a responsável pela existência do grupo. Não que fossem talentosos, muito pelo contrário; mas, a beleza e a força sensual de Teresa dava a eles sempre o que comer durante alguns dias, após cada apresentação. Como a maioria das mulheres, a artista queria apenas ser mulher. O abandono do grupo foi inevitável. O casamento com Armand, a alegria dos primeiros tempos, a tristeza dos filhos que não vinham, os cuidados com a casa, a monotonia, as dificuldades financeiras. O viço da vida despreocupada, que antes atraia muitos homens, começa a dar os primeiros sinais de desaparecimento. Teresa amava seu marido, mas a preocupação dele era sempre com seus alunos, como se ele precisasse conduzi-los, constantemente, ao caminho reto. Armand sentia uma espécie de remorso, de culpa, que não entendia, em relação a todos seus alunos e, por incrível que pareça, também por Teresa. Daí realizar todos os seus desejos. Mas ela queria mais.
O Espírito dela se inquieta. O desejo de novidades, de quem percorre o mundo na alegria da vida irresponsável, começa a tomar conta de sua mente. Mas, ela ama seu marido e sabe que ele também a ama! Onde a razão dessa insatisfação? Por que esse amor não a alegra mais? Por que esse desejo de ir além, mesmo sabendo que pode feri-lo moralmente, magoá-lo?
Sintonizamos sempre com o que nos afinamos. E outros homens chegaram na vida de Teresa. Presentes que ela dizia ter recebido de amigas. Jóias que escondia para não serem vistas. Armand sabia, pois conhecia sua mulher; mas também a amava e sobretudo se sentia culpado por ela ter mudado assim. E essa sensação de culpa que nunca o abandonava fazia com que a perdoasse sempre. Ele tinha certeza que um dia ela voltaria para ele e que poderiam ser felizes, um ao lado do outro.
O sobressalto, o corpo molhado, a respiração ofegante. Assim ele acorda como que saído de um turbilhão. As idéias parecem não ter lógica e ele demora longos minutos para retornar ao domínio de sua mente. Minutos demorados e benditos que permitiram àquele coração inquieto compreender a razão do seu medo. A lembrança do passado chega a ele, agora, com toda força e com todas as emoções que acompanharam os fatos. Sabia de Renard e Armand, não ignorava mais Stella e Teresa, todos personagens vivos de vidas vividas e sofridas. Mas, bendita seja essa dor que proporciona crescimento, quando podemos aceitá-la como forma do Amor de Deus às Suas criaturas.
O conhecimento que vamos adquirindo a cada experiência vivida nos faz entender que nada dá saltos. Cada etapa da evolução espiritual que experimentamos nos conduz com segurança para a seguinte. Assim, mais preparados e mais atentos, vamos cumprindo todas elas, queiramos ou não. Como vivemos, assim morremos. O tumulto que criamos dentro de nós acaba sempre nos levando a desligamentos corporais de grande dor. Respiramos a mesma atmosfera aqui e lá. Espíritos renitentes insistimos em continuar ignorando as leis amorosas que nos regem a conduta. Tateamos, qual cegos, na busca de sentir o que nosso Espírito materializado procura, através do corpo. E, sem condutor seguro, nos perdemos, quase sempre, em labirintos tortuosos que não nos permitem enxergar a saída .
Segunda-feira, dezenove horas e trinta minutos. Ela entra na sala. É sempre a primeira a chegar. Pela primeira vez, durante tantas semanas, ele não aparece. Um substituto é enviado para continuar os trabalhos. Nós paramos, o Plano Espiritual não.
A busca de ajuda através do Evangelho de Jesus e o conforto da prece realizam milagres dentro de nós. Nos fortalecemos para os embates que nos chegam a cada momento e a Misericórdia Divina se faz presente em nossas vidas através do sono reconfortante. Espíritos libertos buscam encontrar afins. Amigos Invisíveis conduzem esses dois corações ao encontro tão necessário. Lágrimas, sorrisos, e o abraço amoroso sem medo unem as duas almas. Compromissos anteriores se cumprem e o amor desvairado e egoísta, que tanto sofrimento lhes trouxe, surge transformado sob a forma de perdão e esquecimento das faltas. Todo amor sublimado resplandece no trabalho do Bem, e espalha ao redor daquele que ama uma atmosfera de paz e confiança que não se consegue esconder. Sempre foi assim e para sempre será. A capacidade de perdoar de cada um é muito maior do que sua vontade de colocar em movimento essa usina de amor.
Segunda-feira, dezenove horas e trinta minutos. Ela entra na sala. É sempre a primeira a chegar. Ele lá está, de costas. Um alegre "olá" o obriga a voltar-se. Seus olhos se encontram. Nada os perturba. O tempo não parou, o coração não acelerou. Apenas paz e entendimento habitam aqueles corações. Eles voltaram a estar juntos, caminhando a mesma estrada, buscando o mesmo fim. Um amor imenso os une agora, para sempre, porque verdadeiro. Ela entrega a ele um livro com delicada dedicatória: "Querido irmão, tenha certeza de que estamos juntos por uma razão muito forte: auxiliar o próximo, pelo amor de Jesus. Um abraço fraterno e muita paz." Não havia assinatura, não havia endereçamento. Que nomes colocaria? Armand estava certo. Um dia estariam juntos, para sempre.

LEDA MARIA FLABOREA ledaflaborea@uol.com.br
(Publicado no Jornal Espírita de Agosto de 2006 - órgão informativo da Federação Espírita do Estado de SP).

terça-feira, maio 29, 2007

Tecendo considerações

Oil painting /A boy portrait


Estive aqui em março e já estamos saindo de maio. Andei ocupada com mudança de apartamento. Alojada, agora, e adaptada, volto às visitas regulares com temas novos, artigos interessantes, pequenos contos, a maior variedade de assuntos que possam interessar ao maior número possível de leitores, declarados ou não.


Ah! tenho que escolher entre as contribuições que recebo de gente amiga. Vejamos:


MARCAS NO CORAÇÃO

Você já sentiu, alguma vez, a dor causada por uma pancada na quina da mesa, da cama, ou de outro móvel qualquer? Sim, aquela pancada que quase nos faz perder os sentidos e deixa um hematoma no corpo? No princípio surge uma marca avermelhada, depois arroxeada,e vai mudando de cor até desaparecer por completo. Geralmente o local fica dolorido e, sempre que o tocamos, sentimos certo desconforto. A marca permanece por um tempo mais ou menos longo, conforme o organismo. Agora, imagine se, por distração, você bate novamente no mesmo lugar do hematoma. A dor é ainda maior e a cor se intensifica. Se isso se repetisse por inúmeras vezes, o problema poderia se agravar a tal ponto, que a lesão se converteria num problema mais grave. Com a mágoa acontece algo semelhante, com a diferença de que a marca é feita no coração e é causada por uma lesão afetiva. No primeiro momento, a marca é superficial, mas poderá se aprofundar mais e mais, caso haja ressentimento prolongado. Ressentir quer dizer sentir outra vez e tornar a sentir muitas e muitas vezes. É por isso que o ressentimento vai aprofundando a marca deixada no coração. Como acontece com as lesões sofridas no corpo, repetidas vezes, no mesmo lugar, também o ressentimento pode causar sérios problemas a quem se permite o ressentir continuado.Se um hematoma durasse meses ou anos em nosso corpo, a possibilidade de se transformar em câncer seria grande. Isso também acontece com a mágoa agasalhada na alma por muito tempo. A cada vez que nos lembramos do que motivou a mácula no coração, e nos permitimos sentir outra vez o estilete na alma, a mágoa vai se aprofundando mais e mais. Além da possibilidade de causar tumores, gera outros distúrbios nas emoções de quem a guarda no coração. Por todas essas razões, vale a pena refletir sobre esse mal que tem feito muitas vítimas. Semelhante a um corrosivo, a mágoa vai minando a alegria, o entusiasmo, a esperança, e a amargura se instala. Silenciosa, ela compromete a saúde de quem a mantém e fomenta ódio, rancor, inimizade, antipatias. Muitas vezes, a mágoa se disfarça de amor-próprio para que seu portador consinta que ela permaneça em sua intimidade. E, com o passar do tempo, ela se converte num algoz terrível, mostrando-se mais poderosa do que a vontade de seu portador em eliminá-la. De maneira muitas vezes imperceptível, a mágoa guardada vai se manifestando numa vingançazinha aqui, numa traiçãozinha ali, numa crueldade acolá. E de queda em queda a pessoa magoada vai descendo até o fundo do poço, sem medir as conseqüências de seus atos. Para evitar que isso aconteça conosco, é preciso tomar alguns cuidados básicos. O primeiro deles é proteger o campo das emoções, fortalecendo as fibras dos nobres sentimentos, não permitindo que a mágoa o penetre. O segundo é tratar imediatamente a ferida antes que se torne mais profunda, caso a mágoa aconteça. O terceiro é drenar, com o arado da razão, o lodo do melindre, que é terreno propício para a instalação da mágoa.É importante tratar essa suscetibilidade à flor da pele, que nos deixa extremamente vulneráveis a essas marcas indesejáveis em nosso coração, tornando-nos pessoas amargas e infelizes.
Pense nisso!
Agasalhar ódio, mágoa ou rancor no coração é o mesmo que beber veneno com a intenção de matar o nosso agressor. Pense nisso e não permita que esses tóxicos se instalem em seu coração.

(TC 13/10/2006)

(Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita)

Para finalizar, recitemos juntos essa comovente oração:

ORAÇÃO DE PAZ

Em tudo o que ames
Deus te conduza.
Com quem vivas
Deus te aperfeiçoe.
No que saibas,
Deus te aproveite.
Onde fales
Deus te inspire.
No que faças
Deus te esclareça.
Em tudo o que peças,
Deus te dê o melhor.

EMMANUEL

domingo, março 11, 2007

Aproximação da Páscoa


Há algum tempo não venho aqui. Problemas passageiros que estão sendo solucionados.
Com a aproximação da Páscoa, porém, senti necessidade de visitar os amigos e deixar uma contribuição para a compreensão da posição espírita relativa ao significado da Páscoa.
Trata-se de um texto colhido em O Observador:

PÁSCOA - COMEMORAR OU NÃO? - BY - LILIAN SATURNINODA SILVA

Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.
Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para "marcar" a data, como fazem as demais religiões ou filosofias "cristãs". Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.
O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.
A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: "Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus." Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma "comemoração", na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi "aproveitar-se" do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à "imolação" de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do "pesah", uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à "festa dos ázimos", uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado "êxodo" (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos "evangélicos" que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao "martírio", ao sofrimento de Jesus - tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) -, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus. No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter "subido aos Céus" em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os "eleitos" no chamado "juízo final". Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a "competência" ou a "qualificação" de todos os Espíritos. Com "tantas oportunidades quanto sejam necessárias", no "nascer de novo", é possível a todos progredirem. Mas, como explicar, então as "aparições" de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus - como se fosse o jardineiro - após ver a lápide removida, "para onde levaram o corpo do Raboni", podemos estar diante da "materialização", isto é, a utilização de fluido ectoplásmico - de seres encarnados - para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam "visto" Jesus, de que ele só acreditaria, se "colocasse as mãos nas chagas do Cristo". E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos "nossos" pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para "nos salvar", dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os "bíblicos" Adão e Eva, no Paraíso. A presença do "cordeiro imolado", que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o "filho de Deus", está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam - em cores vivas - as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da "culpa" é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande - e última lição - de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que "permaneceria eternamente conosco", na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Verdadeira evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar "coordenando" o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de "sermos deuses", "fazendo brilhar a nossa luz". Comemore, então, meu amigo, uma "outra" Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.
Fonte: Diretor de Política e Metodologias de Comunicação, da Abrade (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo) e Delegado da CEPA (Confederação Espírita Pan-Americana) para a Grande Florianópolis-SC.

Autor: O OBSERVADOR Fonte: O OBSERVADOR

sexta-feira, janeiro 12, 2007

DOENÇAS ESPIRITUAIS

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O DESAFIO DAS DOENÇAS ESPIRITUAIS

Dr Nubor Orlando Facure


A Medicina humana não admite a existência do Espírito, não reconhecendo, conseqüentemente, as doenças espirituais. No passado, porém, durante séculos, o Espírito era considerado causa de doenças, principalmente na loucura onde parecia evidente seu parentesco com o mal. Quando a Medicina começou a descobrir a fisiologia mecanicista dos fenômenos biológicos, excluiu dos meios acadêmicos a participação da alma, inclusive na criação dos pensamentos, que passaram a ser vistos como secreção do cérebro? e as doenças mentais, como distúrbios da química dos neurônios.

O médico espírita que pretender retomar, nos dias de hoje, a discussão sobre as doenças espirituais precisa expurgar, em primeiro lugar, a demonização das doenças, um ranço medieval que ainda contamina igrejas e repugna o pensamento médico atual.

A medicina moderna aprendeu a ajuizar sintomas e os desvios anatômicos, usando sinais clínicos para fazer as classificações das doenças que conseguiu identificar. Para as doenças espirituais, porém, fica faltando conhecer o lado de lá de cada paciente para podermos dar um diagnóstico correto para cada necessitado. Já no século XVII, Paracelso atribuía causas exteriores ou perturbações internas aos doentes mentais, destacando os lunáticos (pela interferência das fases da Lua), os insanos (pela hereditariedade), os vesanos (pelo abuso de bebidas ou mau uso de alimentos) e os melancólicos (por um vício de natureza interna).

Para doenças espirituais também percebemos causas externas e internas. Por enquanto, nossa visão parcial nos permite apenas uma proposta onde contém as possíveis causas da doença espiritual, sem o rigor que uma avaliação individual completa exigiria, adotando-se para tanto a classificação: doenças espirituais auto-induzidas (por desequilíbrio vibratório e auto-obsessão), doenças espirituais compartilhadas (por vampirismo e obsessão), mediunismo e doenças cármicas.


Doenças Espirituais auto-induzidas

Por desequilíbrio vibratório

O perispírito é um corpo intermediário que permite ao espírito encarnado exercer suas ações sobre o corpo físico.Sua ligação é feita célula a célula, atingindo a mais profunda intimidade dos átomos que constitui a matéria orgânica do corpo físico. Esta ligação se processa pelas vibrações de cada um dos dois corpos (físico e espiritual ) cujo ajuste exige uma determinada sintonia vibratória. Como o perispírito não é prisioneiro das dimensões físicas do corpo de carne, podendo manifestar suas ações além dos limites do corpo físico pela projeção dos seus fluidos, a sintonia e a irradiação do perispírito são dependentes unicamente das projeções mentais que o espírito elabora, do fluxo de idéias que construímos. De maneira geral, o ser humano ainda perde muitos dos seus dias comprometido com a crítica aos semelhantes, o ódio, a maledicência, as exigências descabidas, a ociosidade, a cólera e o azedume entre tantas outras reclamações levianas contra a vida e contra todos. Como o orai e vigiai ainda está distante da nossa rotina, desajustamos a sintonia entre o corpo físico e o perispírito, causando um desequilíbrio vibratório. Essa desarmonia desencadeia sensações de mal-estar, como a estafa desproporcional a, desajustamos a sintonia entre o corpo físico e o perispírito, causando um e a fadiga sistemática, a enxaqueca, a digestão que nunca se acomoda, o mau humor constante e inúmeras outras manifestações tidas como doenças psicossomáticas Ainda nos dedicamos pouco a uma reflexão sobre os prejuízos de nossas mesquinhas atitudes, principalmente em relação a um comportamento mental adequado.


Por auto-obsessão

O pensamento é energia que constrói imagens que se consolidam em torno de nós. Impressas no perispírito elas formam um campo de representação de nossas idéias. A custa dos elementos absorvidos do fluido cósmico universal. As idéias tomam formas, sustentadas pela intensidade com que pensamos nelas. A matéria mental constrói em torno de nós uma atmosfera psíquica (psicosfera). onde estão representados os nossos desejos. Neste cenário, estarão todos os personagens que nos aprisionam o pensamento pelo amor ou pelo ódio, pela indiferença ou proteção etc. Medos, angústias, mágoas não resolvidas, idéias fixas, desejo de vinganças, opiniões cristalizadas, objetos de sedução, poder ou títulos cobiçados, tudo se estrutura em idéias forma na psicosfera que alimentamos, tornando-nos prisioneiros dos nossos próprios fantasmas. A matéria mental produz a imagem ilusória que nos escraviza. Por caprichos nosso, somos, assim, obsedados pelos nossos próprios desejos.


As doenças espirituais compartilhadas

Por vampirismo

O mundo espiritual é povoado por uma população numerosíssima de Espíritos, quatro a cinco vezes maior que os seis bilhões de almas encarnadas em nosso planeta. Como a maior parte desta população de Espíritos habita as proximidades dos ambientes terrestres, onde flui toda a vida humana, não é de se estranhar que esses Espíritos estejam compartilhando das nossas condutas. Podemos atraí-los como guias e protetores, que constantemente nos inspiram, mas também a eles nos aprisionar pelos vícios como o álcool, o cigarro, as drogas ilícitas, os desregramentos alimentares e os abusos sexuais. Para todas essas situações, as portas da invigilância estão escancaradas, permitindo o acesso de entidades desencarnadas afins. Nesses desvios da conduta humana, a mente do responsável agrega em torno de si elementos fluídicos com extrema capacidade corrosiva desse organismo físico, construindo para si mesmo os germes que passam a lhe obstruir o funcionamento das células hepáticas, renais e pulmonares, cronificando lesões que a medicina considera incuráveis. As entidades espirituais viciadas compartilham dos prazeres do vício que o encarnados lhes favorece e ao seu tempo estimulam-no a nele permanecer. Nesta associação, há uma tremenda perda de energia por parte do encarnado. Daí a expressão vampirismo por ser muito adequada para definir esta parceria.
Por obsessão

No decurso de cada encarnação, a misericórdia de Deus nos permite usufruir das oportunidades que melhor nos convém para estimular nosso progresso espiritual. Os reencontros ou desencontros são de certa maneira planejados ou atraídos por nós para os devidos resgates ou para facilitar o cumprimento das promessas que desenhamos no plano espiritual. É assim que, pais e filhos reencontram-se como irmãos, como amigos, como parceiros de uma sociedade de uma sociedade. Marido e mulher que se desrespeitaram agora se reajustam como pai e filha, chefe e subalterno ou como parentes distantes, que a vida dificulta a aproximação. As dificuldades da vida de uma maneira ou de outra vão reeducando a todos. Os obstáculos que à primeira vista parecem castigo ou punição trazem no seu emaranhado de provas a possibilidade de recuperar danos físicos ou morais que produzimos no passado.

No decorrer de nossas vidas, seremos sempre ganhadores ou perdedores na grande luta da sobrevivência humana.Nenhum de nós percorrerá essa jornada sem ter que tomar decisões, sem deixar de expressar seus desejos e sem fazer suas escolhas. É aí que muitas e muitas vezes contrariamos as decisões, os desejos e as escolhas daqueles que convivem próximo de nós. Nos rastros das mazelas humanas, todos nós, sem exceção, estamos endividados e altamente comprometidos com outras criaturas, também exigentes como nós, que como obsessores vão nos cobrar outros comportamentos, exigindo-nos a quitação de dívidas a que nos furtamos em outras épocas. Persistem como dominadores implacáveis, procurando nos dificultar a subida mais rápida para os mais elevados estágios da espiritualidade. Embora a ciência médica de hoje ainda não a traga em seus registros, a obsessão espiritual, na qual uma criatura exerce seu domínio sobre a outra, é, de longe, o maior dos males da patologia humana.


Por mediunismo

São os quadros de manifestações sintomáticas apresentadas por aqueles que, incipientemente, inauguram suas manifestações mediúnicas.Com muita freqüência, a mediunidade se manifesta de forma tranqüila e é tida como tão natural que, o médium, quase sempre ainda muito jovem, mal se dá conta de que o que vê, o que percebe e o que escuta de diferente são comunicações espirituais. Outras vezes, os fenômenos são apresentados de forma abundante e o principiante é tomado de medos e inseguranças, principalmente, por não saber do que se trata. Em outras ocasiões, a mediunidade é atormentada por espíritos perturbadores e o médium se vê ás voltas com uma série de quadros da psicopatologia humana, ocorrendo crises do tipo pânico, histeria ou outras manifestações que se expressam em dores, paralisias, anestesias, "inchaço" dos membros, insônia rebelde, sonolência incontrolável etc. Uma grande maioria tem sintomas psicossomáticos e se sente influenciada ou acompanhada por entidades espirituais. São médiuns com aptidões ainda acanhadas, em fase de aprendizado e domínio de suas potencialidades, uma tenra semente que ainda precisa ser cultivada para se desabrochar.


Por doenças cármicas (compromissos adquiridos)

A doença cármica é, antes de mais nada, uma oportunidade de resgate e redenção espiritual.Sempre que pelas nossas intemperanças desconsideramos os cuidados com o nosso corpo e atingimos o equilíbrio físico ou psíquico do nosso próximo, estamos imprimindo esses desajustes nas células do nosso corpo espiritual. É assim que, na patologia humana, ficam registrados os quadros de lupus que nos compromete as artérias, do pênfigo que nos queima a pele, das más-formações de coração ou do cérebro, da esclerose múltipla que nos imobiliza no leito ou das demências que nos compromete a lucidez e nos afasta da sociedade.

Precisamos compreender que estas e todas as outras manifestações de doença não devem ser vistas como castigos ou punições. O Espiritismo ensina que as dificuldades que enfrentamos são oportunidade de resgate, as quais, com freqüência, fomos nós mesmos que as escolhemos para acelerar nosso progresso e nos alavancar da retaguarda, que às vezes nos mantém distantes daqueles que nos esperam adiante de nós. Mais do que a cura das doenças, a medicina tibetana, há milênios, ensinava que médicos e pacientes devem buscar a oportunidade de iluminação. Os padecimentos pela dor e as limitações que as doenças nos trazem sempre possibilitam o esclarecimento, se nos predispusermos a buscá-lo. Mais importante do que aceitar o sofrimento numa resignação passiva é tentar superar qualquer limitação ou revolta, para promovermos o crescimento espiritual através desta descoberta interior e individual.



Artigo extraído do Jornal Espírita - julho de 2004 - Editado pela Federação Espírita do Estado De São Paulo (Feesp), pág. 5

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Vamos estudar?


Inaugurando janeiro com um convite: Vamos estudar?


A Utilidade e Necessidade da Vibração

(Do Informativo ComCiência Ano 1 n° 5, Julho/Agosto de 2006, http://br.groups.yahoo.com/group/comcienciaespirita/)

Na literatura espírita, encontramos diversos exemplos que mostram a importância da vibração nas tarefas dirigidas pela espiritualidade. O termo vibração, embora muito utilizado atualmente, tem sido expresso de diferentes maneiras, tais como: forças mentais, raios mentais, energias psíquicas, raios vitais, raios ectoplásmicos, forças ou energias ectoplásmicas, magnetismo humano, forças magnéticas, raios, ondas.

Com relação à utilidade geral das vibrações, importantes esclarecimentos são dados no livro Missionários da Luz. Já, no primeiro capítulo, André Luiz1, relatando uma reunião mediúnica, diz que *As energias dos encarnados casavam-se aos fluidos vigorosos dos trabalhadores de nosso plano de ação, congregados em vasto número, formando precioso armazém de benefícios para os infelizes, extremamente apegados às sensações fisiológicas*.
Seguindo no capítulo 17, nos informam que *Com os raios de energia, de variada expressão emitidos pelo homem encarnado, podemos formar certos serviços de importância para todos aqueles que se encontrem presos ao padrão vibratório do homem comum*.

Percebemos que a vibração dos encarnados é importante e é utilizada pelos trabalhadores do plano espiritual para o tratamento de irmãos necessitados, principalmente aqueles que estejam num padrão vibratório semelhante ao nosso. Outro relato que reforça a importância da vibração nos foi dado pela espiritualidade dirigente da reunião de Ectoplasmia2, no Grupo Espírita de Fraternidade Albino Teixeira, em Belo Horizonte. Eis:

*Nós agradecemos a cada mente presente, a cada coração (...) que bateu mais forte; a cada um que fez a prece. Temos certeza de que muitos receberam preces direcionadas a seres distantes, encaminhadas àqueles que sofrem; preces direcionadas a diversos enfermos de todas as espécies (...) aguardando essas vibrações (...) para seu fortalecimento, para que possam prosseguir em sua jornada, conquistando seu equilíbrio, conquistando a sua lucidez, conquistando seu reerguimento e do seu perispírito, muitas vezes prejudicado, por atos impensados, por vícios insanos (...) recuperando a cada um, em suas dores mais profundas.*

Um uso importante da vibração é na adaptação de espíritos ao plano espiritual. Muitos irmãos, ao desencarnar, trazem um padrão vibratório muito baixo e não conseguem se adaptar facilmente ao novo ambiente. Seria comparável a uma pessoa que nunca escalou montanhas altas e, ao fazer isso pela primeira vez, tivesse enormes dificuldades com o ar rarefeito e a baixa pressão. As vibrações dos encarnados beneficiam esta adaptação, conforme poderemos observar no relato a seguir, do livro Os Mensageiros, no capítulo 48:

*Grande número de criaturas, porém, na passagem para cá, sentem-se possuídas de "doentia saudade do agrupamento", como acontece, noutro plano de evolução, aos animais, quando sentem a mortal 'saudade do rebanho'. Para fortalecer as possibilidades de adaptação dos desencarnados dessa ordem ao novo 'habitat' o serviço de socorro é mais eficiente, ao contacto das forças magnéticas dos irmãos que ainda se encontram envolvidos nos círculos carnais. (...) E, designando a grande assembléia de necessitados, continuou: - Os irmãos, nas condições a que me refiro, ouvem-nos a voz, consolam-se com o nosso auxílio, mas o calor humano está cheio dum magnetismo de teor mais significativo para eles. Com semelhante contacto, experimentam o despertar de forças novas*.

Em uma reunião de desobsessão na Fraternidade Espírita Irmãos Jacó e Mateus, em Belo Horizonte, segundo o relato de uma médium, ela foi levada, em desdobramento, para um outro andar da casa, no plano espiritual. Lá, havia muitas pessoas com as mentes cristalizadas, fixadas, na condição que possuíam enquanto encarnadas e não queriam despertar para a nova realidade. As vibrações de todos eram direcionadas para aquelas pessoas.

Ainda na reunião citada antes, a equipe espiritual disse à médium que cada tipo de vibração era utilizado em diferentes casos. A médium teve a impressão de que a espiritualidade filtrava as vibrações enviadas para o tratamento daqueles irmãos. No livro Nos Domínios da Mediunidade, encontramos informações que reforçam a idéia da existência de tipos diferentes de energias liberadas pelos encarnados e que servem, portanto, para variados fins. É mencionado no livro que *Todas as criaturas, porém, guardam-nas consigo, emitindo-as em freqüência que varia em cada uma, de conformidade com as tarefas que o Plano da Vida lhes assinala*

Luiz Gonzaga Pinheiro, no livro O Perispírito e Suas Modelações, relata no capítulo 43 a necessidade de que a espiritualidade filtre as energias provenientes dos encarnados, pois, muitas vezes, se encontram comprometidas devido ao *regime alimentar excessivamente carnívoro, ao uso de alcoólicos, temperos picantes e outros vícios mentais e materiais*.

A vibração possui variadas aplicações que não poderíamos detalhar em um único artigo. Concluímos esta matéria citando alguns outros usos a seguir: Materialização de espíritos, de quadros e de objetos acessórios no plano espiritual, em auxílio ao trabalho de desobsessão; Auxílio direto aos pacientes desencarnados e encarnados e, em alguns casos, inclusive aos tarefeiros da equipe espiritual; Reestruturação dos perispíritos das entidades comunicantes, que se apresentavam mutilados, feridos e até sem a forma humana.

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Vamos ler, refletir, comentar, pedir elucidação de alguns pontos se for o caso As fontes existem.
Sem precipitação de entender tudo de uma vez. Com paciência e atenção.

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Enecerremos o estudo de hoje com a mensagem:

Ante as dificuldades do caminho e as rudes provas da evolução, resguarda-te na prece ungida de confiança em Deus, que te impedirá resvalar no abismo da revolta.
Um pouco de silêncio íntimo e de concentração, a alma em atitude de súplica, aberta à inspiração, eis as condições necessárias para que chegue a apaziguadora resposta divina.
Cria o clima de prece como hábito, e estarás em perene comunhão com Deus, fortalecido para os desafios da marcha.

(De "Vida Feliz", de Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis)__________________