quarta-feira, novembro 20, 2002

Alô, alô, amigos! Vejam que contribuição linda eu lhes trago hoje, vinda de uma amiga de fé e companheira de Internet. Ela nem sabe ainda que vai iluminar esta página hoje, é uma surpresa que quero fazer-lhe. Apreciem, então, o inspirado poema que ela construiu em torno do estado de espírito que deve prevalecer em uma pessoa que se recolhe para entrar em prece.

P R E C E
Lêda Mello


Que eu tenha a capacidade de estar só.
Ausente de todas as coisas que me impedem
de ver a luz que emana da divindade do meu ser.

Que eu possa entender
a mensagem silenciosa de fé e de esperança
que a natureza nos envia,
a cada dia,
através do simples existir de todas as criaturas.

Que eu saiba me despojar
de todo o peso do meu orgulho
e da minha vaidade,
assim como a flor que desabrocha
em toda sua beleza e perfume,
feliz, apenas, por ser uma flor.

Que eu me esqueça,
deixando a minha mente limpa,
vazia dos meus temores,
ansiedades e preocupações,
livre de todas as amarras.

Que eu possa estar só,
e, assim, penetrar na prece
de alma lavada,
espírito livre e coração de criança,
pronta para falar com Aquele
a Quem pertenço.


Lindo, não é mesmo? Ela é a Lêda Yara e é uma amiga pra valer.

Aproveitando o mote, posso acrescentar que a prece, sobre ser ato necessário e freqüente, é um ato que exige uma espécie de desligamento dos pensamentos terrenos, de recolhimento, de contrição, de entrega. Quem ora não deve limitar-se a pedir soluções para problemas pessoais ou de pessoas afins. Orar é mais que pedir ajuda para resolver impasses. Orar é despojar-se, é mostrar-se consciente das próprias fraquezas, é pedir ajuda a Deus no sentido de dominar o próprio orgulho, vaidade, ambição que desvirtuam ou interditam o caminho da aprendizagem, fazendo por vezes, o espírito desperdiçar o exercício de uma encarnação.
Deve-se orar para pedir forças para enfrentar uma situação difícil ou dolorosa, deve-se orar para pedir capacidade de prestar ajuda a um irmão que se acha em sofrimento, deve-se orar para que a sociedade acorde e entenda que o comportamento humano está em crise porque os mandamentos da lei de Deus não estão sendo observados como deveriam.
Enfim, a prece, como ensina Allan Kardec, é uma invocação pela qual colocamos o pensamento em relação com aqueles a quem é dirigida. Através dela, podemos pedir, agradecer, louvar. Pedir por nós mesmos e por nossos irmãos, sejam encarnados ou desencarnados; agradecer as bênçãos obtidas; louvar a grandeza e a justiça de Deus.


Adeusinho por hoje. Estarei de volta assim que puder.
Que nossas preces ajudem a melhorar nosso campo de provas que é a Terra.



domingo, novembro 17, 2002

Estou de volta querendo soltar pra vocês a parábola prometida. Quero ter certeza de que todos têm do vocábulo PARÁBOLA a idéia exata do seu significado.Tomo esta cautela para que ninguém estranhe que eu fale de parábola sem exibir uma das parábolas usadas por Cristo quando de sua passagem na Terra. Na realidade, parábola "é uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior." (dicionário do Aurélio); ou "narração alegórica que contém algum preceito moral: As parábolas de Cristo encerram ensinamentos admiráveis." (Dicionário Mirador Internacional); ou ainda, "espécie de alegoria que envolve algum preceito de moral [Diz-se especialmente das alegorias empregadas nos Evangelhos]" -(Dicionário de Caldas Aulete).
Feito este preâmbulo, vamos à parábola.


DESAFIO

Ouvi uma antiga parábola - deve ser muito antiga, porque naquela época Deus costumava morar na Terra...

Um dia um velho fazendeiro veio a Deus e disse:
"Olha, você pode ser Deus e ter criado o mundo, mas preciso lhe dizer uma coisa: você não é fazendeiro, e não sabe nem o abc da agricultura. Você tem muito o que aprender."

Deus disse:
"O que você sugere?"

O fazendeiro respondeu:
"Dê-me um ano e permita que as coisas sejam de acordo comigo, e veja o que acontece. Não haverá mais pobreza!"

Deus concordou, e um ano foi dado ao fazendeiro. Naturalmente ele pediu o melhor, pensava somente no melhor - nada de trovões, nada de ventos fortes, nenhum perigo para a safra.Tudo confortável e aconchegante, e ele estava muito feliz. O milho estava crescendo tanto!

Quando queria sol, havia sol, quando queria chuva, havia chuva, o quanto quisesse. Nesse ano, tudo estava certo, matematicamente certo. O trigo crescendo tanto...

O fazendeiro ia a Deus e dizia:
"Olhe! Dessa vez a safra será tão grande, que por dez anos, mesmo que as pessoas não trabalhem, haverá comida suficiente!"

Mas quando fizeram a colheita, não havia grãos. O fazendeiro ficou surpreso. Ele perguntou a Deus:
"O que aconteceu, o que saiu errado?"

Deus disse:
"Por não existir nenhum desafio, nenhum conflito, nenhuma fricção, já que você evitou tudo de ruim, o trigo permaneceu impotente. Uma pequena fricção é uma necessidade. As tempestades são necessárias, os trovões e os raios são necessários. Eles agitam a alma dentro do trigo!"

Esta parábola tem um valor imenso.
Se você for apenas feliz, e feliz, a felicidade perderá todo o sentido. Será como se alguém estivesse escrevendo com giz branco em uma parede branca - ele pode continuar a escrever, mas ninguém será capaz de ler. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os dias de felicidade. Isto eu chamo de compreensão. E lentamente, quanto mais você percebe o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, você para de pedir, para de escolher. E você descobriu o segredo.

Viva com este segredo, e de repente ficará surpreso: Como as bênçãos da vida são imensas! O quanto é derramado sobre você a cada momento! Mas você tem vivido em suas expectativas, em seus pequenos, insignificantes desejos triviais, e porque as coisas não se ajustavam a seus desejos, você ficava infeliz.

Quando você segue a natureza das coisas, não existe nenhuma sombra. Então, mesmo a tristeza é luminosa. Não é que a tristeza não virá; ela virá, mas não será sua inimiga. Você a acolherá, porque verá sua necessidade. Você será capaz de ver sua graça, será capaz de ver porque ela está ali e porque é necessária. E sem ela você será menos, não mais.

Do site : http://www.caravansarai.com.br/ConDesafio.htm


Então? Interessante? Um jeito de derivar um pouco das considerações teóricas a respeito de assuntos polêmicos sem que nos afastemos muito de nossa intenção de orientar, educar, informar.


Até mais, que a paz reine entre os homens!








sábado, novembro 16, 2002

Rapidinha a visita de hoje. Estou com pouco tempo, mas não quero fazer intervalos grandes em nossos contatos. Queria só saber se vocês curtiram a história de Maria de Nazaré. Imprimindo os módulos de baixo para cima, vocês terão o trabalho completo para relerem ou lerem para um filho, um grupo de crianças, de adolescentes ou de adultos. Todos, provavelmente, vão gostar de conhecer ou repassar história tão dignificante.
Vou deixar hoje com vocês alguns conselhos de um espírito iluminado que nos alerta sobre procedimentos que devemos seguir em determinadas situações de nossa rotina diária. Vejamos o que nos sugere o espírito de André Luiz, pelo médium Chico Xavier, quando fala da caridade do dever.
" De quando em quando, troquemos os grandes conceitos de caridade pelos atos miúdos que lhe confirmem a existência. Não apenas os fatos de elevado alcance e os gestos heróicos dignos da imprensa. Beneficência no cotidiano :
- Não empurrar os outros na condução coletiva.
- Reprimir o impulso de irritação e falar normalmente com as pessoas que nada têm a ver com nossos problemas.
- Aturar sem tiques de impaciência a conversa do amigo que ainda não aprendeu a sintetizar.
- Ouvir, qual se fosse a primeira vez, um caso recontado pelo vizinho em lapso de memória.
- Poupar o trabalho de auxiliares e cooperadores, organizando anotações prévias de tarefas.
- Respeitar o direito do próximo sem exigir de ninguém virtudes que não possuímos.
Todos pregamos reformas salvadoras. Sejamos prudentes para não nos fixarmos inutilmente nos dísticos de fachada. Edificação social, no fundo, é caridade e caridade vem de dentro.

Do livro "Apostilas da Vida" - Editora IDE


É só por hoje. Prometo uma linda parábola para o póximo post, presente de uma amiga querida. Até mais, com muita alegria.

quarta-feira, novembro 13, 2002

Último módulo do texto Maria de Nazaré


Em Éfeso, as idéias cristãs ganham terreno e a casa de João transforma-se num pouso e refúgio aos desamparados, onde o Evangelho é ensinado e a memória do Messias, cultuada. Maravilhosas assembléias ali se realizam, muitas vezes até altas horas da noite.
João prega na cidade e Maria atende em casa aos que a procuram, distribuindo consolação e paz .Sua choupana logo fica conhecida como a casa da Santíssima. É que, em certa ocasião, um leproso, aliviado em suas dores, beija-lhe as mãos dizendo: - Senhora, és a mãe de nosso Mestre e a nossa Mãe Santíssima.
Emmanuel nos diz em“Paulo e Estêvão”, também psicografado por Chico Xavier, que o apóstolo Paulo, ao visitar Éfeso,vai até a casa da mãe de Jesus. Interessando-se pelas narrativas de Maria a respeito da noite do nascimento de Jesus, Paulo promete voltar a fim de recolher elementos para escrever o Evangelho. Maria adere alegremente à idéia, pondo-se à disposição do apóstolo.
Numa outra viagem, Paulo passa por Éfeso. Agora, é a própria Maria, já avançada em idade, que vai, com João, a seu encontro. Mais tarde, o apóstolo é preso e passa dois anos em Cesaréia. Fala a Lucas sobre seu projeto de escrever o Evangelho de Jesus baseado nas informações de Maria e o incumbe desse trabalho. Lucas se dedica à tarefa, legando-nos o precioso relato da vida de Jesus.
Certo dia, relata-nos o irmão X, Maria encontra-se sozinha em casa, quando um pedinte lhe chega à porta, exclamando : - Minha Mãe, venho fazer-te companhia e receber tua bênção.
Generosa como sempre, Maria convida-o a entrar. O mendigo começa a falar, confortando-a carinhosamente. Quem seria aquele que nada pedia, mas oferecia conforto? Onde teria ouvido aquela voz? Estendendo-lhe as mãos, o mendigo fala : - Minha mãe, vem aos meus braços!
Maria vê-lhe as chagas. Olha seus pés. Atira-se em seus braços .Quer ajoelhar-se. É Ele quem se ajoelha, osculando-lhe as mãos a dizer : Sim, minha mãe, sou eu... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos!
No dia seguinte, João assiste Maria em seus últimos instantes. Já não fala. Expressiva serenidade cobre-lhe o rosto e, nesse estado, permanece por longas horas.
Finalmente, liberta-se do vaso físico. Seu filho já não está ali. Saudada por majestosa caravana espiritual, é conduzida ao reino de Jesus. Antes, porém, de chegar a seu destino, quer rever a Galiléia, os pontos palmilhados por seu filho, os lugares . tingidos pelo sangue de seu sofrimento. Em seguida, quer passar pelos cárceres sombrios de Roma, repletos de discípulos do Mestre que aguardam a morte. Acercando-se de uma jovem encarcerada, murmura-lhe ao ouvido: - Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo! Convertamos nossas dores da Terra em alegrias para o Céu.
Só então, vai ao encontro do Filho amado.
Volta Maria à Pátria do Espírito? Onde habitará? O que fará nas altiplanuras criatura tão sublime?
Através da obra mediúnica “Memórias de um Suicida”, Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne Pereira, nos dá notícia da notável e completa assistência aos suicidas em profundo sofrimento no Além, serviço este prestado pela Legião dos Servos de Maria, chefiado por esse ser angélico que teve a honrosa missão de ser a mãe do Redentor.
Nessa obra, há referências ao Departamento Hospitalar, onde os suicidas recompõem o perispírito; e à Cidade Universitária, que abriga os pacientes com alta naquele Departamento e que se encontrem aptas a fim de se prepararem para a reabilitação indispensável .
Segundo o Irmão Sóstenes, diretor da Cidade Universitária, esta é criação da própria Mãe de Jesus, sob seu beneplácito. Em outra parte da obra, Irmão Sóstenes apresenta a seus aprendizes um novo Instrutor, Aníbal, preparado para tal tarefa, através de séculos de abnegação e de amor, dizendo que, um dia, ordem direta há descido das altas esferas de
luz : - Vai, Anibal, e dá dos teus labores à Legião de minha Mãe.
Luiz Sérgio, em “Driblando a Dor”, também se refere aos Lanceiros de Maria que cuidam com desvelo e carinho de espíritos suicidas; e em “Chama Eterna”, alude à Faculdade de Maria, onde belos e importantes ensinamentos são eficientemente ministrados - duas obras psicografadas por Irene Pacheco Machado.
Eis aí um pálido retrato de Maria. Para dar-lhe um pouco de cor e brilho, há o recurso da bela poesia de Maria Dolores - ”Retrato de Mãe”, inserida no livro “Momentos de Ouro”, psicografado por Chico Xavier. Nela, a autora descreve a assistência maternal prestada a Judas, encontrado cego e solitário em região umbralina, muito tempo depois da crucificação de Jesus. Ao dialogar com o suicida, que se mostra preso a terrível remorso, a Benfeitora Maria convence-o a reencarnar-se, argumentando com profundo amor :

“Amo-te, filho meu, e quero
Ver-te de novo a vida
Maravilhosamente revestida
De paz e luz, de fé e elevação...
Virás comigo à Terra,
Perderás pouco a pouco o ânimo violento,
Terás o coração
Nas águas de bendito esquecimento
Numa nova existência de esperança.
Levar-te-ei comigo
A remansoso abrigo,
Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!...
E Judas, nesse instante,
Como quem olvidasse a própria dor gigante
Ou como quem se desgarra de pesadelo atroz,
Perguntou : - Quem sois vós
Que me falais assim, sabendo-me traidor?
Sois divina mulher, irradiando amor
Ou anjo celestial de quem pressinto a luz!...
No entanto, ela ao fitá-lo, frente a frente,
Respondeu simplesmente :
- Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus.”

Aí está o retrato real de Maria, Mãe de Amor, Mãe de Misericórdia, Maria - a Rosa Mística de Nazaré. Que ela ampare todos à Sua volta, encarnados e desencarnados , velando por todas as mães do mundo – mães felizes, mães despreocupadas, mães sacrificadas, mães tristes, mães saudosas – para que estejam sempre presentes na vida de seus filhos, subindo com eles ao Gólgota se assim for necessário, mas mantendo sempre acesa no coração, a chama da fé em Deus – e pela mãezinhas invigilantes e desavisadas que não percebem a sublime missão para a qual estão convocadas afim de que, em tempo, reflitam e passem a guiar seus filhos, almas em recomeço, pelas sendas benditas do amor e da redenção.


Chegamos ao fim do texto. Espero ter correspondido à expectativa de vocês.
Muita paz para todos e até o próximo post.

sábado, novembro 09, 2002

Continuação do texto Maria de Nazaré

O ódio dos fariseus recrudesce enquanto Jesus continua a operar seus prodígios; muitos não o entendem; seus próprios irmãos ficam perturbados com os acontecimentos. Maria inquieta-se pelo destino do filho, embora seu coração, muitas vezes, se encha de alegria e esperança.
Maria vai a Carfanaum, com os outros filhos, em busca de Jesus. A multidão o rodeia e Jesus, sabendo que seus familiares o procuram ,argumenta : “Quem é a minha mãe? Quem são os meus irmãos?
Estaria Jesus repudiando os seus?
Maria, no entanto, entende a lição do filho que eatá ali a proclamar a família universal e, humildemente, volta a Nazaré. Continua em sua pequena casa, entregue às orações, esperando um sinal que lhe indicaria o momento de juntar-se novamente ao filho.
Jesus segue para Jerusalém. A notícia de sua chegada espalha-se rapidamente. E uma multidão posta-se à entrada da cidade, enfeitando as estradas com ramos de oliveira, gritando à sua passagem : “Hosanas ao Filho de Davi, ao que vem em nome do Senhor”.
Permanece no templo grande parte do dia e, por todos os meios, os fariseus e os doutores da lei tentam confundi-lo.
Em Jerusalém, Jesus opera muitas curas e ministra grandes ensinamentos combatendo sempre orgulho, a cobiça, a falta de senso de justiça, de misericórdia, de fidelidade e exaltando a caridade e a humildade.
Mais do que nunca, para os fariseus e os príncipes dos sacerdotes, torna-se necessário eliminar Jesus. No palácio do sumo sacerdote Caifás, trama-se a melhor maneira de prendê-lo. Temem atacá-lo durante as pregações, preocupados com a reação do povo. Aproveitando a traição de Judas, prendem Jesus no Jardim do Getsamani.
É sabido que no dia em que Jesus chega às portas de Jerusalém, João, o filho de Zebedeu, o discípulo amado do mestre, mais tarde conhecido como João Evangelista, chega à casa de Maria e, com ele, ela parte ao encontro do filho. Hospeda-se na casa de Joana de Cusa, onde já se encontravam outras mulheres, vindas da Galiléia, acompanhando Jesus. Há quem defenda a tese de que Maria teria acompanhado o filho em todas as suas viagens e pregações, junto com outras piedosas mulheres.
Começam os momentos cruciais da vida de Maria tão tocantemente descritos pelo irmão X, nos livros Boa Nova e Lázaro Redivivo, ambos recebidos psicograficamente por Chico Xavier.
João vem ter com Maria anunciando-lhe a detenção do Mestre. O coração materno enche-se de consternação e a Deus confia suas preocupações e suas súplicas.
João volta poucas horas depois para dizer-lhe agora do encarceramento do Messias. Maria torna às orações. Em prantos, implora o favor do Pai Celestial. Sai, tenta penetrar no cárcere. Não consegue. Vela suplicando entre a angústia e a confiança. Volta João comunicando que Jesus está sendo acusado pelos sacerdotes e Pilatos o enviará a Herodes Antipas.
Maria não pode conter-se. Segue de perto seu filho, multiplica suas rogativas aos céus. Amparada por Maria de Madalena, consegue chegar às vizinhznças do palácio.
Infinita amargura a aguarda. Seu filho amado está envolto num manto vermelho, tendo às mãos, à guisa de cetro, um caniço imundo e, pousada na cabeça, uma coroa de espinhos!...
Que aproximar-se dele. Ele a olha serenamente, induzindo-a à prece. Maria ora, Maria
confia. Não é Ele o escolhido para a Salvação?
Jesus volta à presença de Pilatos para a decisão de seu destino. E Pilatos prefere entregar ao povo o poder de escolha : Jesus, o benfeitor ou Barrabás, o bandido.
O coração materno enche-se de novas esperanças. A multidão, porém, pede a crucificação de Jesus.
O Mestre caminha para o Calvário. Maria vê seu filho vergado ao peso da cruz. Ela o segue. Ouve as batidas do martelo sobre os cravos, rasgando-lhes as carnes. Vê seu filho erguido no alto da cruz. Posta-se com João aos pés do madeiro.
Alma dilacerada, Maria ouve a voz de Jesus, recomendando- a aos cuidados de João que, amorosamente a enlaça : ---“Mãe, eis aí o teu filho”. ---“Filho, eis aí a tua mãe”.
Inerte, pende a cabeça do Mestre. Misteriosa força sustém Maria. Sim, Jesus é seu filho, todavia, antes de tudo, é o Mensageiro de Deus.
Contemplando-o, repetiu suas inesquecíveis afirmações feitas a Gabriel : ---Eis aqui a serva do Senhor. Cumpra-se em mim, segundo a tua palavra.
Por muito tempo permanece ali com João, em preces silenciosas. Jesus é retirado da cruz.
Jesus ressurge do túmulo ante Maria Madalena, a renovada; mostra-se a dois discípulos na estrada de Emaús que só o reconhecem ao partir do pão; aparece a portas fechadas, junto aos discípulos, plenamente materializado. Pedro registra-lhe a presença junto ao lago do Tiberíades. Materializa-se diante de quinhentas pessoas na Galiléia. Busca Paulo na estrada de Damasco. Visita Ananias a dizer-lhe que socorra Paulo.
Maria recolhe-se em Batanéia, na casa de parentes, por pouco tempo. João vem buscá-la , leva-a para Éfeso e a instala em pequena casa, fora da cidade, com vista para o mar. Será por ela o filho desvelado; receberá dela o carinho e o calor maternal.

quinta-feira, novembro 07, 2002

Continuação do texto anterior - Maria de Nazaré

Maria dirige-se ao filho com uma doce repreensão : ---Por que nos deixaste aflitos à tua procura?
--- Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me com as coisas de meu Pai?
Jesus exibe aí de modo inequívoco o sentido e caráter de sua missão.
Após a famosa apresentação de Jesus ao Templo, Maria recebe a visita de sua prima Isabel com o filho João, conhecido mais tarde como João Batista, em sua casinha pobre de Nazaré.
Humberto de Campos, nosso querido irmão X, no livro Boa Nova, recebido pela psicografia de Chico Xavier, conta-nos o expressivo diálogo entre as duas primas, que se revelam perfeitamente preparadas para a sublime tarefa a cada uma destinada. Isabel confessa- se impressionada com o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da pouca idade. E Maria também
fala do filho, do seu caráter, de seu coração generoso, de sua comunhão com Deus, dizendo que, a seu ver, aquelas duas crianças
trariam para a Humanidade a luz divina de um novo caminho.
Que de apreensões, de receios, de temores, de angústias não torturavam aqueles dois corações maternos, apesar da crença que os sustentava!
E, continua o irmão X, Maria conta à prima a atuação de Jesus no Templo de Jerusalém, as advertências de Eleazar, a quem manifesta seus receios, dele recebendo a promessa de interessar-se pela sorte do rapaz.Todavia, seus receios se multiplicam, pois, regressando a Nazaré, Jesus, embora conhecendo as belas promessas dos sacerdotes, prefere trabalhar na oficina de José, onde, todos os dias, alegremente, empunha o martelo e a enxó.
Os Evangelhos só voltam a falar de Jesus quando ele já tinha atingido a idade de 30 anos. A esta altura, João Batista anda a percorrer todo o vale do Jordão com uma mensagem preparatória : convoca o povo a fazer a purificação através do batismo, pois é iminente a chegada do Messias.
O que teria feito Jesus dos 13 aos 30 anos de idade? Como viveu, trabalhou e estudou até a sua aparição na vida pública? Há quem diga que esteve entre os essênios, no Egito, na Índia, no Tibet, mas é mais provável que tenha permanecido com sua família na pequena cidade de Nazaré.
Segundo S. Asch, Jesus permaneceu em Nazaré, tendo, aos catorze anos, com a morte de José e como filho mais velho, ficado com os encargos de sustentar a família. Substituía o pai na oficina e no ofício e ajudava sua mãe a criar os irmãos para que se tornassem homens de bem.
Os filhos mais novos de Maria casaram cedo e viviam com suas esposas. Somente Jesus e Maria ficaram na pequena casa da colina.
Quinze anos transcorridos, Jesus, agora com 29 anos, leva vida simples. Cuida de suas obrigações, trabalha durante horas na oficina, observa as leis dos rabinos, pratica a caridade, acolhe todos com a melhor boa vontade.
O povo comum, os artífices e trabalhadores do campo, com os quais está sempre em contato, tributam-lhe o maior respeito, pois Jesus lhes ensina a Tora, mostrando-lhes como se deve viver para se ter a sensação da proximidade de Deus. Adora as crianças. Estranham-lhe, porém, o celibato já que o comum é o casamento aos 18 anos.
Assim, Jesus e Maria permanecem, dedicados um ao outro, ambos sempre atentos e amorosos.
A Nazaré chegam as notícias das pregações de João Batista --- um homem, egresso do deserto, vestido com um manto de pelo de camelo e com um cinto de couro amarrado à cintura, postado às margens do Jordão, chamando todos para o batismo. Uma multidão de homens e mulheres, oriundos dos mais diversos pontos da região, deslocam-se para lá. Entre eles, Jesus de Nazaré.
Depois do batismo, retira-se Jesus para o deserto, onde fica quarenta dias e quarenta noites.
De volta do deserto, começa sua missão salvadora. Deixa Nazaré, vai morar em Cafarnaum e sai a pregar por toda a Galiléia, acompanhado pelos seus discípulos.
Maria fica só. É preciso que seu filho cumpra sua missão. Encontram-se nas bodas de Caná, quando Jesus, a seu pedido, transforma água em vinho para a cerimônia, tirando o noivo de uma situação vexatória.
Maria acompanha de longe os passos de seu filho amado.
A fama de Jesus propala-se até a Síria. De todos os lugares - Decápolis, Jerusalém, Judéia, Transjordânia, acorre gente a procurá-lo. Enormes multidões o seguem : doentes, lunáticos, cegos, paralíticos.
Durante suas andanças pela estradas da Galiléia, Jesus ensina o amor, a caridade, a humildade. Reinterpreta as leis, resumindo-as no "Amai-vos uns aos outros", atraindo com isso a antipatia dos fariseus.

Mais outro módulo. Missão cumprida. Até amanhã com mais história de Maria e seu filho Jesus.

Que estejamos aprendendo e que possamos espalhar esses ensinamentos sempre.

quarta-feira, novembro 06, 2002

Continuação do texto anterior - Maria de Nazaré

Para lá se dirigiram os pastores encontrando Maria, José e a criança. Sentiram que aquele menino viera para mudar o mundo.
Saíram proclamando o acontecimento, contando o que haviam visto e ouvido. Nascera o Messias, o Salvador tão ansiosamente esperado pelos judeus daquela época.
No oitavo dia após o nascimento, Jesus foi circuncidado, conforme o costume entre os judeus. Chegara o dia em que, segundo a lei de Moisés, mãe e filho deveriam passar pela purificação, no Templo.
José os leva, pois, a Jerusalém. Lá, encontram o velho Simeão que aguardava a morte como uma doce consolação, pois havia recebido a revelação de que não morreria sem que antes houvesse contemplado o Cristo do Senhor.
Toma o menino em seus braços, exclamando, emocionado, que poderá, agora, morrer em paz. Aqui está o Salvador.
José e Maria ficam maravilhados com as palavras de Simeão. Maria, entretanto, inquieta-se ao ouvi-lo dizer que aquela criança estava destinada à queda e ao reerguimento de muitos em Israel, dizendo-lhe ainda que uma espada lhe atravessaria a alma.
Havia ali, também, uma profetisa, Ana, de 84 anos que se pôs a bendizer a Deus e a falar do menino e seu glorioso futuro.
Pouco tempo depois do nascimento de Jesus, apareceram em Jerusalém os três Reis Magos, vindos de terras do Oriente. Perguntavam onde encontrar Jesus, o rei dos Judeus. A notícia chegou a Herodes que temeu que o menino se tornasse um perigo para o seu trono. Mandou chamar os Magos e pediu-lhes que, assim que localizassem a criança, avisassem-no, pois tinha a intenção de adorá-la também.
Partiram os magos para Belém, distante apenas 9 km de Jerusalém, já que as profecias apontavam a cidade de Davi, como o berço do Salvador. Guiados pela estrela que lhes anunciara a Boa Nova, no Oriente, encontraram Jesus e, prostrados ao solo, renderam-lhes homenagem, deixando como presentes ouro, incenso e mirra, mercadorias preciosas da época. Depois, voltaram para seu país sem procurarem Herodes. Tinham sido avisados, por um sonho, das intenções do governador de Jerusalém. Este, percebendo que fora enganado pelos magos, determinou a matança de todas as crianças nascidas em Belém, nos últimos dois anos.
Avisado por sonhos, José decide fugir à perseguição que irá desencadear-se. Fogem os três para o Egito , onde permanecem até a morte de Herodes.
Um sonho o avisa de que pode deixar o Egito. Volta,enfim,Mai José com sua família para Nazaré.
Como teriam sido os primeiros anos de Jesus?
Pouco se sabe. Como toda mãe, Maria teria cuidado de seu filho com desvelo, amamentando-o, acompanhando seu crescimento, seu desenvolvimento, vendo-o encher-se de sabedoria. E a graça de Deus repousava nele, falam os Evangelhos.
O historiador Sholem Asch, entretanto, fala-nos em detalhes, desses primeiros tempos : da dedicação de Maria, de seus cuidados com o filho, com suas roupas sempe alvas, com sua alimentação, com a sua instrução religiosa; fala dos irmãos de Jesus; da imensa confiança de Maria em Deus. Conta-nos como Maria apresentou Jesus, aos seis anos de idade, à sinagoga, onde aprenderia a Tora; o primeiro dia de aula de Jesus, a impressão causada ao preceptor, a convivência com os colegas, a inveja que despertou em uns e a afeição em outros; o desagrado do rabino por ter Jesus ajudado um bastardo e ter defendido sua posição com palavras dos Profetas, o que culminou com sua expulsão da escola; o apoio de Maria ao filho, secundada por José, não exigindo dele uma retratação.
Jesus está com doze anos quando acompanha seus pais numa peregrinação a Jerusalém. É época da celebração da Páscoa com duração de oito dias. Integrados em uma caravana, rumam para Jerusalém. Durante a viagem e, depois,já na cidade, as crianças têm consentimento de andar livremente.
José e Maria voltam à caravana para a viagem de regresso e não vêem Jesus. Procuram pela caravana inteira e não o encontram. Aflitos, voltam a Jerusalém. Depois de três dias de busca, encontram Jesus no Templo, discutindo com os rabinos, que se mostram admirados com tanto conhecimento, tanta sabedoria.


Mais um módulo do texto em apresentação. Espero que, concluído, sirva de inspiração, de consolo, de ajuda. Mais um pouco e entregarei a vocês um abrangente trabalho sobre Maria.

Até mais . Muita paz e tranqüilidade.