terça-feira, agosto 19, 2003

Temos hoje a triste notícia da morte do diplomata Sérgio Vieira de Mello, um brasileiro que soube honrar sua profissão e empregou sua energia e capacidade de trabalho para elevar o conceito do Brasil no exterior. Atuou em Kosovo, no Timor Leste e agora, em Bagdá, sucumbiu num atentado contra a ONU. Tratar de refugiados foi sua preocupação constante. O Brasil está irremediavelmente de luto.
Façamos uma prece por seu despertar no plano espiritual e pela franca evolução de seu espírito.


IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII


CÂNCER MORAL

Joanna de Angelis/Divaldo Pereira Franco
Mensagem extraída da obra RECEITA DE PAZ

O mau-humor sistemático - vício de comportamento emocional - gera a irritabilidade que desencadeia inúmeros males no indivíduo, em particular, e no grupo social onde o mesmo se movimenta, em geral.
Desconcertando a razão, açula as tendências negativas que devem ser combatidas, fomentando a maledicência e a indisposição de ânimo.

Todos aqueles que o alimentam, transferem-se de um para outro estado de desajuste orgânico e psicológico, dando margem à instalação de doenças psicossomáticas de tratamento complexo como resultados demorados ou nenhuns.
Todas as criaturas têm o dever de trabalhar pelo próprio progresso intelecto-moral, esforçando-se por vencer as más inclinações.

O azedume resulta, também, da inveja mal disfarçada quanto do ciúme incontido.
Atiça as labaredas destruidoras da desavença, enquanto se compraz na observância da ruína e do desconforto do próximo.

Muitas formas de canceres têm sua gênese no comportamento moral insano, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.

O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.
Exteriorização do egoísmo doentio, aplica-se à inglória tarefa de perseguir os que discordam da sua atitude infeliz, espalhando a inquietação com que se arma de forças para prosseguir na insânia que agasalha.

Reveste-te de equilíbrio ante os mal-humorados e violentos, maledicentes e agressivos.
Eles se encontram enfermos, sim, em marcha para a loucura que os vence sob o beneplácito da vontade acomodada.
Oscilantes nos estados dalma, mudam de um para outro episódio de revolta com facilidade, sem qualquer motivo justificável, como se motivo houvesse que justifique a vigência desse verdugo do homem.

Vigia as nascentes dos teus sentimentos e luta com destemor, nas paisagens íntimas, contra o mau-humor.
Policia o verbo rude e ácido, mantendo a dignidade interior e poupando-te ao pugilato das ofensas, decorrente do azedume freqüente.
Não olvides da gratidão, nas tuas crises de indisposição...
O amanhã é incerto.
Aquele a quem hoje magoas será a porta onde buscarás apoio amanhã.
Conquista o título de pacífico ou faze-te pacificador.
Todo agressor torna-se antipático e asfixia-se na psicosfera morbífica que produz.

O Evangelho é lição de otimismo sem limite e o Espiritismo que o atualiza para o homem contemporâneo convida à transformação moral contínua, sem termo, em prol da edificação interior do adepto que se lhe candidata ao ministério.


IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII


Lourival Lopes diz:

Ainda que grandes dificuldades se te ponham à frente, lembra-te do teu poder interior, das riquezas que possuis internamente e confia que, querendo, podes conseguir vitórias e fazer maravilhas.
Sê sempre alegre.
A alegria, bem usada, é força de progresso. (Do livro Sempre Alegre/ Editora Otimismo)
´Disse-vos estas coisas para que esteja em vós minha alegria e vossa alegria seja perfeita´.
JESUS (Jo 15,11)



Uma boa-noite para todos.

quinta-feira, agosto 14, 2003

Neste frio 14 de agosto, tento revitalizar meu ânimo com o calor de mensagens inspiradas, algumas poéticas.

DEUS ESTÁ FALANDO COM VOCÊ!

(Prece Indigena - Tradução e adaptação do Livro By San Etioy)


Um homem sussurou:
Deus, fale comigo!
E um rouxinol começou a cantar,
Mas o homem não ouviu.

Então o homem repetiu:
Deus, fale comigo!
E um trovão ecou nos céus,
Mas o homem foi incapaz de ouvir.

O Homem olhou em volta e disse:
Deus, deixe-me vê-lo!
E uma estrela brilhou no céu,
Mas o homem não a notou.

O homem começou a gritar:
Deus mostre-me um milagre!
E uma criança nasceu,
Mas o homem não sentiu o pulsar da vida.

Então, o homem começou a chorar e a se desesperar:

Deus, toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo!
E uma borboleta pousou suavemente em seu ombro.
O homem espantou a borboleta com a mão e, desiludido,
Continuou seu caminho, triste, sozinho e com medo...

xxx

CONTEMPLA MAIS LONGE


Para o esquimó, o céu é um continente de gelo sustentado por focas.
Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso além da caça abundante.
Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais são departamentos do Universo.

Observa a tua experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu mundo interior conforme o material de reflexão que acolhes na consciência.

Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.
Se preferes a tristeza, anotarás o desalento em cada trecho do caminho.
Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.
Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranqüila, em que colocas a tua mente.
Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre, em tua apreciação, aquilo que pensas dela.

Emmanuel/Chico Xavier

xxx


SENTIMENTO E AÇÃO

O sentimento cria a idéia.
A idéia gera o desejo.
O desejo acalentado forma a palavra.
A palavra orienta a ação.
A ação detona resultados.
Os resultados traçam-nos o caminho nas áreas infinitas do tempo.
Cada criatura permanece na estrada que construiu para si mesma.
A escolha é sempre nossa.

Emmanuel - Médium Chico Xavier


xxx


RENOVAÇÃO

Não procures repouso
Em momentos vazios

Inércia simplesmente
É começo de angústia

Provação superada
Faz-se benção de luz

Sofre, mas permanece
Construindo o amor

Se queres elevar-te,
Não há outro caminho

Na forja do serviço,
Deus te renovará

Emmanuel



Renovados? Eu me sinto assim. Deixo-os por hoje. Paz e Harmonia




segunda-feira, agosto 11, 2003

Dia de comemoração hoje - feliz dia dos pais, amigos! Aos pais presentes e ausentes, aos pais reais e aos pais adotivos, aos pais por pretensão, por generosidade e por amor ao Pai. Homenageá-los será um momento de profunda satisfação.

A eles dedico o texto vindo de uma amiga espírita que atende pelo codinome de Luz Interior e que me gratifica sempre com mensagens de conteúdo moral e ético:


ALTERNATIVA

A vida é feita de alternativas; há escolha para tudo e a opção é sempre sua. Então, escolha trabalhar com prazer, viver com alegria, amar com paixão, divertir-se com o que aparecer, viajar, relaxar, distrair-se, não estressar-se, respeitar o outro para ser respeitado também.
Escolha a solidariedade, o companheirismo e a amizade sem interesse e incondicional. Escolha ser fiel, estar sempre pronto para o que der e vier, para solucionar problemas, manter a harmonia.
Escolha gostar de você mesmo, se cuidar, fazer o que gosta, ter tempo pra tudo. Enfim, entre as alternativas que aparecerem, escolha SER FELIZ.


TOQUES


´Se tudo falhar, tente a lógica!´ (Robert Half)

´ Cada qual é o construtor do seu próprio destino!´ (Salústio)

´No topo sempre há lugar!´ (Daniel Webster)

?Às vezes um grito vale mais do que uma tese!? (Ralph Waldo Emerson)

?O fracasso é a oportunidade de começar de novo inteligentemente!? (Henry Ford)

?Um hoje vale por dois amanhãs!? (Benjamin Franklin)


Boa-noite a todos.

domingo, agosto 03, 2003

De volta, pedindo desculpas pelo hiato. Muita coisa pra ajustar e resolver. Peço desculpas.

Transcrevo um trecho excelente hoje. Recebi-o por e-mail e guardei-o para vocês.

GRANDE HOMEM


O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio ...
É poderoso - mas não ostenta poder ...
Socorre a todos - sem precipitação ...
É puro - mas não vocifera contra os impuros ...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo ...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido ...
Domina - mas sem insolência ...
É humilde - mas sem servilismo ...
Fala a grandes distâncias - mas sem gritar ...
Ama - sem se oferecer ...
Faz bem a todos - antes que se perceba ...
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém ...
Abre largos espaços - sem arrombar portas ...
Entra no coração humano - sem saber como ...
É como o Sol - assaz poderoso para sustentar um sistema planetário e, assaz delicado para beijar uma pétala de flor ...
Assim é, e assim age o homem verdadeiramente grande - porque é instrumento nas mãos de Deus.

Extraído do Livro DE ALMA PARA ALMA de H.Rodhen

Obs.: Entendamos aqui o Homem como o ser humano (Homem e Mulher).


IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII


Outro trecho interessante, agora sob a forma de história, deve atingir a sensibilidade e a percepção de vocês.


A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO


O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo, chama o menino para uma conversa.

Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e, antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faça de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois, eu volto para ver como ficou. O menino achou que seria uma brincadeira divertida e passou mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai, que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você!
O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Cuidado com seus pensamentos, eles se transformam em palavras;
Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações;
Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos;
Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter;
Cuidado com seu caráter, ele controla o seu destino.


Perdoar é uma atitude de fé. Só perdoa quem é perdoado!


IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII


Até o próximo encontro. Bençãos, paz e muitas alegrias!!!







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O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no
assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer
alguns serviços na horta, ao ver aquilo, chama o menino para uma
conversa.

Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai
dissesse alguma coisa, fala irritado:

- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo.
Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o
filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que
ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um
saco cheio de carvão Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o
acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele
pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no
varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento
seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na
camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou. O menino
achou que seria uma brincadeira divertida e passou mãos à obra. O varal
com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma
hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de
longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão
na camisa.

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela
brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande
espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Zeca só conseguia
enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.
O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que
possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os
resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Cuidado com seus pensamentos, eles se transformam em palavras;
Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações;
Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos;
Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter;
Cuidado com seu caráter, ele controla o seu destino.

Obs.: Perdoar é uma atitude de fé. Só perdoa quem é perdoado!


Tenham uma semana cheia de bençãos, paz e muitas alegrias!!!

sábado, julho 26, 2003

Voltando ao nosso exercício de comunicação. acabei de ler um trechinho tão bonito que me emocionou, do livro intitulado Histórias para aquecer o coração das mães, de Jack Canfield, Marck Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e Marci Shimoff. Curtinha, diz tanto, a história chamada

A BONECA QUEBRADA
Dan Clarck

Eis como uma amiga me contou a história passada com sua filha.

Preocupada com sua demora em chegar da escola, eu estava aborrecida quando ela finalmente apareceu. Com a voz zangada, pedi que explicasse a razão do atraso.
Ela disse:´Mamãe, eu estava vindo a pé com Julie quando, no meio do caminho, ela deixou cair a boneca, que se partiu em mil pedaços.´
´Ah, meu bem´, respondi,´você se atrasou porque foi ajudar Julie a tentar colar os pedaços da boneca.´
Com sua vozinha inocente, minha filha disse: ´Não, mamãe, eu não sabia como consertar a boneca. Só fiquei lá para ajudar Julie a chorar.´


Às vezes, a criança nos pega de surpresa - um procedimento adulto na atitude inocente de uma menina.
Não pode haver forma mais perfeita de ajuda que um gesto espontâneo como este. É este espírito de solidariedade que está faltando à humanidade. Se pensar assim, agir assim, doar-se assim fosse uma constante, um comportamento natural. a humanidade estaria noutro estágio e a Terra já teria saído da condição de planeta de expiações e de provas.


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee


Felinto também nos dá hoje sua sempre bem-vinda participação com o artigo:

A P A L A V R A

Felinto Elízio Duarte Campelo

´Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que ouvem´.

(Epístola de Paulo aos Efésios, 4 : 29)

A possibilidade de comunicação pela palavra articulada é uma dádiva divina ao homem para que se estabeleça o entendimento universal, haja a confraternização entre os povos e, com a troca de conhecimentos, ele cresça em sabedoria.
Ocorre que, infelizmente, essa prerrogativa nem sempre é compreendida e bem empregada. O ´verbo´ que deveria ser utilizado para informar, esclarecer, ajudar, orientar, consolar, congregar tem servido muitas vezes como agente de desagregação, de desconforto, de desnorteamento, de embaraço, de enleio, de ocultação, ou mesmo como instrumento de ferir, de injuriar, de caluniar, de difamar.
A palavra mal conduzida propicia a discórdia, pode induzir ao crime, provocar o suicídio e outros tantos malefícios que atormentam a humanidade.
O ensinamento do Apóstolo Paulo aos Efésios é claro, preciso, insofismável. O Dom da palavra exige respeito, pois nos foi dado por Deus e o seu uso deve ser restrito às ocasiões em que possa servir como edificação de quem fala e de quem ouve.


eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee


Vocês me deixam acalmar o espírito liberando, através da memória, as saudades que estou sentindo de meu pai, falecido há longos 22anos? Necessário dizer que foi de um homem simples, puro como poucos conseguem ser, que viveu em estado de graça, dedicado à família, à doutrina espírita e ao amor fraterno que sempre soube dividir com os que o rodeavam. Vou me sentir melhor, depois disso.


A MEU PAI


Simples, mas requintado,
talentoso, multifacetado,
perfeccionista, um tanto ´machista´
- não ao pé da letra, o modelo protetor, reverente ?
há tanto tempo ausente!
Faça-me uma concessão:
apareça, desça p´ra ver-me,
a saudade, de tão antiga,
lacra-me o peito, não cabe mais em mim.
Lembra? Nossa cumplicidade em família:
- ´você´ em vez de ´senhor´ ?
à época em que a gente miúda
beijava a mão dos mais velhos
pela bênção de cada dia.
Lembra nossos duetos à janela?
Seu assovio belo, mavioso
que eu tentava a todo custo imitar,
nossos improvisos sob a luz das estrelas
- sonhos embalados, inviáveis quase sempre,
mas fantasiados com louca liberdade ?

-Onde está você, papai?

Como se eu não pudesse avaliar!

Em ação, com certeza,
como membro de missões espirituais,
recebendo e orientando os que chegam
ao outro lado da vida
com o empenho e dedicação que punha
em tudo que fazia aqui, na Terra.
Não, pai, não desça, já não me queixo,
não deve demorar tanto o tempo de reencontrá-lo
- A vida é um cometa -
Será um momento sublime,
de incontrolável emoção,
como o que o deixou mudo
quando, ao casar-me, nos separamos
- demonstração de amor e apego
que guardo carinhosamente no coração ?
Fique em paz, meu velho amado,
começo a preparar-me para a etapa final
Mais alguns anos e comemoraremos
nosso reencontro na verdadeira pátria
- a pátria espiritual ?
1998
Rio














segunda-feira, julho 21, 2003

Amigos, meu abraço fraterno , muito afetuoso, no dia em que se comemora o amigo.

domingo, julho 20, 2003

Leda Yara, que todos vocês já conhecem pelas poesias publicadas aqui, recebeu da amiga Mercília Rodrigues, também poeta, o belo poema Ator, que transcrevo abaixo com muita satisfação. Leda é inspirada e sensível e costuma refletir em cima dos textos que recebe e lê, sempre com extrema propriedade e bom senso. Vocês vão ter assim oportunidade de conhecer seus dotes em prosa também.


A T O R

Mercília Rodrigues


A máscara do rosto cai!
A primeira?
Não! Múltiplas facetas.
História que se esvai...
Contada em cada tempo de um jeito,
no farfalhar de páginas rasgadas,
com fantasias embutidas nos trejeitos.
Longe as máscaras atiradas !
Todas? Todas nunca arremetidas,
Em cada instante de vivência,
até em espelho refletida,
mostra-se apenas aparência!
Palco da vida! Teatro de fantoches!
As mil figuras que se enlaçam
traçam o enredo de deboches,
cenas ocultas que perpassam...
no conduzir o desfecho em cada ato,
desempenho da função de mil atores
mascarados de si mesmos com aparato,
nas mentiras se alojam seus valores!
Cai o pano... disfarces escondem-se.
Hipocrisia? Inveja ou ironia?
Onde?
No teatro imenso do teu eu!
Contracenando contigo lado a lado,
neste papel de ator que é teu...
Vais despedaçando imagens do passado!


REFLEXÕES

Leda Yara


A vida é um grande palco. Quase sempre ficamos meio desnorteados com os diversos papéis desempenhados à nossa volta, diariamente, por aqueles que cruzam conosco ou mesmo convivem conosco. Muitas vezes, nem percebemos que estamos contracenando com os outros atores e o espetáculo continua, sem que nos demos conta de que a próxima "fala" do outro é uma seqüencia da nossa "fala", no espetáculo.

Aos poucos, à medida que vamos nos aprofundando no conhecimento de nós mesmos e amadurecendo para os mistérios da vida, as dificuldades, os desnorteamentos, os desapontamentos, as decepções vão cedendo lugar à compreensão dos atores e dos papéis que eles escolheram para desempenhar no palco da vida. Esta é uma das grandes ciências da escola do viver: conhecer-se e compreender.

Muitos dos que seguem a doutrina espírita costumam eximir-se da responsabilidade de seus atos ou desqualificam a responsabilidade dos atos dos outros, despejando as conseqüências das escolhas feitas, quando já estamos aqui, sobre "os compromissos assumidos antes de retornarmos ao plano físico". Acredito que não são tantos os encargos que assumimos antes de voltarmos aqui. Aliás, acho mesmo que são poucos, quando comparados com o desempenho inteiro da nossa vida. A maioria dos nossos estados, seja no plano espiritual, seja no físico, seja no emocional, enfim, a maioria dos acontecimentos da vida são conseqüência das nossas escolhas quando já estamos no plano terrestre.

Nós nascemos livres. Almas e mentes transparentes como o ar, papel em branco e lápis na mão, prontos para as anotações do script que vamos representar no palco da vida. Nem mesmo sabemos falar direito e já temos pequenos scripts para decorar, já começamos a criar nossas primeiras máscaras e disfarces, para nos sairmos melhor das situações e aplaudidos pela pequena platéia que nos assiste, então.

À medida que vamos crescendo, mais e mais scripts vão sendo anotados no nosso bloco de notas. As máscaras e os disfarces vão ficando sedimentados pelos jogos partilhados com os demais atores da peça.

Pronto! Chegamos ao ponto em que já decoramos nossos papéis, definimos como atuar nos diversos atos do espetáculo e nos sentimos prontos para nos apresentarmos no palco da vida. E saímos por aí, vida afora, repetindo os nossos espetáculos, cada vez que uma mesma situação se apresenta. Na maioria das vezes, ou por inocência, ou por falta de coragem ou de humildade, não paramos um pouco para avaliarmos o nosso desempenho. Não paramos para rever os efeitos da nossa atuação sobre os outros e, mais importante ainda, sobre nós mesmos, já que, pela lei da causa e efeito, tudo retorna pará nós na mesma forma em que executamos nosso papel.

Amadurecer, significa reavaliar e reescrever os nossos próprios papéis e aceitar os papéis que os outros escolheram para si. Aceitar não significa compartilhar, estimular ou se apiedar. Aceitar é compreender que o outro é livre para escolher os seus papéis, mas que deve se responsabilizar pelas conseqüências de suas escolhas, sejam essas conseqüências boas ou não. Quando não deixamos ao outro a responsabilidade pelos seus pensamentos, atos e palavras, estamos lhe negando oportunidades valiosas de crescer e de amadurecer.

A mente humana é a maior e única ferramenta exclusiva, pessoal e intransferível que o Pai nos doou. É uma ferramenta tão poderosa que se constitui na única pela qual nos comunicamos com o Divino. " Quando a cabeça não pensa, o corpo padece" ou, "O corpo vai pra onde a cabeça manda". Todos nós já ouvimos, com certeza, esses ditados. É na nossa mente que está o controle de todos os estados de cada um de nós. E os nossos scripts estão , exatamente, aí. Na nossa mente. É aí que estão os papéis que os atores desempenham no palco da vida.

Eu os compreendo. Compreendo-os e os aceito. Aceito-os e os respeito pelo direito que têm de escolher os seus próprios destinos. Aceito-os e os respeito porque talvez nem percebam que podem modificar seus papéis no momento em que bem quiserem. Aceito-os, porque me aceito como sou e é a partir dos outros que tomo consciência do quanto ainda tenho que progredir na minha caminhada.


ooooooooooooooooooooooooooooooooooo


Abertos poema e prosa pra apreciação. Quem quiser expressar alguma opinião, estão aí o sistema de comentários e o e-mail. Podemos conversar à vontade. Por mim, elas, as autoras, estão em crédito.
Até mais.